Bittersweet.
3 3. Não serei suave com você.
Notas iniciais
— Não pense que vou ser suave com você. — Ameaçou entredentes, enquanto seu rosto estava a poucos centímetros do rosto de Sonic.
— Conto com isso. — Foi sua resposta, antes de fechar os olhos.
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Seus olhos se fecharam em antecipação, sentia o toque suave em sua cintura, descendo e subindo de forma bastante provocativa, em nenhum momento sentiu o aperto em seus braços afrouxarem, era um tanto doloroso pela queda recente, estremeceu quando os movimentos pararam em sua coxa direita e Shadow a apertou, de uma forma forte, entretanto não era dolorosa, era de certo modo... Sensual.
O movimento parou ali e logo o ouriço não sentia mais nada, seus braços ficaram livres da constrição enquanto sentia seu captor se afastar, abriu os olhos surpreso pela ação inesperada para se deparar com orbes carmesim cheias de uma luxúria imensurável. Engoliu em seco, a insegurança ameaçando caminho em sua mente, mas o outro não fez movimento algum e sabendo melhor do que ninguém como Shadow poderia ser extremamente imprevisível, estava bastante apreensivo. Quando nenhum movimento tinha sido feito, optou à contragosto perguntar.
— Shads... Uh, o que está pensando? — Tentou manter o medo e tensão longe de seus pensamentos, mesmo que a sua voz tivesse saído bastante baixa. O olhar do outro parecia ter um efeito estranho sobre si, uma mistura de tensão e ainda lisonjeio, ignorou a vontade de sorrir, não era sempre que se conseguia extrair alguma emoção de Shadow. Principalmente quando parecia que iria explodir devido ao nervosismo.
Lembrou-se então de uma conversa constrangedora que teve com Rouge, esforçou-se para não deixar com que um rubor pela lembrança impregnasse seu rosto, enquanto se recordava da caixa que a morcega lhe entregou, seguida de uma piscadela e uma frase que só de lembrar causava-lhe arrepios.
“Sem dor, sem ganhos. Boa sorte, azul.” E abriu as asas para abraçar as alturas ou para fugir do ouriço, antes que ele perguntasse o que ela quis dizer, isso era uma questão que Sonic nunca saberia a resposta.
Ergueu o tronco, para que se levantasse, tinha uma ideia do que poderia ser, ele mesmo não teve coragem de abrir o pacote ou nunca estaria ali e naquela situação, ele nem ao menos sabia porque foi pedir aconselhamentos a morcega, balançou a cabeça enquanto usava os braços como apoio para alcançar a sacola que escondeu debaixo da cama. Seus joelhos tocando o tecido que cobria a cama enquanto suas mãos estavam espalmadas para lhe dar apoio, em uma posição que o deixava vulnerável, entretanto o ouriço não tinha percebido o erro que cometera, até que fosse tarde demais. Seus planos foram frustrados por mãos fortes em cada lado de sua coxa.
Shadow estava preso em um imenso estupor, sua mente e seus desejos conflitantes, não transparecia, mas a ideia de fazer sexo com aquele que considerava seu rival era inusitada, havia algo que o mesmo não sabia como colocar em palavras. Nunca teve experiências em relacionamentos, exceto por Maria, mas era um caso isolado e completamente diferente, ela era como sua irmã e melhor amiga. Mas, Sonic o fazia se sentir diferente, não era amor, ele mesmo não sabia se seria capaz de sentir algo como o amor, mas era um sentimento confortável. Talvez o considerasse um amigo sem se dar conta, mas porque aceitaria ir para a cama com alguém que lhe era um amigo? Ou talvez sentia atração pelo corpo azul atlético de Sonic sem ter se dado conta?
