Big Daddy
4 Capítulo 3
Notas iniciais

POV’s Lydia Martin
Meu estado ainda não era dos melhores, mas era grata por vivenciar essa situação. Foi muito mais difícil do que há três anos atrás quando me divorciei, me lembro de ter passado longos seis meses comendo batata frita e assistindo “O Diário de Bridget Jones” sem parar, eu fazia um rodizio entre o primeiro e o segundo. Decorei todas as falas e só então percebi que tinha que sair daquela foça.
Anos depois me encontro em semelhante estado. Bom, assisti Bridget Jones apenas duas vezes, o que é um avanço para uma antiga fã compulsiva, descobri que existem algumas dezenas de milhares de livros de autoajuda e que as músicas estão bem mais melancólicas do que antes. O que colaborou bastante para uma agradável e tranquila foça. Porém ela já havia ultrapassado o limite permitido para uma mulher independente e forte como eu.
Um mês era tempo demais para se sofrer por um homem. Tá, não se tratava de qualquer homem, Jackson era perfeito demais, lindo, gentil, engraçado, a May o adorava e eu... Qualé eu o amava. Mas o meu amor não foi levado em consideração quando de uma hora para outra ele decidiu que nosso relacionamento não nos levaria a lugar algum — eu discordava totalmente, tinha fé de que acabaríamos no altar e que dentro de alguns anos daríamos alguns irmãozinhos para a May — e estaríamos fazendo um bem para ambas as partes em pôr um fim ao nosso relacionamento. No momento minha vontade foi pular em seu pescoço e esganá-lo até a morte, mas minha educação me impediu. Lamentável!
Por fim, só me restou uma única opção: Sofrer, sofrer, sofrer e sofrer mais um pouquinho. Agora a minha fase de sofrimento se encerrava, eu precisava retomar o controle da minha vida. Ontem passei o dia inteiro no salão, renovei meu guarda roupas e resolvi me dedicar inteiramente a minha filhinha querida, claro, isso até descobrir um monte de folhas rabiscadas em seu caderno. Rascunhos de uma carta, enviada para o pai, contando tudo sobre o meu fora humilhante. Sentar e conversar não era o suficiente para mim, eu precisava me vingar.
A deixei terminantemente proibida de ver televisão, brincar com as bonecas ou sequer olhar na direção de qualquer doce. Como eu deveria imaginar ela soube dar o troco, ela se enfiou no porão e encontrou um rádio antigo de Stiles, junto com um amontoado de CD’s de rock. Ela não fazia a menor ideia do que era, mas resolveu coloca-los para tocar no último volume, trancada no seu quarto.
Era só o que me faltava, ter de lidar com uma roqueira de oito anos. Chop Suey é ótima, mas não 24hrs por dia.
— Mayte Martin Stilinski. — gritei pela terceira vez. May já estava conseguindo me tirar do sério, minha paciência era quase zero.
Fiz questão de mandá-la se aprontar três horas antes, pois eu finalmente iria até o meu emprego. Francamente, eu nem sabia se ainda tinha um. Torcia para que a Allison não resolvesse desfazer a sociedade comigo, essa era a minha segunda crise que me afastava por completo da empresa. Há seis anos unimos o nosso amor por casamentos e decidimos abrir uma loja totalmente especializada em artigos matrimoniais, no andar de cima funcionava a nossa acessória, onde organizávamos eventos matrimonias e afins.
Nas últimas semanas deixei Allison completamente sozinha, ela deveria estar me odiando. Além de ter que cuidar dos negócios, ainda estava organizando o seu próprio casamento. Não era justo fazer isso com a minha melhor amiga. Apesar do fiasco da minha vida conjugal, a minha cerimônia de casamento foi incrível graças a ela.
