Notas iniciais
Não tenho muito o que dizer. Bem, boa leitura.

— Mary... — Sonic começou, olhando para a morcega através do retrovisor, com a expressão de confusão no rosto.

Mary estava entrando direto para o estacionamento do prédio para onde tanto ela quanto Rouge moravam se dizer quaisquer palavras, fazendo com que Sonic fizesse uma expressão de confusão.

— Sim? — Ela respondeu distraidamente, enquanto parecia entretida com algo que estava pensando, Nyazu tinha ligado o rádio por causa do tédio, cantarolando baixinho alguma música que Sonic conhecia vagamente, mas que já tinha ouvido falar.

— Não íamos para casa? — Ele perguntou enquanto dava uma leve batida na janela com das pontas dos dedos.

— Estamos indo para casa. — Ela corrigiu, enquanto olhava pela janela procurando pela vaga para estacionar, sua expressão concentrada.

— Mas—

Foi cortado pela morcega negra que tinha a expressão um tanto séria, seus olhos castanhos crepitavam com um brilho que Sonic não conseguia contestar.

— Você vai ficar um tempo conosco, até possamos confiar em você sozinho novamente. — Ela disse olhando para ele de forma firme, logo depois eu olhar se suavizou e explicou calmamente. — Há pouco tempo antes você estava tendo uma crise nervosa, se estivesse sozinho capaz de ter tido consequências piores, não tenho certeza se seria prudente deixar você em sua casa por enquanto, pelo menos até ter certeza de que não pode acontecer recaídas, prefiro jogar pelo seguro. — Ela suspirou com o pensamento.

— Mas, Mary — os olhos verdes procuravam pelos dela no retrovisor, porém a escuridão ocasionada pelo estacionamento coberto não ajudava sua procura — eu estou bem, já estou melhor. — Tentou protestar, porém até mesmo Rouge parecia concordar com a ideia de Mary.

— Bem, Blueboy, odeio admitir, mas ela não está errada. — Rouge começou enquanto fazia o rosto, contrariada. — Acho que será mais seguro você passar algum tempo aqui, pelo menos até tenhamos certeza de que você não vai ficar nervoso tão facilmente e acabar e machucando ou tendo problemas por algo fora do que podemos controlar.

— Mas, Rouge, eu estou bem. — Ele insistiu.

Mas Rouge parecia não interessada nas tentativas infrutíferas do ouriço de se defender.

— Pensa, Blueboy, o quão ruim seria se Knuckles ou Amy aparecessem na sua casa? Se eles descobrissem sobre vocês? — Ela perguntou.

— ... — Ele não tinha o que rebater, porque no fundo aquela preocupação tinha um grande fundo de razão.

— Então está decidido, você vai ficar sobre observação até confiarmos que você ficaria seguro por sua própria conta, o que eu acredito que vai ser difícil, sua gestação dupla requer muito cuidado. — Mary comentava enquanto ela fazia a expressão para uma de seriedade, seu semblante parecia sempre tenso, como se esperasse que algo aparecesse a cada segundo.

Seus olhos castanhos toda hora se desviavam para os retrovisores e para a frente em movimentos rápidos. Parecia mais alerta que o costume depois do dia longo do shopping.

Abriu a porta depois de estacionar, sendo seguida por Nyazu que parecia distraída e até mesmo com certo medo de algo, o que fazia com que Mary parecesse mais tensa e ansiosa ao mesmo tempo.

Sua expressão era dura enquanto esperava Rouge e Sonic sair do carro para tirar as compras e levar para cima, deu um suspiro longo enquanto destrancava o porta-malas e retirava algumas das sacolas, entregando-as para Rouge que as pegavam de mau grado, enquanto Nyazu ia para seu lado e recolhia as sacolas que lhe eram oferecidas com ânimo enquanto Sonic parecia com problemas com seus sapatos improvisados, os saltos sendo altos demais para que conseguisse um bom equilíbrio e os calcanhares sendo machucados sem qualquer piedade pelo material sintético áspero.

