Biscoitos Azuis e Outras Coisas
1 Capítulo Único: Sophia
Notas iniciais
Sophia
Cinco meses de gravidez. Cinco meses que foram bem estranhos. Os meus desejos, eu digo, foram bem estranhos. Já havia feito o Percy buscar melancia às 4h da manhã para mim, quando nenhuma loja estava aberta, para comer com leite condensado. Além dele ter que aprender a fazer pipoca, bolo e outras coisas durante a madrugada, já que usei a carta da aparência de nosso bebê contra ele.
Acho que só sabemos a duração de um casamento após o primeiro desejo da gravidez.
Os desejos não pararam na melancia com leite condensado — já é muito estranho, mas ficou pior, eu te garanto. Fora isso, não dei muito trabalho.
Tá, talvez um pouco, já que eu não queria ficar quieta de maneira nenhuma. Percy ameaçou me prender em uma cadeira enquanto ele não estivesse em casa, assim ele teria certeza de que eu não subi no telhado para lavar as telhas. Não que eu tenha pensado em fazer isso, é claro.
Will era o meu médico, por mais que ele não fosse um obstetra propriamente dito. Eu gostava de fazer meu pré-natal com ele porque ele era quem eu mais confiava no universo médico. Ele cuidou de mim mais de uma vez. Confiava nele para cuidar de minha filha.
Contudo, tivemos um problema. Will havia ido para Nova Roma apenas para ajudar a completar o staff, porque havia sido aberta uma outra ala e estavam precisando de gente. Quando novos médicos chegaram, ele foi dispensado. Ele teve que voltar para Manhattan quando completei os cinco meses de gravidez.
Então, Percy e eu tivemos que fazer uma grande escolha.
No consultório do Will, 19 semanas de gravidez...
— Olha, Annabeth pode ter o bebê aqui, mas com outro médico. Claro que eu iria indicar um filho de Apolo que confio e que faria um bom acompanhamento com vocês. E isso seria o menos arriscado, ficariam perto de casa e mais protegidos. Ou vocês vão para Manhattan, ficam no Acampamento ou em outro lugar seguro e têm o bebê no hospital que trabalho lá. O que seria mais arriscado, a viagem para lá, o translado para o hospital, tudo — Will disse em nossa última consulta.
— O que você acha melhor? — Percy perguntou para ele, segurando minha mão.
— Como médico, seria melhor que vocês fossem para Manhattan. Conheço detalhadamente o caso de Annabeth, todas as suas particularidades de saúde e suas condições físicas. Sabe que sua gravidez é um pouco complicada, seu útero é mais para trás, sua pressão é um pouco alta. Posso passar para um outro médico, mas ninguém a conhecerá melhor do que eu — ele disse.
— Sei disso, Will. Confio em você mais do que ninguém — eu disse com um sorriso.
— Sei disso. Pensando como um semideus, aqui seria mais seguro, é claro. Mas quando nossa vida é exatamente segura?
Percy e eu nos encaramos. Ele apertou minhas mãos e acariciou a minha aliança. Eu sorri com aquele carinho. Sempre juntos, era o que estava escrito dentro dela.
— Percy e eu vamos para Manhattan, Will. Daremos um jeito — eu disse, encarando os olhos de dele.
Percy assentiu com a cabeça, mesmo que seus olhos estivessem banhados de preocupação. Não sabíamos o que esperar do futuro.
Percy e eu iríamos nos mudar para Manhattan por pelo menos três meses, o que envolvia uma pequena bagunça em nossa casa no mês que se precedeu nossa mudança. Nós iríamos para a casa de Sally, já que minha mãe e Poseidon haviam nos oferecido uma proteção especial enquanto estivéssemos em Nova York.
Sally Jackson estava mais do que animada com a ideia, é claro. E Hermíone, irmã de Percy, estava mais do que animada para conhecer sua sobrinha.
Explicar o porquê de Hermíone ter esse nome era sempre um sacrifício. Todo mundo sempre se lembrava da Hermione de Harry Potter, nunca de Hermíone, filha de Helena — sim, a de Tróia — que se tornou a Rainha de Esparta um dia. Amava nossa pequena Mimi, que era completamente apaixonada pelo irmão.