Eu já me preparava para subir aquela escada e trazer May pelos cabelos. Porém como adivinhando o destino cruel que lhe esperava, May apontou no topo da escada, ela deveria ter desenterrado aquelas roupas de algum velório em que fomos. Ela estava com um vestido negro, com um laço vinho na cintura e talvez tentando demostrar alguma rebeldia cortou as mangas que costumavam ser longas. Fiz questão de ignorar as botas marrons que usava, me recordava de que faziam parte de uma fantasia de cowboy do Halloween.
— O que é.... isso? — perguntei, pegando a minha bolsa, enquanto a observava se aproximar.
— Eu sou uma adolescente agora. Uma adolescente rock’n roll. — respondeu com descaso. Eu mereço!
— Está certo. Você é uma adolescente rock’n roll que ainda molha a cama. — suspirei a puxando pelo braço — Estamos muito atrasadas, Sra. Stilinski.
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— Tem certeza de que a deveria deixar comer tanto? — Allison olhava a cada cinco minutos na direção de May, provavelmente aquele ataque à mesa de doces a estava preocupando.
— Ela é sensata. Vai parar antes de explodir. — suspirei, dando mais um gole em meu suco de laranja. Tínhamos passado parte da manhã em nossa loja e agora perto das duas horas fomos até o restaurante de Melissa McCall. Como Allison e Scott juravam não ter filhos por um bom tempo, ela adotou May como sua neta. Como sempre acontecia, Melissa a convencia a parar de comer antes que começasse a passar mal.
— Pensei que estivesse bancando a boa mãe agora. — retrucou Allison, pedindo mais um pedaço de bolo de prestigio. Começava a suspeitar que ela é quem estava comendo demais.
— Eu tentei, mas que culpa eu tenho? Aquela anã me traiu! Agora o Stiles deve estar do outro lado do mundo, rindo da minha cara ao lado de alguma top model gostosona, enquanto eu estou aqui mais encalhada do que nunca. — desabafei, irritada. O fato de ser motivo de chacota para ele só me destruía ainda mais.
— O Stiles não é assim. Ele pode ter sido um canalha, mas jamais zombaria de você. — ela colocou a sua mão sobre a minha e deu um de seus sorriso ternos, na tentativa de me consolar.
— Allison, ele dormiu com a minha tia. Ela deve ser uns quinze anos mais velha que eu. Foi humilhação o bastante para essa vida e a próxima. — claro que a Allison tinha se esquecido do ocorrido, pois seu sorriso azedou na hora. Certo, nem ela podia me consolar quanto a isso.
— Já sei! Nós podemos sair. Ir a alguma festa, a Kira nos convidou para o Réveillon. Vai ser divertido, ela tem um monte de primos asiáticos gatos.
— Asiáticos gatos? Interessante. — dei um sorriso malicioso e desatamos a rir.
— Tio Scott! — gritou May do balcão e logo pulou de sua cadeira e correu para os braços de Scott, que acabara de entrar.
— Princesa! Que novo estilo é esse, hein? — questionou Scott após abraça-la, ele a fez rodopiar para examinar as “novas roupas” dela.
— Agora eu sou uma rebelde. — explicou ela convicta de suas palavras, eu apenas franzi as sobrancelhas. Sabia como acabar com aquilo rapidinho.
— Rebeldes não ganham casa da Barbie. — comentei.
— Espera! Eu vou ganhar uma casa da Barbie? — ela correu para mim e uniu as mãozinhas em suplica — Diz que sim, mamãe. Eu volto a ser uma boa menina.
— Vou pensar no seu caso.
— E como vão as minhas garotas prediletas? — McCall puxou uma cadeira e se juntou a nós, no momento em que sua mãe colocava sobre a mesa mais quatro pedaços de bolo. Allison atacou o seu instantaneamente.
— Se continuar nesse ritmo teremos de fazer uns ajustes no vestido. — ela me fuzilou com os olhos e Scott me olhou confuso. Mesmo com o passar dos anos ele permanecia tão lento quanto nos tempos de escola.
— Como assim? — ele realmente não sacou. Homens!
