Big Time Dream
28 Capítulo 28 - Fake
Notas iniciais
Xoxo.
Logan
- Está entregue. – Eu disse quando cheguei com Camille na porta do seu apartamento.
- Você não quer entrar?
- Eu acho melhor não, os garotos estão me esperando e...
- Meu pai não está em casa. Ele foi visitar uns parentes no Texas. – Ela segurou meu pulso. – Por favor, em nome dos velhos tempos. – Sorriu. O que tem de mal entrar somente para conversar com uma velha amiga?
Camille foi para a cozinha e eu me acomodei no sofá da sala, jogando as coisas, das quais fui obrigado a carregar, pelo chão.
- Quer alguma coisa para beber? – Ela perguntou enquanto olhava na geladeira.
- Não, eu ainda estou cheio do piquenique. – Mesmo eu recusando, ela voltou com dois copos de suco na mão e me entregou um, se sentando ao meu lado. – Não precisava, Camille.
- Precisava sim. Você não vem aqui faz tanto tempo que esse era o mínimo que eu podia fazer. Literalmente o mínimo. – Nós rimos.
- Verdade, eu nem me lembro quanto tempo faz desde a última vez que eu vim aqui. – Dei apenas um gole no suco e o coloquei na mesinha de centro.
- Lembra quando você e os garotos aprontavam todo o santo dia? E as festas? Nossa, vocês deixavam o Bitters maluquinho.
- E ainda deixamos, só que com menos frequência. – Rimos. – A gente já fez tanta coisa aqui em Palm Woods.
- Eu sinto falta daquele tempo.
- Eu também, mas nós ainda nos divertimos muito ainda, como hoje.
- É, mas eu e você éramos mais próximos, e agora, você só vive no apartamento da Barbara e se esqueceu de mim. – Ela riu, quase que forçada, pois aquilo não era engraçado.
- Eu não me esqueci de você, que besteira. – Eu disse sorrindo, mas ela continuou com uma expressão séria, me assustando.
- Então prove. Prove que não se esqueceu de mim.
- Como ass... – Antes que eu pudesse terminar a pergunta, Camille me surpreendeu com um beijo. Aquele beijo que possuía o sabor único de Camille. O sabor que muitas e muitas vezes me fez cair em sua tentação. Eu até tentei recuar, mas sua boca me seduziu facilmente, como fazia antigamente. Só que agora Camille tinha com um calor diferente, como se tivesse aprendido muitas coisas.
Estávamos deitados no sofá, Camille por cima de mim, e os beijos cada vez mais intensos e quentes. Confesso que eu sentia falta daquilo. Porém só percebi que estava ficando sem controle, quando ela montou em cima de mim e tirou sua blusa, deixando amostra seu sutiã vermelho.
- Camille para! – Eu disse, tirando ela de cima de mim. Levantei e dei passos rápidos até a porta, mas Camille foi atrás de mim me impediu de prosseguir, segurando minha cintura e me puxando para perto. Ela colocou os braços em volta do meu pescoço.
- Vamos fazer como antigamente... Do jeito que você gosta. Sem parar. – Sussurrou em meu ouvido, e um arrepio correu por todo o meu corpo. Ela tentou colar nossos lábios novamente, mas eu virei a cara e ela acabou beijando meu rosto. – Eu sou toda sua. Sempre fui. – Ela foi descendo os beijos até o pescoço. Eu empurrei a cabeça dela para longe de mim. – Porque parar, Logie? – Ela perguntou com uma voz suave.
- Por que... – Fiquei procurando as palavras, mas ela sabia muito bem o motivo.
- Por causa da Barbara não é?! – Ela me jogou contra a porta agressivamente. – Essa garota não te merece. Você devia estar comigo! – Ela mudou sue humor rapidamente e se aproximou de mim novamente. – Eu sinto sua falta Logie... – Ela deslizou a mão sobre o meu peito, mas eu a segurei, sem soltar.
- Eu e você somos apenas amigos, Camille. Você ainda não entendeu? – Ela fez uma cara decepcionada. – E você e a Barbara, não são amigas também?
