Birth Of a Guilty

4 Don't you remember?


Notas iniciais
Último chapter. ;_; Sei que demorei muito para postar este capítulo, minhas sinceras desculpas. Eu não tive um motivo concreto para não escrever. Só quis tirar um pouco de férias de tudo, inclusive das fictions. Agora eu estou voltando a escrever e postar. Se tiverem um tempinho, poderiam ler "Until We Break", a nova fanfiction. (^____^) Apreciem a leitura.

- Passem tudo para cá, se não querem que eu machuque vocês! – O homem de rosto oculto disse, um tanto apavorado. – Vamos, o que estão esperando? Vamos!

- Calma, cara! Vamos dar. – Eu peguei minha carteira e meu relógio enquanto Uruha fazia o mesmo. Tocamos para ele e levantamos as mãos.

- Você! – Ele apontou para Uruha. – Passe esse anel! É ouro, não é? Passe logo, anda! – O assaltante aproximou-se de nós, encurtando a distância para apenas um metro. Uruha estava com medo, ele tremia.

- Não posso! Você já tem o dinheiro e o relógio de ouro! Deixe o anel!

O assaltante irritou-se e partiu pra cima de Uruha.

- EU VOU ATIRAR SE VOCÊ NÃO PASSAR O ANEL! – Tentei separar o assaltante do loiro, enquanto o pânico tomava conta de mim.

- Uru, passe o anel!

- NÃO! O ANEL NÃO...! Aoi! Não vou dar o anel! – Uruha começou a chorar. O homem empurrou-me com força e caí de costas no gramado. Bati a minha cabeça no tronco de um carvalho e a minha visão ficou embaraçosa.

O assaltante pulou em Uruha e socava seu estômago, enquanto tentava tirar seu anel. Finalmente me recompus, e levantei imadiatamente do chão. A jóia escapou do dedo de Uru e então o homem pegou-o no ar. O loiro estava se debatendo contra o outro, dando à mim uma chance de separar os dois e tira-lo dali.

Mas quando cheguei ao lado de Uruha, foi tarde demais. Foi tão rápido que só entendi que Uruha fora baleado pelo sangue que escorria do peito do mesmo.

URUHA...!



xxx

Após quatro dias.

Acordei naquela manhã sem o loiro ao meu lado, sabendo que ele não era mais meu. Sabendo que para ele, eu não teria mais significado algum. Era o fim da linha.

Deveria ter sido o dia mais feliz de toda a minha vida. Mas a presença de um assaltante miserável mudou o nosso rumo.

Passei dois dias contemplando o rosto de Uruha, que estava deitado em cima de uma maca de hospital, em recuperação. Keiko, a mãe do loiro, veio de Califórnia assim que soube do incidente do filho.

A dor foi tão profunda e repentina, que nem lágrimas saíam mais de meus olhos. A culpa de Uruha estar inconsciente naquela cama era completamente minha. Eu falhei quando quis protegê-lo. Não sou nem um nada.

Aproximei-me do maior, e peguei sua mão. Coloquei sobre o lado esquerdo de meu peito, onde ainda batia lentamente o meu coração.

- Ele ainda bate por você, Kou. Por favor, acorde... – Abaixei minha cabeça e beijei a mão do outro. Foi então que senti um leve movimento dos dedos do mesmo.

- Doutor! Doutor, ele está mexendo os dedos! – O médico que cuidava de Uruha foi até ele. Aproximei-me também, e uma lágrima grossa escorreu dos meus olhos.

O loiro estava contorcendo levemente sua face, quando finalmente abriu um pouco seus olhos.

- Uruha! Uruha... Sou eu, meu amor... – O maior levantou-se da cama, sentando-se. Ele olhou em volta, depois para mim, depois para o médico e seu olhar voltou-se novamente para mim. E depois para a minha mão, que estava na sua.

Ele recolheu sua mão, e depois, segurou suas pernas dobradas. – O-onde eu estou...?

Keiko, mãe de Uruha, que havia ido até a cantina para comprar um capuccino, deixou derrubá-lo na porta.

- Ah, meu Deus! Kouyou, meu filho... Graças a Deus, obrigada. – Ela se aproximou, sorrindo aliviado para o filho.

- Você está no hospital, Uru... – Peguei com cuidado sua mão novamente, e encarei-o nos olhos. Ele encolheu-se assustado, e como se eu fosse um estranho, recolheu a mão novamente.

- Quem... Quem são vocês...? O que faço aqui...?

- Não se recorda de nada, Takashima-kun? – Pela primeira vez, o doutor disse algo.

- Não... não... – Ele balançou a cabeça, completamente atordoado. O loiro colocou a cabeça entre os joelhos e tampou os ouvidos. – Quem... Ele arfou e parecia descontrolado por dentro – Quem... quem sou eu... Quem...!

- Vou aplicar um sedativo nele, ele está descontrolado. – O médico chamou duas enfermeiras, e aplicou a injeção.

- Não... Não pode ser... – Falei para mim mesmo. Lágrimas escorriam ardentemente dos meus olhos.

- Bom... Como você viram, Takashima-kun está com amnésia devido ao acidente. Não sei dizer por quanto tempo durará... Pode ser efeito de dois dias, ou por longos anos.

Naquele dia, minha vida acabou – bem naquele instante. Não havia mais razão para respirar. Foi como se quando Uruha havia acordado, puxado todo o oxigênio de mim. Na verdade, eu ainda havia a razão para viver. Mas minha única razão, já não sabia mais nada de mim.

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- Keiko...

- Desculpe-me, Aoi... Mas foi decisão de Kouyou... Eu não posso impedi-lo. O vôo parte às nove horas da noite... Venha se despedir. – Keiko-san disse com a voz entrecortada.

