Bittersweet.
38 38. Sangue, suor e lágrimas.
Notas iniciais
A semana transcorreu com ritmo lento e tranquilo, apesar de tudo.
Passou a se seguir uma nova rotina entre eles, de forma com que pudessem cuidar de Sonic e dos seus afazeres, sem um ter que atrapalhar o outro, o que de certa forma não ajudava tanto, levando em consideração que estávamos falando de Sonic.
O ouriço parecia desgostoso da atenção desnecessária que estava recebendo por parte das mobians, até mesmo Nyazu estava disposta a ajudar, mesmo que ela ainda encontrasse dificuldades.
Uma das rotinas acrescentadas, além do uso dos hormônios sempre antes de dormir, era que Mary sempre mediria sua pressão arterial, ele não entendia a razão, mas ela estava completamente irredutível quanto a isso.
Seus dias eram tediosos, para dizer o mínimo, não sendo permitido sair do campo de visão das morcegas, ele se via sem quaisquer meios agradáveis de matar o tédio, limitado a se sentir em frente à televisão e assistir qualquer programação que Nyazu estivesse vendo no momento, acabando dormindo no sofá pela inatividade e tédio.
Em maioria, seus dias eram resumidos a comer em intervalos regulares perfeitamente regulados por Mary e Rouge e dormir, esse último como recurso de preservar sua energia, o que ocasionava em um Sonic sonolento e dormindo grande parte do dia.
A busca por uma esmeralda ainda estava ativa, agora tendo a adição de Mary na equação, porém isso não tornava a busca mais fácil, só que agora havia duas pessoas procurando, ao invés de somente uma.
O que complicava muito as buscas eram os horários, Mary tinha uma rotina puxada e tinha que seguir todo seu cronograma à risca, até mesmo levando trabalho para casa, enquanto ainda tinha que manter sua atenção dividida entre dois mobians que estavam sob sua custodia.
Era algo que até mesmo Sonic notava que a estressava, o excesso de trabalho, as noites em que ela tinha que sair, pouco a viu durante a semana, só algumas poucas vezes, enquanto Rouge quase sempre estava presente. Quando nenhuma das duas poderiam estar, ele ficava em companhia da raposa, que ele acabou nutrindo um carinho, lembrando-se de quando Tails ainda era um jovem e indefeso filhote que resgatou.
Pensamentos assim acabam por lhe entristecer, não passando despercebidos pelo olhar de Nyazu que inocentemente lhe perguntava o que aconteceu, sendo respondida sempre com um dar de ombros e uma desculpa qualquer, geralmente mentiras, mas que ela não parecia perceber.
No segundo dia, porém. Receberam a visita de uma overlander que ele já tinha conhecido antes, mas que era uma visita totalmente inesperada para si. Viu que pelo dia ela estava ali para lhe vigiar pelo dia, enquanto Mary parecia extremamente ocupada com tarefas e funções que ele desconhecia quais eram, mas que não iria se intrometer.
Por mais que sua rotina tivesse mudado com a breve mudança para o apartamento de Mary, ainda assim alguns pequenos detalhes insistiam em permanecer os mesmos, um deles, talvez o mais claro e óbvio, eram seus sonhos ou melhor, seus pesadelos.
Geralmente recheados de imagens perturbadoras que seu subconsciente gostava de jogar em seus sonhos, torturando-o e o fazendo despertar aos gritos e com a pulsação desenfreada, algo que para seu desgosto ele estava começando a se acostumar. Seus despertares abruptos não passavam desapercebidos pelos residentes, muito pelo contrário. Sempre era recebido por olhares castanhos preocupados e carmesins sonolentos, apesar dele nunca ter ouvido Nyazu reclamar de si, sabia que ela não estava nenhum pouco gostando de ter seu sono interrompidos.
Ele odiava a grande e impressionante capacidade de seu subconsciente de lhe torturar, geralmente seus sonhos nunca terminavam bem, no entanto, naquela noite em particular, seus sonhos não eram nenhum pouco puros, pelo contrário.
