Big Time Dream
4 Capítulo 4 - Big Time Meeting
– Acorda bela adormecida! – Um travesseiro voou na minha cara.
– Ai, mas que merda! – Falei em português sem querer. Ainda não estava acostumada com isso, e tinha acabado de acordar então não estava raciocinando muito bem.
– Com licença? Tenho cara de tradutora? – Minha prima reclamou.
– Desculpa, Dria, que horas são?
– Quase meio-dia, nós vamos sair para almoçar. Vai se arrumar rápido porque a gente já ta saindo.
– Ok. – Me levantei e fiquei com aquela roupa mesmo, só dormi por algumas horas desde a conversa com meus pais, aquilo me parecia apropriado. Só amarrei o cabelo e pus uma sandália. – Estou pronta.
– Isso sim foi rápido. Vamos.
Pegamos o carro e saímos. Passamos perto da praia, e como era tudo lindo, limpinho... Apesar de vir quase todas as férias para L.A. eu não me importava muito, mas agora era diferente, eu ia viver aqui.
– Chegamos – Disse meu tio. Nós havíamos chegado na lanchonete, era estranho comer hambúrguer no almoço, mas eu já estava acostumada, quando eu ia pra lá era quase sempre assim.
Quando descemos do carro, havia quatro garotos bem vestidos saindo da lanchonete, algumas garotas vieram atrás deles e pediram um autógrafo e foram embora. Deveriam ser famosos, mas eu não tinha idéia de quem eles eram. Olhei para eles por um instante, e um dos garotos que estava com o boné com aba virada para trás olhou de volta e sorriu, um sorriso torto, muito fofo. Eu só sorri de volta meio sem jeito. Quando eu olhei para o lado minha prima estava paralisada. Perguntei se ela estava bem, ela simplesmente correu gritando em direção aos quatro garotos, abraçou um loirinho alto e pediu um autógrafo, ela pegou um lencinho de papel que estava junto com o hambúrguer de um deles e por sorte parece que eles já saiam com uma caneta no bolso, todos os quatro autografaram o lenço de papel dela. Cheguei perto dela e a chamei.
– Drianna, vamos, eu estou com fome. – Falei, segurando minha prima pelo braço. O garoto de boné e sorriso torto olhou pra mim e sorriu de novo.
– Calma menina! – Drianna gritou pra mim – Eu amo vocês! – Ela se derreteu para os garotos, falando um monte de besteira que eu nem prestei atenção, pois meu mundo estava congelado nos olhos castanhos profundos daquele garoto.
– Oi. – Disse o garoto de boné e sorriso torto.
– Oi. – Respondi com vergonha, desviando o olhar. Segurei o braço de Drianna com mais força. – Dria, os seus pais já estão lá dentro...
– Ok, vamos... vocês são demais! – Disse ela quando eu comecei a puxá-la.
– Não, você é demais. – Disse um que era baixinho com cara de latino. Minha prima ficou maluca.
– Tchau-tchau! – Disse o mais alto e musculoso. O loirinho mandou um beijo soprado para ela e então entraram em um táxi.
– Eu não acredito! Você viu quem era? – Disse ela eufórica.
– Vi, mas não sei quem são eles.
– Você não sabe quem são Big Time Rush?
– Big Time o quê? Não, nunca ouvi falar.
– Meu Deus! – Ela exaltou como se eu tivesse acabado de dizer a coisa mais absurda do mundo. Não deu pra evitar rir da cara de indignação dela. – Você não sabe o que esta perdendo, eles são a boyband mais quente que existe! – Exclamou enquanto entrávamos na lanchonete.
Assim que entramos, procuramos pelos meus tios e fomos sentar junto deles. Nós fizemos nosso pedidos, e desde então Drianna não parou de falar no Big Time Rush, de como eles eram maravilhosos e etc. Até que o meu tio finalmente falou alguma coisa relevante.
– E então, Barbara, já decidiu se... vai morar aqui, em Los Angeles? – Perguntou, receoso.
– Já. Eu conversei com meus pais hoje de manhã cedo, quando eu estava no sofá. – Falei, suspirando ao lembrar da conversa com meus pais hoje cedo.
– Ah. Então era sobre isso que você estava falando... – Meu tio comentou.
– Sim, e eu decidi que... – Antes de eu terminar a frase o telefone dele tocou.
– Só um instante, querida. – Ele pegou o telefone do bolso e atendeu.