Seus olhos pegaram o movimento do balançar de cabeça do ouriço azul, era intrigante como ele parecia desconfortável com algum pensamento, observava-o de soslaio se inclinar em uma posição que o fez engolir em seco, enquanto tinha uma visão privilegiada nas nádegas e da cauda. Sonic era louco? Não tinha ideia que a situação estava complicada demais para Shadow? O quanto aquela posição chegava a deixar ele literalmente fervendo e excitado? Foi um choque de breves segundos, enquanto a expressão levemente perplexa abria espaço para uma maliciosa. Se Sonic queria brincar, iriam brincar.
Suas luvas foram descartadas deixando apenas os anéis inibidores, que sem nenhuma restrição desciam e subiam pelos pulsos negros e listrados de vermelho. Ficou atrás do ouriço, ao mesmo tempo em que colocava uma mão em cada um dos lados azuis, exercendo uma forte pressão e surpreendendo Sonic, que ficou imediatamente tenso pela ação inesperada.
— Algum problema, faker? — O tom saiu levemente presunçoso, havia também um ligeiro toque de zombaria que Sonic odiou perceber, enquanto um meio sorriso brincava em seus lábios.
Sonic não conseguia responder, o aperto era quase possessivo, mas não era desagradável para ele, apenas algo que teria que se acostumar, esse pensamento quase o fez estremecer. Shadow sentiu a tensão do outro e calmamente passou a acariciar suavemente uma das coxas e com a outra explorava com os dedos o contorno daquelas nádegas. Não era um movimento áspero, era calculado e bastante calmo, ele queria jogar, brincar enquanto torturava seu pequeno prêmio.
Sonic aos poucos relaxava, enquanto o toque em sua região sensível aos poucos lhe deixava excitado, sem se dar conta do que estava fazendo, espaçou mais suas pernas, um convite silencioso para Shadow estendesse mais seus toques e deixando seu ânus oficialmente exposto.
Quase sorriu enquanto seus dedos abandonava uma nádega redonda e avançava para o local abaixo da cauda que balançava ansiosa. Sentiu na ponta dos dedos a suavidade do anel de músculos apertado, e em sua ação que ele não fez consciente, começou a massagear usando dois dedos, mas sem em nenhum momento forçar algo mais.
Olhos verdes se ampliaram em choque, enquanto uma onda prazerosa percorria seu corpo, fechou os olhos e jogou a cabeça para trás, enquanto soltava um gemido suave e quase inaudível. Foi o que bastou para que Shadow em um surto de criatividade fizesse o próximo movimento, que por ter fechado os olhos, o ouriço azul não poderia ver.
Aproximou a cabeça lentamente, enquanto a massagem parou, causando um choramingar desgostoso vindo do ouriço azul por ter seu pequeno prazer interrompido. As mãos fortes abriam espaço para o rosto se aproximar, em questão de breves segundos, uma língua rosada deslizava ali, subindo e descendo, com uma lentidão provocativa. Sonic engasgou. Não tinha noção que seu homólogo tinha a pretensão de prová-lo, no sentido literal da palavra.
Era uma experiência nova para ambos, que nunca antes estiveram em uma situação tão íntima com o outro, tampouco com o sexo oposto. Um lado aproveitava a situação, enquanto o outro tomava os gemidos trêmulos como um estímulo para avançar cada vez mais.
Sonic já tinha se esquecido o que pretendia fazer, nunca foi o ser mais paciente do mundo, tampouco gostava de lentidão, mas sempre toda regra tem sua exceção, e aquela não era diferente. Não estava ansioso pela dor, então aproveitava cada pequeno estímulo que lhe era dado, enquanto se empenhava em distrair seus pensamentos da dor que seria inevitável, mas que de uma forma estranha, não lhe assustava.
Shadow afastou sua cabeça, e voltou para o movimento de massagem na entrada agora molhada. Pensava em algum meio de tornar aquele ato prazeroso, para ambos. Não queria admitir que não tinha a mínima ideia de que estava fazendo, suas ações e reações eram o que se poderia chamar de instintivas, apenas sabia do básico. Pelo fato de Sonic não ter feito nenhum comentário ofensivo ou irônico sobre suas ações, já lhe era prova que, por enquanto não tinha feito nada errado ou o outro apenas compartilhava de sua inexperiência.
