Bitchcraft
8 Capítulo 07 - Garota Malvada
As bruxas estavam eufóricas e assustadas, sem saber o que fazer, quando Felicia entrou às pressas no quarto.
– Eu preciso que tranquem a porta e fiquem aqui, em silêncio! – Disse ela, sem dar nenhuma explicação.
– Estamos sob ataque? – Uma das garotas perguntou.
– Sim.
– E nós devemos ficar aqui? Sem fazer absolutamente nada? – Outra garota questionou.
– Vocês já fizeram muito.
– Mas nós vamos.
– Vocês não precisam.
– Mas nós queremos, precisamos fazer isso por nós mesmas, pelas garotas que perderam suas vidas na batalha – A mesma garota disse, levantando-se e olhando para suas colegas. A maioria delas concordavam.
***
As bruxas se dividiram em grupos de seis para procurarem fadas pela mansão. As alunas estavam em grupos acompanhadas de bruxas mais experientes.
Seis bruxas, incluindo Rain, andavam por um dos corredores do primeiro andar da mansão, todas elas juntas, atentas a qualquer ruído.
Ao entrar no corredor vizinho, foram surpreendidas com um grupo de fadas no fim. Eram mais de seis fadas. Na verdade, parecia mais de dez.
– O que faremos? – Perguntou Rain.
– Atacar – Respondeu a mulher que estava à frente do grupo.
As fadas se aproximavam devagar. As mãos começavam a ganhar um brilho esverdeados, estavam quase prontas para o ataque.
Lauren, uma pequena garota loira deu um passo à frente e apontou suas mãos para frente em forma de “L”, como um revolver.
Uma das fadas gargalhou.
– O que você vai fazer?
A garota mexeu os dedos, como se fossem gatilhos, e ouviram-se vários disparos altos. O corpo da fada caiu no chão, com dezenas de buracos em seu rosto e corpo. Era possível ver alguns pequenos pedaços metálicos das balas.
As outras fadas ficaram assustadas. Em um movimento, todas elas lançaram várias esferas de energia cósmica parecidas com fumaça verde. No meio do caminho, as esferas pararam no ar. Leah, uma das bruxas – a qual tinha habilidade de controlar energia cósmica – as estava controlando. Rain deu um passo à frente e direcionou uma de suas mãos para uma fada, instantaneamente ela começou a levitar, seguindo o rastro de da mão da garota. Com a outra mão, Rain abriu a boca da fada e Leah lentamente guiou uma das esferas de energia até o interior da boca da fada, que explodiu ao entrar em contato com ela, fazendo o sangue se espalhar pelo ar, flutuando, já que Rain ainda o controlava. As outras fadas revidaram com mais esferas verdes, mas todas elas paravam a alguns centímetros das bruxas, controlados por Leah. Vieram mais ataques. As esferas se juntavam aos montes, pairando no ar. Segundos depois, usando as mãos, Leah juntou todas as esferas, formando uma grande bola de energia cósmica, que foi lançada diretamente para as fadas sobreviventes. Ao entrar em contato com o corpo de uma delas, a esfera explodiu, espalhando sangue, carne e vísceras pelo tapete.
***
Felicia estava com mais cinco bruxas no saguão de entrada da mansão, atenta ao aparecimento das fadas. Ouviu uma das garotas atrás de si gritar. Virou-se e percebeu que era Janine, uma garota de cabelos curtos e negros. Ela chorava de dor ao ver o tamanho do ferimento em suas costas, dentro do buraco aberto em sua roupa. Havia uma fumaça esverdeada saindo da ferida.
A fada responsável estava há dois metros dali, sorrindo maliciosamente.
As garotas ajudaram Janine, enquanto Felicia foi caminhando até a fada. Cada esfera verde que a inimiga lançava era ricocheteada ao bater nos pequenos escudos de sombra que Felicia criava com um gesto manual.