– Alô?... Oi, eu ainda não... Eu acabei de perguntar... Ela ainda não respondeu... Espere um instante, por favor. – Tirou o telefone do ouvido – Barbara, me diz agora, você vai ficar e fazer a audição, ou vai voltar para o Brasil.Respirei fundo. É agora.
– Considere-me uma americana agora. Eu fico.
Minha tia, meu tio, minha prima me encararam e ficaram sem reação por um segundo. Meu tio pôs o telefone no ouvido de novo e disse:
- Esse papel já está garantido, e é da minha sobrinha. Amanhã ela aparece por aí... Ok... Tchau.
Mais tarde, após passar o dia rodando por Los Angeles, já em casa, jantamos e não tocamos mais no assunto de eu ficar aqui em L.A.. Ainda bem, pois aquilo estava me deixando bem desconfortável. Não caiu a ficha ainda de que é nessa cidade que eu estou morando agora. Não é mais no Brasil, nem falando português, e talvez me torne uma atriz de TV, se duvidar com fãs e tudo mais. Imagine eu, carioca, a garota que um dia desses era pouco notada na escola, virando famosa em Hollywood. Uau. Parece até sonho de criança. Porém às vezes eu sinto como se tudo isso fosse só um sonho mesmo e que no final desse mês eu estarei voltando para o Brasil, para a minha família, meus amigos, para o meu teatro. Vou sentir falta daquele palco. E como vou.
– No que você está pensando jogada na minha cama? – Drianna me repreendeu ao entrar no quarto.
– Me desculpe. – Apenas rolei e caí no meu colchão. – Nada demais.
– Barbara... – Ela pôs as mãos em seus bolsos vazios – Você por acaso viu aquele lenço de papel com os autógrafos?
– Acho que você jogou em cima da penteadeira quando chegamos.
– Ah, sim, obrigada. Se eu perder esse papel eu me enforco aqui mesmo – Ela riu, pegou o papel na penteadeira e lhe deu um beijo.
– Você nunca me disse que era fã de alguém... Muito menos de uma banda.
– Eu não sou uma fã, eu só os admiro. – Dria me corrigiu, meio sem jeito. – Tenho o CD deles olha. – Ela abriu a gaveta da penteadeira para me mostrar o CD da banda e suspirou fundo, depois guardou-o de volta na gaveta. – O mais fofo é o Kendall. Kendall Knight. Ainda bem que a Ex-namorada dele viajou para Nova Zelândia para fazer um filme lá durante 3 anos. Barbie... Será que eu tenho chances com ele?
– Sendo realista, do jeito que você está me falando dele, ele parece ser um popstar, as chances são poucas. – Drianna me encarou com uma cara feia, me fuzilando com o olhar. À vezes sou sincera demais. – Mas não são nulas... E você disse que essa Jo, ela esta viajando para a gravação de um filme? Como é isso?
– É que antes ela fazia outra série chamada New Town Highs, mas ela recebeu a proposta para atuar em um filme de super produção, que iria ter muito mais sucesso e daria muito mais dinheiro, e aí ela se mandou, e deixou Kendall sozinho, carente... – Com os olhinhos brilhando, ela rodopiou abraçada no seu lenço de papel. Nem eu sabia o quão sonhadora era Drianna, hein.
– Ahn... Que horas são?
– Oito e meia, eu acho.
– Bem, eu tenho que dormir, pois amanhã cedo tenho um teste para fazer.
– Ok, eu só vou dormir mais tarde, então boa noite. – Disse Dria, me jogando um beijo soprado antes de sair do quarto.
– Boa noite.
Quando Drianna saiu, eu comecei a pensar sobre o que aconteceu com essa garota Jo, e vi que o mesmo poderia acontecer comigo. Acabei percebendo que eu, assim como a Drianna, só iria dormir mais tarde. Fiquei encarando o teto, pensativa.
Eu creio que não aceitaria ficar tantos anos, só gravando. Não seria essa a vida que eu escolheria para mim. Quando eu faço algo é porque eu gosto, não é por causa de dinheiro. E eu só entrei nessa, por que eu realmente tinha que decidir o meu futuro. E pensar que ela ainda deixou para trás alguém que a amava, isso eu também nunca faria. Principalmente se eu tivesse um namorado como algum daqueles quatro. E até que a Drianna tinha razão, eles eram realmente fofos. Uh, é melhor eu parar de pensar em garotos, e começar a pensar mais no meu futuro, depois quem sabe paixão pode rolar.
De repente, me veio à mente a imagem do garoto de boné e sorriso torto, o único que me disse oi. Eu sorri, e finalmente adormeci.
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