Bifurcados - O Apocalipse Zumbi
17 Os Outros, Para Trás, Ficarão - Parte II
Notas iniciais
http://www.kboing.com.br/radio-show/playlists/1847828/760373/
Quero agradecer muito a Caarol Campos que revisou esse capítulo e me deu várias ideias para continua-lo. Quem estiver querendo ler uma ótima história de zumbis posso dizer que a dela é demais, mesmo lendo apenas alguns capítulos.
http://fanfiction.com.br/historia/164702/Undead_Revolution/
Espero que gostem!
Bifurcados — O Apocalipse Zumbi
Capítulo quatorze — Os Outros, Para Trás, Ficarão
Parte II
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E foi naquele momento em que entraram no carro. Heitor sujou completamente o banco de couro branco com todo o barro de suas roupas e seus olhos estavam desesperados. Deixara Leila para trás. O rosto pálido da mulher alertava em sua mente a cada minuto que se passava. Foi a primeira morte que presenciara ao vivo. A morte de seus pais foi abafada por todos seus familiares. De uma hora para outra eles desapareceram. O garoto confuso mudou-se para a casa de seus tios e teve que calar-se com todas as perguntas que vinham em sua mente. Isso o fez acostumar-se com seu estilo de vida quieto. Entendia que mortes aconteciam, mas a de Leila fora uma exceção. Os olhos ardentes que pediam por ajuda faziam pensamentos horrorosos pulsarem em sua mente como fogos de artifício em dia de ano novo.
Seus músculos cansados agitavam-se incontrolavelmente e seu peitoral pesava com a respiração forte. Clarissa estava assustada com suas grossas sobrancelhas arqueadas e boca entreaberta. Não falou nada, mas pensou. Pensou muito. Talvez Heitor poderia ter se apaixonado por Leila. Compreenderia totalmente mesmo com todas as brigas que ocorreram.
A rodovia estava interditada para continuar a rota. Heitor deu partida no carro enquanto vários zumbis mostravam-se pela floresta grunhindo nojentamente. Acelerou o carro.
— Vamos voltar para São Paulo? — Clarissa balbucia apertando suas mãos nas coxas enquanto percebe o carro dando uma volta em si mesmo.
— Não era meu plano... Ou melhor, nosso. — Heitor diz tentando segurar seus olhos traumatizados e pesados do sono — Mas vamos ter que voltar para cidade. Conheço outra saída. Vamos ter que atravessar São Paulo.
Clarissa concorda com a cabeça, molha os lábios, e faz Heitor parar ainda no meio da rodovia.
— Você precisa dormir. Está cansado. Eu dirijo. Sei dirigir.
Heitor fita seus olhos escuros e antes de pensar freia o carro. Em um momento de adrenalina abre a porta do carro e dá a volta no automóvel. Clarissa encontra-se com ele na frente do carro e rapidamente abraça-o forte. Sujou-se com a terra da roupa, mas não se importou. O elo foi recebido com mãos fracas em suas costas compridas..
Clarissa entrou no carro confiante. Colocou o cinto e ligou o motor, partindo para a cidade.
— Onde aprendeu a dirigir? — Heitor pergunta descansando seus olhos, ajeitando-se no assento.
— Com meu pai. — ela engoliu a seco — Em um dia que estávamos na fazenda. Não tínhamos nada o que fazer, então ele me ensinou a dirigir... Ou talvez porque enchi o saco dele tanto que foi a única alternativa me ensinar. Aprendi com um carro grande, com marchas. Bem diferente do seu. Mas sem dúvidas esse é mais confortável.
— Achava que você não dirigia... Talvez por causa da sua idade, ou algo assim. — Heitor fecha completamente seus olhos, mas com ouvidos atentos.
— Dirigi poucas vezes. Meu pai estava prestes a me dar um carro no próximo aniversário. Acho que não vou ganhar... — Clarissa ri para si mesma com um triste toque de melancólica por trás das palavras.
O silêncio agoniza o carro. Em um momento fugaz os dedos ágeis de Clarissa ligam o rádio. Tenta sintonizar em alguma freqüência, mas o chiado é tudo que permanece. Quando passa a mão novamente no botão rodando-o lentamente, uma rádio é sintonizada. Uma voz máscula é tudo o que permanece.
“... Havendo algum sobrevivente...” “Procurar imediatamen...” “...cito brasileiro. As bases estão localizadas em todos os arredores da cidade e...” “O Brasil está de quarentena”
Heitor e Clarissa se entreolham confusos. Clarissa freia. Tentam mudar de rádio, mas o mesmo anúncio em duas ou três falam o mesmo.
A menina arregala os olhos melancolicamente. Queria que nada disso estivesse acontecendo. Heitor interrompe seus pensamentos.
— Não podemos seguir o exército. Se estiverem de quarentena é porque não vão nos deixar passar. E provavelmente vão nos matar. — Heitor diz engolindo a seco.
Clarissa fita a estrada e a cidade de São Paulo cresce a cada minuto em suas vistas. A chuva cessara.
— Então como vamos fazer para ir para Minas? — Ela engole a seco.
— Várias rodovias saem da cidade. Acho que o exército só deve estar em algumas... No máximo duas.
— E se formos pela rodovia errada? — Clarissa pergunta fitando seus olhos densos.
— A sorte não estaria ao nosso favor.
Notas finais
"A loja parecia um perfeito refúgio de qualquer medroso do apocalipse. Revólveres, carabinas, pistolas, rifles, flechas. Cimitarras, montantes e katanas. Tudo as suas disposições. Agora não seria os humanos que correriam dos zumbis. Era os errantes que correriam deles."
Até o próximo. :)
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