Bitchcraft

5 Capítulo 04 - O Dia Mais Temido


Felicia estava em pé ao lado da sua mesa em sua sala, perplexa com o que acabara de sair da boca de Virginia.

– As fadas estão vindo? – Ela perguntou, parecendo não ter acreditado no que havia acabado de ouvir.

– Sim – Virginia respondeu, andando de um lado para o outro – Eu não sei o que vamos fazer, eu não estava preparada para algo desse jeito.

– Como você sabe?

– Martha me ligou, elas destruíram Flower, destruíram tudo e o próximo alvo é a Garden!

– Precisamos ir embora daqui urgentemente!

– Não temos para onde ir, e além disso, elas nos acharão em qualquer lugar!

– Então o que vamos fazer?!

– Vai acontecer a coisa que eu mais temia... Outra batalha.

***

Duas horas depois, Rain, Mia, Arya e Ava estavam chegando à Garden School. Mia ainda levava seu copo de refrigerante nas mãos.

Quando se aproximaram do portão, o porteiro o abriu e elas entraram. Caminharam um pouco até chegar à escola. Entraram no saguão e perceberam uma euforia incomum. Uma grande quantidade de garotas indo em uma direção.

– O que houve? – Perguntou Arya à uma das garotas.

– Felicia mandou a gente ir pro refeitório, urgentemente.

As quatro garotas se entreolharam e seguiram a multidão.

***

Já no refeitório, as garotas se organizaram como puderam. Felicia estava em cima de uma das grandes mesas.

– Estão todas presentes? – Ela perguntou, esperando que alguma garota levantasse a mão informando que sua amiga ainda chegaria, mas não aconteceu. Estavam todas ali, assustadas – O que eu tenho para lhes informar é grave, muito grave... Nós recebemos uma ligação de outra bruxa em uma escola de New York dizendo que haviam sido atacadas...

Houve um murmúrio coletivo. As garotas estavam ainda mais assustadas.

– Nós precisamos sair da escola com urgência!

– O que aconteceu? – Perguntou uma garota lá na frente.

– Vocês saberão em pouco tempo, agora eu quero que corram para os fundos da escola, no campo de treinamento e esperem outro pronunciamento.

As garotas viraram-se umas para as outras e começaram a conversar, dando palpites e teorias acerca daquele mistério, enquanto andavam até o local mencionado.

Elas estavam passando pelo saguão quando ouviram um barulho enorme lá fora.

– O que foi isso? – Rain perguntou. Não foi a única.

– Eu não sei – Mia respondeu, tentando enxergar alguma coisa lá fora.

Todas as garotas se reuniram nas janelas, tentando ver alguma coisa.

– Saiam da frente, saiam da frente! – Felicia exclamou, dirigindo-se a uma das janelas – Oh meu deus – Ela disse, quando viu o que havia.

O portão havia sido derrubado e várias pessoas davam furiosos passos em direção à escola.

– São elas – Felicia disse, correndo para trancar a portas – Fechem as cortinas, fechem as cortinas!

– Quem? – Outra garota questionou.

– Fadas!

– Fadas?

– Sim, fadas! – Virginia exclamou, do topo da escada. Todos viraram para olhá-la.

Ele sacudiu sua mão em direção à porta e as garotas olharam para fora. As fadas haviam parado, como se estivessem paralisadas. Como se existisse um controle e Virginia tivesse apertado o botão para pausar.

– O que foi isso? – Rain perguntou, baixinho.

– Ela parou o tempo – Ava respondeu, também baixinho – Nunca tinha visto ela fazer isso antes.

– Prestem atenção – Virginia continuou – Eu sei que vocês estão confusas neste momento, mas eu explicarei.

As bruxas se entreolharam, depois voltaram a prestar atenção na diretora.

– Vocês certamente já ouviram falar em fadas... Elas realmente existem e sempre ameaçaram o legado das bruxas, o nosso legado.

Felicia subiu até onde a diretora estava.

– O que fazemos aqui na Garden School é preparar-lhes para defender esse legado – Ela continuou o que Virginia havia falado – Bem, a hora chegou.

As garotas estavam extremamente assustadas, foram pegas de surpresa. Na verdade, todas foram.

– Se vocês não sentirem que estão preparadas, eu entendo, e por isso pedirei que se dirijam até o campo de treinamento, há cinco helicópteros esperando.

As jovens bruxas estavam confusas, com medo. Uma delas deu um passo para frente e disse:

– Se esse é o nosso dever, devemos cumpri-lo.

– Vocês nos deram apoio e abrigo – Outra garota disse, dando um passo à frente, também – É hora de agradecermos.

Haviam sorrisos nos rostos de Virginia, Felicia, professoras e todas as outras bruxas mais experientes.

Outras bruxas também deram um passo à frente, incluindo Mia, Arya e Ava. Rain e outras três garotas ficaram no mesmo lugar.

– Você não vai? – Arya perguntou.

– Eu não sei... Tenho medo.

– Não precisa ter medo, nós somos especiais, somos fortes – Mia tentou convencê-la.

Rain abaixou a cabeça. Pensou em sua mãe, em seus tios e primos. Pensou no modo com eles a olhavam, com estranheza. Aquelas bruxas a salvaram, deram um lar e acreditaram nela quando ninguém mais pôde. Pensou também na morte. E se morresse na batalha? Sentia que não estava pronta para aquilo, entretanto, decidiu lutar. Achava que se morresse, ninguém ligaria, apenas aquelas bruxas, aquelas quem iria defender.

Rain deu um sorriso e um passo à frente.

– Está com medo? – Mia perguntou.

– Acho que todas nós estamos – Ela respondeu. Estava suando.

Quando as outras duas bruxas finalmente foram convencidas, talvez pelo mesmo motivo de Rain ou por medo de serem odiadas, Virginia falou:

– Eu quero que saibam que isso é sério, se perderem aqui, perdem em tudo.

Isso não contribuiu para acalmar as garotas, mas era a verdade. Todas estavam cientes de que poderiam não voltar da batalha, mas tudo bem, por muito tempo haviam sido treinadas para esse dia.

– Vocês não estão sozinhas – Virginia disse, com o intuito de deixá-las menos nervosas – Eu e as bruxas mais experientes estaremos lutando também.

Felicia desceu as escadas e abriu caminho entre as bruxas até a porta de entrada.

Uma das jovens bruxas subiu as escadas e perguntou à Virginia:

– Você não poderia segurá-las por mais tempo, até que as derrotemos?

– Infelizmente, à medida que uso meus poderes, minha energia vital enfraquece.

Ela voltou ao seu lugar e respirou fundo.

– Quando eu abrir esta porta, vocês irão atacar – Felicia orientou – Lembrem-se das técnicas que aprenderam durante o tempo que tiveram aulas e limpem suas mentes.

As garotas nunca haviam estado tão nervosas. Algumas estavam tremendo, outras choravam e a maioria estava em silêncio, esfregando suas mãos suadas na roupa, esperando o grande momento.

Virginia sacudiu a mão em direção à porta novamente e as fadas voltaram a se movimentar, dando passos não tão rápidos em direção às bruxas. Em poucos segundos haveria um banho de sangue, ainda não se sabia de qual das duas espécies.