Bigger Than Us

7 CAPÍTulo 6º


Notas iniciais
Faz uns bons anos que não posto, mas minhas idéias continuam me assombrando e eu preciso colocar pra fora de uma vez, portanto, não deixarei mais meus leitores na mão. EU PROMETO! Boa leitura, queridxs ♥

SEIS

PVD SAM

Desde madrugada não havia parado de pensar em um só instante no que Charlotte havia me dito. Ela parecia ter tanta certeza que pensei que ela já havia tido uma família – ou tentado, ao menos. Pelo menos, o fracasso desse plano justificaria sua dureza, sua bipolaridade e os cigarros.

— Acho que ela é meio louca. – comentou Dean, sorrindo com a boca cheia e eu ri, balançando a cabeça de incredulidade. Meu irmão mais velho parecia uma criança, e eu me perguntava como o inferno não havia tirado isso dele, porque por um tempo, o inferno tirou tudo de mim.

— Ela é triste, é diferente de ser louca. – dei de ombros, e percebi que já estava absorvendo essa mania de Charlotte.

— Quem de nós não é triste? – ele limpou as mãos, batendo-as uma na outra, e se espreguiçou. – Só me pergunto o que é tão importante nela que temos que acompanha-la.

— Seja o que for, Castiel não teria nos pedido se não fosse importante, você sabe. – disse, torcendo para que eu pudesse convencer meu irmão, e que pudéssemos ver onde daria tudo isso.

A verdade era que eu já estava me acostumando com Charlotte.

— É. – fungou. – Pode ser divertido. Brenda estará lá. Ela terá a oportunidade de te fazer carinho novamente.

Sorri de má vontade para o sarcasmo de Dean. Meu estômago ainda doía e eu não tinha mais pique para suas piadinhas. Charlotte desceu as escadas e apareceu na porta da cozinha, e pela primeira vez, pude ver seu rosto mais claramente, sem os cabelos para cobri-lo, e eu só havia notado agora. Ela havia amarrado um lencinho vermelho na cabeça, e passado algo preto nos olhos, destacando-os, fazendo-os parecer maiores e mais brilhantes. Mas seu rosto oval continuava um pouco sem vida e, ainda assim, ela conseguia ser bonita.

— Estou pronta. Se vocês também estiverem... – nenhum de nós respondeu. E eu só percebi que Dean não tinha respondido atravessado, como de costume, quando as sobrancelhas de Charlotte levantaram, impacientes e esperando por alguma reação nossa. – O que há, moças?

— Nada! – disse Dean e eu ao mesmo tempo. Nós nos olhamos e eu me senti estranho. Enquanto ela caminhava pelo corredor em direção a porta, franzi o cenho para meu irmão.

— Qual o problema? – perguntou.

— Por que me imitou? – rebati me sentindo irritado.

— Eu é que pergunto! – ele parecia igualmente irritado, mas preferiu ser sarcástico. – Não basta ser o mais novo, precisa ser recalcado também?

Arg!

PDV DEAN

Ela entrou no meu carro. Sentou no banco do motorista. Quase enfartei.

— Sabe, acho que já posso dirigir. – pigarrei e esperei que ela simplesmente aceitasse o fato de que ninguém dirigia meu carro a não ser eu.

— Senta a bunda logo aqui, e vamos embora. – girou a chave na ignição e eu pensei ter ouvido uma risada abafada vindo de Sam. Mas deixa: Brenda o esperava... filho da puta!

Entrei desgostoso com tudo aquilo. Eu estava acostumado a dar as ordens, eu estava acostumado a dirigir, eu sempre fui o comandante. Então, chega essa mulher e me tira do meu posto. É ou não é um motivo pra querer matar?!

Liguei o rádio, tentando me distrair um pouco, e não pensar que não seria meu pezinho no meu acelerador. Pensei que aumentar o som e irritaria, mas ela deu um sorriso de lado e, para minha surpresa, começou a cantar AC/DC comigo. Chupa Sammy!