– Quem você pensa que é? – Perguntou a bruxa, furiosa, mas não esperou resposta. Direcionou sua mão direita para a cabeça da fada e os olhos dela ficaram negros – Como se houvessem sombras dentro de sua cabeça – E, com um gesto com sua mão, Felicia girou a cabeça dela em 180°. O corpo sem vida da fada caiu no chão, com um baque surdo.
– Felicia, cuidado! – Gritou uma garota. Felicia olhou para trás e deparou-se com uma fadas sorrindo para ela. As mãos e os olhos ficavam verdes. Sua expressão de alegria durou pouco, até se transformar em uma expressão de dor, quando uma das bruxas lançou chamas pelos dedos, carbonizando quase instantaneamente o corpo dela. Ela gritou por alguns segundos, correndo, até cair no chão com o corpo exalando fumaça.
– Vamos! – Felicia exclamou, correndo em direção a um corredor à esquerda delas.
No fim do corredor, elas esbarraram em outro grupo maior de bruxas.
– Estão todas bem? – Felicia perguntou.
– Estamos – Respondeu uma bruxa ruiva de óculos de armação branca – Vocês estão?
– Sim.
Rain percebeu um movimento atrás delas. Alguém passou correndo no saguão. Ela foi verificar. Caminhou um pouco até o fim do corredor, não via ninguém, então caminhou mais um pouco. Ao chegar ao fim, foi surpreendida por uma fada, que a segurou pelo pescoço. Rapidamente, ela socou o rosto da inimiga e a fez perder estabilidade, depois golpeou sua barriga com dois chutes. A fada levantou-se rapidamente, lançando uma de suas esferas de energia cósmica, mas, por sorte, Rain desviou-se. Neste momento, as outras bruxas perceberam o que acontecia e foram correndo até o saguão, mas Rain já tinha controlado a fada. Estava mantendo ela no ar e qualquer momento poderia rasga-la ao meio, controlando a água do seu plasma sanguíneo.
– Não! Rain, não a mate! – Felicia gritou, abrindo espaço entre as bruxas.
– Me dê um motivo – Disse Rain, olhando furiosa para a fada, que sorria.
– Ela pode ser útil.
Rain olhou para Felicia e depois voltou a olhar a fada.
– Não vai me matar, sua aberração? – Ela perguntava, sabia que era melhor ser morta do que capturada.
– Hoje não, sua vaca.
Em seguida, soltou a fada, que caiu no chão de cerâmica branca com um baque surdo.
***
Rain, Felicia e outras quatro bruxas estavam em um quarto escuro, iluminado por uma pequena lâmpada incandescente. A fada estava sentada em uma cadeira, com as mãos nos apoiadores e os pulsos presos por barras de ferro torcidas, improvisadas por uma das bruxas, que manipulava metais.
– Socorro!!! – Ela gritava alto.
– Não adianta – Disse Felicia – E não só porque ninguém pode te ouvir, mas também porque não há ninguém para te salvar.
Ela calou a boca.
– Agora, me diga, o que vocês querem conosco? – Felicia perguntou.
– Você já sabe.
– Acredito que não.
– Queremos apenas acabar com a batalha que foi interrompida há séculos, – A fada respondeu, com um olhar de fúria – Queremos o nosso lugar no mundo, queremos muitas coisas.
– Você está ciente de que não vai conseguir, não é?
– Acredito que não – Ela respondeu, repetindo a resposta de Felicia.
– Quantas existem de vocês?
Ela gargalhou.
– Você acha que pode nos destruir?
– Quantas são? – Felicia questionou, ignorando a pergunta da fada.
– Somos muitas – A fada respondeu – Milhares, milhões, tanto faz, vocês serão eliminadas.
– O que lhe faz pensar isso? – Ela se aproximou do ouvido da prisioneira, quase sussurrando.
– Não sobraram muitas bruxas por aí.
– É, mas nós somos as melhores, você já deveria saber.
– Sim, nós sabemos, e por isso as deixamos por último.
– Como vocês saíram do Inferno Negro?
– Saímos do Inferno Negro? – Ela gargalhou novamente – Você tem o que? 5 anos? Não existe Inferno Negro!
– O que?
