Bittersweet.

14 14. Bola de demolição.


Notas iniciais
Yeah, demorei um pouco, mas tive alguns imprevistos. Nada demais na verdade. Aqui está o capítulo~ Sem mais delongas, boa leitura.

Seu dia havia sido simplesmente uma droga, relatórios, treinamento de campo com as novas tecnologias em defesa G.U.N e a voz irritante do comandante em suas orelhas, o fazendo sentir cada vez mais curiosidade em saber como seria a sensação de afundar seu punho em um rosto enrugado e presunçoso.

Odiava aquele humano de todas as maneiras possíveis e só não o atravessou com um Chaos Spears em respeito à memória de Maria e de horas convencendo a si mesmo que apenas seria desperdício de Chaos Energy.

Odiava o fato de como era visto pelo comandante, como apenas um objeto, um experimento, somente uma arma. Não que ele não fosse uma, era longe de ser considerado como normal ou indefeso, muito pelo contrário, mas, o olhar que ele recebia o fazia se recordar de quando vivia na A.R.K, os olhares dos cientistas para seus experimentos. Tão cheios de si, menosprezando tudo aquilo que não era natural, como se não fossem nada mais do que ratos experimentais.

Havia exceções, claro. Gerald e Maria, talvez os únicos dentre aquela corja de humanos parvos e ignorantes. Talvez os mais humanos que conheceu.

Talvez se não tivesse se recordado da promessa que fez a garota em seu suspiro de morte, teria destruído o planeta sem arrependimentos. Não sabia se ficava grato ou irritado com Amy, mas dava crédito a garota ao mesmo tempo em que sentia pena dela.

Shadow the Hedgehog capaz de sentir pena? Ele era um ser vivo afinal, fazia parte de sua natureza sentir, embora pena não fosse uma das emoções mais comuns para ele, era quase mesclado com culpa.

Porque ele sabia que a ouriça nutria um amor por Sonic, na verdade ele não tinha certeza se perseguir e forçar alguém a sair consigo e fazer questão de mostrar isso para tudo e todos poderia ser considerado como amor, aos seus olhos parecia uma vaidade fútil, mas não podia julgar uma fêmea que tampouco tinha alcançado seus treze anos. Ainda fantasiando com príncipe encantado e passeios de mãos dadas ao pôr do sol como sendo o namoro ideal.

Sim, sentia pena dela. O bastante para até sentir uma leve pontada de culpa.

Porque enquanto ela sonhava em andar de mãos dadas com seu príncipe de espinhos azuis, Shadow fazia outras coisas com suas mãos e corpo, atos que ele sabia que era impuro, era contra seus costumes tão fortemente enraizados de cinquenta anos.

Sonic quebrou todos os seus tabus como se fosse uma bola demolidora.

Foi a primeira vez em anos que ele se sentiu desequilibrado, todos os seus costumes, seus conceitos, sua educação. Tudo que lhe fazia lembrar da parte boa de sua vida anterior foi completamente remodelado.

Em um dia tinha um rival à altura, no outro estava na cama com o mesmo. Com um macho, um ser que não era o que foi educado para tocar tão intimamente como fez, toda a educação que tivera, toda a rigidez com que fora obrigado a aderir aquela educação foi completamente quebrado.

E ele estranhamente não se arrependia e quando deu por si estava procurando novamente o mesmo corpo que corrompeu.

O que Maria pensaria? O que Gerald pensaria? Lhe recriminaria por ter sido infiel aos seus conceitos? Ou apenas lhes sorriam condescendentes e diriam que não se importava com o que ele estava fazendo?

Ele não tinha religião, cientistas não eram fieis a deuses de existência contestável, mas tinham regras, conceitos advindos da sociedade em que cresceram, enraizados firmemente no cerne de suas mentes.

Homossexualidade não era aceito na sociedade dos overlanders.

E ele duvidava que isso mudaria em um curto espaço de cinquenta anos.

Ele não era homossexual, na verdade ele não tinha sentido nenhuma atração por nenhum mobian e achava relacionamentos amorosos entre mobians e overlanders estranho.

Mas ele não se importava, afinal até mesmo já tinha visto uma hibrida quando vivia no apartamento compartilhado com Rouge, como era seu nome mesmo? Shahra? Sarah? Não tinha importância para ele, afinal era apenas uma funcionária do prédio que a apenas o cumprimentava por educação e pelo trabalho.

Assim que cruzou a porta de saída do prédio, fosse como se um enorme peso tivesse sido tirado de si e a atmosfera estivesse mais leve, estar preso em uma sala escrevendo relatórios da sua última missão era sufocante, mas agora sentia uma liberdade imensurável.

Correu em velocidade inacreditável, mas sem antes ter um breve vislumbre de preto e um rosto pálido retorcendo a expressão para ele.