A minha gravidez era considerada de risco, outro agravante, como Will explicou em sua consulta. Por isso tinha que ter um acompanhamento médico e por isso insistia que fosse Will, desde o início com a gente e que mais me conhecia. Estávamos, entretanto, procurando uma maneira mais segura de nos mudarmos para lá.
Depois de pensarmos muito, decidimos que eu iria de avião e o Cabeça de Alga iria de carro com nossas roupas e outros pertences. Percy não concordava com a ideia de nos separarmos, embora fosse sua a ideia, já que ele não andava nos ares nem mesmo obrigado. Eu, para ser bem sincera, também não concordava.
Mas eu não podia me arriscar em uma viagem longa de carro, não com seis meses de gravidez e as costas exigindo o seu preço com o peso que crescia a cada dia.
Por isso, decidimos fazer essa divisão no fim.
Conforme os dias iam passando e a chegada do dia que iríamos partir chegava, Percy ficava mais nervoso e desastrado. Ele quebrou duas xícaras e por mais que tivesse tido vontade de xingá-lo por dez horas, sabia que ele não podia controlar os seus sentimentos.
Sabia no que ele estava pensando. Na vez que nos separamos e que nossa jornada envolveu uma passadinha no Tártaro. Por mais que nunca fosse acontecer aquilo conosco novamente, nunca deixamos de esquecer aquelas memórias.
Na véspera de nossa partida, recebemos uma visita muito especial. Quando a campainha tocou, eu estava lendo um livro na sala, um dos que eu não levaria em nossa mudança. A minha barriga não era muito grande, mas Will dissera que era porque eu sou magra, nada de errado com nossa filha ou com o peso dela.
—Eu atendo, Percy — eu gritei para ele que estava na cozinha, indicando que ele não precisava se preocupar.
Ele fazia praticamente todas as tarefas domésticas desde que Will dissera que eu devia ficar em repouso e não fazer muito esforço. Já discutimos muito por isso, mas sabia que, na maioria das vezes, Percy tinha razão. O que era bem difícil para que eu admitisse, é claro.
— Reyna! — eu exclamei, ao abrir a porta e ver o seu sorriso. — Que surpresa, minha amiga.
— Annabeth — ela me abraçou. — Como vai?
— Vou bem, entre, vamos tomar um café. Percy está lá dentro.
Reyna me seguiu para dentro de casa. Como toda grávida, segurava minhas costas enquanto andava. Não sabia por que, mas só fazia, era confortável.
— Annabeth, quem é? — Percy gritou da cozinha.
Como sempre, preocupado.
— É a Reyna, Cabeça de Alga — eu respondi.
Reyna riu com o uso do apelido e eu sorri. Ele surge da cozinha, enxugando as mãos. Com um sorriso no rosto, ele abraçou Reyna.
— Como vai? — ele perguntou.
— Vou bem, obrigada — ela respondeu.
Nos sentamos na mesa da sala e tomamos um café. Percy estava aprimorando as suas habilidades culinárias, havia feito um bolo delicioso. Parecia que eu sentia os gostos mais intensos na gravidez, o que eu considerava ótimo, é claro.
— Eu vim ver como estão, é claro, mas principalmente como vai a minha afilhada querida — Reyna disse com um sorriso.
— Ah, Sophia vai bem — eu acariciei minha barriga, sorrindo.
Reyna seria madrinha de nossa filha. Ela havia nos ajudado muito em Nova Roma, ajudou em nossa adaptação. Mas, acima de tudo, havia ajudado Sofia. Em uma tarde, quando estava saindo do trabalho, eu tive um pico de pressão e quase perdi o bebê. Foi bem no início da gravidez.
Eu não sabia como Reyna havia aparecido tão depressa. Achava até mesmo que havia sido uma ajuda de minha mãe, mas só sei, que, do nada, eu estava no carro dela indo para o hospital. Reyna salvou Sophia naquele dia e iria agradecê-la sempre por aquilo.
