Bitchcraft

9 Capítulo 08 - O Acordo


Passou-se uma semana sem que as fadas atacassem. As bruxas tentavam reconstruir suas vidas na nova casa, sempre esperando um ataque a qualquer momento.

Era sábado de manhã, as garotas estavam tomando café, sentadas nas grandes mesas de mármore branco do refeitório. Elas conversavam normalmente, mas nenhuma estava sorrindo. A marca da batalha não seria apagada tão facilmente.

Um ruído alto as assustou, elas seguiram o som e perceberam uma janela quebrada. Do outro lado do refeitório, no chão, havia uma flecha com um papel amarrado. Virginia, que estava sentada não muito longe dali, levantou-se e recolheu o objeto. Tirou o papel e o desenrolou. Fez uma cara de desconfiança.

Felicia correu até ela. Estava com medo do que havia ali.

– O que é? – Ela perguntou, mas logo sua pergunta foi respondida quando ela viu, escrito com sangue, uma carta. Escrever com sangue para deixar a carta mais apavorante é praticamente um clichê. Bem, ainda funcionava.

A carta era um pedido de acordo entre bruxas e fadas. Na verdade, era um pedido de uma batalha final.

– Elas querem mais uma batalha? – Felicia perguntou.

– Isso me parece mais um plano delas – Virginia concluiu, guardando o pedaço do que parecia ser um tipo de papel diferente em seu bolso.

As garotas estavam curiosas para saber o que havia na carta, mas Virginia foi sigilosa, apenas se retirou do refeitório, junto com Felicia e outras três bruxas, e foi para a sala da dirigente, deixando as garotas com suas teorias.

– O que você acha que é? – Perguntou Ava.

– Eu não sei, mas você a ouviu, tem algo a ver com outra batalha – Arya respondeu, em tom de lamento.

– Eu não aguento outra batalha – Disse Mia, frustrada – Não consigo dormir direito há muito tempo, sempre com os rostos das garotas que morreram naquela merda de luta.

– Eu também – Rain concordou, segurando a mão da colega.

***

Virginia e Felicia estavam na sala da matriarca da mansão, analisando a carta. Flora, a matriarca, estava sentada em sua confortável cadeira atrás de sua mesa, com a carta nas mãos, enquanto as outras bruxas estavam do outro lado da mesa, sentadas em cadeiras ou em pé, nervosas.

– “Serei o mais objetiva possível nesta carta – Flora começou a ditar em voz alta o que dizia no pedaço de papel – Estamos propondo uma trégua. Sei que nós, fadas, não somos a espécie mais confiável, mas ainda assim, somos orgulhosas e não gostamos de ferir nossa honra. Por isso quero propor uma batalha final, entre fadas e bruxas, quem perder, perde, quem ganhar, ganha, simples assim. Caso considerem a proposta, daqui a 4 dias, estaremos esperando por vocês às 5 da manhã, em um grande campo a 3km ao oeste daí. É impossível errar o caminho, ele é bem visível. Se não considerarem, entenderemos como uma resistência e continuaremos atacando, até que não sobre nenhuma de vocês”

– Oh meu deus – Virginia esfregou as têmporas – O que vamos fazer?

As bruxas se entreolharam.

– Precisamos aceitar – Disse Flora.

– O que? – Ela perguntou.

– Flora tem razão, Virginia – Disse uma das outras bruxas, Susan.

– Minhas garotas não têm condições de lutar, vocês não entendem?

– Mas elas irão lutar, de qualquer maneira – A outras bruxa, Justice, falou – Se não aceitarmos, elas continuarão atacando, você ouviu.

Virginia sentou-se em uma cadeira de madeira vermelha, com acolchoados em cor vinho.

– Teremos tempo de treiná-las – Disse Flora – Desta vez não será surpresa, estaremos prontas.

Ela levantou a cabeça, olhou para Flora, o olhar dela era tão confortador, não era à toa que ela era a líder suprema das bruxas. Sempre com seu jeito calmo e paciente.

Virginia não falou nada, mas todas as bruxas entenderam como um sim. Ela olhou para Felicia, que estava tão preocupada quanto ela. Felicia olhou de volta, dando um longo suspiro.

– Eu vou comunicá-las – Flora concluiu.

***

As bruxas ficaram apavoradas. Estavam assustadas com o que haviam acabado de ouvir da boca de Flora. Uma batalha final. Essa ideia era aterrorizante.

– Eu sinto muito que isso esteja acontecendo, mas se não aceitarmos esta proposta, elas continuarão atacando.

As jovens garotas se entreolharam com medo, sabiam que não havia saída, ou lutavam ou lutavam.

– Não se preocupem, nós vamos prepará-las e em três dias, seus poderes evoluirão o que levariam meses para evoluir.

Ela se retirou do refeitório logo após a declaração.

– Eu não acredito nisso – Lamentou Ava – Não quero outra batalha!

– Ninguém quer – Disse Rain – Mas não há para onde correr.

– Desta vez, temos mais ajuda de bruxas mais experientes – Arya tentou consolá-la – As fadas não têm chance.

– Como vocês conseguem não ficar nervosas? – Ela perguntou, com os olhos lacrimejando.

– Eu não sei – Arya respondeu – Eu só estou acostumada com a tristeza.

***

Horas depois, à tarde, as garotas estavam no campo de treinamento da mansão que um dia já fora também uma escola. Ao contrário do campo da Garden, este era coberto e com um design de esfera, com altas janelas abertas nas laterais.

Uma garota estava no meio de três bonecos de pano. Os bonecos se moviam e ela os tentava acertar, com seu punho em chamas ou com as labaredas que saíam de suas mãos. Seus cabelos também estavam chamas, mas, na verdade, elas não o danificavam.

Do outro lado, estava Arya, treinando seus poderes. Várias plantas, como cobras cheias de folhas e espinhos, quebravam o chão e obedeciam ao comando dela, enrolando-se nos bonecos e os estraçalhando logo após.

– Rain, sua vez – Felicia chamou.

Ela se aproximou e observou enquanto uma das bruxas encaixava alguns bonecos em suportes no chão. Eram esquisitos, pareciam cheios com algum líquido.

– Estes bonecos estão cheios de água – Ela explicou – E estão sobre uma plataforma móvel que se move de acordo com o movimento do seu corpo. Você precisa ser rápida para acha-los. Vai tentar destruí-los com isto aqui – A mulher lhe entregou um tipo de espada. A lâmina brilhava – Se não conseguir, use seus poderes.

– Entendi.

Rain caminhou até o centro dos quatro bonecos e Felicia apertou um botão. Um dos bonecos se moveu quando ela se aproximou. Correu e tentou atingi-los com a espada, mas era difícil, eles eram muito rápidos. Ela continuou girando e tentando golpeá-los, até que acertou um. A água se espalhou pelo chão e o boneco parou de funcionar. Os outros três continuavam se movendo. Rain parou por um instante, olhou atentamente para um deles, que estava parado exatamente à sua esquerda. Girou a espada rapidamente, o boneco movimentou-se, mas não deu tempo, ela havia sido mais rápida. A água dele se espalhou pelo chão, como o outro.

***

Três dias se passaram muito rápido. Era noite. Rain estava sozinha em sua cama, em uma espécie de salão onde as garotas estavam dormindo. Pensava no que aconteceria em poucas horas, ás 5 da manhã. Seria a batalha final.