– Pois é, nós nunca fomos presas, sempre estivemos aqui na terra, bem perto de vocês.
– E por que só atacaram agora?
– Nós tínhamos um pacto, um acordo de paz... Nós não invadíamos seu território e vocês não invadiam o nosso.
– E esse pacto foi quebrado?
– Provavelmente.
– Provavelmente?! – Felicia ficou furiosa – Vocês começaram uma batalha porque provavelmente o pacto foi quebrado?
– Sim – Ela respondeu, ironicamente – Vocês bruxas só cometeram um erro em toda a história.
– E qual foi ele?
– Não ter exterminado as fadas quando puderam... Nós não temos o costume de cumprir acordos.
Felicia se afastou, andou de um lado para o outro, tentando se acalmar.
– O que vão fazer comigo? Me matar? – A fada perguntou, parecia que não tinha medo de morrer.
– Ah não, não não – Ela respondeu, sorrindo – Vamos fazer uma coisa muito pior.
Ela se afastou um pouco e Rain se aproximou da fada, que estava com um olhar diferente. Estava com medo.
Rain estava sorrindo. Tocou o braço da fada, preso na cadeira. Conseguia sentir o sangue passando pelas veias dela.
Afastou mais um pouco e direcionou sua mão em direção à fada, quase conseguia sentir a água do plasma sanguíneo em suas mãos. Fechou o punho e levantou. O sangue dentro das veias e artérias da fada seguiu o rastro, sendo levantado também. A fada começou a gritar de dor e o contorno de suas veias e artérias eram perfeitamente visíveis na pele.
Felicia pegou uma faca e fez um grande corte vertical em todo o antebraço da fada. O corte era fundo e atingiu toda a pele dela. Rain levantou mais a sua mão, e o sangue dentro das veias também foi puxado. As veias dela começavam a sair pelo corte que Felicia abrira. Eram como fios avermelhados muito finos. As veias não eram verdes como é possível ver no corpo e sim esbranquiçadas. As da fada eram de um vermelho vivo, por conta do sangue que passava e que, no instante, Rain controlava.
Ela gritava de dor. Gritos tão desesperados que chegavam a incomodar as bruxas. Ver alguém ser torturado não era agradável.
O emaranhado de fios vermelhos estavam saindo pelo corte na pele. Felicia pegou a faca novamente e cortou o outro antebraço e outras partes do corpo da fada. Rain fez o mesmo que antes, puxou o sangue para cima até as veias começarem a aparecer pelos cortes. Depois, Felicia fez cortes nas próprias veias, mas ao invés de o sangue espirrar para todos os lados em uma velocidade impressionante, eles apenas ficaram pairando no ar, já que Rain o controlava. Lentamente, ela foi retirando todo o sangue das veias da fada. Depois de retirar uma grande quantidade, percebeu que a fada estava muito pálida e fraca, segundos depois ela começou a fechar seus olhos, nem tinha forças para gritar de dor. Logo em seguida, apagou.
Algumas das bruxas estavam de olhos fechados ou olhando para os lados, nem mesmo Felicia estava se sentindo bem, apenas Rain. Parecia que quando ela usava seus poderes para ferir alguém, sentia uma raiva incontrolável.
Em pleno ar, ela juntou todo o sangue. A grande esfera de sangue flutuando foi guiada até um balde preto no chão e quando Rain parou de controlar, o sangue caiu, enchendo-o até a metade.
Ela fechou os olhos e colocou a mão no rosto, esfregando as têmporas. Começou a chorar.
Felicia a abraçou, repetindo “está tudo bem”, quando na verdade, não estava.
As outras bruxas estavam horrorizadas, olhando o pálido – quase fantasmagórico – cadáver da fada preso na cadeira. Havia vários cortes pelo corpo, em vários deles, as veias – algumas com uma cor mais clara, outras ainda transbordando sangue – ainda estavam expostas.
Rain ainda estava aos prantos. Ela não conseguia controlar sua raiva ao usar seus poderes para machucar. Não queria mais fazer isso. Na verdade, todas começaram a achar que ela não deveria.
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