— E o Jackson? — disparou Allison, cortando totalmente o outro assunto. Ela era esperta, tenho que admitir. Eu me preparava para mentir quando:
— Nós o vimos, semana passada. Ele estava com a namorada chata, uma tal de Malia. Por acaso é a Malia Vadia que vocês viviam comentando? — disse May, ao comer seu bolo, na maior tranquilidade. Infelizmente eu havia me esquecido que ela prestava atenção em tudo o que eu falava, principalmente quando eu xingava alguém.
— Malia Vadia. — Scott repetiu — Allison!
— A culpa não é minha, todo mundo sabe que ela é uma mesmo. — ela se explicou e voltou a atenção para mim — Vocês se falaram? Por que não me contou isso antes?
— Foi horrível, Allison. Eu tentei escapar, mas ele me encontrou escondida com a May. O pior é que a Malia está simplesmente linda. — disse derrotada, logo a ira se acendeu em mim — Ainda tive que encarar aquele cínico do Jackson. Só tem um mês e ele já está com outra, o que aconteceu com a tal Brienne? Ele me disse que estava me deixando para ficar com ela. Com certeza já a chutou também. Isso sempre acontece comigo. Basta que eu comece a gostar de um cara para ele deixar de gostar de mim. — Allison abriu a boca para falar, mas eu estava decidida a despejar tudo de uma vez — Todo mundo se lembra de como foi com o Stiles. Eu o odiava, ele me amava. Vivia correndo atrás de mim, ele era perfeito. Contudo tudo veio abaixo no momento em que eu subi naquele altar e disse sim. Acho que deve ser algum castigo. Tenho quase trinta, vou acabar solteirona e com uma filha gorda.
— Mãe! — May se fez ofendida.
— Lydia, talvez devesse descansar um pouco. — aconselhou McCall, eu o encarei como se ele tivesse dito a coisa mais idiota do mundo.
— Não, eu preciso é socar a cara de alguém. — murmurei com furor.
Peguei minha bolsa e me levantei. Eu precisava de ar puro, espairecer um pouco. Caminhei até a porta, cabisbaixa. Quando de repente trombei em alguém, perdi o equilíbrio, mas ele me amparou, segurando-me em seus braços, levantei o rosto e o fitei.
— Você realmente estava com saudades. Mal cheguei e já está se jogando em cima de mim. — um conhecido sorriso zombeteiro surgiu nos finos lábios de Stiles. O empurrei o mais rápido possível.
— Tire suas patas de mim! — gritei — O que está fazendo aqui? Pensei que odiasse Beacon Hills.
— Eu não odeio Beacon Hills, mas você jurou que se eu pisasse aqui novamente eu perderia a vida. — explicou ele calmamente.
— Não tem mais medo da morte? — eu estava chocada ao vê-lo, já faziam anos desde que estivemos frente a frente. Ele não tinha mudado nada, estava exatamente como antes, vestindo-se e agindo como um adolescente, mesmo sendo um advogado de vinte e poucos anos. Me odiava por internamente o achar tão lindo.
— Ah, mas eu tenho. Porém, minha filha me chamou e eu tive de vir. — ele se ajoelhou e May correu até ele, enchendo seu rosto de beijos apressados.
— Não havia necessidade alguma de você vir. Estamos todos ótimos. — me virei para Scott e Allison que observavam tudo no mais absoluto silencio, mesmo depois do divórcio eles continuaram muito amigos do Stiles, então não podia contar com o apoio deles. Como minha única aliada estava agarrada a cintura dele, eu estava completamente sozinha nessa.
— Imagino. Soube do seu lamentável fora. Já era de se esperar que não daria certo, Jackson sempre foi completamente apaixonado por ele mesmo, você não tinha muitas chances — atacou ele. Stiles sabia como tocar na ferida de alguém.
— Sério? Pensei que estivesse ocupado demais bebendo tequila no peito de alguma prostituta espanhola. — O.k. Peguei pesado, a May está na minha frente com os olhos arregalados, só que ele pediu por isso.
