Notas iniciais
E aí vem a terceira poesia...

Sou
Reerguendo-me das minhas últimas quedas
Tentando resistir firme às próximas
Sempre penso que não sou o suficiente
A tristeza me corrompe quando estou fraca
Sempre tive medo de conseguir alguém
E depois perdê-lo para as minhas inseguranças
Perdê-lo porque nunca confiei o bastante
Perdê-lo porque nunca me permiti ser amada

Deitada em minha cama como uma renegada
Olhando-me no espelho e não me reconhecendo
Sempre imaginando que a verdade me derrotará
E que todos os meus sonhos cairão por terra
Avisto uma fagulha de medo e escuridão profunda
Meus olhos lacrimejam e meu corpo estremece
Como a árvore que perde as folhas no outono
E morre sob o forte e impiedoso frio do inverno
Sem nunca ter visto as luzes da primavera

É um longo caminho por entre galhos retorcidos
Sinto a lua iluminando os meus cabelos negros
Eu nunca quis tanto a minha liberdade de escolha
Mas meus pés nunca estiveram tão longe do chão
O que eu sou hoje com certeza não serei amanhã
Sou um ser infinito e com uma pele frágil e ferida
Não compreendo mais o que se passa aqui dentro
Porém não deixarei a insanidade tomar conta de novo

Eu sei que sou o suficiente, possível de ser amada
Não ousarei regressar ao meu pior estado de espírito
Não cairei outra vez de joelhos diante da minha dor
Não me deixarei ser escravizada pelos meus demônios
Eu sei que sou o suficiente, possível de ser amada
Não pisarei em armadilhas de espinhos pontiagudos
Não serei mais a vítima de uma guerra que não é minha
Não serei mais a melhor amiga da minha própria solidão

Eu escaparei do inferno que eu mesma inventei
Olharei no espelho e enxergarei uma garota bela
Escalarei as terríveis montanhas por mim mesma
E não chorarei por quem um dia deu risada de mim
Terei coragem o bastante para seguir até o final
Estarei de pé, expondo toda a força que guardei
Olharei no espelho e enxergarei outra garota

A garota que venceu.

Notas finais
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