Billie Joe Armstrong E Glória Haushinka
22 Stuart And The Ave.
Notas iniciais
Meses se passando, já temos várias novas músicas para um novo álbum. O Green Day é uma banda famosa. Tudo isso me assusta, me enlouquece. Minha esposa não entende o que há de errado comigo, eu devia estar mais feliz do que nunca, mas por algum motivo não estou. E temo que ambos saibemos o motivo. Já escrevi Armatage Shanks, Brat, Geek Stink Breath, Stuck With Me, No Pride, Tight Wad Hill, Bab's Uvula Who? e Panic Song. Agora mesmo estou compondo outra música. Minha vida tem sido apenas isso: enquanto os meses vão passando, a barriga da Adrienne vai crescendo e minhas composições perdendo a felicidade nelas. Medo do envelhecimento, da morte, de ser pai, de ser marido. Muitos medos. E quando não estou compondo, estou com a banda, seguindo as ordens da gravadora. E quando não estou fazendo nada disso, estou apenas sentado na esquina, como um ser comum.
- Esquina da Stuart and the Ave. — leio pra mim mesmo a placa
Sento e começo a pensar na vida. Pessoas andando pra lá e pra cá, nem reparam que eu sou o "cara do clipe da mtv" porque estão muito ocupados cuidando de suas próprias vidinhas. E então, eu avisto uma garota do outro lado da avenida. Calça xadrez vermelha, camiseta com uma arma desenhada, penteado descolado, bota e todo o visual punk. Aquela garota é inconfundível. Glória Haushinka.
- Ei, cara. — um cara chega do meu lado
- Oi. — eu digo antisocialmente
- Tá afim de comprar algo? — ele perguntou
Ele abriu a jaqueta, mostrando cigarros e drogas de todas as espécies.
- Hoje não. — eu disse, sem vontade de fumar
- Ok. Se um dia quiser, meu ponto é ali na frente, naquele beco que aquela moça está entrando. — ele disse e foi naquela direção
Perai. A moça é a Glória. O que ela está fazendo em um beco de drogados? Uma pessoa sensata iria embora cuidar da própria esposa, sem se intrometer na vida dos outros. Mas, desde quando eu sou sensato? Resolvi entrar no beco e dei de cara com a Glória.
- Consumindo drogas? — perguntei
- Vendendo. — ela respondeu
- Por que não estou surpreso? — perguntei, revirando os olhos
- Você acha que eu só me meto em confusão, né? Não sou eu que passo todos os dias jogado numa esquina. — ela disse
- Recuperou sua auto-confiança? — eu perguntei
- Totalmente. Dessa vez, não preciso depender de ninguém. Vendendo drogas em diversos pontos nesses últimos meses, consegui dinheiro suficiente para comprar me próprio lar. — ela respondeu
- Compreendo. Namorando? — perguntei casualmente
- Não. Não quero mais envolvimentos. Sabe, eu tenho uma meta... — ela foi dizendo
- Qual é sua meta? — interrompi
- Merecer... sua amizade de novo. — ela disse, olhando pra baixo
- Não sei se vai dar certo. É melhor você seguir seu caminho. — eu disse, insensivelmente
- Não sou eu que entrei nesse beco pra me interrogar! Melhor rever seus pontos de vista. — ela disse
- Não sou tão idiota. Não vou perder tudo por sua causa de novo. — eu disse
- E eu não vou me ajoelhar e pedir perdão pra você por tudo que fiz você passar. Só quero sua amizade de novo, mas vai ser do meu jeito. Eu mudei. — ela disse
- Adeus. — eu disse
Caramba. Desde quando a Glória é tão... sei lá. Me parece que ela não é mais a dependente punk de sempre. Agora ela parece saber se cuidar. Mas, dane-se, reconheço que ainda sinto algo por ela, mas não a ponto de arriscar minha nova vida. Eu nunca mais volto naquele beco. Voltei pra casa e terminei de escrever uma canção sobre aquela esquina.
"Standing on the corner of Stuart and the Ave.
Ripping up my transfer and a photograph of you
You're a blur of my dead past and rotting existence
As I stand laughing on the corner of insignificance
Destiny is dead
In the hands of bad luck
Before it might have made some sense
But now it's all fucked up
Seasons change as well as minds and I'm not a two-faced clown
You're mommy's little nightmare driving daddy's car around
I'm beat down and half brain dead the long lost king of fools
I may be dumb but I'm not stupid enough to stay with you"
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