Bilhete Trocado? Pretérito Imperfeito
26 Madrugada
Notas iniciais
16 de março de 2009
03:00 (da madrugada)
Fachada da maior loja de departamento de Hamburgo, Alemanha.
- Cara — Feer reclamava -, tudo bem que é um dia e tanto, mas precisava... uaaahh, ser tão cedo?
- Que sorte, não tem ninguém ainda... — comentou Gih.
- Sorte? A essa hora se tivesse alguém aqui já seria azar.
- Falem baixo, gente, a essa hora tá todo mundo dormindo. — Looh observou.
- Quem ou o que mora nessa rua? Só tô vendo comércio, comércio e... olha, comércio...
- Pudera eu estar dormindo. — Feer ainda bocejava, era a mais sonolenta das três.
- A que horas a loja abre? — Gih perguntou.
- Normalmente, acho que às 9h... é o início do horário útil em todo lugar. Mas hoje... acho que só meio-dia... — Looh esclareceu.
- Você tá querendo dizer que a gente vai ficar sentada aqui... por nove horas?! — indagou Feer, indignada — Me deem licença, eu vou dormir mais um pouquinho...
- Você tá com sono, Looh?
- Não muito... se quiser dormir também, daqui a uma hora eu te acordo, alguém vai ter que ficar guardando o lugar na fila.
- Que noia! O povo só vai começar a aparecer às 6, no mínimo, levando em consideração o fato de que a loja só vai abrir meio-dia. E eu não tô com sono. Só com fome. Tem algo pra comer?
- Hmm, eu trouxe umas barras de chocolate... quer uma?
- Ja... danke.
O céu ainda estava escuro quando elas chegaram à loja. A rua estava deserta, era deprimente olhar para um lugar sempre supermovimentado e vê-lo às moscas, tão quieto, para do e vazio.
Eloisa estava animada, frenética; porém calma. Dava um bocejo a cada quinze minutos, mas a ansiedade a mantinha acordada.
Giovanna não tinha um pingo de sono. Mal acreditava que em questão de horas reveria seus dois melhores amigos. O nervosismo, inevitável, quase abafava a euforia e alegria que estava sentindo; e a cada vez que olhava a hora na tela do celular seu coração parecia bater mais forte.
E Fernanda cochilava tranquilamente apoiada no encosto do banquinho instalado na frente da loja. É, quando se tem sono, não importa muito a cama...
O tempo parecia não passar. Às 6h Feer acordou, e não foram precisos dois minutos para que percebesse o nervosismo da Gih. Looh se distraía com um livro enquanto as duas conversavam, em português.
- O que você tem? — Feer perguntou.
- Ansiedade... nervosismo... sei lá.
- Você tá suando frio. O que pretende fazer quando olhar na cara dele?
- Fazer de conta que nada aconteceu.
- Como assim? Vai agir como uma fã qualquer?
- Também não é tanto! Eu vou apenas ignorar a existência de todos os e-mails que trocamos durante os dois últimos anos. Olhar pra ele apenas com a saudade louca de quem não vê o melhor amigo que teve na vida há quase meia década. Ain, será que vou poder dar um abraço neles?
Giovanna pronunciou a última frase já com lágrimas nos olhos.
- Vai sim, Gih. Eles mesmos vão querer te abraçar quando te virem.
- Se me virem.
- Vão te ver. Escuta o plano...
Feer cochichou o \"plano\" a Gih, que adorou a ideia:
- Fernanda, você é genial! Eu te adoro! — disse abraçando a amiga.
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