- Aquela vadia não é minha amiga! – Ela se enfureceu. – Ela quer tirar você de mim. – Acariciou meu rosto com a mão livre, mas eu a segurei novamente e joguei as duas mãos dela para baixo.
- Eu não consigo entender...
- Você acha que eu uso meu talento de atriz só para trabalhar? – Ela começou a rir, me assustando. – Você não mudou nada Logie, continua o mesmo garotinho inocente. – Agora sim eu estava entendendo tudo.
- Cala a boca. – Eu desgrudei o corpo dela do meu. – Adeus Camille. Se é que você é mesmo a Camille, por que você... Eu não conheço. Pelo menos não mais. – Sai, batendo a porta com força, e ela não conseguiu me impedir dessa vez. Talvez não seja certo deixar uma garota sem blusa sozinha, mas eu estava muito irritado.
Sabe aquela queda que eu ainda sentia pela Camille? Sabe aquele sentimento de saudade por tudo que a gente viveu juntos? Todo esse sentimento evaporou, se desfez, sumiu. Eu tinha vergonha da Camille agora. Eu sou um idiota, por estar cego de paixão antes e não ter enxergado o outro lado dela, não ter conhecido a verdadeira Camille, e para falar a verdade, preferia nunca ter conhecido.
Eu só tenho que voltar para o meu apartamento e esfriar a cabeça, é o melhor que eu posso fazer.
Barbara
Depois que deixamos Drianna no carro, os garotos voltaram para o apartamento deles e eu voltei para minha vidinha pacata. Com uma semana, você infelizmente começa a se acostumar com a mesmice.
Liguei o notebook, eu queria muito falar com a minha família, pois eu estava morrendo de saudades. Entrei no skype e tinham alguns conhecidos online e a minha mãe.
- Maninha! – Minha irmã gritou assim que começamos a conversa por vídeo.
- Vickie? – Me assustei por não ver a minha mãe na tela do computador. – Onde está a mamãe?
- Ela foi pro supermercado... E o papai tá trabalhando.
- E te deixaram sozinha?
- A empregada tá aqui, dã.
- Ah tá. – Como se fizesse alguma diferença, ela não obedecia de qualquer jeito. – E a mamãe por um acaso sabe que você está usando o computador dela? – Vickie riu envergonhada e balançou a cabeça negativamente. Ah como eu sentia falta daquela baixinha encrenqueira.
- Barbie, é verdade que você não vai mais voltar para casa? – Perguntou inocentemente confusa.
- Onde você ouviu essa história? – Pelo que eu saiba, ela não deveria saber disso.
- Um dia desses, eu ouvi sem querer a mamãe e o papai conversando sobre isso. É verdade maninha? – Eu engoli a seco quando aqueles olhos grandes e verdes me encararam, confusos.
- Não, não é verdade. Eu só vou passar maior parte do tempo aqui, mas assim que eu puder vou voltar voando para casa, e passar um fim de semana com vocês, tudo bem? – Engoli as lágrimas que tentavam escapar.
- Tá bom... E enquanto você não vem, eu posso ficar no seu quarto? – Ela piscou os olhos de esmeralda, mas eu não caia naquele truque.
- Não chega nem perto dele. – Sorri.
- Ah por quê? – Ela disse com a voz doce e fazendo um biquinho, me fazendo rir.
- Você já tem o seu próprio quarto.
- Mas o meu quarto é feio...
- Não é não, caso encerrado. Agora chega de drama e sai desse computador antes que a mamãe chegue e te pegue ai.
- Tá... – Ela bufou. – Tô com saudades maninha.
- Eu também baixinha. – Encerramos a conexão. A essa altura meu coração estava em pedaços. Eu e a minha irmã tínhamos nossas desavenças, a sempre fomos muito unidas. As lágrimas, antes presas, agora rolavam livres e lentamente pelo meu rosto. Nunca imaginei que doesse tanto morar sozinha.
Tentei me distrair pela internet por um tempo, blogs de humor, youtube, qualquer coisa que amenizasse a saudade, mas foi ai que mais uma ficou online. Jessica.
