Binho, o cão de três pernas.

1 Eu sou Binho, o cão velocista!


Notas iniciais
Oiê.. Eu gostei tanto de uma história, de uma amiga minha daqui (Meu nervosinho) Do final da história, do gato Bartolomeu, os cachorrinhos Duque e Binho, Essa é história de Binho, o cão de três patas. Que pedi a autorização a autora ( minha amiga) pra fazer uma One shot de cada um dos bichinhos. Boa leitura!


P.O.V. Binho

A vida. Ah, a vida! Antes, era uma caixa apertada, cheia de cheiros estranhos e latidos tristes. Mas então, eles vieram. Meus Deuses. Hyoga e Shun. Eles me tiraram daquele lugar. Eles me deram rodas! Rodas! Eu posso correr! E sou rápido! Sou o Binho!

Para mim, Hyoga é o Deus Grande e calmo , que me pega no colo e cheira a menta. Shun é o Deus barulhento e Cheiroso, que me dá petiscos escondidos e tem a voz mais suave. Eles são tudo. E eu vou provar a eles que sou o melhor cão do mundo, mesmo com minhas rodinhas.

Minha vida é uma aventura de alta velocidade. Mas às vezes, a velocidade... uhm... tem consequências.

O Dia da Quina

Eu estava em uma das minhas corridas olímpicas pela sala de estar. Bartolomeu, o gato que só sabe dormir e bufar, estava no sofá. Duque, o maluco, latia para o vento. E eu? Eu era o flash!

Minha missão era ir da porta da cozinha até o tapete no menor tempo possível. Eu engatei a ré, peguei impulso e... ZOOM!

A sala ficou embaçada. O mundo girava. Eu era pura adrenalina. Mas a quina da parede... ah, a traiçoeira quina da parede! Ela apareceu do nada!

POFT!

Eu bati. Bati forte. Minhas rodinhas voaram para cima, e eu fiquei ali, virado de barriga para o ar, as três patinhas se debatendo inutilmente. Um casco de tartaruga invertido. Eu podia ouvir Duque latindo, provavelmente rindo.

Shun veio correndo, rindo também, mas me virou. Ele me abraçou e fez cosquinhas na minha barriga. Eu lambi seu rosto, pedindo desculpas pela minha falta de cálculo. Era para ser dramático, não patético.

Shun é meu fisioterapeuta particular. Ele me ajuda a dar os "passos" com minhas rodinhas. É um jogo divertido de equilíbrio. Mas eu sou... muito animado.

Um dia, enquanto Shun estava me guiando com paciência, eu decidi que precisava de mais velocidade. Eu dei um impulso forte para a frente.

POFT!

Minhas rodinhas atingiram as pernas dele. Shun perdeu o equilíbrio e caiu no chão, rindo como um louco.

— Ai, Binho! Meu Deus! — Ele gargalhava, e eu lambia o rosto dele, pedindo perdão e celebrando a queda.

A segunda vez foi ainda mais engraçada. Shun estava na cozinha, bebendo água. Ele não me viu me aproximar sorrateiramente. Eu sou pequeno, mas minhas rodas são poderosas. Eu decidi que ele precisava de um "empurrãozinho" de carinho.


BUM!

Eu peitei na cadeira de rodas dele. Ele tropeçou, a água voou e ele caiu de bunda no chão, de novo, rindo histericamente.

— Binho! Seu desastrado! — ele dizia, mas o sorriso em seu rosto mostrava que ele amava meu caos.

Eu sou tão danado, quanto ao duque.

Bartolomeu é um mistério. Ele é peludo, mas não gosta de carinho. Ele dorme o tempo todo, mas tem olhos que veem tudo. E ele me odeia.

Eu estava tentando me aninhar no sofá, mas havia pouco espaço. Bartolomeu estava lá, ocupando o sofá, como se fosse um rei. Eu tentei me espremer ao lado dele.

Ele me olhou com tédio. E então, sem aviso, deu um empurrão forte com a pata.

POFT!

Eu caí do sofá, com minhas rodinhas para o ar, de novo! Bartolomeu apenas se espreguiçou e continuou a dormir, como se nada tivesse acontecido. Aquele gato é o puro mal!


(...)

Hyoga tem um sapato favorito. É grande, cheira a couro e é perfeito para ser roubado. Eu e Duque tínhamos um plano.

Duque pegou o sapato e começou a correr. Eu, em minhas rodinhas, estava logo atrás. Hyoga viu.

