Big Girls Dont Cry
1 Capitulo único
Notas iniciais
Talvez essa fic tenha continuação!
Beijo, Manú!
“O cheiro de sua pele está grudado em mim agora
Você está provavelmente no seu vôo de volta para sua cidade natal.
Eu preciso de algum abrigo para minha própria proteção, baby
Ficar comigo mesma concentrada, lúcida,
em paz, serena”
Naquele momento Sara abriu os olhos. Ainda sentia-se tonta e não se sentia bem, mas ao ler aquele nome, pôde sentir a segurança que desejava sentir a horas atrás.
Gil Grissom
Sim, apesar de todo o pesadelo que havia passado, ele finalmente estava ali e enfim pôde respirar fundo e sentir que tudo acabaria bem.
Seus olhos de um azul sereno e suave passaram uma tranqüilidade que ela realmente desejava sentir. Paz, serenidade, amor, e principalmente tranqüilidade era tudo o que ela precisava sentir naquele momento, e ele era a única pessoa no mundo que era realmente capaz de vaze-la sentir-se assim.
Não pôde e nem quis evitar, sorriu para ele e recebeu um leve sorriso de volta. Ela sabia que tinha que mostrar para ele que estava bem, para que ele não ficasse preocupado.
Ele ao ver aquele sorriso de menina, que por vezes nas últimas horas teve tanto medo de não vê-lo mais, teve certeza que ela não precisaria temer, que nada e nem ninguém a faria mal algum novamente, nem que isso significasse arriscar sua própria vida.
As últimas horas haviam sido as piores de sua vida. Pela primeira vez sentiu medo da morte. Medo que ela levasse embora a pessoa que mais o fez feliz. Sentiu que se perdesse Sara, nunca mais poderia sorrir, amar e ser amado verdadeiramente.
“Eu espero que você saiba, eu espero que você saiba
Que isso não tem nada a ver com você
Isso é pessoal, eu mesma e eu
Nós temos que ajeitar algumas coisas
E eu sentirei sua falta como uma criança sente falta do seu cobertor”
Naquela cama de hospital, observava os pequenos pingos do soro, solitários e lentos.
Pensava em sua vida, em tudo o que havia passado embaixo daquele carro. Sentiu medo, assim como sentia quando criança naquele orfanato gelado e triste.
Pensou em Grissom, sabia que ele e toda equipe do laboratório de Las Vegas não sossegariam enquanto não a encontrassem. Mas Grissom tinha um motivo mais que especial para encontrá-la, ela sabia que ele a amava, e que estava sofrendo tanto quanto ela com aquela situação.
Pensou em ir embora, aquela cidade não a faria tão bem quanto antes. Mas era uma questão a se pensar, afinal, tinha uma vida ali, seu trabalho e o principal, seu namorado.
Por mais que tentasse evitar, mas lembranças horríveis estavam voltando cada vez com mais força. Seu pai saindo de casa carregado e envolto com aquele saco preto que usam para tamparem o defunto. Sua mãe com sangue nas mãos. As possas de sangue em um determinado cômodo da casa e pingos e marcas de sangue pelo resto da casa. A faca, grande e toda ensangüentada. Os olhares das pessoas julgando-a por um crime que todos sabiam que sua mãe havia cometido.
“Ela matou o esposo!”
“Olha, a filha deles, vai para um orfanato!”
“Aquela é a filha da maluca que matou o marido!”
Aquelas frases não saiam de sua cabeça, faziam-na lembrar do pior momento de sua vida.
Definitivamente, tinha que ir embora daquela cidade.
Sentia em ter que se separar de seu grande amor, mas se ficasse, enlouqueceria.
“Mas eu tenho que seguir em frente com a minha vida
Chegou a hora de ser uma garota crescida
E garotas crescidas não choram
Não choram,
não choram,
não choram”
Havia conversado com o médico, e o mesmo havia lhe dito que recebera alta do hospital.
Tomou um longo banho e estava arrumando sua bolsa quando de repente escuta uma voz muito familiar.
– Bom dia meu amor.
Sim, era Grissom. Aquela voz que conhecia tão bem, e que adorava ouvir. Aquela frase pronunciada pela boca mais linda que já vira tornava-se cada vez mais linda.
– Bom dia amor.
– Como você está se sentindo?
Abraçou-a por trás, fazendo-a sentir seus braços firmes e quentes envolvendo-a.