Sua mente tentava lhe dar uma resposta para um meio de fazer 'aquilo' causar menos danos, a ideia surgiu em breves segundos, e se usasse seus dedos para que pudesse o preparar? Era verdade que não se importava com Sonic, mas a ideia de causar-lhe tamanha dor era repulsiva, até mesmo para ele que era a forma de vida suprema e arma viva, ele tinha prometido a si mesmo que, não importa como, não causaria mais dor a ninguém, mesmo que mereça, não cabia a ele o julgamento, afinal era mais um pecador entre tantos outros.
Sem nenhum aviso prévio, introduziu o dedo indicador.
A reação de surpresa tinha sido esperada por ele, o corpo enrijecendo em resposta, os músculos esmagando seu dedo, uma reação de tanto surpresa quanto desconforto. Ele não esperou qualquer tempo de recuperação para o ouriço azul, movendo seu dedo assim que fez entrada, saiu e entrando sem qualquer pausa e Sonic ainda não relaxou.
— S-Shadow?! — Foi o que conseguiu dizer, em um misto de surpresa e dor, era um som lamentável, mais para um implorar do que para algum questionamento.
Nenhuma resposta, nem ao menos um sorriso, virou a cabeça para tentar olhar para o ouriço ébano, mas o que conseguiu com isso foi uma visão que o quase fez engasgar, os olhos vermelhos tinham um brilho predatório e os lábios bronzeados estavam puxados em um sorriso faminto.
— Shads, o que... está fazendo? — Pediu, tentando obrigar seu corpo a relaxar, mas não ajudava em nada o fato que foi uma surpresa a ação do outro, inesperada e também nenhum pouco gentil ou agradável.
— O que você acha? — O tom malicioso fez Sonic se encolher, inconscientemente apertando o dedo invasor, que ao contrário do que esperava, em momento algum cessou seus movimentos, causando uma onda pequena de dor.
— Dói.... — Choramingou baixinho, quase inaudível. Lembrou do que iria fazer, mas para isso precisava que Shadow parasse, ou pelo menos entendesse o seu ponto. Entretanto a tarefa parecia difícil, levando em consideração que sua cintura estava em um aperto firme do Ultimate Lifeform.
Fugir obviamente estava fora de cogitação. Fechou os olhos, buscando algum tipo de concentração para que suas palavras não fossem destruídas por gemidos, mas obtendo mais dificuldade quando sentiu o movimento intensificar, visando estender sua entrada já pouco dolorida, estremeceu interiormente, se só um dedo já estava lhe causando dor, o que sentiria quando o momento chegasse?
— Shadow... — Chamou, tentando fazer com que sua voz não traísse seu medo. Ficou satisfeito ao notar que não aparentava medo ou apreensão, mas uma suavidade incaracterística. Era melhor do que um lamentar miserável.
— Faker. — Foi sua resposta, simples e sem emoção, ao contrário da figura azul, ele sabia como mascarar qualquer tipo de emoção que não queria demonstrar, mas até mesmo a forma de vida suprema estava tendo problemas para mascarar sua crescente irritação, porque Sonic não poderia fazer aquilo ser mais fácil para si mesmo?
— Tive uma ideia... — Tentou dizer, era estranho, estava começando a gostar a sensação, o desconforto parecia nulo com a sensação suave de prazer que aos poucos aparecia. — Mas antes... Preciso de alguma liberdade... — Olhou para trás, os olhos verdes brincando com um pouco de diversão enquanto um sorriso brincava em seus lábios, apesar do rosto vermelho e da respiração descompassada, ele parecia como ele mesmo.
Shadow levou alguns segundos para processar a sugestão, não que ele estivesse com problemas para apreender o que o outro lhe disse, mas pela confusão, o que aquele ouriço pretendia?