De certa forma estava agradecido que não lhe fora entregue nenhuma sacola, se já a tarefa de andar parecia dolorosa, não queria ao menos pensar o que aconteceria caso tivesse que carregar algo, embora se sentisse mal por esse pensamento. Parecia que estava se sentindo egoísta, porque sabia muito bem que em momentos como esses ele teria a reação oposta, tomando algumas sacolas e reduzindo o peso para as garotas, mas, parecia que mesmo que ele quisesse, elas não deixariam, principalmente por ele visivelmente parecer não estar em uma boa condição de carregar sacolas.

Suspiro desconfortável, tudo o que mais desejava era poder descansar e se livrar desses sapatos que estavam machucando, se perguntando por que as mulheres se dignavam a usar sapatos tão desconfortantes assim, sua testa se vincou, enquanto usava sua mão esquerda para se apoiar no ombro de alguém que estava do seu lado, que se retraiu pelo contato inesperado.

Olhou surpreso, sentindo-se constrangido de ter invadido o espaço pessoal da morcega negra sem nem ao menos se preocupar em perguntar se poderia ou não, iria tirar a mão, mas a dela lhe impediu, dando um olhar plano para ele, sem nem mesmo dizer uma palavra, na qual ele engoliu em seco.

Havia algo nela que ele desconhecia, parecia ser perigosa, mas já conheceu pessoas perigosas e se tornou amigo delas, bem, exceto por um, talvez. Se considerar parceiro sexual como amizade. Mas ele tomou aquele olhar dela como uma advertência, teve sorte que ela não tinha reflexos de defesa ou estava carregando sacolas demais para reagir, de qualquer forma, preferia a forma mais pacifica de resolver algo, ao invés de usar métodos violentos.

De certa forma, ele estava genuinamente grato que ela estava do seu lado, não como uma inimiga.

Descartou o pensamento. De onde tirou tais questionamentos? Era obvio para ele que a morcega negra não iria causar nenhum dano à ele, senão não estaria ali, em primeiro lugar, indo passar uma estadia em seu apartamento enquanto ainda estava sob observação.

Bem, de qualquer forma tomaria cuidado com quem tocava na próxima vez, nunca poderia saber quando a pessoa poderia agir hostil por reflexo.

Ele não gostaria de correr riscos.

O que era absolutamente absurdo vindo de sua pessoa, sendo Sonic the Hedgehog, o ouriço mais imprudente que já nasceu em toda Móbius, senão o único. Quem ria do perigo e quem provocava seus inimigos mesmo que sangue estivesse escorrendo de suas novas feridas abertas. Quem ofereceu seu corpo e suas partes mais sensíveis para o ouriço mais hostil que conhecia, o ser mais poderoso e perigoso, quem poderia ter o matado em questão de segundos e ele nem saberia dizer de onde o Chaos Spears veio.

Talvez fosse culpa de um instinto maior, mais potente, que estava aos poucos tomando conta de sua mente, fazendo com que quisesse sempre jogar pelo seguro, se tornasse mais prudente, mesmo que a palavra raramente fosse incluída no que costumava fazer, era como se seu corpo pedisse por segurança, sua mente implorava por situações mais tranquilas.

Bem, não iria contrariar a sensação, nada disso, principalmente porque tinha dois tesouros para resguardar, dois pequenos seres que cresciam dentro de si, que dependiam dele. Ele nunca sentiu tanta pressão quanto sentia agora, era como se todo seu universo tivesse virado de ponta cabeça.

Ainda inacreditável, ainda surreal, era quase como se estivesse preso em um sonho estranho, no qual mesmo que quisesse, dificilmente conseguira despertar, como se estivesse preso em uma situação onde a única solução para acabar com isso era justamente uma que contrariava completamente todos os seus princípios.

Bem, ele errou. Era responsabilidade dele afinal, arcar com as consequências, fazer o possível para aceitar sua punição. Mesmo que ele não necessariamente visse sua gestação como punição, mas como um milagre, que infelizmente para si não veio no melhor momento e hora.

Mas ele não poderia reclamar de sua sorte, sabendo que talvez muitas garotas desejassem com todo o coração estar no seu lugar, com uma gestação do rapaz que amava, no entanto eram inférteis, incapazes de conceber.

