Você não tomará meu orgulho

Não, não desta vez

Não desta vez

Tudo passou por meus olhos como um grande borrão, não sabia o que pensar muito menos como falar e responder as perguntas feitas durante meu depoimento as únicas coisas que eu senti foram, raiva, ódio muita tristeza e uma culpa imensa, culpa sim pois sei que se eu tivesse fugido mais uma vez nada disso teria acontecido, todas essas mortes aconteceram por minha culpa, minhas mãos estão sim sujas de sangue eu os matei, eu matei o Edward, Emmett, Alice e Carlisle fora Tanya,Jazz e Rose. Oh Deus o que eu fiz? Por que? Sentada aqui nessa sala inóspita e fria tudo que vejo a minha frente é o reflexo de uma mulher pálida demais com os cabelos escuros desgrenhados e grandes olhos verdes que gritam acusatoriamente para mim, assassina, uma e outra vez ouço a voz de todos eles fazendo coro junto com esses olhos malditos, assassina, assassina, assassina!!!

—Senhorita, espero que agora que está mais calma possa nos explicar o que realmente aconteceu ontem a noite.-Falou o Detetive Tyler sentando-se na cadeira a minha frente.

—Fale senhorita você tem que falar, o que aconteceu? Você já se deu conta que vai ser presa? Anos e mais anos em uma penitenciaria sem poder sair para ficar com sua família. Se você confessar talvez o estado possa reduzir sua pena um ou dois anos. Nós teremos muito tempo para conversarmos, e se você não falar para mim virão outros menos pacientes que arrancarão uma confissão de você de forma muito dolorosa.- Tudo o que ele obteve de mim foi o silêncio, não por não querer falar mas sim por não conseguir, o que eu falaria? Como contar algo que você não faz ideia de como aconteceu?

—Depois de tudo que ouvi sobre sua vida achei que você realmente fosse uma guerreira, que luta-se por algum ideal mas pelo que vejo você não passa de uma criminosa fria, calculista e sem coração, você manipulou aquela família se fez de vítima e amiga para depois matá-los, agora a pergunta que todos querem saber é, a troco de quê? O que a motivou a fazer essa atrocidade com a família mais querida e respeitada da cidade? Você não vai falar nada? Isabella você é mesmo esse monstro que quer parece ser?-Novamente a resposta que ele obteve foi o meu silêncio e mais lágrimas sofridas.

—Sabe o que é interessante? Eu não acredito nisso e a esposa do governador também não.-Ao ouvi-lo falar de Esme minha cabeça automaticamente chicoteou para cima.-Bom. Vejo que a vida da senhora Esme Cullen lhe interessa,é por que faltou ela morrer?Você vai dar um jeito de matá-la agora é isso?-Balancei minha cabeça negando.-Não?Ok então Isabella vamos fazer um acordo você confirma se matou ou não todas aquelas pessoas e eu te informo sobre a vida de Esme que tal?A oferta é boa.

Esme, como ela deve estar? Coitada com certeza destruída perder todos da sua família. O que eu fiz? Ah, Isabella você deve pagar por isso, a sim você vai pagar por tudo de ruim que recaiu sobre aquela família.

—E então Isabella já pensou? Uma informação por outra que tal? Você matou ou não aquelas pessoas?

—SIM EU MATEI A FAMÍLIA CULLEN!!!Droga fui eu, fui eu, fui eu,fui eu….-Gritei em um pranto desesperado, uma fúria de mim mesma que era aterradora. Só saí de meu estado de loucura e raiva quando ouvi a vos do detetive.

—Muito bem Isabella. Você matou a família inteira da mulher que agora está internada em uma casa de repouso totalmente dopada por estresse emocional. Parabéns você acabou de ganhar um quarto muito luxuoso aqui nesta delegacia até o inquérito exigir uma nova declaração exigindo que você esclareça tudo para podermos fazer a reconstituição dos crimes. Boa estadia!

