Big Wave: Uma onda de mentiras
21 Ultrapassando limites
Notas iniciais
..É uma bela mentira
É uma perfeita negação
Mas que bela mentira para se acreditar
Tão bela, bela
Que me faz...
—Está tudo correndo conforme o combinado senhor. — Falou ao homem que estava sentado elegantemente em frente ao grande piano preto, que ficava no centro de uma luxuosa sala.
—Ótimo! Nosso hospede já acordou? — Perguntou o exímio pianista enquanto tocava as doces notas de I´ts your day de Yruma.
—Não senhor, ele ainda dorme, creio que devido as medicações. — Falou o fiel mordomo.
—Verdade. E minha esposa? -Perguntou ainda concentrado nas teclas do piano.
—Está preparando a chegada de nossos outros hospedes.
—Muito bom Vicent. Creio que dessa vez estamos indo pelo caminho certo não é meu amigo? — Perguntou parando de tocar por um momento
—Creio que sim, meu senhor, tenho fé que sim.
—É eu também estou confiante, só espero que eu consiga o perdão dela. Afinal é por minha culpa que ele sempre viveu um inferno. -Falou cabisbaixo.
— Ela o perdoará senhor, no final quando todos estiverem livres e felizes ela entenderá e nos perdoará.
—É o que espero meu amigo, apenas isso.
Em algum lugar do mundo...
Já fazia dias que eu não comia apenas andava e corria o quanto minhas pernas permitiam, eu ainda não conseguia acreditar em tudo que fiz aquela mulher me contar. Uma cobra, uma verdadeira cobra no meio da minha família. Não só ela como também seus comparsas. Minha família que os recebeu tão bem e de braços abertos foi apunhalada pelas costas. Agora eu corria contra o tempo eu tinha que chegar ao esconderijo, tenho certeza que se os outros descobrirem e conseguirem fugir é pra lá que irão, papai sempre manteve esse lugar muito bem escondido já temendo que alguma coisa ruim poderia acontecer a nossa família, desde o primeiro atentado que ele sofreu assim que se tornou governador. Diminuí meus passos assim que ouvi vozes de homens se aproximando, eu estava em meio a mata fechada muito longe de onde aquela vaca tinha me levado, os pescadores que encontrei no primeiro dia de fuga me deram as direções para que eu conseguisse sair da cidade onde estava antes. Desde então bebo água quando encontro um rio e como frutas quando tenho sorte, passei por alguns vilarejos, mas tive medo de me aproximar e os homens mandados por aquela cobra me encontrasse, então era melhor continuar no meio do mato onde eu poderia me esconder caso o perigo me encontrasse e era o faria agora. Corri em direção a uma grande e grossa árvore e a escalei com facilidade graças ao meu porte atlético. Os homens vinham em minha direção, sentei no galho mais grosso e alto que consegui e fiquei em silencio apenas os observando do alto.
—Vamos Home, temos que encontra-lo o nosso tempo está se esgotando. — Falou um deles olhando para os lados.
—Eu sei Steven, o sinal estava apontando para esse lado, não tenho culpa se perdemos o rastro dele e o sinal aqui é uma merda.- Falou um outro homem mais alto, eles usavam uma espécie de uniforme, uma calça preta cheia de bolsos e camisas pretas também, por cima tinham coletes a prova de balas, eles dois e os outros três que estavam mais atrás tinham armas.
—Espalhem-se e o procurem, temos que encontra-lo antes daquela corja. Se o perdemos estaremos todos mortos. — Falou o Steven
— Sim senhor! – Responderam os outros e se espalharam.
Os homens foram em direções diferentes ficando apenas Homes e Steven sentados justamente embaixo da arvore onde eu estava. Continuei imóvel apenas ouvindo o que eles falavam. Apesar de terem diminuído o tom eu conseguia os ouvir claramente.
—Esse é o plano mais louco que eu já vi na vida. Onde já se viu fingir a morte de uma família?
—Pois é, mas nós não somos pagos para achar nada, quer dizer, apenas os filhos fujões.- Falou rindo um pouco de sua própria piada infame.
— Pois é. Um fugiu pela água o outro pela terra.
— E a garota pro mundo dos pés juntos.
— Não foi dada certeza de nada disso ainda. Mas eu queria muito era ver a cara daquele branquelo vira casaca se ela empacotar.
— Ele vai enlouquecer isso se não se matar ou se deixar ser morto, afinal ele traiu a máfia.
—Pois é, tudo por amor. Os três vão rodar com tudo isso acabando bem ou mal eles não têm escapatória.
—A não ser que os filhos intercedam por eles. – Homes falou arrancando uma estrondosa gargalhada de Steven.
—Você perdoaria? Assassinos de aluguel infiltrados na sua família para matar a todos e destruir provas que inocentam e acusam pessoas influentes no mundo? Eu não conseguiria e tenho certeza que você também não. Agora fica aí que vou alí soltar um barrão.
—Não preciso saber o que você fará Steven.
—Eu quis falar.
E então o Steven se foi para mata a dentro e Homes ficou sozinho mexendo em seu tablet. Olhei ao redor e vi que estávamos sozinhos então desci devagar e o surpreendi por trás dando um leve mata leão apenas para imobiliza-lo.
— Olá Homes! Está procurando por mim? — Falei já tomando rapidamente a arma que estava em sua cintura, o soltei e apontei a arma para sua cabeça. — Quem mandou vocês? Como me encontraram? — Falei firme.
—Se-senhor Cullen?! Nós somos do bem, somos a ajuda. -Falou colocando as mãos para cima.
—Quem mandou vocês? — Repeti a pergunta destravando a arma que por sorte tinha um silenciador na ponta.
—F-fo-foi o..- Mas antes que ele falasse atirei contra um dos homens que estava com eles antes, atirei bem no meio de sua cabeça. Em pensar que eu achei ruim as aulas de tiro que papai nos fez tomar. – ANDRÊI?!- gritou em direção ao homem que caiu morto no chão. — Senhor! Não precisa nos matar somos seus aliados.- Falou tremendo.
—ALIADOS? ENTÂO DIGA PORRA, QUEM MANDOU VOCÊS? -Gritei enfurecido
— Senhor Ememt! Quem nos mandou foi um amigo do seu pai. Vamos te levar para um lugar seguro. — Falou Steven chegando por trás de mim e colando sua arma em minha cabeça. Sem alternativa baixei minha arma e me virei para o homem que tinha sua mira em minha testa. — Senhor, eu irei baixar minha arma e o senhor não usará a sua, pode ficar com ela pois assim ficará seguro caso algo nos aconteça. Tudo ficará bem senhor, iremos te levar para o esconderijo e lá o senhor terá todas as suas dúvidas respondidas.
Ouvindo o que ele disse guardei a arma e os acompanhei em direção a um carro que estava estacionado em uma estrada próxima de onde estávamos. E com tristeza os vi levar o corpo do primeiro homem que matei em minha vida.
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