Porém, apesar da ciência de sua situação, ainda assim não poderia deixar de se questionar:

Por que ele, em primeiro lugar? Por que justo com ele que não tinha sequer uma relação de amizade com pai dos seus filhos? Por que justo com o ouriço que não poderia ficar parado, repousar e fazer pouco esforço? Parecia que a vida estava sendo cruel consigo, tirando sua liberdade assim tão repentinamente, fazendo com que tudo que ele mais amava e desejava fosse afastado de si.

Não mais corridas. Não mais lutas. Não mais liberdade.

Como se não fosse só isso, ainda tinha que carregar a cruel incerteza de seu futuro, tampouco sabendo se Shadow irá ou não lhe abandonar, lhe deixar sozinho enquanto tem que carregar a consequência de sua imprudência.

O caminho até os elevadores nunca lhe pareceu tão longo, parecia ter se passado horas e não minutos desde que seus pés tocaram o piso do estacionamento, era como se sua mente estivesse que trazendo uma tortura gratuita, remoendo sua mente com pensamentos que ele preferia esquecer, lidar com eles posteriormente ou até mesmo não ter que enfrenta-los em sua subconsciência.

Odiava estar preso em uma situação que ele não tinha controle, sentimentos, incertezas, medos. Eram sentimentos que ele jogava sempre para o fundo de sua mente, esquecendo-os logo que se envolvia em alguma luta ou se perdia em suas tão usuais longas corridas.

Nunca teve que lidar com tantos sentimentos acumulados como naquele momento, sem ter como fugir deles, sentia-se preso em um beco sem saída, sem escapatória, todos os seus medos, inseguranças, angustias, todos os sentimentos ruins que tanto fugiu, pareciam agora estar tomando conta de sua mente. Piorando ainda mais seu estado, a lembrança de sua recente discussão ecoando em sua mente.

Nunca se sentiu tão abandonado por aquele que tanto protegeu e cuidou, sentia-se quase traído, embora soubesse que o garoto estivesse no seu direito em estar chateado, ainda assim não esperava que fosse agir daquela maneiro, muito menos esperava que si mesmo, sendo tão compreensivo como era, fosse agir de tal forma grosseira.

Nunca foi de estourar assim, muito menos agir sob estresse, mas parecia que a cada novo que passava e descobria sobre sua gestação, mais novidades vinha a descobrir sobre tal evento inesperado. Principalmente seu humor.

Ele tinha medo, muito medo de que suas mudanças bruscas de humor pudesse lhe prejudicar, mesmo que não fosse algo que poderia simplesmente controlar, duvidaria que ele poderia simplesmente se explicar depois, não é todo mundo que acreditaria que ele estava grávido, mesmo que tivesse dados ao seu favor, ainda assim duvidaria que alguém como Amy, por exemplo, aceitaria suas desculpas com base em sua gestação.

Ele sabia muito bem o que poderia acontecer quase ela se sentisse ofendida e, sinceramente implorava para que não tivesse que cruzar com ela pelos meses que viriam, pois sabia que pela personalidade dela, acabaria sendo internado em uma ala psiquiátrica dito como louco.

Suspirou quando as portas do elevador se fecharam, uma música baixa tocava, algo instrumental, mas totalmente ignorável, ele estava perdido demais em sua mente para notar qualquer outra coisa que acontecesse.

Felizmente, para seu total alivio, o elevador subiu em qualquer interrupção, já que não era um horário de muito movimento e muitos dos inquilinos estavam em casa, junto da família ou em seus afazeres pessoais, o que fazia com que a movimentação pelo prédio fosse pouca, embora não inexistente.

A porta se abriu, dando lugar para o longo corredor que se seguia até o apartamento 70, onde era o destino final deles, onde Sonic poderia se livrar dos sapatos desconfortantes e retirar aquela roupa e a peruca que, apesar de admitir que era bonita, ainda assim pinicava sua pele e fazia coçar seu pescoço.

O alivio que sentiu assim que atravessou a porta do apartamento era simplesmente indescritível, era como se finalmente pudesse respirar depois de muito tempo prendendo a respiração, sem mais quaisquer palavras, sentou logo no sofá e tratou de tirar seus sapatos, mexendo seus dedos ansiosamente, como se temendo que eles tivessem se tornando incapazes de se mover novamente. Colocou seus pés descalços no chão, a temperatura fria do piso sendo quase como uma anestesia prazerosa enquanto ele fechava os olhos e suspirava contente.