– Muito melhor agora que você está aqui comigo.
Virou-se e o abraçou, com um pouco de dificuldade é verdade, pois estava com o braço esquerdo fraturado em dois lugares e engessado, mas nada que pudesse evitar aquele abraço, e em seguida, aquele beijo.
Pegaram suas coisas e foram para sua casa. Grissom pediu uma comida em um bom restaurante, e passaram o dia todo juntos.
“O caminho que eu estou trilhando, eu devo ir sozinha
Eu tenho que dar pequenos passos até estar totalmente amadurecida
Contos de fada nem sempre têm finais felizes, não é?
E eu prevejo a escuridão à frente se eu ficar”
Estavam sentados no sofá envoltos em um edredom bem grosso e macio. O filme havia acabado e Sara resolveu então conversar com Grissom sobre sua decisão.
– Gil, temos que conversar.
– Sobre o que? Está tudo bem?
– Mais ou menos.
– Mas o médico disse que você está bem Sara.
– Sim, e estou.
– Então, o que foi?
– Gil, com tudo o que aconteceu nos últimos dias, tudo o que passei, resolvi ir embora de Las Vegas.
– O que? Que história é essa Sara?
– Lembranças, medos, sonhos. Coisas ruins que aconteceram na minha vida, fantasmas que estavam adormecidos e que resolveram acordar. Essa cidade me trás muitas lembranças e sinto que se eu ficar acabarei enlouquecendo!
Sara chorava, chorava feito criança.
Uma dor imensa invadiu o coração de Grissom, perder Sara era tudo o que ele não queria. Será que o problema era ele? Algo que ele não fez? Não sabia, mas não queria perde-la.
“Eu espero que você saiba, eu espero que você saiba
que isso não tem nada a ver com você
isso é pessoal, eu mesma e eu
nós temos que ajeitar algumas coisas
e eu sentirei sua falta como uma criança sente a falta do seu cobertor
mas eu tenho que seguir em frente com a minha vida
chegou a hora de ser uma garota crescida
e as garotas crescidas não choram”
– Entendo. Mas, estamos tão bem, você tem certeza que deseja ir embora?
– O problema não é você, e sinto que também não sou eu, são meus fantasmas que não me deixam em paz.
Grissom abaixou a cabeça. Procurava forças de algum lugar que não sabia onde, para fazer aquela pergunta tão difícil.
– Mas você já sabe quando vai?
– Ainda não.
– Sei.
Sara fez um leve carinho no rosto de Grissom, o que o fez olhá-la nos olhos.
– Gilbert, eu te amo. Não queria me separar de você, mas sinto que não poderei ficar em Vegas por mais tempo. Você não imagina como foi difícil tomar essa decisão. Você é a pessoa mais importante da minha vida, e apesar de estar longe, você estará sempre no meu coração.
– Sara, eu também te amo muito. Senti muito medo de te perder nesse seqüestro, e agora que eu estava tão feliz que você está bem, terei de abrir mão de você. Só quero que você fique bem, e que você saiba que você também estará sempre no meu coração e que te amarei para sempre.
Não evitaram o beijo. Um beijo apaixonado e muito necessário naquele momento. Amavam-se e sentiam que seria muito difícil não ter a companhia e a presença um do outro todos os dias. A dor invadia o peito de ambos e naquele momento só desejam não perder nem um minuto da presença um do outro.
– Posso te pedir uma coisa?
– Pode.
– Deixe-me ficar com você? Deixe-me passar com você esses últimos dias que você estiver aqui?
– Claro! Eu ia te pedir isso, não quero ficar sozinha, e eu te amo muito, não quero ficar longe de você estando aqui ainda.
Grissom a beijou novamente, e a abraçou muito forte. Então, uma lágrima rolou de seus olhos azuis, e não percebeu, mas uma lágrima também rolou dos olhos amendoados de Sara.
“Como um colega de escola no pátio da escola
Nós jogaremos cartas
Eu serei a sua melhor amiga
E você será meu namorado
Sim, você pode segurar minha mão, se quiser
Porque eu quero segurar a sua também
Nós seremos parceiros e amantes e compartilharemos nossos mundos secretos
Mas chegou a hora de eu ir pra casa
Está ficando tarde, está escuro lá fora
Eu preciso ficar sozinha concentrada, lúcida,
em paz, serena”
Alguns dias haviam passados, mas serviram basicamente só para confirmarem a decisão de Sara. As lembranças estavam fortes e insistentes. Os pesadelos vinham quase todas as noites.