Correr era diferente do que era antes, agora vinha com uma sensação de liberdade que ele só aprendeu a apreciar pelos quase três meses em que passou a estar mais íntimo de Sonic, agora conseguia entender sua paixão pela liberdade, era maravilhoso a sensação de correr contra o vento, de ser o vento, de não ter destino, somente correr.

Não demorou muito para que sua audição captasse um estrondo sônico, sorriu malicioso, era quase como um chamado quase irrecusável, um sinal para que ele encontrasse o ouriço com a necessidade que estava em liberdade toda a sua raiva e tensão.

~

Seus pés traçavam um caminho cego, sem rumo predefinido, seus braços estavam abertos como se quisesse voar, embora a intensidade do vento os fizesse se inclinarem para trás, o vento corria entre seus espinhos na cabeça, os fazendo mexerem sutilmente pela velocidade, os grandes olhos verdes brilhavam de emoção, olhando para cada objeto com facilidade com seus olhos treinados para ver sem problemas o ambiente ao seu redor, embora estivesse atingindo a mach 2.

Fechou brevemente os olhos, um sorriso enorme se arrastava pelos seus lábios, chegando a doer suas bochechas, mas tampouco se importou.

Entretanto sua corrida não durou tanto quanto ele desejava, quando deu por si seu corpo estava voando quando outro com a mesma velocidade que a sua se chocou consigo. Sua boca se abriu, mas o ar lhe faltou quando foi expelir seu grito.

Foi demasiado doloroso quando suas costas bateram com força em um pobre tronco de árvore inocente. Quando abriu os olhos para ver quem foi o responsável pelo dano, encontrou com olhos vermelhos cheios de uma luxuria que o fez estremecer.

— Olá, faker.

Foi o cumprimento dado antes dos lábios do ouriço ébano tomasse conta de seus ombros em mordiscos provocativos.

.

A risada saia roucamente de seus lábios enquanto a língua molhada e quente lambia seu pescoço avidamente, fazendo cócegas e arrepiando seus pelos azuis, não era essa a ideia de diversão que ele tinha quando acordou de manhã nesse dia, mas não era menos excitante.

Admitia internamente que essa é uma das razões pela qual havia se entregado ao ouriço negro, ele não era alguém que seguia costumes educados ou tinha delicadeza em seus atos, pelo contrário, Shadow era dominador e selvagem quando queria ser.

Isso era o que fazia de Shadow único e especial aos seus olhos, enquanto uns provavelmente agiria como se ele fosse delicado e dócil pela sua posição na relação, Shadow o tratava de igual para igual, sem minimiza-lo por preferir ser dominado. Pelo contrário, não havia exatamente a submissão, só a liberdade que o ouriço lhe conferia por tomar conta de si, não só usando seu corpo para seu próprio prazer como também lhe conferia sensações indescritíveis.

É, ele não sabia como, muito menos quando exatamente, mas quando percebeu, estava apaixonado pelos seus toques, a forma forte como ele apertava seu corpo contra si ou como ele lhe aninhava em seus braços quando estava a ponto de atingir seu ápice. Tudo contava, mas havia algo que o desapontava. Sua covardia em chamar Shadow para uma conversa e confessar tudo o que sente, tudo que está preso em sua garganta, mas tinha um profundo e forte medo de que, se contasse algo tão grave assim, Shadow nunca mais lhe tocaria novamente, tampouco lhe falaria novamente.

Estava dividido e perdido, mas se continuasse a pensar em seus sentimentos, acabaria se denunciando, então lhe restou apenas... Entrar no jogo.

Puxou a respiração, ao mesmo tempo em que seu braço que pendia mole ao seu lado se moveu para trás antes de se dirigir para a frente, na velocidade de uma bala, acertando em cheio a face que estava explorando seus ombros.

Shadow se afastou com o impacto, seus olhos amplos de surpresa pelo ataque que mesmo que fosse claro que aconteceria, ele não estava preparado para tal reação.

Seus olhos focaram ainda perdidos o autor do golpe, encontrando Sonic com um rosto deliciosamente vermelho e os olhos em fúria, o seu corpo curvado em tensão enquanto ainda estava com o punho levantado.

— Quer me explicar o que diabos foi isso? — Gritou o ouriço azul, sua expressão nada amigável, apesar de ter se sentido maravilhosamente bem enquanto tinha a atenção peculiar de Shadow, ainda assim ele era o herói de Mobius, não iria se deixar abater tão fácil.

Não recebeu nenhuma resposta.

Apesar do silencio vindo do ouriço negro, Sonic sabia que ele não lhe responderia, conhecia essa parte dele, sabia dizer que, mesmo que ele o pressionasse, não receberia uma resposta tão facilmente vinda dele, então simplesmente continuou em um monologo.

