Big Bang
1 Prólogo
Notas iniciais

Minha família era do tipo tradicional. Tradicional (Ortodoxa) rígida o suficiente para me fazer ir à escola cobrindo meu cabelo e meu rosto. No judaísmo, após a primeira menstruação, nós garotas somos obrigadas a cobrir nosso cabelo e nosso rosto. Não era preciso que alguém nos visse e se encantasse por nós para ter a grande ideia de nos engravidar e nos desviar do foco. As leis do Messias que ainda não havia voltado.
Para os judeus, Jesus não tinha vindo ainda, e para outros do Cristianismo, sim, ele já havia vindo e viria novamente. Eu sou judia e acredito que ele já tenha vindo há anos e atrás. Nos dias de sábado nós, os judeus não trabalhamos. Meus pais são judeus. Eu sou judia pura.
No ano segundo da década de 2000, meus pais decidiram sair de Israel. Já que eu deveria fazer uma boa faculdade e me formar sendo um bom exemplo para outros da minha linhagem, e outros que estavam abaixo de mim. Minha inteligência me permitiu entrar para Harvard. Eu seria uma boa advogada. Pelo menos era o que meus pais achavam. Eu já tinha a minha maioridade e mesmo assim, meus pais foram comigo para Massachussetts.
Durante a semana, eu orava as três vezes ao dia e não comia carne de porco. Como era de costume. Os porcos eram considerados imundos, porquê foram habitados por demônios que foram expulsos do Gadareno. Acho que essa história todos já conhecem. Se não, leiam a bíblia.
No dia da prova para entrar para Harvard, eu orei durante a manhã e duas horas antes eu estava lá, pronta para ser entrevistada por pessoas que tinham conhecimento para tal.
Como esperado eu havia passado. Meu desejo era de ser reprovada, mas minhas qualidades não me permitiam. No meu ser, algo que eu não tinha e odiava era o aspecto do Ego, exibição. Cada um com suas qualidades e humildades correto? Eu não mentia, além de pecado era feio. Na semana seguinte eu começaria minhas aulas de Advocacia em Harvard. Passaria horas estudando e cinco anos depois eu voltaria para Israel/Jerusalém e me casaria com um judeu. Meus pais já haviam preparado tudo. Antecipadamente organizado.
Antes de eu ir para a América/USA, conheci a família Sabaku. Eles eram judeus super tradicionais também. O filho mais velho desta família, Kankurou estava casado e formado em administração, sua fábrica de brinquedos lucrava muito pela Ásia. A do meio,Temari, Também casada, era professora de Teologia. Talvez fosse interessante o fato de que os pais deles e meus pais terem se formado em física Quântica. E seu filho mais novo, Gaara, era dois anos mais velho do que eu e o ultimo ano da faculdade de engenharia química.
O que me admira entre meu povo, é que todos se esforçam para tudo o que vão fazer. O que não me surpreende eles serem bons e depois se gabarem por isso. Meus pais fizeram aliança com a família Sabaku. Eu me casaria com Gaara assim que voltasse dos Estados Unidos. Os pais que decidiam sobre os casamentos das filhas na tradição, e ai da filha que questionasse. Eu deveria obedecer e agradar meus pais e a Hashem¹ e ter uma vida boa, exemplar e luxuosa. Sem vaidade.
Eu conheci Gaara. Ele até que era legal e parecia mesmo gostar de mim. Conheci ele em dois mil e minha mãe me obrigava conversar com ele por telefone todos os dias.
Na semana que entrei pra faculdade, achei meio vergonhoso Andar tão coberta enquanto as outras mulheres exuberavam beleza.
Fui repreendida por isso. Meu pai disse que eu deveria me acostumar e que assim era a vida, a nossa e a minha vida. Onde eu viveria por mais cinco anos num mundo onde eu jamais poderia tocar. O primeiro dia de aula fora legal. Em seu segundo tempo do dia, eu conheci uma professora de psicologia. Só tinha um problema com aquela mulher.
Ela era atéia.
Ela me encarava de maneira estranha, como se eu fosse inferior por cobrir meu rosto e cabelo. Seu semblante era sério e dava um pouco de medo. Logo eu sabia que toda aquela insegurança passaria. Afinal era só o primeiro dia. Típico primeiro dia de aula.
Ela pediu que formássemos duplas e escrevessemos uma redação sobre como achávamos que era a psicologia. Ela corrigiria e depois explicaria sobre a verdadeira psicologia. Todas as suas aulas seriam esquematizadas. Segundo ela, a redação era necessária para que ela soubesse desde qual ponto trabalhar conosco.
Eu fiz uma dupla com um garoto que a mesma havia escolhido. Seus olhos eram negros. Negros como a noite. E seu sorriso majestoso. Os cabelos bagunçados ressaltavam sua pela branca e seus olhos entravam em contraste.
Eu era detalhista. Eu olharia, analisaria, porém, não tocaria. Seu nome era Uchiha Sasuke, e ele era católico. O resto da aula foi passando e ele foi se mostrando um homem legal. Entregamos nossa redação e na hora do Break ele foi comigo até a biblioteca. Pegamos alguns livros e voltamos para o pátio.
Ele queria que eu ficasse com os amigos dele, mas pelo problema eu não poderia ficar. Eles eram católicos, espiritas e umbandistas. Meu pai me pediu para que não ficasse muito perto deles, porque eles não me aceitariam. Contudo, eu obedeci.
O fato era que aquelas pessoas não compactuavam do mesmo conhecimento que eu e já achavam estranho uma mulher na faculdade andar como uma beata ou freira. Assim ninguém chegaria perto de mim. "Eu queria estar lá". Os amigos dele pareciam ser bem legais, entretanto o empecilho novamente estava presente.
Na hora de voltar para casa, entrei no carro e meu pai de pronto me perguntou,"Quem era o garoto moreno que você conversava?" eu respondi que era colega de turma e que discutiamos sobre a próxima aula com a professora Kurenai.
Mais uma vez meu pai me alertou para que eu tivesse cuidado. Assenti que sim. Como se eu fosse desprovida de sabedoria suficiente para cair em pecado. Durante a noite, após minha oração, me deitei para dormir e me lembrei daquele sorriso. Pedi para que Deus me perdoasse por pensar algo como aquilo estando compromissada com Gaara e dormi.
Segundo a torá², se você estivesse em compromisso e pensasse em outro alguém, ainda sim você estaria pecando. Eu não fazia ideia de como a minha noite seria conturbada, e muito menos minhas próximas noites dos primeiros dois meses. E nem dali pra frente.
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