O padrinho ia ser Nico, que havia se tornado um grande amigo naqueles anos. O bom de ele ser o padrinho, é que assim Will também seria padrinho do coração dela.
— Ela está bem agitada, mas bem. Já sabe que vamos para Manhattan amanhã? — eu perguntei.
— Sim, encontrei Nico alguns dias atrás, ele me contou — ela comentou.
— Ah, sim, ele veio nos visitar, Will estava perguntando sobre a mudança — Percy respondeu. — Íamos te mandar uma mensagem de íris hoje para te avisar, assim nos despediríamos amanhã.
— Bom, me adiantei um pouco — ela disse sorrindo. — Peço que quando Sofia nascer, me avisem. Vou fazer uma visita a Nova York.
— É claro que avisaremos. E iremos amar a visita, tenho certeza que Sofia vai amar conhecer a madrinha — eu disse.
— Obrigada, Reyna. Por tudo — Percy complementou.
Sabia que Reyna entendia a profundidade de nosso agradecimento.
— Eu também vim desejar boa sorte para vocês amanhã. Sei que tudo dará certo no final. Minhas orações estarão com vocês.
— Obrigada, Reyna, vai dar tudo certo — eu disse.
— É isso que eu espero — Percy completou.
*****
— Sally! — eu a abracei, assim que a encontrei no aeroporto.
Ela, Hermíone e Paul haviam ido me buscar. Percy estava vindo de carro, e saíra bem mais cedo.
— Minha querida, correu tudo bem? Como vai a minha netinha? — ela perguntou, passando a mão em minha barriga.
— Sim, correu. Estamos bem, mas sua netinha está dando muito trabalho para a mamãe. Está tão agitada.
— Ah, eles são assim mesmo, bem agitados. Palavra de uma mãe de semideus.
— Annie — Mimi me chamou, fazendo com que eu me agachasse em sua frente. Ela já estava com 6 aninhos. — Sua barriga está grandona.
Eu ri, acariciando os seus cabelos.
— Estava com saudade, mocinha. Se comportou bem?
— É claro, eu sou uma mocinha já, Annie — nós rimos.
— Eu estou vendo.
Nós fomos para a sua casa, onde o quarto antigo de Percy estava arrumando para nós dois. Eu sentei na cama, esperando por Percy.
Só que ele demorou a chegar. Muito.
Mimi já havia me mostrado todos os brinquedos que ela deixaria Sophia brincar, tentado me alegrar de todas as maneiras, mas eu não conseguia me concentrar. Estava muito nervosa, pensando que algo de ruim havia acontecido com ele.
Comecei a andar de um lado para o outro, dando adeus ao repouso. Sally tentava me acalmar, dizendo que faria mal para o bebê toda aquela agitação. Mimi havia sido banida para o seu quarto, para brincar e ficar distante daquela agitação.
— Annabeth, por favor, pare! Se acalme. Percy só deve estar preso no engarrafamento. Você sabe como a cidade de Manhattan é, ainda mais nas férias de Julho — Sally insistiu.
— Você tem razão, Sally. Só que eu não consigo. Me separar dele, é ruim, passamos por tanta coisa. Eu me lembro até hoje de quando ele desapareceu, me lembro das coisas ruins que aconteceram depois. E é difícil, muito difícil — eu disse.
— Eu sei, minha querida, eu sei — ela segurou minhas mãos e encarou meus olhos. — Mas está tudo bem. Não se preocupe, eu tenho um bom pressentimento.
Percy chegou algumas horas depois. Estava cansado, mas a primeira coisa que fez foi me abraçar. Eu chorei em seu ombro, com o alivio que sentia. Ele enxugou minhas lágrimas e pediu que eu me acalmasse. Era importante que eu não me estressasse.
— Está tudo bem agora — ele me disse, olhando em meus olhos. — Foi só um engarrafamento. Eu estou bem, ouviu? — ele me abraçou novamente. — Está tudo bem, meu amor.
— Ela devia descansar, Percy. Ela já se agitou muito hoje — Sally disse. — Leve ela para o quarto, depois vai ver a Mimi, estava doida te esperando.