Sem cerimônias puxou seu dedo, de forma brusca. Ouviu Sonic puxar a respiração com força, obviamente sentido dor, mas não deu atenção. Soltou o corpo que segurava com demasiada possessividade e sentou-se na beirada da cama com colcha de cor azul suave – a cor negra contrastando com o tecido macio – e fechou os olhos por alguns segundos, a sensação do interior do corpo de Sonic ainda presente em seu dedo, algo como a luxúria e curiosidade tomando parte de seus pensamentos. “Esse ouriço ainda me deixa louco...”
Sonic piscou algumas vezes, a sensação era estranha, a dor inicial tinha passado, mas tinha em mente que o que Rouge lhe deu ajudaria a tornar a ocasião no mínimo interessante – e mais fácil – e rezava que menos dolorosa também. Estremeceu visivelmente, se apenas um dedo era doloroso, não queria imaginar como seria se fosse outra coisa. Custou muito de seu parco autocontrole para que não demonstrasse todas suas emoções com o pensamento. A sensação do toque, das caricias inconscientes recebidas, enviou ondas indescritíveis de prazer por todo o seu corpo. Balançou a cabeça, em uma tentava fraca de recuperar o foco.
— Qual é a sua brilhante ideia, faker? — Odiava ser quem iniciava algum tipo conversação, mas o estranho comportamento do ouriço já estava o irritando. Também havia algo como a necessidade fazendo suas emoções ficarem estranhas para si mesmo.
— Huh? — Despertou de seus pensamentos com um pequeno choque, o que ia fazer mesmo?
Shadow não respondeu, não precisava. Assim que a atenção do ouriço voltou ao foco original, viu com curiosidade Sonic esticar seu braço para debaixo da cama, ouviu com sua audição apurada o som dele pegando algo com mãos, possivelmente um pacote ou uma sacola, mas o que estaria naquela sacola escondida debaixo na cama do ouriço azul? Nem ele mesmo fazia a menor ideia.
Tirou de lá uma sacola vermelha, com conteúdo suspeito que fez com que Shadow erguesse os olhos em confusão e incredulidade.
Sonic timidamente sentou sobre o colchão – era estranho levando em consideração que há pouco sua parte traseira tinha sido tocada – e tirou uma caixa que estava protegida pela sacola, abriu com os olhos fechados e despejou tudo na cama, contou lentamente até dez e abriu os olhos, empalideceu.
Havia ‘brinquedos’ que ele nunca antes imaginou ver em sua vida, algemas felpudas, chicotinhos, tubos de pomadas e alguns potes de gel – esses eram alguns que Sonic conseguia identificar e outros que ele não queria saber como se usava – que ele rezava que fosse o maldito lubrificante que ele tanto necessitava.
— Divirta-se bastante. Com amor, Rouge? — Shadow leu o pequeno cartão vermelho em formato de coração que estava a sua frente em tom de pergunta. — Até onde ela está envolvida?
— É, uh, oh... — Não tinha ideia do que falar. — É uma longa história... — Conseguiu dizer, seu rosto recuperou a cor, mas tão era o usual pêssego, mas uma cor que mais se assemelhava a uma cereja. Ele tinha certeza que se apagasse as luzes, seu rosto iluminaria todo o quarto de tão quente e brilhante.
— Não importa. — Shadow deu de ombros, surpreendendo Sonic, que sinceramente esperava que o outro ficasse irritado. — Às vezes ela consegue ser útil para alguma coisa.
Alguns metros dali, escondida sob o manto escuro da noite, uma imagem de ser um vivo podia ser discernida. Sua vestimenta preta escondia cada centímetro de seu corpo com curvas femininas e indecentes. Estava silencioso, até que em um momento inesperado o som de um espirro irrompeu a quietude do lugar, o som ecoou por uma distância surpreendente, assustando uma família de Flickies em uma arvore próxima que usavam de morada e acionando o sistema de segurança altamente sensível e rigoroso. Praguejou todo o tipo de ofensas aos deuses e levantou voou, insatisfeita, mas jurando voltar para obter seu tesouro de qualquer maneira.
