Big Time Dream

3 Capítulo 3 - Decision


Acordei e olhei no relógio, eram 8 da manhã. Por incrível que pareça acordei cedo, pois fui dormir tarde ontem a noite, não conseguia parar de pensar no que fazer da minha vida. Drianna ainda estava dormindo, então levantei devagar, peguei umas roupas na mala e me troquei. Pus meu notebook de baixo do braço e fui para a sala, no meio no caminho passei pela cozinha e vi minha tia fazendo o café da manhã.

– Bom dia querida, dormiu bem? – Perguntou ela, com um sorriso de orelha a orelha no rosto.

– Bom dia tia, mais ou menos. – Respondi com um sorriso quase escondido.

– Quer comer alguma coisa?

– Só vou pegar um copo de leite, eu estou sem fome. – Peguei a jarra de leite, pus um pouco no copo e fui para a sala. Sentei-me no sofá, liguei o laptop e conectei o Skype, rezando para algum dos meus pais estivesse online. Por sorte minha mãe estava. Esperei um pouco e ela apareceu.

– Oi meu amor! Que saudade, me desculpe a demora, é que eu estava fazendo o café da sua irmã. – Disse minha mãe, em português claro. Era até estranho conversar com alguém em português, eu acho que eu estava me acostumando com o inglês até demais.

– Tudo ótimo mãe, também estou com saudades. O papai está aí?

– Está sim meu amor, por quê?

– É que... Eu queria falar com vocês dois. Pode ser?

– Pode sim... Só um instante que eu vou chamá-lo... – Ela saiu e depois voltou junto com ele. – Aconteceu alguma coisa?

– Mais ou menos mamãe. É por que ontem quando eu cheguei, nós todos saímos para jantar e todo mundo começou com uma história para eu vir me mudar para cá para Los Angeles, e que o senhor, papai, tinha falado com o vovô sobre isso, para eu conseguir uma carreira na TV. Como é que vocês planejam tudo isso e não me falam, não pedem minha opinião?

– Ah, minha querida, nós só queremos o melhor pra você, você sabe disso. E você sempre foi uma boa atriz, meu amor... – Disse minha mãe, paciente.

– Mas vocês ficaram sabendo que eles já marcaram uma audição pra mim? Sem eu saber?

– Hmm, mais ou menos – Disseram os dois. Com é que podem esconder uma carreira de mim? Sem nem ao menos me avisar? Eu tenho que ficar sabendo pelos outros? Eu tentei não me estressar na frente deles. Meu tio entrou na sala e ligou a TV no canal de esportes. Ainda bem que ele não entende português, não queria que ele participasse da discussão. Respirei fundo e me lembrei de tudo que a Drianna me disse ontem à noite.

– Mas vocês querem que eu me mude pra cá? E o resto das minhas coisas aí no Brasil? Meu quarto vai ficar para Vickie? E o teatro? Eu nem tive chance de me despedir de todo mundo...

– Filha, está na hora de você decidir seu futuro, você já tem 16 anos, precisa seguir sua vida. – Disse o meu pai.

– Mas na minha cabeça, eu "só" tenho 16 anos, pai. Eu não me sinto pronta...

– Ninguém nunca está pronto para as mudanças, minha flor. Mas a vida é assim mesmo. E você poderá sempre nos visitar. Quando você vier de novo aqui, você pega o resto das suas coisas ok? – Minha mãe me confortou. Eu me sentia insegura sobre essa decisão, mas alguma coisa me dizia que eu devia ficar. Suspirei. Bem, uma chance dessas só vez uma vez na vida. Tomei todo o leite do copo em uma golada só.

– Então eu fico. Mas... ainda sim vou sentir muita falta de vocês dois, da minha irmã... E de tudo. – Nesse instante vi uma lágrima escorrer no rosto da minha mãe. Aquilo cortou meu coração. Mas essa é a vida, e estava na hora de eu encará-la.

– É uma decisão, certo? – Assenti com a cabeça. – Não se preocupe, eu aviso para os nossos parentes daqui. Vou tratar de cancelar sua matrícula no colégio e... a do teatro. – Disse o meu pai. Isso sim partiu meu coração. Era como se ele fosse cancelar um pedaço da minha história, da minha vida. Eu passei tanta coisa que eu passei lá, os amigos que eu fiz, as apresentações, tudo. A razão que eu nunca pensei em fazer TV foi por que, a TV não tem (pelo menos a maioria das séries) a platéia, o público ali te olhando, aquela paixão, aquele fogo. Mas pelo outro lado, deve ser muito emocionante se ver na TV, ter milhares de fãs, ser reconhecida na rua, ganhar prêmios... Isso sim seria uma carreira. É, é uma decisão.

– Ok, tchau mãe, tchau pai. Eu amo vocês.

– Tchau filha, também te amamos – Disseram os dois. Em seguida, desliguei o computador. Olhei para meu tio com uma cara de "O que você ainda está fazendo aqui?".

– Está tudo bem? – Perguntou ele, fazendo-me voltar para minha, daqui pra frente, rotina de inglês.

– Sim. – Levantei, peguei meu laptop e voltei para o quarto. Drianna ainda estava dormindo, resolvi não perturbá-la. Deitei-me no colchão e fiquei pensando em como seria a minha vida daqui pra frente até adormecer novamente.