— Certo, vamos lá — ele disse.
Ele deitou-se ao meu lado na cama. E acariciando meus cabelos, aguardou pacientemente que eu dormisse. E sentindo sua presença ao meu lado, dormi docemente.
*****
Dois meses depois...
— Percy.
Eu chamei pela quarta vez, até que ele acordasse. E ele acordou bem assustado, encarando os meus olhos.
— Está tudo bem? — ele perguntou preocupado.
— Está sim, não se preocupe — ele suspirou aliviado. — Desculpe, não quis te assustar.
— O que houve? — ele acariciou meus cabelos.
— Acha que Sally está acordada? Eu estou morrendo de vontade de comer biscoitos azuis.
Percy ficou me encarando por alguns instantes, incrédulo.
— O que? — ele perguntou.
— Biscoitos azuis, Cabeça de Alga. Nunca ouviu falar? — eu disse em tom divertido.
— Muito engraçado, Sabidinha. Sabe que horas são? — ele olhou o relógio ao lado da cama. — São 3 horas da manhã, Annie.
Ele havia pego a mania de Sophia de me chamar de Annie. Amava o apelido, ainda mais vindo daquela menina amorosa e do meu marido, é claro.
— Eu sei, mas você quer que sua filha nasça com cara de biscoito? Ainda mais azul?
Parei para pensar um pouco depois e, sinceramente, acho que Percy gostaria sim, mas não comentei nada.
— Eu mereço, realmente mereço — ele exclamou, olhando para o teto. — Vou ver se dona Sally está acordada, Annabeth.
— Por isso que eu te amo — eu disse, depositando um beijo a sua bochecha, fazendo-o rir.
Oito meses de gravidez. Nossa filha poderia nascer a qualquer momento. Fora vários sustos e idas ao hospital, a gravidez corria bem. Nenhum monstro tentou nos atacar enquanto andávamos pela rua, o que era realmente bom e que só podia ser obra de Atena e Poseidon.
Eles prometeram uma bênção de proteção, até que sua neta tivesse nascido e estavam cumprido aquela promessa. Agradecia todos os dias em minhas orações.
— Biscoitos Azuis? Pegou a mania de Percy? — a cabeça de Sally surgiu na porta do quarto.
— Eu nunca pensei que gostava de melancia com leite condensado até ter desejo. Eu sou uma grávida que tem muitos desejos e bem estranhos — eu disse.
Sally riu, saindo de meu campo de visão. Logo Percy entrou novamente no quarto.
— Nunca sei se você está falando sério ou só quer me deixar em maus lençóis — ele disse, provocando a minha risada.
— Juro que meus desejos são verídicos, senhor Jackson.
Percy se sentou ao meu lado, acariciando a minha barriga e provocando o meu sorriso involuntário. Pus minha mão sobre a sua, encarando seus olhos.
— Ela logo estará aqui, vai dar tudo certo — eu disse.
— Eu sei. É que às vezes eu tenho medo, de não saber segurá-la, de não saber cuidar dela, de protegê-la.
— Hey — encarei seus olhos e segurei suas mãos em cima de minha barriga. — Você vai ser um ótimo pai, Cabeça de Alga. Não se preocupe com isso.
Algumas horas passaram e senti uma leve dor na barriga. Assustei-me e acabei assustando Percy também. Senti um líquido escorrer em minha perna.
— O que foi, Annabeth? — ele perguntou preocupado.
— A bolsa — eu disse. — A bolsa estourou, Percy — exclamei mais alto.
— Annabeth, você está doida? A sua bolsa está inteira ali — ele apontou para a minha bolsa de trabalho na escrivaninha.
— Às vezes esqueço que a sua cabeça está cheia de algas — eu disse — A bolsa, Percy, o bebê vai nascer — exclamei, sentindo uma nova pontada. — Esquece os biscoitos, temos que ir para o hospital. Liga pro Will.
— Tá — ele respondeu.
Quando olhei para a sua expressão quando ele se levantou, parecia que ele havia visto um fantasma. Ele estava realmente assustado.
— E, Cabeça de Alga... — ele encarou meus olhos antes que eu completasse. — Fique calmo.