Rouge junto de Mary e Nyazu seguiam para o quarto de hospede, onde iriam colocar as sacolas por hora, enquanto não as levavam para a residência do ouriço, não que fosse algum problema para elas, já que tinham algumas gavetas disponíveis e que podiam se cedidas para as roupas, pelo menos por enquanto.

Sonic entrou no recinto logo depois, com seus sapatos extravagantes em suas mãos, ansioso, procurando com o olhar por dentre as inúmeras sacolas que ele não conseguia sequer contar, mas que sabia que eram muitas.

Mary se entregou uma sacola bege, onde sapatos brilhantes vermelhos podiam ser encontrados, junto de suas meias e pares de luvas e meias novas, o que fazia o humor do ouriço melhorar consideravelmente. Não precisavam trocar palavras, ele apenas foi ao banheiro, feliz que finalmente poderia se livrar do disfarce ridículo, mas que lhe coube bem, embora não gostasse muito disso.

Se livrar do tecido justo que marcava as poucas curvas que haviam em seu corpo parecia algo confortador, todos os olhares que recebeu enquanto era acompanhado pelas garotas ainda estavam marcados em sua memória, sentia como os telespectadores quisessem ardentemente ver além de suas roupas, perfurar o tecido e o ver nu. O pensamento era desconfortante, sendo a primeira vez que sentia na pele a sensação de assedio, mesmo que nenhum deles tivessem coragem o suficiente para se aproximar, ainda assim sentia completamente enojado daquilo.

Ela desconfortável, nojento, degradante, esperava ardentemente nunca ter que passar por aquela situação novamente, se sentia quase como um troféu, sendo cobiçado por inúmeros olhos masculinos e alguns de desgosto das garotas, como se raivosas dele estar chamando atenção, mesmo que involuntariamente.

Encarar aquele vestido tão comum e normal lhe fazia se questionar, porque ele parecia tão atraente usando uma peça de roupa tão simples. Principalmente por todo o conjunto que não combinava, sendo a camiseta marrom responsável por esconder sua falta de seios femininos.

Bem, o que ele ganharia se questionando algo que não tinha nem como ser explicado? Ele não conseguiria entender grande parte dos padrões de beleza sociais. Ele pelo menos se achava atraente quando se encontrava de frente para o espelho, seu corpo atlético, magro e ágil, mas nunca passou pela sua cabeça o que poderia ser considerado ou não como algo bonito.

“Será que ele me acha bonito?” Se questionou enquanto vestia suas meias, sua testa se vincando pelo pensamento. Se bem que ele nunca parou para pensar se ele era considerado bonito para outras pessoas, apesar de ser claramente aclamado pelo público quando sempre aparecia, nunca passou pela sua cabeça que eles poderiam estar apenas admirando sua figura de herói, não sua beleza.

Por que estava pensando naquilo afinal?

Bem, ele não podia evitar, a curiosidade de saber se Shadow via algo bonito nele, talvez ele gostasse de seu pescoço, talvez de suas coxas, sendo alguns dos lugares que ele lembrava que parecia ser os mais tocados pelo ouriço negro.

Bem, ele não podia negar que Shadow era uma figura bastante atraente para si. Os músculos proeminentes de seu tórax, ocultos pela pelagem preta e pouco perceptíveis, a não ser que você esteja próximo o suficiente para vê-los ou no seu caso, senti-los. Ele tinha uma pegada forte, não tinha como negar. Seus olhos vermelhos rubi era o que lhe dava todo o charme, apesar de que ele sinceramente gostava mais do seu torso, enquanto o tufo de pelos brancos lhe trazia todo um charme.

Suspirou, seu rosto tomando uma tonalidade rósea enquanto sentia que poderia babar em qualquer momento, fechou os olhos enquanto se acomodava melhor no assento da privada, puxando seu outro pé dolorido para o calçar com meias macias.

Não sabia porque sua mente tinha ido por caminhos nada impuros, mas sabia que de alguma forma desejava Shadow, nem que seja apenas para lhe apertar em seus braços e lhe penetrar com sua gentileza típica, apesar de muitas vezes o ouriço negro pouco lhe dar atenção ou terem qualquer tipo de conversa de travesseiro no pós sexo. Se sentia confortável até, tinha ele para si, próximo de si, ele era só seu. Duvidava que Shadow procuraria outro corpo além do seu.

