Bittersweet.
46 45. Apenas avisando.
Notas iniciais
— Você é louca?!
Ouviu a voz antes mesmo de perceber sua chegada, voando em uma velocidade mortal e perigosa, um pé indo para sua direção com fúria.
Cruzou os braços no seu rosto em resposta, se protegendo do golpe que vinha em sua direção com uma resposta rápida, como se a reação fosse esperada. Um mínimo sorriu surgiu no canto de seus lábios.
— É uma criança! — Sua voz saiu indignada, com uma fúria surpreendente até mesmo para ela. — Que espécie de monstro você é?! — Suas asas bateram com mais força, recuando rapidamente para voltar a atacar.
Asas negras e maiores se esticaram em resposta, um sorriso de caninos afiados brotou em seus lábios, os olhos vermelhos brilharam em expectativas e então alçou voo.
Não iria recusar.
Rouge grunhiu em resposta, com a mudança de tática e reação. Olhando para a morcega com nojo e revolta.
Com punhos fechados, avançou no ar para um ataque direto, usando sua habilidade ao seu favor. Mas, para sua surpresa, percebeu que não era tão boa quanto imaginava.
Um a mão erguida, Mary interceptou o ataque, segurando o soco sem apresentar estar fazendo nenhum esforço físico para tal.
— Isso não é atitude de uma agente GUN, Rouge. — A morcega negra repreendeu séria. — Atacar seus superiores é uma quebra grave de conduta, estamos em meio a uma missão, guarde seus ataques de raiva para uma ocasião mais oportuna. — Sua voz soou calma, seus olhos rubros no entanto, brilhavam com a provocação.
— Você...! — Gritou enquanto usava sua mão livre para tentar outro soco, era uma ação inútil. Mary tinha suas duas seguras com força, impedindo-a de fazer qualquer movimento ofensivo.
No entanto, seus olhos aqua se desviaram para trás da morcega, um sorriso enigmático em seus lábios. A expressão de Mary se fechou com a ação, sabia o que significava, no mesmo instante em que sentiu a aproximação rápida e feroz, não era capaz de sentir energia caótica, mas tinha sua intuição e treinamento.
A armadilha não lhe surpreendeu, mas não podia deixar de admitir que eles foram astutos, aproveitando sua guarda baixa para atacarem. Não tinha tempo para desviar do golpe, mas não era sinal de que havia sido de fato surpreendida.
O golpe veio, impetuoso, direto para seu maxilar a fazendo se afastar de Rouge com uma velocidade impressionante, fechou um dos olhos, onde seu rosto foi golpeado. Doía, mas era suportável. O equidna se afastou, caindo sobre alguns destroços de um prédio, não sendo capaz de permanecer no ar por tanto tempo, mas exibia uma expressão orgulhosa.
Mary franziu a testa, olhando para a cena.
Ela se lembraria disso.
Girou seu corpo no ar, seus sapatos tocando a parede ainda intacta de um dos prédios, fazendo um ‘pouso’ quase perfeito, contraiu suas pernas, abrindo suas asas e batendo-as para a içar para o topo do prédio, onde ela pousou cruzando os braços.
— Não são tão sutis quanto deveriam. — Comentou enquanto olhava para o quarteto a sua frente com faixas coloridas em seus rostos e armas perigosas nas cinturas ou costas, olhou para eles com uma seriedade assustadora. — O que fazem aqui? É área restrita.
— Vimos na televisão que estavam com problemas — deu de ombros o que tinha a faixa azul, soava como um líder.
— E não parecem que estão conseguindo alguma coisa — o de faixa vermelha zombou, olhando para ela com arrogância. — Acabou de levar uma surra do vermelho lá.
Mary olhou para ele com os olhos vermelhos frios, ignorou sua provocação por hora. Não tinha tempo para perder com futilidades.
— Eu deveria ter lidado com os repórteres quando tive tempo — ela comentou bruscamente —, me pouparia estresse.
Assim que terminou sua frase, o som de uma explosão soou há alguns metros abaixo, seus olhos se desviaram para lá, sabendo que era exatamente o lugar onde o avião que veio estava.
— Agora está resolvido. — Comentou com desinteresse. — Saiam daqui enquanto antes, Splinter não vai ficar feliz com a atenção indesejada que vocês irão chamar. — Deus as costas para ele e caminhou alguns metros, até a beirada.
Suas botas estavam bem na ponta quando ela parou e virou a cabeça para eles, com uma frieza cortante.
— Isso é apenas um aviso. — Falou em entonação. — Não entrem no meu caminho.
Suas asas se abriram antes dela sair, rapidamente dali, não ouvindo o que o de faixa roxa comentou enquanto coçava a cabeça.
— Cara, ela é sinistra.
— Não é muito inteligente para um membro de alta elite, Rouge! — A voz de Mary soou alta, acima de onde ela e o equidna estavam. — Uma criança teria sido mais perspicaz. — Zombou com um sorriso de canto, olhando para a dupla com ar superior.
— O que ela está falando? — Knuckles estava olhando para seu ombro quando perguntou, comportamento estranho que ela ignorou.
— Acha mesmo que eu mataria algum inocente? — Cuspiu sarcástica, limpou o sangue que escorria de sua boca com asco. — Vamos lá, Nails, você é melhor que isso!
Os olhos aqua da morcega albina se alargaram, enquanto sua postura enrijecia e engolia em seco, dando um passo para trás. Mary ignorou a reação e equidna do seu lado fazia a cabeça confuso, a ameaça de Eggman esquecida enquanto ele olhava de Mary para Rouge sem saber o que dizer.
— O que está acontecendo aqui? — Shadow apareceu ao lado deles com uma velocidade impressionante, fazendo Knuckles pular com o susto e Rouge olhar para ele sobressaltada. Seus olhos piscando sem expressão.
— Sua companheira precisa de um treinamento adequado, agente. — Mary tinha o tom superior de censura, olhando para Rouge com decepção.
— Ela derrubou o Tornado! — Knuckles apontou o dedo acusatoriamente para a morcega negra, que apenas lhe olhou com olhos avaliativos.
Shadow olhou para o avião caído, aos pés do robô de Eggman e depois para eles, antes de fechar a cara em desgosto.
— Não era o garoto.
Knuckles arregalou os olhos com surpresa e confusão. Já Rouge deu-lhe um olhar vazio.
— Como esperado do Ultimate Lifeform. — Mary elogiou categoricamente. — Essa erra uma cópia, uma farsa, vocês estavam sendo espionados e enganados esse tempo todo.
Knuckles deu um passo para trás. Rouge deixou seus joelhos cederem, não suportando o peso de seu corpo.
Ela sentiu-se enganada e inútil, mas de certa forma, as peças se encaixavam, mas a pergunta que não tinha a resposta em seus pensamentos era também a mais angustiante:
Há quanto tempo estavam sendo enganados?
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