Ele assentiu e saiu apressado do quarto.
— Mãe! Abortar a operação biscoitos, Sophia está nascendo! — ele gritou.
Eu ri.
Aquele Cabeça de Alga...
*****
Chegamos ao hospital mais rápido do que eu imaginei. Will estava me esperando na porta e sorriu ao me ver. Fui colocada em uma cadeira de rodas e preparada para o parto.
— Chegou a hora, senhora Jackson — Will disse para mim, com um sorriso. — Preparada?
— No momento com muita dor para dar uma resposta coerente. Mas sim, eu estou preparada — eu disse.
— Então vamos trazer Sophia ao mundo — ele se virou para meu marido. — Percy, não tenho certeza se você poderá acompanhar o parto, mas farei de tudo para que você possa. Sei que Annabeth irá querer e que é importante para vocês. Por enquanto, aguarde aqui na recepção.
— Certo — ele disse a Will.
Percy se ajoelhou para ficar na altura dos meus olhos e os encarar.
— Eu te amo tá? Se eu não estiver lá, estarei pensando em você e saberá que estou contigo onde quer que esteja. Sempre juntos.
— Sempre juntos — eu respondi.
Era o nosso lema.
Ele me beijou e como sempre nada mais importava. Percy tinha um efeito único sobre mim. Era único e eu o amava, mais do que a mim mesma. Assim como amava a menininha que iria nascer.
Fui levada para a sala de cirurgia. Percy disse que avisaria Reyna e Nico que Sophia estava a caminho. Estava nervosa, muito nervosa, e queria que Percy estivesse ali para segurar a minha mão, como sempre fazia quando eu sentia medo.
— Annabeth, iremos começar — Will disse e eu assenti com a cabeça. — Quando pedir, faça força para empurrar o bebê, está bem?
Iríamos tentar um parto normal, monitorando minha pressão. Queria muito dar tudo de mim para dar à luz a Sophia.
— Certo — eu respondi, sentindo minhas mãos tremerem. — E Percy?
— Ele... — antes que Will falasse alguma coisa, Percy entrou na sala, com uma roupa apropriada para a situação. — Ele está aqui.
Eu sorri. Ele se posicionou ao meu lado e beijou minhas mãos.
— Vamos, meu amor — ele pediu. — Vamos fazer com que Sophia conheça o nosso mundo.
— Vamos lá, Annabeth, força — Will disse.
Coloquei todas as minhas forças naquela operação. E na mão de Percy também, que não reclamou de nada, mas que sabia que estava sentindo uma grande dor. Will pedia e eu tentava empurrar Sophia, para que ela viesse ao mundo.
— Vamos lá, Annabeth, só mais uma vez, ela já está vindo. Vamos, força — Will pediu.
Queria socar sua cara, porque estava quase morrendo de dor ali, mas sabia que esse era o seu trabalho e dos médicos que acompanhavam o parto.
— Vamos lá, meu amor — Percy tirou os cabelos suados da minha testa e a beijou. — Você consegue.
Mais um pouco de força e um choro de criança ecoou na sala. E lágrimas.
Percy beijou minha testa e senti suas lágrimas misturarem-se às minhas.
Emoção. Nossa pequena menina.
— Uma linda menina para a família Jackson — Will disse, com um pequeno embrulho nas mãos. — Parabéns, Annabeth. Parabéns, Percy.
Eu segurei em minhas mãos aquele pequeno corpinho. Tão frágil e sensível. Tão linda.
Sophia.
— Meu amor — eu disse, acariciando seus cabelos loiros. — Minha vida.
— Nossa aventura — Percy disse ao meu lado, provocando um sorriso.
— Nossa pequena menina.
Ela resmungou um pouco, como todo bebê faz e abriu seus olhos para nós, nos encarando atentamente. Suas orbes, aparentemente verdes, como os de Percy, nos conhecia pela primeira vez. Eu sorri, acariciando seus cabelinhos escassos.
E aquele sorriso se fez presente em minha voz naquele instante.
— Seja bem vinda ao mundo, Sophia.
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