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Uruha... O meu Uruha ia ir embora. Ele não sente mais nada por mim. Palavras não podem descrever o vazio que eu sinto. As pessoas à minha volta só sabem dizer “Eu sinto muito” nesses três dias que Uruha encontra-se acordado.

Ele está hospedado em um hotel com a mãe desde que recebeu alta... Eu não sabia se tinha forças para ir me despedir dele. Como me despedir da minha própria vida? Da pessoa que mais amo...?

Passei o resto da tarde olhando para o nosso quarto e a nossa cozinha. Ele vivia cozinhando para mim quando não tínhamos nada pra fazer. O cheiro dele emanava pelo ambiente todo. Aquela casa estava me trazendo lembranças felizes demais para suportar.

Você mentiu para mim, Uru... Você prometeu amar a mim, honrar a mim e cuidar de mim em cada momento da eternidade. Eu gostaria de te cobrar, mas não tenho forças para ouvir que não se lembra mais de mim.

Talvez eu seja muito egoísta, mas eu preferia ter morrido feliz naquela noite a ter que suportar tamanha dor.

Foi algo de última hora, mas decidi ir ao aeroporto. Peguei a rosa que Uruha deixou cair naquela noite, vesti uma jaqueta e saí. O aeroporto ficava perto da minha casa e apenas levou um pouco mais de cinco minutos de carro.

O saguão estava lotado de pessoas e caminhei para todos os lados, procurando por um loiro que um dia já foi meu. Enxerguei um casal e corri entre as pessoas até eles. Keiko-san me enxergou e acenou para mim. Uruha estava de costas, mexendo nas bagagem. Aproximei-me deles sem que o loiro percebesse.

- Uruha. – Ele deve ter sido pego de surpresa, pois quando ele se virou, este estava com o olhar amedrontado e não disse uma única palavra.

- Ano... Meu filho, eu vou indo na frente, está bem? – Ela se virou para mim e me abraçou. – Sentirei sua falta, Aoi.

- Eu também, Keiko. — A gentil senhora sorriu e foi-se.

- Ahn... Eu não sabia que viria aqui, Aoi-san... – Até o jeito formal de Uruha comigo doía.

- É... Eu... Eu decidi de última hora, Uruha. – Tentei sorrir, mas o que consegui foi chorar.

Eu havia treinado como falar com ele sem derramar uma lágrima. Não queria assustá-lo. Mas era incontrolável, a dor cavava meu coração.

- Ano, eu... Eu preciso ir... – Ele pegou a bagagem e se virou. Segurei seu braço e ele olhou para mim.

- Não vá, por favor.

- Sinto muito... Eu não posso... – Havia um tom de implicância na voz dele.

- Você... Realmente não tem nenhuma lembrança minha?

- Eu... Não me lembro de mais nada, Aoi-san...

Lágrimas inundavam minha face enquanto eu tirava do meu bolso e gesticulava a pequena escultura de rosa vermelha de cristal nas mãos.

- Você... Não se lembra disto? – Perguntei, fazendo uma pausa. Uruha olhava com atenção para o objeto em minha mão. – Eu lhe disse que esta flor nunca irá murchar, assim como o meu amor por você nunca vai mudar. Não... Se lembra...?

- Eu... Desculpe. – Ele disse a tal palavra com a voz seca e se virou.

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Eu precisava evacuar minha cabeça. Eu dirigia em alta velocidade pelo centro. Não era um “Desculpe” que eu gostaria de ouvir de você, Uruha... Eu queria que tudo isso acabasse como se fosse um longo pesadelo. Mas era tudo real. Eu me sentia totalmente culpado por este triste desfecho.

Acorde, Uruha... Já passou da hora. Não brinque mais comigo... Não vê que estou sangrando, inundado nesse poço sem fundo de dor...?

Meus olhos ficaram embaraçados com as lágrimas e notei um caminhão a poucos metros à frente. Virei para a direita para não bater no caminhão e o carro deslizou para o encosto, batendo de frente com uma árvore.

Todo meu corpo voou para frente e atravessei o vidro, cortando-me. Rolei pela grama e então percebi que algo havia algo perfurado em meu estômago. Eu não enxergava nada, meu rosto estava esmagado contra o limo. Não conseguia me movimentar, mas eu podia sentir uma poça embaixo de mim. Pelo cheiro nauseante que penetrava em minhas narinas, eu podia ter certeza que era sangue. Eu estou morrendo...?

Eu não sentia mais a dor insuportável de alguns ossos quebrados e parecia que o sono era muito tentador. A respiração era difícil, o ar não entrava e não saía. Não havia ar. Tentei rir de mim mesmo, mas não consegui. Minha visão foi escurecendo, como se eu estivesse caindo num poço de água em câmera lenta.

As coisas não deveriam ser assim... Eu queria um final feliz. Mas desde que o roteiro do meu futuro foi reescrito por um ladrão miserável, o final feliz tinha sido abortado.

Mesmo não tendo forças, lágrimas caíam de meus olhos sem parar. Cada batida do meu coração é por você, Uru, até o último.

- Uruha...

E foi então que os sentidos foram embora e a escuridão absorveu tudo.



Mas em minha consciência, Uruha foi o maior motivo da minha existência.
Mesmo que eu morra; mesmo que o loiro não tenha mais nenhuma lembrança sobre mim.
Eu sei que fizemos um ao outro as pessoas mais felizes do mundo enquanto durou.

Notas finais
É... Finalmente terminou. Desculpem pelo final triste, mas é que eu realmente gosto de death fics. Então, um último review? ♥ Ja ne!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!