O que era totalmente estranho para si, levando em consideração que, ele não teve nenhum pensamento sobre atos relacionamentos durante a semana, mas, essa noite parecia se destacar.
.
Estava sendo fortemente prensado contra uma árvore, o corpo negro pressionado ao seu, os olhos carmesins crepitavam com uma chama estranha, quentes e irresistíveis, perfurando os seus olhos esmeraldas enquanto suas mãos detinham o controle das suas, lhe impedindo de correr para qualquer lugar.
Não era como se ele quisesse correr para qualquer lugar.
— Estamos impacientes hoje, não estamos? — Provocou, um sorriso lascivo em seus lábios pêssego, enquanto ele mexia seu quadril, se esfregando no corpo negro, provocando arrepios em ambos os ouriços presentes e fazendo com que de repente Shadow encontrasse dificuldades para manter a respiração corretamente.
— Cale a boca. — Ouviu a voz dele soar, rouca e necessitada, soando como música para seus ouvidos, fazendo com que sentisse de repente um desejo de ser possuído ali mesmo, se isso significasse ter aquela voz rouca murmurando palavras desconexas em seus ouvidos.
A expectativa era grande, assim como a tensão sexual, Shadow não enfraquecia seu aperto sobre Sonic, enquanto o mesmo fazia questão de lhe provocar, os olhos verdes escurecendo de desejo.
Tão rápido quanto somente os dois pareciam ser, Sonic estava com o rosto prensado contra a árvore, sua barriga pêssego presa contra a madeira áspera, enquanto tinha suas costas Shadow, seus braços estavam presos sobre sua cabeça, uma mão só tinha a tarefa de lhe deter, enquanto a que estava livre não estava nenhum pouco quieta.
Sua mão deslizava por seu lado, subindo e descendo, seus dedos acariciavam seu pudor algum, apertando ocasionalmente seus quadris, Sonic parecia entretido em gemer e suspirar falsamente, sabendo que Shadow era bastante sensível aos sons que ele poderia produzir, podendo até mesmo perder controle de seu corpo.
Ambos pareciam estar claramente sedentos e famintos pelo que viria acontecer a seguir, estavam ansiosos, desejosos, a expectativa era alta.
A mão parou em sua nádega, primeiro acariciando, apertando os músculos e depois desferiu um rápido e forte tapa estalado, fazendo com que um grito misturado com gemido saísse engasgado de sua boca entreaberta.
— Você é meu, ouriço. — A voz saiu tensa, arrastada e rouca, baixa o suficiente para sair como um sopro em suas orelhas azuis, estas que se abaixaram em submissão, apesar de o sorriso no rosto do Sonic demonstrar o contrário.
— Ah, é? — Sua voz saiu zombeteira, seu sorriso mascarava seu crescente desejo. — Eu não lembro de nenhum- ah!
Sua sentença foi interrompida pelo volume que ele sentia sendo posto entre suas nádegas, claramente alguém não queria perder tempo.
Antes que Sonic pudesse dizer qualquer coisa, Shadow o penetrou com força e rapidez, fazendo com que o ouriço tivesse que ser amparado para que pudesse permanecer de pé, seu rosto vermelho, os olhos vidrados e a boca entreaberta, se ele tivesse qualquer provocação para fazer, certamente ela já tinha sido devidamente esquecida, talvez nunca seria lembrada.
Ela uma mistura de sensações, prazer era talvez a maior e a mais poderosa delas, apesar da tentativa de Sonic de recuperar sua dignidade, Shadow não iria ceder o controle.
Ele foi virado novamente, seus olhos mesmo que sem foco viam vagamente os vermelhos escuros e cheio desejo, quentes e ao mesmo tempo perigosos. Oh, como ele sabia o quanto perigoso ele poderia ser.