Eu tinha que falar para ela, mas eu tinha tanto medo da sua reação que eu sempre acabava adiando. Jessica não é uma garota compreensível, muito menos calma. Apesar de estar com medo dela, hoje eu vou falar e pronto. Nós duas tínhamos que encarar isso de uma forma ou de outra. Nós somos amigas não é? Então não vai ser a distância que vai atrapalhar isso.
A morena rapidamente começou uma conversa por vídeo, e quando ela apareceu na tela, estava sorrindo de orelha a orelha. E gritou.
- Oh, o que foi? – Perguntei.
- Você não vai acreditar no que aconteceu nessa semana!
- Nem você. – Eu disse, desanimada, mas Jessica estava tão feliz que nem notou.
- Lembra daquele meu amigo mais velho que eu te falei que eu sempre fui apaixonada desde a 8ª série? O Diego?
- Lembro sim.
- Então... Essa semana nós saímos, e foi tudo tão divertido! E ontem, quando voltamos do boliche ele me beijou! Ai eu dei uma de idiota e fui embora. – Pausou para tomar fôlego. – Hoje de manhã cedo, ele veio até aqui em casa, me disse coisas lindas e pediu para namorar comigo! AAHHH Não é ótimo? Eu e Diego finalmente ficamos juntos! Eu te disse! – Começou a dar gritos de alegria, e a única coisa que eu consegui fazer foi dar um sorriso. – Quando você voltar de Los Angeles eu te apresento ele e...
- Eu não vou voltar. – As palavras saltaram.
- Hã?
- Eu não vou voltar, Jessica. – Pronto, agora é só esperar.
- Como assim? – Ela mantinha a expressão confusa em seu rosto. Eu ainda estava com medo.
- E-eu arranjei um ótimo emprego aqui em Los Angeles e tenho até o meu próprio apartamento. – Eu disse, dando um sorriso incerto, na tentativa de fazê-la sorrir também, mas não funcionou. Merda.
- E que emprego é esse tão importante que você vai ter que abandonar tudo aqui? – Ela parecia ter começado a se irritar. Jessica se irrita com facilidade, tendo motivos ou não. Eu já estava acostumada com isso, então tentei manter a calma, ao contrário dela.
- A nova série de Lewis Scottem, o diretor.
- Eu sabia... – Murmurou, socando o travesseiro. – Ah então agora a madame é atriz de TV? Isso explica porque você tá pegando o Logan Mitchell.
- Não mete o Logan nisso! Nós somos só amigos, não estamos “nos pegando”. – Agora ela conseguiu me irritar.
- Cala a boca, eu sei muito bem como são vocês atrizes de Hollywood.
- Qual é o problema e em eu ser uma atriz de Hollywood? Só porque eu tenho uma carreira e você ainda não? – Admito que peguei um pouco pesado.
- Você não sabe do que tá falando!
- Então VOCÊ pode ficar toda feliz por causa desse seu namoradinho estúpido, mas não pode me apoiar em relação ao meu futuro? Bela amiga você é. – Ficamos em silêncio, nos encarando.
- O mundo não gira em torno de você.
- Muito menos de você. – Rebati rapidamente.
- Então eu acho que acabamos por aqui.
- Também acho. – Ela encerrou a conversa na minha frente, deixando apenas a tela escura a minha frente, depois procedendo a pagina inicial do skype.
A raiva se acumulou em minhas mãos, me fazendo fechar o notebook com força, sem nem me preocupar em desligá-lo. O empurrei para o lado e afundei meu rosto na almofada. Lágrimas de tudo, de raiva, saudades, arrependimento se misturaram em uma cachoeira só. Eu arranhava ferozmente o sofá com as minhas unhas, tentando aliviar a angústia do peito. Às vezes eu me odeio por ser tão sensível.
Minha melhor amiga, a única pessoa que eu mantinha plena confiança, e apesar de milhares de quilômetros de distância, escapou de mim como água corrente entre os dedos.