— Gosta de rock? – perguntei, quase chorando de emoção quando ela virou com um sorriso – e esse sim chegava aos olhos castanhos e selvagens.

— Se eu gosto?! Esqueceu que o amor da minha vida é o Rei do rock? – respondeu, dando ré. Ela engatou a marcha, olhou para Sammy pelo retrovisor e sorriu, se desculpando. – Sei que você está doente, e que não é sua praia, mas é AC/DC...

Não pude evitar a gargalhada que ecoou de dentro de mim. Uma felicidade esquisita preencheu-me por completo. Era esquisito porque, desde Lisa, não sentia nada mais que chegasse perto de alegria. Ou até mesmo, ânimo. Pensando bem, eu nunca havia sentido nada além de culpa e obrigação em proteger Sammy, e meu pai, e o mundo todo...

— Mas, e aquele lance de você ter sido artista na juventude? – Sam enfiou a cabeça entre nossos bancos, e eu revirei os olhos. Irmãos mais novos: sempre estragando o clima, sempre recalcados (havia adorado essa palavra, e nem sabia ao certo o que significava).

— Bem, foi uma besteira. Eu tive uma banda, e os caras eram britânicos. Cantávamos soul e jazz... – ela nos olhou e sorriu minimamente, mas esse sorriso pareceu triste. – Não pode imaginar como os britânicos podem ser...

Convencidos? – perguntei de mau humor, me lembrando de Bella, aquela vigarista que havia sido comida pelos cães do inferno antes de mim, e havia sumido com o Colt. Vadia!

— A palavra era convincentes, mas convencidos também serve. – ela deu de ombros e sorriu, acelerou.

— Pensei que era algo como pintura ou um possível Woodstock, sei lá. – disse e Sammy sorriu interessado. Nós estávamos muito interessados em saber.

— Bem, não sou tão velha pra ter ido ao Woodstock, então... – ela sorriu. – mas eu sempre gostei de arte, desde menina. Fiz alguns cursos de música e dança. Mas como nada é como a gente quer...

— Você teria seguido o caminho da arte? – Sam perguntou e eu olhei pela janela, imaginando aquela garota ao meu lado – porque hoje ela parecia uma garota – como uma artista, intelectual, ou qualquer outra coisa do tipo.

— Teria seguido qualquer outro caminho... – ela fez uma cara de desgosto, e trocou a marcha, voltando a acelerar.

— E como você entrou nisso? – ele perguntou, e por um segundo, me desesperei porque ela dirigia mais rápido que eu. Eu já tinha pastado o suficiente pra morrer em um acidente de carro! Não era um tiro, ou um pacto na encruzilhada... eu ia morrer porque Charlotte era um pseudo-piloto de fuga! E íamos bater, certeza!

— Vocês vão ter que saber de qualquer jeito, então... – ela pareceu decidir, mesmo assim, se deveria nos ceder as informações, e tentei mastigar qualquer coisa que seus lábios soltassem, mas naquela velocidade... – Vejo gente morta.

Silêncio.

Com que frequência?— soltei uma risadinha, nervoso, e ela me olhou séria.

— Todo o tempo. – e pensei que ela piscaria e diria que achou esse filme uma merda, assim como eu. Mas ela não fez, e quando percebi, já tinha esquecido a velocidade em que corríamos e Sam continuava calado, com o cenho franzido.

— Perdão, mas...

— Sou sensitiva, okay? – ela se irritou e eu me lembrei do incidente dos escoteiros no caso em que nos conhecemos. – Mediadora, vidente, mentalista, sei lá! Os espíritos me procuraram, não fui eu que os procurei! Se fosse pelo menos serviços normais: como incriminar alguém por algum crime, mandar recados para os parentes do defunto... – ela parecia revoltada. – Mas não! O morto tinha que me fazer procurar um metamorfo. Logo esse bicho! Foi meu primeiro trabalho como caçadora...

Fiquei impressionado, sem saber bem o que dizer. Não pelo que ela contava – pelo jeito, ela poderia ter pés de pato e nariz de batata e continuaria sendo interessante -, tudo porque era a frase mais longa que ela tinha nos dito desde então.

