Bilhete encontrando no bolso da jaqueta, set 1943
1 oração de guerra
a disciplina dos monges
sempre impressionou a mim, rebelde solitário
despojado de grande causa senão
as causas da angústia de viver
num mundo dado aos sem propósito.
a capacidade de permanecer
num silêncio duradouro e contemplar
a sagrada loucura do universo
com um mínimo gesto.
os monges vivem no exílio.
alguns poetas sonham o exílio
mas preferem sair para beber.
um belo partisan italiano
estampa na fronte cerrada
um silêncio também duradouro
e experimenta na resistência entrincheirada
a sua doçura sem lágrimas.
como é sem exílio a sua luta
que se finca na terra arrasada
e como é largo o seu gesto
tomado na frente de batalha.
os monges descansam na retirada
e os poetas escrevem cantos
que o partisan relembra, também embriagado.
os monges, eu os admiro e respeito
enquanto bebem a água fresca
das fontes libertadas.
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