Percebi que xingar todos os tipos de palavrões que eu conheço não ia ajudar em nada, então peguei o telefone. Eu precisava falar alguém, mas quem? Os garotos não podiam me ver daquele jeito. Liguei para a minha única amiga naquele momento.
- Alô? – Camille atendeu.
- O-oi, você está ocupada agora? – Eu disse entre os soluços.
- Não... Você está bem?
- Não. E-eu preciso de você.
- Estou a caminho.
- Rápido, por favor. – Desliguei. Pouco depois ouvi as batidas na porta. Levantei praticamente me arrastando até a porta e abri.
- O que aconteceu? – Camille perguntou, e a minha única resposta foi o abraço, tão forte, talvez com medo de que ela fosse embora também. – Vem, você precisa se acalmar. – Ela me levou para o meu quarto e me deixou na cama. Ela estava prestes a sair quando eu a segurei pela barra da blusa, implorando para que ela ficasse. – Eu só vou buscar um copo de água. Tente relaxar. – Ela saiu e eu me encolhi na cama.
Fitei meu pulso esquerdo, eu quase havia esquecido a existência da pulseira que eu usava. Eu e Jéssica fizemos o meu pai comprar duas iguais quando tínhamos 11 anos. Na pulseira de ouro de cada uma, estava escrito “Ao infinito, e além!”. Nós sempre fomos muito fãs de Toy Story.
Camille voltou com a água e eu me sentei na beirada da cama, tomando-a em um gole só.
- Está mais calma?
- Acho que sim. – Murmurei. Pelo menos os soluços haviam parado.
- Agora me diz. O que aconteceu?
- Eu perdi... Eu perdi a melhor amiga do mundo.
- Como assim, ela morreu?!
- Não, a gente brigou. Brigou feio. – Eu me acolhi no abraço dela.
- Mas foi só uma briga. Eu garanto que depois vocês marcam de tomar um café, conversam direitinho...
- Ela mora no Rio de Janeiro, e me odeia agora. A última coisa que ela quer é tomar um café comigo. – Camille ergueu as sobrancelhas, espantada.
- Uh. Isso é ruim. – Como se eu não soubesse. – Mas olha, vocês são amigas, não são? Ou pelo menos eram... Então, foi só uma briga, eu garanto que depois vocês vão se entender. Se não se entenderem, não eram amigas de verdade. – Ela disse enquanto mexia no meu cabelo.
- Eu não quero perde-la, Camille...
- Mas se foi assim, – Ela segurou meu rosto com as mãos para me encarar. – era por que tinha que ser. Agora não adianta ficar deprimida. – Passou os polegares na área abaixo dos meus olhos, enxugando as lágrimas. – Tem que seguir em frente. O que mais tem aqui em Palm Woods são pessoas que te querem bem, então não vale a pena chorar por uma que te deixou mal, ok?
- Ok. – Eu a abracei em seguida. – Obrigada Camille, eu não sei o que faria sem você.
- É para isso que servem as amigas. – Ela se afastou e me segurou pelos ombros. – Promete não chorar mais? – Eu enxuguei minhas lágrimas dessa vez.
- Prometo.
- Ótimo, agora vai lavar esse rosto. Eu sei que você tem um script para estudar e nem tocou nele. – Ela falou enquanto me guiava até o banheiro.
- Ah, é verdade. Vamos gravar um episódio novo, esqueci completamente.
- Pois é, mas você sabe que com o Lewis não tem desculpa para textos não ensaiados.
- E como sei. – Rimos. Depois de lavar o meu rosto, fomos para a sala e passamos o resto do dia ensaiando. Às vezes lembrávamos que tínhamos 16 anos e esquecíamos o texto para ficar conversando besteira, mas tínhamos responsabilidades de adultos agora, não podíamos nos distrair.
Ficamos até tarde da noite ensaiando e quando a fome bateu, jantamos macarrão com queijo congelado, da minha coleção de comida congelada. Quando Camille foi embora, a calmaria e solidão do meu apartamento voltou. Morar só era bom, mas tinha suas desvantagens.
Não tinha como arranjar um colega de quarto agora, então o jeito era se contentar em ficar só, naquele apartamento que parecia maior a cada noite.
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