— May, amorzinho. Vamos pegar alguns brigadeiros. — chamou Melissa, minha filha a ignorou e continuou inerte.
— Sim eu estava, mas de vez em quando eu tinha um tempinho livre e descobri sobre você e o Hale. — insinuou ele. Eu o conhecia sabia que não iria dizer nada de comprometedor, não ali, na frente de tantas pessoas, principalmente da nossa filha.
— O que têm o Hale? — joguei o cabelo pro lado e cruzei os braços.
— Você transou com Derek Hale. — ouvi um minuto de silêncio. Depois ouvi um “Merda! ” Vindo de trás de mim, podia jurar que foi dito pela Allison, May soltou o pai e caminhou até mim, puxou a barra da minha sala e perguntou:
— Mamãe, o que é transar? — eu não estava preparada para aquilo, não fazia a menor ideia de como explicar.
— Tem haver com tomar sorvete, querida. — explicou Stiles, da maneira mais ridícula possível.
— Então o tio Jackson já me chamou para transar. — anunciou ela inocentemente, vale lembrar que haviam outros clientes no restaurante que começavam a ficar no mínimo horrorizados com a cena que se passava ali.
— Não tem nada haver com sorvete. — tentei contornar a besteira de Stiles. May entortou a boca, pensativa.
— Vocês estão falando de sexo? — até aquele momento nos dois estávamos concentrados demais, nos odiando pelo olhar, mas a pergunta de May fez com que ambos a olhássemos abismados. A inocência da minha filha tinha ido para o ralo.
— Acho que você já ouviu demais, gatinha. Hora de ir embora. — Scott tomou a dianteira, pegou May no colo e saiu do restaurante. Alli parecia em conflito, sem saber se saia ou não. Por fim, optou por continuar a assistir à novela mexicana mesmo.
— E daí? Não lhe devo satisfações. Você não me dava satisfações sobre com quem dormia nem quando éramos casados.
— Fazer o quê? Você era cheia de não me toques. Em algum momento eu tinha que dormir com alguém.
— Não precisava ser com a minha tia. — retruquei, o empurrando para longe de mim. Eu começava a ficar tão furioso que começava a procurar uma faca para acabar logo com aquilo.
— Lá vem você fazendo a traída. Eu te traí. Chega. Podemos pôr uma pedra no assunto? — ele continuava a se aproximar de mim, me desafiando cada vez mais. Acho que ele se esqueceu do salto quinze que lhe atirei no tribunal.
— Melhor, podemos pôr uma pedra na sua cabeça. — não pensei duas vezes, aproveitei que estava perto da mesa e peguei um dos pratos com pedaço de bolo e joguei em seu rosto. Tive vontade de gargalhar, mas me contive, Allison não.
— Que droga, Lydia! — bufou ele, tentando limpar o rosto com um guardanapo — Sua corna furiosa!
— Eu não sei o que tinha na cabeça para me casar e até ter uma filha com você. — passei as mãos pelo cabelo, completamente desnorteada. Eu precisava me acalmar e encontrar logo a bendita faca.
— Nem vem. — ele levantou um dedo negando, dispensando a culpa, como sempre — Você que estava numa vibe hippie. Protestando contra os anticoncepcionais e blá, blá, blá. — ele mesmo se interrompeu para tentar tirar o chocolate do cabelo.
— Se bem me lembro, foi você quem inventou ter alergia a camisinha. Quem tem esse tipo de alergia? — ouvi alguns risinhos vindo dos demais clientes, Stiles enrubesceu.
— Eu não me lembro dessa parte. — negou, evasivo.
— Vai para o inferno! Não tenho por que ficar batendo boca com você, não temos relação alguma. — lhe dei as costas, decidida a finalmente ir embora.
— Claro que temos, querida. — ele riu, virei a cabeça e o encarei, o sorriso se ampliou — Houve um probleminha com o seu precioso Jackson. Eu sou o novo padrinho. Não, melhor, sou o seu par no evento do ano.
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