Big Time Dream
1 Capítulo 1 (Apresentação) - Before the trip
Notas iniciais
Meu nome é Barbara Haslow, tenho 16 anos. Nasci aqui no Rio de Janeiro, mas a minha família por parte de pai é americana. Nem eu sei direito a história de como meus pais se conheceram. Meu pai que estava do outro lado do continente veio se interessar por uma brasileira Deus sabe como. Só sei que toda essa história resultou em mim e em minha irmã Vickie, de 12 anos. De qualquer jeito, todas as férias eu vou visitar meus tios e meus avôs em Los Angeles (L.A.). Minha prima Drianna é bem estranha, nós nunca fomos muito amigas, mas eu até que gosto dela.
Eu sou a típica-carioca-porém-estranha, por isso eu nunca tive muitos amigos na escola. Eu sempre fui muito tímida, ninguém quase nunca falava comigo, então quando eu fiz nove anos minha mãe resolveu me matricular num curso livre de teatro, que pra mim particularmente é o melhor do Brasil. Lá minha estranheza era destacada, as pessoas falavam comigo justamente por que eu era diferente, lá sim eu fiz muitos amigos. Uma delas foi Jessica, que é praticamente a irmã que eu sempre quis ter. Eu continuei tímida no colégio, mas eu com certeza tinha muito mais atitude. Quando eu fiz 15 anos eu pintei meu cabelo de vermelho "natural", e de repente as pessoas do colégio, além e não falarem comigo, me evitavam. Algumas garotas chegavam na minha cara e diziam que odiavam o meu cabelo. Mas eu não me deixava abater, pois quando eu cheguei ao teatro, todos amaram. Nós, atores de teatro, somos muito unidos, e isso me animava. E só pra deixar claro que eu nunca apareci na TV, apesar te toda a minha família me encorajar. Teatro pra mim era mais um hobby, uma coisa que eu fazia pra esquecer os problemas, não uma obrigação.
Hoje é o ultimo dia de aula de teatro desse 1º semestre, e como sempre, nós fazemos uma festinha no último dia. Nós gravamos a festa inteira, teve música, dança, comida e muita loucura. Antes de acabar, minha melhor amiga Jessica e eu nos sentamos no canto da sala pra descansar.
– Nossa, é só uma festinha, mas eu nunca me diverti tanto. Eu preciso que me passem as filmagens!
– Eu vou falar com os caras e eu arrumo pra você uns vídeos. A propósito, você vai viajar pra Los Angeles esse ano?
– E quando é que eu não vou, me diz? – Ri, tentando não notar a seriedade na voz de Jessi.
– Sei lá, vai que dá a louca nos seus pais e eles não deixam você ir.
– Até parece. Você sabe que eu sempre tenho que ir, são meus parentes pô.
– Às vezes eu penso que em qualquer viajem dessas, você resolve não voltar.
– Bate na madeira, louca. – Nós rimos e batemos três vezes no chão de madeira. – Olha, fica sempre online no skype, porque quando eu tiver um babado forte pra te falar, tu já estás esperta.
– Pode deixar. – Ela forçou um sorriso satisfeito. – Eu não sei como você conseguiu se acostumar com o inglês.
– Eu sempre fui pra lá, então ou eu aprendia inglês ou ficava sem me comunicar.
– Acho melhor eu sair do curso de inglês e começar a te pedir umas aulas, sai bem mais em conta.
– Também acho. – Nós rimos e ela ficou séria logo depois.
– Não se preocupe, eu volto no final de julho, prometo. – Eu disse para tranquiliza-la.
– Eu não estou preocupada. Tá tudo bem.
– Boba. – Nós nos abraçamos, e eu não pude deixar de notar que ela parecia insegura sobre aquilo. Parecia o nosso último abraço. Ah, para com isso, não era o nosso último abraço.
– Vocês estão liberados! – Disse a professora. Antes de sair, abracei todos os meus amigos, pois alguns saiam do teatro no meio do ano, desistiam. Eu queria garantir que todos eles iriam ficar sempre lembrados no meu coração. Sai da sala e meu pai estava me esperando para me buscar.
Já em casa, durante o jantar.
– Barbara, você tem que começar a arrumar suas coisas, você vai viajar daqui a 3 dias. – Avisou minha mãe.
– Vocês também têm que arrumar as coisas de vocês ora. – Revidei.
– Querida, nós não vamos poder ir com você dessa vez. – Disse meu pai cuidadoso com suas palavras, provavelmente com medo da minha reação.
– Então eu também não vou? – Perguntou minha irmãnzinha Vickie.
– Você pode ir junto com a sua irmã... – Minha mãe sugeriu.
– Não, eu não vou sem vocês. – Vickie fechou a cara.
– Mas por que vocês não vão pode ir? – Perguntei, realmente curiosa. Meus pais sempre vão para Los Angeles nas férias de julho.
– Nós estamos atolados de trabalho, mas nós não queríamos estragar suas férias. Você pode ir sozinha só se você quiser. – Disse meu pai.
– Mas vai ser estranho sem vocês por lá...
– Vai ser tão divertido quanto. – Minha mãe sorriu confortante. É, vai ser tão divertido quanto. Quem sabe. Enfim, terminamos o jantar em silêncio.
– Eu... vou arrumar as minhas coisas e vou dormir. – Falei ao me levantar do meu lugar.
– Boa noite, filha – Disseram meus pais em coro.
– Boa noite.
Três dias depois eu embarquei para L.A. Minha mãe chorou muito, pois ela é muito apegada a mim e eu nunca tinha viajado sozinha, eu tentei me controlar pra não chorar também. Em vão, pois eu chorei cachoeiras. Coisas de mãe e filha. Depois de várias horas de uma cansativa viagem, cheguei em L.A. Meu tio, tia, avô, avó, prima, todos me esperavam no aeroporto. Drianna parecia mais animada do que na ultima vez que nos vimos.
– Essas férias vão ser ótimas! – Ela começou a saltitar e correu para me abraçar. Algo me dizia que Dria estava certa.
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