— Droga, Shadow! Qual é o seu problema? — Rosnou. — Não é mais simples chegar e falar “Sonic, quero te foder”, precisa querer quebrar as minhas costelas no processo? — Seu tom era ácido e fez Shadow arregalar os olhos pelo palavrão.

Okay, talvez a investida surpresa não tenha sido uma boa forma de abordagem, mas ele era Shadow e não seria ele mesmo se fosse gentil ou delicado demais, talvez até mesmo mal interpretado, mas nunca pensou que veria sair dos lábios de Sonic uma palavra como aquela.

Era fato que Sonic não era completamente delicado ou seguia o padrão estereotipado para gays, ele era uma figura que mesmo não sendo poderosa, ainda assim conseguia impor respeito por sua força e determinação. E Shadow o respeitava.

Não era preciso palavras para que Shadow entendesse que, Sonic não tinha qualquer interesse no sexo oposto, caso contrário já estaria com Amy, nunca teria lhe feito uma proposta como aquela e nem aceitaria que ele, um hibrido criado em laboratório, lhe tocasse.

Conhecia o lado altruísta do ouriço, ele sempre busca ajudar quem for que precise, não importando o que precise fazer e isso fazia com que, mesmo que Shadow rivalizasse com ele, ainda lhe respeitasse como lutador. E de alguma forma desconhecia a ele, sentia orgulho por aparentemente ter sido o seu primeiro.

Ninguém saberia como é ter o domínio de Sonic the Hedgehog, ninguém saberia como é o som de seus gemidos, como é ter o corpo forte e esbelto de contorcendo debaixo do seu, ninguém saberia o prazer que ele poderia oferecer.

Não demorou muito para seu foco voltar, seu rosto se retorcia em uma carranca de desgosto enquanto limpava o sangue que escorria de sua boca, sim, aquele ouriço era forte e ousado, mas ele ainda não tinha começado.

Correu em sua direção usando sua força, logo estava com Sonic no chão debaixo de si, se debatendo e contorcendo de uma força que chegava a excitá-lo. Os olhos verdes estavam ainda enfurecidos, mas também havia a diversão e desafio, era como se agora dissessem “domine-me se for capaz”.

Algo que Shadow nunca admitiria para ninguém, até mesmo para si mesmo, era que ele também se sentia bem com essa relação, ele poderia dominar algo, ter a opção de cuidar de alguém, de sua forma claro, mas sim, ele cuidava.

Desde seu nascimento, ele nunca teve qualquer escolha, ele nunca escolheu ser uma cura, uma arma, ele nunca escolheu seu destino, nunca teve opção de negar. Ninguém nunca lhe perguntou sua opinião, era submetido a todo tipo de situação sem escolha, nunca teve nada que pudesse chamar de seu e que fosse opcional, mas agora, com Sonic ele sentia algo diferente, como se ele pela primeira vez tivesse o controle de algo, pela primeira havia tido a opção de escolha, e ele aceitou.

Era engraçado se visse desse ponto de vista, ver a si mesmo se submetendo a um ato impuro e carnal como o sexo, de fundo queria de alguma forma poder retribuir o favor, mas não sabia nem por onde começar. É parecia uma piada esse tipo de pensamento vindo dele, nem mesmo ele entendia porque estava ‘amolecendo’ sempre que estava ao redor do ouriço, talvez fosse o costume e talvez até mesmo a admiração por Sonic ser capaz de confiar seu corpo para ele, logo a ele.

Em outros tempos, seu punho teria se erguido pronto para um soco que deixaria um hematoma bastante feio em sua pele ou até mesmo lhe machucaria tão forte que ele demoraria um tempo bastante longo para se recuperar, mas, quando seus dedos dedilhavam seu tórax em busca de algo que seria bastante sensível e faria o ouriço abaixo de si ter uma reação bastante constrangedora para ele.

Os olhos verdes se arregalaram ao sentir os dedos enluvados deslizando pelo seu tórax, procurando entre seus pelos cor de pêssego agora que o torturaria mais do que uma surra, sua reação foi se contorcer mais ainda no aperto forte de Shadow, embora ele mesmo soubesse que se tratava de uma tentativa inútil, ele era bem mais forte que si mesmo e fazia questão de demonstrar isso enquanto sorria maliciosamente quando prendeu entre seu polegar e indicador seu mamilo esquerdo.

Seu grito meio gemido ecoou pelas árvores enquanto a pele sensível era impiedosamente beliscada.

Notas finais
Estou em dúvida se escrevo um lemon para continuação dessa, mas realmente não sei... Well, caso houver quaisquer erros sejam eles de digitação ou ortografia, por favor, me informem. Comentem caso acharem que merece, gosto de saber sobre a opinião e reação de vocês~ Até uma próxima. by: Shadow Shirami