E assim ele saiu da sala batendo a porta ao mesmo tempo que eu caí no chão junto a cadeira onde estava chorando copiosamente a morte de todos eles do Seth e principalmente do Edward. Logo após meu ataque de choro entrou uma policial alta e muito magra, não prestei muito atenção em suas feições mas senti a força de suas mãos em meus cabelos puxando-os e colocando-me para cima, ao ficar de pé fui empurrada em direção a porta por onde o detetive saiu, andamos por um extenso corredor com várias portas e ao fundo dele paramos em frente a um portão que nos leva as celas. Passamos por um balcão onde confirmaram meu nome e pediram meus objetos pessoais e roupas, em troca ganhei um macacão surrado, vestir-me e então seguimos caminho até a última cela onde tinha mais quatro mulheres que olharam-me de cima a baixo como se fosse um inseto, não que não esteja merecendo ser comparada a um, a policial esquisitona jogou-me lá junto as outras prisioneiras e eu fui ao chão fazendo com que as outras rissem de mim.

—Olha só o que temos aqui meninas. Tão bonitinha!-Falou uma garota mais ou menos da minha idade com o cabelo roxo tão branca que pensei que era um fantasma.

—Sim Lacrea muito bonitinha, tem cara de rica, o que você aprontou flor?-Falou uma negra com o cabelo branco com largas mechas azuis, ela era bonita com seu nariz fino e lábios grossos.

—Aposto que foi pega vendendo drogas não foi gostosa?-Falou uma terceira juntando-se as outras e ficando ao meu redor. Essa era muito alta, tinha cabelos loiros e usava uma roupa que gritava prostituta.

—Meninas! Parem com isso, deixem a coisinha em paz só por hoje. Vem aqui coisinha.- Falou uma totalmente diferente das três essa era uma morena alta com seios grandes e um rosto sério demais que não deixa nada transparecer, ela tinha um nariz pequeno um pouco larguinho e exibia uma bolota no fim dele, os lábios médios estavam rígidos e os olhos castanho escuro analisava-me curiosamente, seu cabelo cacheado era castanho escuro com fios loiros nas pontas. Ela puxou-me e deixou que eu senta-se em uma cama velha e sem colchão que tinha na lateral esquerda daquela cela fria, suja e mal cheirosa.

—Então coisinha nós vamos nos apresentar e aí depois você vai nos dizer qual foi o seu pecado ok? Eu sou Ane, aquela magrela transparente Bia mas a chamamos de Lacrea, a outra galega é a Emilly, e a girafa Emi que são irmãs. Eu roubei um carro mais juro que ia devolver.

—É nos pegamos dinheiro emprestado de um casal.-Falou a Emi apontando ela e a irmã.

—E eu nem sei por que to aqui…-Falou Bia fazendo cara de inocente.

—Conta outra Bia você foi pega vendendo droga louca.-Falou Emilly.

—Qual é por que eu nunca posso ser a inocente aqui? Vocês são muitos injustas.

—Cala a boca garota, deixa a coisinha falar.

—É fala aí coisinha o que te fez vir parar aqui hoje?- Respirei fundo tentando mais uma vez segurar as lágrimas.

—Bom eu sou Isabella e estou sendo acusada de assassinato, eu matei a família do governador.

—Puta que pariiuu!Sério?-Perguntaram em choque.

—Sim

—Mais e aí foi você mesmo ou não?-Perguntou Ane.

—Diretamente não.-Falei já com as lágrimas caindo.

—Ta não chora. Você mandou fazerem?

—Não.

—Então como foi você?- Perguntou Bia.

—Foi por minha culpa se eu não tivesse me aproximado deles nada disso teria acontecido.

—Entendo.-Falou Ane.-Mas e aí você foi pega em flagrante, já declarou que é culpada?

—Sim.

—E a reconstituição já foi feita né?!-Perguntou Emi.

—Não segundo o detetive Tyler ainda vou ter outros interrogatórios.

—Ué que estranho então, por que você já está com a roupa do presídio?

—É mesmo.-Concordou as outras.

—Não sei.

—Olha coisinha se eu fosse você ficaria esperta e abriria o olho.-Falou Ane e antes que ela pudesse concluir fomos interrompidas pela guarda do corredor.