Shadow pegou uma algema felpuda com indiferença, sentindo nos dedos nus a suavidade e rodando-a no dedo indicador como quem está entediado. Encarava o ouriço envergonhado à sua frente, sentado sob seus joelhos com ambas as mãos no colo, a cabeça baixa e os olhos arregalados e de certo modo pareciam inocentes e puras esmeraldas.
Antes mesmo que Sonic pudesse se preparar, ou pelo menos ter uma noção do que o esperava, já estava deitado novamente na cama, os braços presos acima de sua cabeça. Um clique foi ouvido seguido de outro logo depois. Suas mãos estavam nuas, não se lembrava de ter tirado suas luvas em momento algum. Piscou os olhos, e viu a imagem sombria a sua frente, com um sorriso malicioso brincando na face e o olhar predatório novamente cintilando em seu olhar.
— Trapaceiro! — Resmungou tentando libertar suas mãos, mas sem sucesso, era obvio que ele usou Chaos Control para que o prendesse ali tão rápido. Mas por quê?
— Não pode me acusar de algo que não pode provar, sabe disso. — O tom presunçoso, enquanto balança as luvas brancas recém retiradas de um lado para outro. — Não se preocupe com isso, elas não serão necessárias para o que vamos fazer.
Engoliu em seco, se antes estava nervoso, nesse momento mesmo ele estava praticamente ficando louco, tensão irradiava e era palpável para Shadow.
— Abras as pernas. — Ordenou, mas não rude, era um tom mais calmo e suave depois que descartou os sapatos vermelhos e tirava os seus próprios. Soava quase como um pedido, mesmo com um tom frio, que propriamente uma ordem.
— O quê?! — Quase gritou, o ele não queria se sentir vulnerável, não queria uma posição humilhante.
— Vou ter que prendê-las também? — Dessa vez trazia um tom leve de ameaça e Sonic sabia que Shadow não era conhecido por ameaças vazias.
A contragosto fez o que foi ‘pedido’, era desconfortável. De certo modo lhe trazia excitação, pela primeira realmente se entregando para alguém, se dando a algo novo, uma aventura perigosa e ariscada, mas que ele não iria renunciar, porque ele não era conhecido por voltar atrás ou fugir. Ele era Sonic the Hedgehog, sua honra também estava em jogo, mesmo em algo íntimo e secreto.
Shadow sentiu a vontade de sorrir, mas não o fez. Tirou as meias que restavam, deixando Sonic completamente ‘nu’ a sua frente. Queria admirar a posição passiva em que o outro se encontrava, como seu rosto era adorável quando ficava com raiva, mas não havia tanto tempo. Olhou para a bagunça de itens que tinha ainda na cama, olhou-os com atenção, procurando avidamente o que procurava. Lubrificante. Despejou o conteúdo de um dos potes coloridos nas pontas dos dedos, sentindo a textura diferente e gelatinosa, deu de ombros, pelo menos não tinha cheiro, torceu o focinho ao imaginar algum lubrificante com aroma de morango.
— Feche os olhos e relaxe. — Disse simplesmente e friamente, segurando uma das pernas para mantê-la parada e o caminho aberto. Viu que o ouriço iria contestar, e acrescentou. — Ou isso foi ser extremamente doloroso, você decide.
Ouviu um grunhido insatisfeito vindo de Sonic, mas o ouriço fez o que foi dito. Fechou os olhos e hesitantemente separou mais as pernas, visando dar mais espaço e levemente dobrando-as.
O ouriço negro aproveitou a oportunidade para tocar-lhe, lamber e morder o pescoço azulado, com uma fome contida, levantou a cabeça, para que seus lábios tocassem a orelha dobrada.
— Pronto? — Sussurrou roucamente, dando uma leve mordida na orelha.
— Não... — Respondeu sussurrando também. Sem qualquer aviso Shadow introduziu dois de uma vez, rápido e sem qualquer delicadeza. — ...?! — Engasgou.