— Tudo bem, irmã. Eu comecei o apocalipse e Sammy bebia sangue de demônio. – ouvi um resmungo do banco de trás e vi Charlotte entortar os lábios com nojo. – Sem preconceitos aqui! Mas você está bem pra dirigir? Já viu a que velocidade está correndo?

— Tsá, vai pra merda, seu bosta. – é, ela estava bem.

PDV CHARLOTTE

Não era a parte mais difícil mas, pelo menos, algo eu já havia esclarecido. Eu vejo gente morta. Todo o tempo. E não é engraçado. É difícil diferenciar pedestres de espíritos nas estradas. E não é a toa que eu dirigia como se estivesse na fórmula 1. Não que eu ligasse, mas é porque, se eu for rápido e arriscar de vez, eu paro de me preocupar e chego ao meu destino sem ter que parar e pedir licença sejam pra quem for, ou para o quê for.

Já estávamos na estrada, e com um zumbido no ouvido, percebi que tudo a minha volta era silêncio. Não seria eu a quebra-lo, até porque eles realmente teriam que engolir isso até chegarmos a Indiana, onde encontrariam mais informações que precisariam digerir. Eu podia esperar; afinal, esperava por anos.

— Como conheceu nosso pai? – eu sentia que seria uma longa viagem.

— Meu pai era caçador. – disse, troquei a marcha. – Ele se aposentou depois que casou com minha mãe mas, ainda sim, meu pai e John ainda continuaram bons amigos. Então, ele virou meu padrinho. Visitava-me até sumir.

— Qual o nome do seu pai? – perguntou Dean, e eu entendi sua aflição. O desconhecido era sua aflição.

— Juan Cruz. – não pude conter o sotaque que havia adquirido em casa, quando papai e eu brigávamos por causa da louça. Sempre brigávamos em espanhol, é claro.

— Conheci seu pai. Agora me lembro! – Dean pareceu aliviado e Sam se remexeu inquieto no banco de trás.

— Não me lembro dele. – disse.

— Nem poderia. Você não tinha mais que meses, ainda. Foi logo depois da morte da mamãe. – funguei, me sentindo tensa.

— Isso explica, é claro. – ele deu de ombros. – Mas Charlotte, você é realmente latina?

— Meu pai era colombiano. Brigávamos em espanhol. – sorrimos juntos.

Eles me contaram sobre seus casos, e eu lhes contei que havia começado a caçar quando tinha 12 anos, mesmo dentro do orfanato. Eles me perguntaram como eu sabia das coisas que sei hoje e eu lhes disse:

— Os espíritos me contaram. – e houve silêncio mais uma vez. Houve silêncio em todas as vezes que eu lhes contei que soube de algo através de espíritos, e eu os entendia, porque também me sentia chocada.

— Os espíritos me ensinaram a fazer um feitiço para que Lúcifer não pudesse tomar Sam por completo. Mas eu não sabia se estava fazendo certo. – foi um silêncio mais longo que os outros.

— Eu me concentrei e me lembrei do soldadinho que havia deixado no cinzeiro. – ele se moveu atrás de mim e mostrou-me o brinquedo que havia acabado de tirar de onde havia dito.

— Eu só tinha uma foto de vocês crianças, e eu usei no ritual. Deve ser por isso que se lembrou desse fato, na hora. Afinal, você era uma criança quando deixou esse brinquedo aí, certo? – dei de ombros. – Eu também duvidei por muito tempo que tivesse conseguido, ou que pudesse impedir que o apocalipse acontecesse, mas acho que fiz minha parte.

— Fez mesmo. – outra voz, que nem era de Dean e nem de Sam soou dentro do carro, mas não me assustei. Já estava acostumada com abordagens surpresas de espíritos. Olhei pelo retrovisor e vi um cara de sobretudo, com grandes olhos azuis.

— Cacete, Cass! – Dean pulou no banco.

— Droga Castiel! – Sam reclamou ao mesmo tempo.