Suas pernas rodeavam a cintura negra em um aperto sufocante, mas que Shadow tampouco parecia se importar, suas mãos se apoiavam na árvore enquanto dava fortes e precisas investidas, fazendo que Sonic se tornasse uma bagunça de gemidos e palavras desconexas, ocasionalmente deixando escapar algum palavrão que fazia Shadow resmungar de desgosto, mas que o ouriço azul ignorava preso em sua própria bolha de prazer.
Uma das mãos negras tocavam seu queixo, seu polegar deslizando pelos lábios secos enquanto Shadow por si mesmo parecia estar tendo uma imensa luta para decidir algo, por fim, ele finalizou sua decisão com algo que surpreendeu o ouriço azul de uma forma com que ele se sentiu em misto de confusão e mais desejo.
A boca de Shadow estava na sua, tomando seus lábios em um beijo áspero, feroz e faminto, nenhum pouco tímido ou suave, era quase como se ele quisesse devorar sua boca por inteiro, a língua invadindo sua boca com determinação, fazendo com Sonic se sentisse sendo duplamente invadindo, ele tentava recuperar o controle e provocar ainda mais Shadow, mas não ajudava em nada que de repente ele tinha dois dedos brincando e apertando um de seus mamilos sensíveis, fazendo com que toda sua resistência se dissolvesse se transformasse em um boneco em suas mãos ágeis.
Ele adorava ceder à Shadow, amava ser possuído mais e mais, até que ele se desfizesse em um orgasmo avassalador.
Em realidade, Shadow sozinho nunca conseguiria controlar aquele ouriço tão irritante e imprevisível, não. Sonic não admitiria em voz alta, mas ele amava presenciar o lado dominante e possessivo de Shadow, embora ele só demonstrasse durante o sexo e em nenhum momento mais.
Seus pensamentos eram completamente nublados enquanto era possuído em um ritmo rápido demais para que pudesse formar qualquer linha sequer de pensamentos, sua boca agora sendo possuída por vezes emitia sons incompreensíveis misturados com os gemidos que pareciam intermináveis, embora ele mesmo não fizesse por querer, Shadow sabia onde e como tocá-lo para simplesmente o levar para a completa loucura, perdido em um mar de sentimentos que ele simplesmente não conseguia nomear.
O calor aumentava, ao ponto de ser quase insuportável, os corpos suados se esfregavam, a boca ávida, agora lhe dava descanso de seus lábios, deixando com que seus gemidos saíssem cada vez mais altos e sem restrições, embora a boca não tivesse deixado seu corpo ainda, insatisfeita e buscava outros pontos de tortura.
Sonic fechou os olhos, se deixando levar pelas sensações, pelos toques, beijos, mordidas e beliscões, seus mamilos com certeza ficariam doloridos demais, mas quem se importa? Quando se estava sendo levado do céu para o inferno em questões de poucos minutos, quem se importa com marcas e a dor pós sexo?
Certamente Sonic não se importava.
— Você é meu. — Foi um rosnado rouco vindo de Shadow, Sonic estava genuinamente surpreso que Shadow pudesse formar palavras totalmente compreensíveis quando nem ele mesmo conseguia sequer formular uma linha sequer de pensamento.
Antes que ele pudesse fazer qualquer observação sobre o que Shadow disse — ou pelo menos tentar —, dentes firmes e fortes se fecharam na carne de seu pescoço, a dor lacerante misturava com o prazer do sexo foi o suficiente para o levar a um dos orgasmos mais potentes que ele já lembrou ter tido.
Seu corpo se encontrava em uma mistura de sangue, suor e lágrimas.
.
Ele não sabia como, mas acordar parecia ser sido a ação errada naquele momento.
Era claro que seu corpo reagiria depois de um sonho erótico, não era nenhum mistério, previsível.
Sinceramente esperava que ninguém tivesse notado algo ou que pelo menos ele não soltou nenhum gemido constrangedor alto demais, ele rezava por isso.
Sua respiração estava descompassada, difícil. Seu coração batia rápido demais para que pudesse o controlar corretamente, as batidas soando tão altas que ele até mesmo suspeitaria que pudesse ser ouvido do outro lado do apartamento.
