Billie Joe Armstrong E Glória Haushinka
28 Whatsername
Notas iniciais
[Glória's POV]
Tudo o que vejo agora são nuvens no céu norte-americano. Estou no vôo 3256 com destino a Oakland-CA. Será que é certo eu voltar pra lá? Com minha ficha tão suja, ir lá e atrapalhar a vida dos meninos do Green Day de novo? Logo agora que eles estão tão famosos, nem devem se lembrar de mim. Mas eu me lembro deles, e nunca parei por um segundo de escutar e acompanhar as notícias pela TV e rádio. Meu Billie, cada vez mais lindo, desfilando para lá e para cá com sua legítima esposa. É, acho que está tudo bem entre eles... não posso atrapalhar isso. Quem sabe eu posso ser punk sem me meter na vida de ninguém dessa vez?
- Já sei! — eu gritei, no meio do avião
Todo mundo me olhou, pensando que eu era maluca. Dane-se, tive uma ideia que só soaria brilhante para alguém com uma mente punk como eu: e se eu não tivesse que ser a velha Glória Haushinka, que todos conhecem e a maioria odeia? E se eu pudesse recomeçar minha vida, do zero, e refazer meu caminho como a garota mais punk da bay area?
- O avião está em processo de pouso, bem-vindos á Oakland — California, blablabla... — um som começou a informar
- Tá na hora de arrebentar! — falei pra mim mesma
Desci do avião, super entusiasmada com meus planos. Peguei minha bagagem e já parei na primeira loja punk que vi pela frente no aeroporto mesmo. Comprei roupas exageradas, mais punks do que eu realmente era, roupas que me transformariam num verdadeiro ícone punk, que só uma lunática teria coragem de usar á luz do dia. Sai do aeroporto e fui para uma loja de piercings, com cuidado para não esbarrar com ninguém conhecido na rua. Fiz tatuagens novas por cima das poucas antigas e coloquei pircings, que eu tinha parado de usar quando morava no Colorado. Comprei umas perucas em uma loja e tingi elas com cores excêntricas como vermelho, azul, loiro, entre outras. Me vesti, coloquei a peruca, lentes de contato azul e me vi no espelho: eu não me parecia nada com a velha Glória Haushinka.
- Quem sou eu agora? Que nome eu invento? — me perguntei me olhando no espelho da loja
Quer saber? Decido depois. Mas não sei, não posso ficar em Oakland, tipo, eu tenho dinheiro pra comprar um lugarzinho aqui, mas morar perto do Billie? Prefiro recomeçar minha vida sem ele. Só tem um lugar para eu ir: Berkeley, lar do Gilman Street.
[Billie's POV]
A vida é boa, até o dia em que a vida simplesmente não é tão boa. Esse último álbum, Warning, tinha tudo para ser um sucesso, mas não foi. Ok, os clipes não param de passar na TV, mas ainda assim falta algo nesse álbum. Ele simplesmente não tem o que os outros tem. Eu ia andando pelas ruas de Oakland e divagando sobre o que eu errei, para esse não ser o início do fim da minha carreira.
- Billie Joe? — uma garota me perguntou
- Sim? — respondi, ainda meio aéreo
- Me dá um autógrafo? Meu nome é Wendy. — ela disse, me estendendo um papel e caneta
- Claro, Wendy. Ei, me respondi uma coisa? O que você achou do Warning? — perguntei
- Sinceramente, você tem álbuns melhores. Por que você não escreveu nada sobre amor nesse álbum? — ela perguntou
- Não sei... — respondi
Uma mulher chamou a garota (provavelmente a mãe dela) e ela saiu correndo me dando 'tchau'. Não entendo, será que eu perdi a inspiração para compor?
[N.A.: Algumas vezes as pessoas negam para si mesmas que perderam algo ou alguém, por isso o Billie não lembra e nem pensa na Glória. Ele se nega de ter conhecido, se nega de ter perdido ela, e acaba acreditando que não sabe o que há de errado com ele mesmo. A verdade é que ele ama a Adrienne, mas perdeu sua verdadeira inspiração, a Glória Haushinka.]
Continuei a andar pelas ruas e avistei as pernas de uma garota de pele levemente bronzeada saindo de uma loja. Aquelas pernas... eu conheço aquela garota! Mas eu subi o olhar e avistei longos cabelos loiros, olhos azuis mirando a vitrine e tatuagens exuberantemente punks ao longo dos dois braços. É, provavelmente era a mente me pregando uma peça, aquela garota não podia ser minha.... qual era o nome dela mesmo? Acho que um bloqueio mental me proíbe de lembrar o nome da fulana, minha ex, minha...
- Whatsername? — sussurei para mim mesmo, indo embora
[Glória's POV]
Observei uma vitrine e me senti sendo observada. Olhei para todos os lados... nada, ninguém ali. Em algum lugar do fundo do meu coração eu desejei que Billie estivesse aqui.
- Nem em sonho. — ri para mim mesma, me conformando
Peguei o ônibus em direção á Berkeley.
[Billie's POV]
Cheguei em casa com uma estranha sensação de saudades. Peguei caneta e papel e comecei a compor, sobre um bom tempo que tive junto com a garota... a whatsername.
"Thought I ran into you down on the street
Then it turned out to only be a dream
I made a point to burn all of the photographs
She went away and then I took a different path
I remember the face
But I can't recall the name
Now I wonder how Whatsername has been
Seems that she disappeared without a trace
Did she ever marry old What's-His-Face?
I made a point to burn all of the photographs
She went away and then I took a different path
I remember the face
But I can't recall the name
Now I wonder how whatsername has been
Remember, whatever
It seems like forever ago
Remember, whatever
It seems like forever ago
The regrets are useless
In my mind
She's in my head
I must confess
The regrets are useless
In my mind
She's in my head
So long ago
(Go, Go, Go, Go..)
(Go, Go, Go, Go..)
And in the darkest night
If my memory serves me right
I'll never turn back time
Forgetting you, but not the time..."
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