— Então você que é o Cass. – ele não respondeu e eu considerei isso como um sim. – O que é você? Não é um espírito.

— Sou um anjo do Senhor. – disse, convicto, olhando os Winchester atentamente, de um a outro e eu sorri.

— Anjo? Essa é nova!

— Já estava na hora de eu conhecer você, e lhe agradecer por ajuda-los. Mesmo de longe.

— Então, é sério? – Dean disse, parecendo chocado – O feitiço funcionou mesmo?

— É claro que sim. – disse Castiel, sem se abater. – Quando você morrer, vou providenciar para que fique no mesmo céu que Elvis.

— Bem, acho melhor você não me dizer isso, senão eu posso me suicidar. – eu ri, sentindo que quase toda a amargura da noite mal dormida estava se desfazendo.

— Que esquisito. – disse ele, e franzi o cenho para Dean, que o olhou em dúvida; esperamos pelo resto. – Normalmente, quando digo que sou um anjo, as pessoas me julgam. Ou me adoram.

— E? – Sam pediu para que continuasse.

— Charlotte não fez isso. Até vocês fizeram, mas ela não fez.

Eu o olhei pelo retrovisor e pensei em pedir para que calasse a boca, mas seria grosseria e tentei pensar o mais rápido possível numa resposta plausível para um anjo e dois caçadores (lindos).

— Ninguém é normal, hoje em dia.

Depois de algum tempo, Castiel sumiu, e fiquei sozinha com os dois irmãos. Eu podia até sentir que estávamos nos dando bem, e que eu podia confiar neles. Mas não esperei para acreditar nisso. Acelerei e repeti pra mim mesma que não deveria me acostumar a nada.

Continuamos conversando sobre pessoas em comum que havíamos conhecido nessa estrada. Sam revirou os olhos algumas vezes quando Dean e eu cantamos Kansas juntos. E logo anoiteceu. Meus olhos pareciam pesar mais do que o normal, e parecia que a qualquer segundo eu ia cair num sono tão profundo que seria um quase coma. Por isso, paramos num hotel de beira de estrada e nos reunimos na recepção.

— A gente pega a estrada assim que amanhecer. – disse, estranhando meu cansaço extremo.

— E quem vai dirigir sou eu. – revirei os olhos para o sorrisinho idiota de Dean.

Fomos ao balcão, e esperamos sermos atendidos.

— Boa noite. – o cara sorriu pra mim.

— Yeah, dois quartos com camas de solteiro, sim? – ele fuçou no computador enquanto eu me perguntava como um hotel chinfrim como aquele tinha um.

— Só temos um quarto de casal, e outro de solteiro. – virei meio desesperada para os rapazes.

— E então?

— Pega, ué. – Dean deu de ombros, parecendo igualmente insatisfeito, assim como Sam.

— Tá, pode ser.

Subimos as escadas carregando as malas e eu abri a porta do quarto de solteiro, esperando que tudo desse certo pela manhã e que meu cansaço pudesse passar.

— Boa noite, moças. – fechei a porta e dei de cara com Cass.

— É normal chamar homens como se fossem mulheres?

— Já conversamos sobre isso. – suspirei colocando as coisas no chão. – Nada é normal hoje em dia, blá blá blá...

— Sou contra vinganças, sabe.

— E por que isso agora? – coloquei a mala na cama e tirei minha escova de dente e uma toalha.

— Porque é isso que você procura. – eu o olhei, e me perguntei se anjos podiam sentir dor. – Sam e Dean quase morreram por causa de vingança.

— Cada um tem seu fardo. – disse duramente. Ele se aproximou e mexeu em uma mexa de cabelo que estava jogada de qualquer jeito.

— Você não me deixou acabar. – eu esperei. – Sou contra vinganças, mas quero que continue a sua, e que encontre logo o problema antes que o problema encontre você.

E sumiu.

Notas finais
Aí está! O próximo capítulo já está pronto, portanto, logo mais estará disponível! Me agraciem com seus comentários e me respondam: perdi o jeito pra escrever fics?! Me deem suas opiniões! Beijos ♥