a disciplina dos monges

sempre impressionou a mim, rebelde solitário

despojado de grande causa senão

as causas da angústia de viver

num mundo dado aos sem propósito.

a capacidade de permanecer

num silêncio duradouro e contemplar

a sagrada loucura do universo

com um mínimo gesto.

os monges vivem no exílio.

alguns poetas sonham o exílio

mas preferem sair para beber.

um belo partisan italiano

estampa na fronte cerrada

um silêncio também duradouro

e experimenta na resistência entrincheirada

a sua doçura sem lágrimas.

como é sem exílio a sua luta

que se finca na terra arrasada

e como é largo o seu gesto

tomado na frente de batalha.

os monges descansam na retirada

e os poetas escrevem cantos

que o partisan relembra, também embriagado.

os monges, eu os admiro e respeito

enquanto bebem a água fresca

das fontes libertadas.

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