Isso lhe fez sentir algo como um orgulho, presunção, ele sabia que Shadow não confiaria em outra pessoa, não se aproximaria de outra pessoa. Um sorriso presunçoso abriu espaço por seus lábios pêssego, quando o sentimento de possessividade tomava conta de sua mente.

Foi então que voltou a realidade. No que estava pensando?

Shadow nunca seria seu, ele estava fadado a amar alguém que nunca retribuiria seus mais puros sentimentos, nunca seria mais que um rival, ocasionalmente parceiro sexual, mas algo mais? Ele sinceramente duvidava que não.

Ele nunca submeteria o ouriço para algo que ele mesmo odiava. A sensação de estar preso à algo, de ter sua liberdade tirada de si. Ele nunca faria com que Shadow se prendesse a si por causa de um erro cometido. Se fosse preciso, até mesmo desistiria dele, abriria mão de sua presença, seus toques, sua companhia.

Seu sorriso se desfez em uma carranca. Odiava todas essas mudanças de humor que acontecia consigo, modo mudar rapidamente de presunçoso para um estado mais depressivo em questão de minutos.

Sua expressão se fechou, enquanto recolhia as roupas descartadas e jogava de qualquer maneira na sacola bege, não se importando muito em pegar seus sapatos, desde que seus pés doíam e sabia que não iria sair em nenhum momento em breve.

Quando saiu do banheiro, a sensação de alivio fez com que seus músculos relaxassem, não estava em sua casa, isso era fato, mas estava em um lugar que poderia considerar tão aconchegante quanto. O fato era, não queria encontrar com Knuckles tão cedo, a personalidade explosiva do equidna não era algo que ele julgaria seguro para estar ao lado, principalmente quanto estava esperando gêmeos e tinha seu humor tão instável quanto ele.

Tinha medo de encontrar Amy, tinha receios de ver novamente Tails, estava apavorado de estar novamente na presença de Shadow, pois sabia que, mais cedo ou mais tarde a verdade teria que vir à tona, mas só em pensar em se afastar do ouriço negro, seu peito parecia doer e um nó se formava em sua garganta.

Não queria ter que acabar com os poucos momentos de atenção que tinha, mesmo soando como uma desculpa doente para suprir sua carência, a verdade era que a cada vez que suas lutas terminavam em sexo, parecia que sua carência aumentava cada vez mais.

Era como estar preso em um loop doloroso de prazer e dor. Prazer corporal, dor emocional. Ele não sabia o que fazer, como abordar o assunto, como ser verdadeiro com o ouriço que tanto sofreu. A verdade de fato era: ele não queria o deixar. Cada célula de seu corpo rejeitava a ideia sensata de que ele deveria o deixar, deveria dar-lhe a liberdade, não se envolver mais do que já envolveu.

Mas como querer isso? Quando estava crescendo dentro de si lembranças de sua imprudência e descuido? Quando os filhotes dele e Shadow se desenvolviam e cresciam em seu corpo?

Estava mais do que confuso, estava desesperado!

Ele queria encontrar respostas que nunca seriam encontradas, ele queria soluções que pareciam inexistentes. Não queria que as vidas de seus filhos fossem tiradas, mas ao mesmo tempo sentia que era muita responsabilidade para seus ombros suportar. Era tanta pressão para quem não poderia nem ao menos sentar direito para descansar, ele era Sonic the Hedgehog afinal. O mundo não poderia esperar até que ele estivesse disposto a lutar, Dr. Eggman não iria permanecer quieto, esperando que sua gestação terminasse para poder dar as caras.

Ele sabia bem disso. Era outras de suas preocupações que mais lhe corroíam a mente. Ele não podia lutar, estaria colocando em risco não só sua vida, como de outras duas, que tão tinham nada a ver com aquilo, eram inocentes, não tinham culpa.

Ele não sabia o que fazer.