O grito de dor que saiu dos lábios pêssego foi alto o suficiente para incomodar os vizinhos, se acaso ele tivesse algum próximo. Ofegava de dor, enquanto sentia os movimentos se intensificarem cada vez mais, ficando mais fortes e rápidos. Lágrimas ameaçavam aparecer em sua face, mas recusou a deixa-las cair na frente dele.
Não tinha ideia de quanto tempo tinha se passado quando o terceiro fez entrada para acompanhar seus companheiros naquela tortura, mas o ouriço sabia que o grande momento estava pouco a pouco se aproximando, não sabia se temia ou ansiava por ele.
Seu membro já aparecia, graças as várias vezes em que fora estimulado em seu ponto G, encontrado casualmente e sem intenção por Shadow. O ouriço parou seus movimentos por um momento, e aproximou o seu rosto do de Sonic, estava cada vez mais perto quando o Sonic virou a cabeça e franziu os lábios.
— O que é dessa vez, faker? — Sua respiração era irregular, assim como sua voz parecia afetada, os gemidos da figura azul debaixo de si foram estimulantes auditivos bastante eficazes.
— Eu não acho isso certo.... — Conseguiu dizer com a voz falha, cansado e ofegante.
— E por quê? — Pediu um pouco irritado.
— Acho que isso seria íntimo demais... Algo mais romântico. — Forçou sua voz sair mais objetiva e clara possível. — Algo que não somos... Vai ter só... Só física... Não algo amoroso... Você sabe. — Tentou fazer seu ponto claro, mesmo tendo dificuldades. — Não quero que isso passe dos limites. Mais do que já passou. — Tomou um longo fôlego, antes de continuar. — Eu não quero me sentir preso a ninguém... Considere como uma troca de favores... Então nada de troca de saliva. — Fez uma careta.
— Tanto faz. — Deu de ombros, fazendo a explicação de Sonic soar como insignificante e irrelevante.
Retirou seus dedos de dentro dele e se ajoelhou na cama, levantando e segurando a cintura azul. Sonic sentiu-se estranho sem os dedos, uma sensação de vazio inexplicável depois de tanto tempo sendo estimulado e preparado. Sentiu seu corpo sendo erguido, enfim o momento que ele tanto ansiava e temia chegou. Fechou os olhos, fazendo o possível para relaxar e deixando que suas pernas fortes e torneadas rodeassem a cintura negra pouco a pouco enquanto sentia algo contra sua entrada.
Shadow entrou de uma vez, acertando na primeira tentativa a próstata do ouriço, fazendo com que um gemido meio grito saísse estrangulado por seus dentes trincados. A dor não era muita, mas ainda assim ser esticado tão bruscamente tinha seu preço. A ausência de dor demasiada era um tanto estranha, e tinha suspeitas que Shadow escolheu convenientemente o lubrificante anestésico que fazia parte do pacote e o efeito já estava presente. O ouriço negro não era a figura mais carismática, tampouco bondosa, porém cada mínima ação de bondade significava muito e deveria ser sempre levada em consideração, sentiu seu coração se aquecer pelo gesto bondoso que o outro fez.
Shadow foi suave, de sua forma claro, mas ele não seria quem é se fosse delicado ou gentil demais. Sonic sabia disso, e era justamente aquilo que o atraía no ouriço, seu constante ar de desafio e mistério.
E logo Sonic estava gemendo alto enquanto algo bem maior que dedos entrava e saía de si em um ritmo frenético e sensual.
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Piscou, as lembranças ainda vívidas em sua mente, aquela primeira vez, onde rivais se tornaram mais do que amigos, ficou fortemente gravado em sua memória e tinha plena certeza que o levaria para a eternidade.
Sua atenção foi chamada quando ouviu um enorme barulho de algo se quebrando, um alto tilintar de vidro ecoando pela cozinha.
Correu, enquanto uma preocupação espontânea surgia em sua mente, o que aconteceu com Sonic?
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