Seus mamilos mais sensíveis do que já alguma vez já esteve praticamente latejavam, doloridos e praticamente pedindo atenção, mas isso não era para si o mais preocupante, não.
Era seu pênis, embora ele estivesse tomando hormônio feminino e visse mais presença de seu outro órgão reprodutor, seu pênis sempre parecia ganhar mais força primeiro que sua vulva, embora ele não soubesse o que pensar, de certa forma isso o tranquilizava, mesmo que por um breve espaço de tempo, pelo menos não se sentiria uma aberração quando fosse urinar, nunca tendo testando seu segundo genital antes.
Mas, naquele momento, ele não estava feliz em o ver desperto, pelo contrário, ela doloroso.
Tocar seu próprio pênis trazia arrepios para sua espinha, sua outra mão acariciando seu mamilo.
Quase gemeu alto. Quase.
Ele mordeu seus lábios com uma força e velocidade surpreendente, ferindo-o e fazendo com que sangrasse, embora não fosse nada grave.
O medo o corroeu quando se deu atento de sua situação. Não estava em sua casa, como reagiria se Mary o encontrasse se masturbando em sua cama de hospedes?
Foi uma reação rápida, embora fosse estranho andar com seu pênis tão endurecido quanto rocha, trazendo dor e o fazendo andar totalmente estranho.
Entrou no banheiro com o máximo de velocidade que conseguiu, apesar do doloroso inconveniente.
Ele sentia ardentemente um crescente desejo por sexo, algo que não imaginava que fosse sentir, levando em consideração que seu estomago estava instável demais para sequer conseguir comer, imagina manter uma relação sexual áspera?
Ele não conseguia entender seu corpo, muito menos os pensamentos que vinham em sua mente.
Ele não era viciado em sexo, não. Ele podia passar bastante tempo sem e nem daria falta, não era agora que seria assim. Não, não era de sexo que ele sentia falta, não era em sexo que ele era viciado. Ele era viciado em Shadow. De todas as formas possíveis. Seu corpo desejava ardentemente que o ouriço negro o reivindicasse ali naquele momento, lhe penetrasse profundamente e fizesse todos os seus pensamentos de medo e insegurança desaparecessem para serem substituídos por uma nevoa de prazer.
Seu corpo implorava por um contato mais íntimo, ele tentava se tocar, porém ele sentia que não era o suficiente, seus dedos são eram fortes os suficientes para maltratar seus próprios mamilos em qualquer pena, sua mão não era firme o suficiente para bombear seu pênis rápido e duramente.
Poderia soar engraçado, mas aquela era definitivamente a primeira vez que se masturbava, mesmo que já tivesse uma vida sexual deveras ativa, antes de tudo isso acontecer ele nunca tinha se tocado tão intimamente, nunca sentiu necessidade para tal quando se tinha outras ocupações para distrair a mente.
Foi por isso que se despiu tão rápido quanto ele podia e praticamente se jogou debaixo do chuveiro, ligando a água logo assim que entrou.
Esperando que a temperatura quente pudesse simular o corpo que ele ansiava o pressionando, levando-o a completa loucura.
Sua mente vagou por diversas situações fictícias enquanto suas mãos tremulas fazia o movimento tão comum de vai e vem, sentindo falta de algo lhe preenchendo por trás.
Demorou, talvez até mais do que ele esperava, quando enfim o orgasmo veio. Sentiu-se aliviado ao mesmo tempo em que sentia um imenso vazio e a falta de Shadow, mesmo que a relação deles fosse estritamente focada mais para o sexo, ele ainda o desejava.
“Eu te quero muito, muito, muito, muito.” Sua mente gritava internamente.
Seus joelhos cederam, ao mesmo tempo que as lágrimas desciam por seus olhos e seus lábios ainda permaneciam a sangrar.
Ele ainda era uma bagunça de sangue, suor e lágrimas.
Fale com o autor