— Bem, ouriço. — A voz de Mary soou pelo lugar, fazendo com que Sonic desse um leve sobressalto. — Eu terei que sair, tenho alguns assuntos pendentes. — Começou a morcega, seus olhos castanhos lhe encarando com um ar leve de advertência. — Rouge vai ficar com você e Nyazu vai ficar no apartamento. Bem, eu realmente espero que se comporte. Senão alguém vai ter um mau tempo. — Ela deu um sorriso sombrio, olhando para o ouriço de uma inquisitiva, na qual ele engoliu em seco.

Ela assentiu para si mesma, enquanto saia do quarto de hospedes, sumindo de vista do ouriço.

Ele suspirou enquanto olhava para as sacolas, puxando uma delas, uma lilás, tão clara que parecia quase um cinza. Sabia bem qual era, por isso a havia puxado em primeiro lugar.

Era ali que estava as primeiras peças de roupas que bebê que havia comprado, essa sacola parecia para si especial, talvez a mais especial, não desmerecendo as outras, claro, mas parecia que tinha algo nela que aquecia seu peito, uma sensação boa de aquecimento.

Sorriu ao retirar dali sua primeira escolha, o bordado se destacando pelo tecido, as palavras escritas soando tão verdadeiras quanto possível, “meu precioso.”

Ele se sentia inseguro, perdido, pressionado, confuso. Mas, se perguntasse se ele amava os pequenos seres que estavam crescendo dentro si, estaria sendo uma grande mentira se ele respondesse que não. Ele os amava, os desejava. Eram sentimentos confusos que nem ele mesmo conseguia os compreender, mas sabia claramente que de todos os sentimentos que podia descrever quando se pensava em seus filhos, nenhum deles eram ódio, repulsa ou desprezo. Muito pelo contrário.

Sonic era incapaz de odiar. Talvez sentir raiva vez ou outra, mas ele nunca guardou mágoas, nunca carregou ressentimentos, nunca desejou a ninguém.

Nem mesmo para aquele que tinha desejos fortes que lhe destruir. Ele sempre procurou meios pacíficos, em última instancia ele usava de força bruta, ele não gostava de machucar quem quer que fosse, talvez o único que ele podia lutar sem qualquer intenção de matar era Shadow. O único que não precisava medir sua força, que podia ser como sempre foi.

Mas ele não considerava para um meio bruto de resolver alguma situação, sendo que muitas vezes ele buscava meios efetivos de irritar o ouriço, porque ele gostava de quanto ele estava irritado, ele adorava ver o brilho de ameaça que escapava dos olhos rubis que tanto aprendeu a amar.

Mas em todo caso, algo que ele raramente recorre é a violência, razão pela qual Dr. Eggman sempre voltava para tentar lhe derrotar, porque ele era piedoso demais para querer dar um fim em tudo isso. Algo que poderia ser intitulado de estupido e que alguma hora poderia se virar contra ele, mas ele não se importava.

Porque no fundo ele estava que Dr. Eggman estivesse se divertindo tanto quanto ele. Ou pelo menos tentasse se divertir. Talvez se isso tivesse um fim, ele não teria algo para lhe tirar do tédio. Seus dias se tornariam chatos.

Abraçou o pequeno macacão com carinho, acariciando com os dedos as palavras bordadas enquanto lágrimas ameaçavam aparecer em sua face. Estava emocionado, uma pequena peça de roupa nunca havia lhe causado efeitos tão fortes, mas não podia controlar, era como se estivesse preso em um misto de sonho e realidade.

Estava grávido.

Não tinha mais como fugir daquela realidade, não tinha mais como mentir para si mesmo. O pequeno volume em crescimento apontava isso. Seus enjoos e desejos por morangos também era outro sinal.

Fechou os olhos, fazendo com que as lágrimas escorressem sem restrições.

Grávido.

Parecia até uma piada de mal gosto. Abriu os olhos com um sorriso, enquanto apertava a pequena roupa mais perto de seu corpo.

Ele nunca poderia ter previsto. Mas se tinha algo que ele não estava, era infeliz.

Deitou na cama, depois de afastar a sacola e ainda segurando o pequeno e delicado macacão, caiu no sono.

Ele nunca esteve tão feliz de ter um sono sem sonhos.

Notas finais
Acaso tenha quaisquer erros, me avisem. Comentem caso sintam interesse, gosto de saber o que acham da história. Até uma próxima. by: ShadowShirami