— MEU SAPATO! DUQUE! BINHO! — Ele gritou, correndo atrás de nós.

Era uma corrida digna de Velozes e Furiosos. Duque na frente, eu logo atrás, e Hyoga, o Deus Grande, tentando nos pegar. Eu podia sentir o vento no meu pelo, o cheiro de suor de Hyoga e a borracha do sapato. Eu era um pequeno carro de corrida!

Nós despistamos Hyoga atrás do sofá, depois por baixo da mesa. Eventualmente, Duque largou o sapato, e eu me joguei em cima dele, lambendo-o como um troféu. Hyoga estava ofegante, mas rindo.

Eu e Duque éramos uma dupla imbatível, exceto quando o assunto era Bartolomeu. Ele era intocável. Até agora.

Nós vimos Bartolomeu dormindo, como de costume, no topo daquele armário de livros. Parecia tão pacífico... demais.

Eu tive uma ideia. Sussurrei para Duque (ele é bom em entender).

— Au! (Tradução: Pega a bolinha de meia, Duque. Vamos fazer ela "cair" perto do gato!)

Duque pegou a bolinha. Eu me posicionei abaixo do armário, fazendo latidos estratégicos. Duque, com seu focinho, jogou a bolinha pra cima.

A bolinha rolou e caiu... bem em cima da cabeça de Bartolomeu.

MIAU!!!

Bartolomeu saltou do armário, caindo de pé no chão, seus pelos arrepiados. Ele olhou para nós com uma fúria rara.

Eu e Duque nos entreolhamos e caímos na gargalhada canina. Foi a primeira vez que Bartolomeu reagiu de verdade às nossas travessuras. Vitória!

Eu sou Binho. Eu tenho rodas, três patas e uma vida cheia de quedas e gargalhadas. E eu sou o cãozinho mais feliz do mundo.

Depois de mais uma aventura (desta vez, uma tentativa frustrada de roubar as meias de Hyoga), Shun me pegou no colo. Eu podia sentir o cheiro doce e reconfortante dele. Ele me deitou suavemente no chão e, com o toque de seus dedos gentis, retirou a minha cadeira de rodas. Ah, o alívio! Era como tirar um capacete depois de uma corrida. Minhas patinhas traseiras, embora não funcionais para andar, podiam relaxar.

Shun se deitou no sofá, e eu imediatamente me aninhei sobre seu peito. O mundo era perfeito ali. Eu podia sentir o coração de Shun batendo, "TUM-TUM! TUM-TUM!" Era o som mais seguro do universo. E eu subia e descia, subia e descia, conforme ele respirava. Era como estar em um barco macio, navegando em um mar de amor.

De repente, senti um peso suave na curva do pescoço de Shun. Olhei para cima. Era ele. Bartolomeu. O gato que bufava, que me derrubava do sofá, que nunca brincava. Ele estava ali, espreguiçando-se, e se ajeitou bem na curva do pescoço de Shun, ronronando. Era um milagre! Bartolomeu, o indiferente, buscando carinho.

Duque, que estava deitado no chão, observando a cena com sua habitual intensidade, não aguentou. Ele saltou no sofá e se espremeu ao meu lado, fazendo companhia para nós quatro. O cheiro de Duque, de Bartolomeu, de Shun, tudo misturado. Era o cheiro de família.

A porta se abriu. Era Hyoga! O Deus Grande, com seu cheiro de menta. Ele nos viu. A cena: Shun deitado no sofá, eu no peito dele, Bartolomeu no pescoço, e Duque ao meu lado. Um emaranhado de pelos e amor.

Um sorriso enorme e gentil se abriu no rosto de Hyoga. Ele se aproximou.

Ele beijou Shun. Um beijo suave e longo, que fez o coração de Shun bater ainda mais forte, e eu subi e desci.

Depois, Hyoga fez carinho em Duque, que abanou o rabo com vigor. Ele fez carinho em mim, coçando minhas orelhas, e eu gemi de prazer.

Então, ele estendeu a mão para Bartolomeu. O gato olhou para a mão de Hyoga com um olhar de "não se atreva". Hyoga tentou alisar o pelo.

BUF!

Bartolomeu bufou, é claro. Ele é um gato, afinal.

Mas eu, Binho, deitado no peito de Shun, sentindo o calor de todos, sentindo o amor, o caos e a paz, lambi o rosto de Shun e pensei:

— Au! (Tradução: Eu sou o cachorro mais feliz do mundo!)

Fim

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