Big White Room
3 “It was this big white room and little old me again.”
Notas iniciais
–Rachel-
Quando acordei percebi que Finn estava do meu lado e me senti infinita, pelo menos alguém estava lá por mim. Se tudo já não estivesse perfeito o bastante ele ainda disse que me acha bonita. Nunca me achei bonita e nunca achei que um homem lindo como Finn iria pensar alguma coisa assim de mim. Ele foi embora porque estava com medo de alguém nos pegar juntos, eu o entendia, mas meu coração doeu um pouquinho. Eu amava aquele homem, nunca pensei que fosse capaz de amar alguém. Era um sentimento muito forte, e depois de hoje de manhã eu tinha esperança que ele sentisse o mesmo por mim, ele me beijou de um jeito tão especial. Eu me senti especial, ele não me fazia achar que era louca. Eu tentei não pensar em quão rápido ele me deixou depois de nos beijarmos, talvez ele tenha se arrependido. NÃO! Não podia pensar dessa maneira, eu não podia me colocar para baixo, não hoje. Ele gostava de mim ou então não teria me beijado. Pela primeira vez em dois anos eu fui sorrindo para a terapia, sabia que não podia contar para ninguém e eu não iria contar, se ele gostasse mesmo de mim eu não precisaria contar à ninguém, ele me bastaria.
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No dia seguinte decidi fazer uma surpresa para Finn, e vagarosamente entrei na sala dos médicos. Eu não conseguia acreditar o que estava diante dos meus olhos. Ele estava beijando outra mulher, uma loira alta e bonita. Corri de volta para meu quarto soluçando de tanto chorar, como eu podia ser tão idiota? Claro que um cara normal como ele nunca iria gostar de uma louca feia como eu. Já estava aqui nesse inferno por mais de dois anos, eu nunca iria sair, sentia isso.
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Estava deitada olhando para o teto quando Finn entrou no meu quarto, aquele cafajeste, estava sorrindo.
“Oi Rach, como você está hoje?” ele me perguntou e não fui capaz de fingir, surtei. Levantei-me e dei aquele olhar mortal para ele.
“Como você foi capaz de fazer isso comigo??? Você é mau, isso que você é. Você me fez acreditar que gostava de mim, mas não gosta. Por que você gostaria de uma louca como eu não é? Eu te odeio Finn. Eu te odeio muito!!!” ele me olhou com aqueles olhos lindos dele e os arregalou para mim, isso me deixou ainda mais nervosa. O peguei pelo braço e o joguei no chão, comecei a chutá-lo e soca-lo. Nem sei onde arrumei tanta força, e isso era a última coisa que lembrava.
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Abri meus olhos devagar e vi que não estava no meu quarto. Eu estava em um quarto branco enorme sozinha. Lá tinha uma cama branca e só. As paredes eram cobertas de tecido, e tinha apenas uma janelinha na porta como se realmente eu estivesse em uma prisão. Eu estava em um quarto forte. O que eu tinha feito? Será que machuquei Finn? Sabia que ele era um babaca, mas eu não queria machucá-lo. Comecei a gritar.
“FINN? ME DESCULPA!!! VEM AQUI POR FAVOR??” eu implorava e implorava. Estava lá gritando por não sei quanto tempo quando a porta finalmente abriu, mas não era meu Finn, era minha terapeuta.
“Rachel, o Dr. Hudson não está aqui, ele estará aqui amanhã. Pode me dizer o que aconteceu? Você estava indo tão bem.” Ela perguntou e eu sacudi a cabeça, eu não podia contar.
“E-e-e-eu não s-s-sei.” comecei a chorar e ela sorriu doce para mim.
“Está tudo bem, você tem que descansar. Você tomou remédios muito fortes, nem devia estar acordada já.” ela disse, mas eu nem estava prestando muita atenção já que eu só queria saber como estava meu Finn. Precisava saber se ele estava bem ou não.
“C-c-como está o F-f-finn?” perguntei e ela me olhou suspeitosa.
“Dr. Hudson está bem, não se preocupe e agora vá dormir.”
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Claro que não consegui dormir. Fiquei acordada a noite toda pensando se Finn realmente não me queria, ele nem veio me ver ontem. Eu sei que provavelmente o machuquei fisicamente, mas ele me machucou mais, de um jeito muito mais profundo. Eu queria vê-lo para saber se ele estava bem, e aí eu podia ficar com raiva dele novamente. Estava perdida em meus pensamentos quando a porta se abriu e vi Finn entrar.
“Rach? Você está acordada?” ele perguntou baixinho e eu me sentei na cama.
“Não consegui dormir.” disse e quando olhei para ele meu coração se quebrou, ele tinha roxos e machucados por todo seu rosto e um dos seus olhos estava bem roxo. Eu esqueci como ficava forte quando perdia o controle, meus olhos ficaram úmidos imediatamente. “Meu Deus, me desculpa?” ele me olhou e nossos olhares se cruzaram.
“O que aconteceu?” ele perguntou e eu sabia o que ele queria que eu lhe dissesse com aquela pergunta. Olhei para o chão, eu teria que me explicar, ele merecia uma explicação. Eu ainda o odiava por ser um idiota.
“Bom, eu fui te fazer uma visita surpresa na sala dos médicos e te vi beijando uma loira bonita. Eu fiquei louca, me desculpa.” confessei e seu queixo caiu.
“Você viu aquilo?” ele disse fazendo cara de culpa, eu apenas assenti. “Bom, aquela garota era minha namorada. Me desculpa por não ter dito nada, mas eu nunca pude imaginar que me apaixonaria por você.” Comecei a chorar, não sabia se estava triste por ele ter uma namorada ou se estava feliz porque ele disse que estava apaixonado por mim. Ele se aproximou, mas não deixei que ele encostasse em mim.
“Não, você mentiu para mim. Como posso confiar em você novamente? Você tinha uma namorada esse tempo todo?” disse e ele olhou para o chão.
“Eu terminei com ela, por favor, me perdoa?” ele pediu quase implorando e eu sacudi a cabeça. Se ele mentiu sobre isso sabe-se lá sobre o que mais ele é capaz de mentir.
“Saia.” eu disse simplesmente, mas ele não se mexeu. “SAI DAQUI!” gritei e ele sacudiu a cabeça saindo como eu havia dito. Assim que ele saiu comecei a chorar novamente. Fechei os olhos tentando ver o escuro, me senti tão nova e tão despedaçada, e com medo. Era essa quarto branco e meu pequeno velho “eu” de novo.
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