Naquele dia havia trabalhado em um caso com , uma menina que havia acabado de se formar.
Era fim de turno e naquele momento estava a procura de Grissom pelos corredores do laboratório. Quando o encontrou, ele estava conversando sobre um caso com Hodges.
Abraçou Grissom e o beijou. Sim, ali em um dos corredores do laboratório de Las Vegas estavam Sara e Grissom beijando-se, como se não houvesse mais ninguém naquele lugar.
Sara o soltou e saiu andando pelo corredor como se nada tivesse acontecido.
Grissom ficou surpreso e parado no mesmo lugar onde estava. O beijo e a atitude de Sara os pegaram de surpresa. Não conseguiu tomar qualquer atitude diante de tamanho ato.
Sara naquele momento encontrava-se sentada em um dos bancos que haviam em frente ao seu armário. Retirava seu nome de seu colete, uma das coisas que mais doíam era ter que ter tal atitude. Pensou em sua substituta e sabia seria uma ótima CSI, tão boa quanto ela. Resolveu então, fazer-lhe um carinho. Em seu colete, no lugar do seu nome resolveu escrever o que realmente desejava para ela naquele laboratório e naquela profissão. Escreveu então “Boa Sorte“.
Ainda ali, escreveu uma carta para Grissom. Seu amor, seu grande amor. Aquele era o momento de ir embora, mas não queria se despedir, nem dos outros CSI’s e muito menos de Grissom. Não suportaria tamanho sofrimento.
Passou pela recepção, deixou a carta direcionada a Grissom, e foi embora.
Grissom procurou por Sara por todo o laboratório, mas não a encontrou em lugar algum. Sabia que alguma coisa estava errada. A atitude de Sara não havia sido muito normal, não no laboratório.
Será que era uma despedida? Será que havia chegado a hora de Sara ir embora? Não! Não deixaria que isso acontecesse. A convenceria a ficar de qualquer jeito!
Passou pela recepção e perguntou a simpática recepcionista:
Grissom : Juddy, você viu a Sara ?
Juddy : Ela saiu a alguns minutos,e me pediu que lhe entregasse isso.
Grissom : Obrigado.
“Você sabe que te amo. Sinto que te amei desde sempre.
Ultimamente não tenho me sentido muito bem, para dizer a verdade, estou cansada.
No deserto, debaixo daquele carro naquela noite, percebi uma coisa e não consigo me livrar disso. Desde que meu pai morreu, passei quase toda minha vida com fantasmas. Temos sido como amigos próximos, e lá no deserto, percebi que é hora de enterrá-los. Não posso fazer isso aqui. Sinto muito. Não importa o quanto eu tente lutar contra isso, fico com o sentimento de que tenho que ir. Não sei para onde vou, mas sei que tenho que fazer isso.
Se não fizer, temo que me vá autodestruir, e pior, você vai estar lá para ver. Fique seguro. Saiba que tentei muito ficar. Saiba que você é único. Vou sentir saudades com todo o meu coração. Nossa vida juntos foi o único lar que realmente tive, e não trocaria por nada.
Eu te amo e vou sempre amar.
Adeus.”
O coração de Grissom estava despedaçado. Perdeu seu grande amor e não pôde se quer despedir-se. Sentiria muita falta de Sara, mas tinha que deixá-la ir, se isso a faria bem, tinha que deixar, por mais que lhe partisse o coração em pedaços. Se fosse para acontecer de ficarem juntos, um dia se reencontrariam para terminarem aquilo que começaram.
Uma coisa tinha certeza: Amaria Sara para sempre, e nunca mulher alguma roubaria seu lugar em seu coração, assim como homem algum roubaria seu lugar no coração de Sara.
Amavam-se como nunca haviam amado ninguém, e nem o tempo seria capaz de apagar aquele amor.
“Eu espero que você saiba, eu espero que você saiba
que isso não tem nada a ver com você
isso é pessoal, eu mesma e eu
nós temos que ajeitar algumas coisas
e eu sentirei sua falta como uma criança sente a falta do seu cobertor
mas eu tenho que seguir em frente com a minha vida
chegou a hora de ser uma garota crescida
e as garotas crescidas não choram
Não Choram,
Não Choram,
Não Choram!”
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