Bifurcados - O Apocalipse Zumbi
13 O Homem é o Lobo do próprio Homem
Notas iniciais
Boa leitura =)
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Bifurcados — O Apocalipse Zumbi
Capítulo onze — O Homem é o Lobo do Próprio Homem
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Os primeiros raios da manhã que adentravam na sala fizeram Clarissa abrir seus olhos escuros piscando seus longos cílios. Ajeitou-se no sofá e lembrou-se do grande machucado de sua perna: A ferida doía nas extremidades e podia sentir por seus receptores cada dente da arcada dentária do lobo. Ao seu lado, sentado no chão, Heitor cuidava com carinho da vítima do ataque.
— Bom dia Clarissa.
— Bom dia. Que horas são? — Clarissa disse bocejando alto.
— Aprendi que as horas não mais se passam. Ainda é de manhã.
— Onde estamos? Não me lembro de ter chegado aqui. Só da mordida.
— Uma mulher que se chama Leila deixou a gente ficar aqui até você melhorar. Depois continuamos nossa viagem.
— Como vamos continuar se a rodovia está interrompida?
— Nós vamos dar um jeito. Não se preocupe. — Heitor sorriu de lado mostrando o cansaço em sua face. — Está com sede?
— Um pouco...
Heitor levanta-se rapidamente e uma garrafa de água leva a sua boca lentamente, deixando as gotas refrescantes cair vagarosamente em sua garganta.
— Obrigada. Será que posso me sentar?
— Acho que sim. — ele levanta-se novamente — Mas deixe sua perna apoiada nessa cadeira. Tente não dobrá-la, talvez seja melhor. Os analgésicos já fizeram efeito?
— Um pouco. Está bem menos dolorido do que ontem.
— Ótimo.
O silêncio invadiu o ambiente por alguns segundos.
— E onde está a dona da casa? Leila, não?
— Isso. Ela foi caçar. Pelo jeito é um hobby.
— Por que não foi junto? — Ela disse ajeitando seus cabelos bagunçados.
— Precisava cuidar de você.
Clarissa sorri sem jeito e deixa ser levada pelos olhos azuis metálicos de Heitor. Seus cabelos escuros estavam desgrenhados caindo em sua face e seus traços fortes másculos davam-no um ar de mais velho. A barba que crescia ao redor de sua face parecia uma leve camada de grama em um campo de pele branca. O corpo era simples apesar dos ombros bem estruturados por prováveis anos de natação e seus dedos compridos apoiaram seu corpo e levantou-se.
— Vou um pouco ali fora. Se precisar de algo me avisa.
— Sem problemas... Pode me fazer um favor?
— Claro.
— Abra as cortinas dessa janela? Preciso tomar um sol, estou me sentindo um pouco tonta.
Heitor abriu-as e a clarão invadiu toda a casa de madeira. As velas, já apagadas, espalhavam-se por toda a casa e o cheiro ainda acariciava as narinas. Antes mesmo de Heitor abrir a porta, uma força do lado de fora empurrou. Era Leila e sua carcaça. Antecedentemente de entrar na casa tirou-a.
— Arranjei comida. Algumas frutas e matei um... — quando Leila (que parecia animada com sua caça) vê Clarissa sua face sorridente desaba em poucos segundos.
— Leila, essa é Clarissa. Sei que não teve tempo de vocês se conhecerem, mas... Estamos agradecidos de qualquer forma.
De uma forma nojenta, Leila fita a menina sentada no sofá dos pés à cabeça.
— Muito obrigada mesmo. Sem você provavelmente estaria morta.
— Que pena... — Leila disse a si mesma em um tom de nojo. — Não precisa agradecer. Seu vizinho já me agradeceu o suficiente. — ela pegou na mão gelada do homem e continuou — Vamos Heitor, preciso de sua ajuda para assar o cervo que matei.
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O aromático cheiro do pedaço da carne atraia algum dos lobos submissos a Leila, mas em segundos ela os espantava com olhares sedentos de morte. Enquanto o fogo acariciava a carne o silêncio agonizava entre trocas de olhares. Rapidamente a parte do cervo fica pronta e com uma das facas (ainda limpas) de Heitor é cortada de ponta a ponta. Comem sentados na grama. O gosto delicioso faziam-nos lamber os beiços.
— Vou levar um pedaço para Clarissa. Talvez ela goste.
Leila revirou os olhos.
Em um prato algumas tiras finas da carne Heitor levou para a menina. Ela saboreou cada pedaço lentamente sendo assistida por ele.
— Muito obrigada mesmo... Estava uma delicia.
Enquanto Heitor fitava os olhos escuros de Clarissa, um grito foi solto por Leila.
“Heitor! Heitor! Venha! Rápido!”
Um arrepio atravessou suas costas e a descarga de adrenalina fez o corpo correr mais do que a mente podia imaginar.
— Meu Deus, o que aconteceu?
— Olha lá! — Leila apontava para o céu em direção a um Helicóptero com tons esverdeados do Exército Brasileiro. Ela gritava em desespero abanando as mãos em sentido frenético tentando arrumar a salvação para um lugar melhor. Heitor repetiu o movimento algumas vezes, mas a tentativa fora em vão. Ele continuou seu trajeto em direção a cidade de São Paulo. Leila chorou caindo de joelhos no chão e Heitor abraçou-a envolvendo compaixão no elo que proporcionava.
— Porque os gritos?! — Clarissa apóia-se na porta de pé com traços de dor na face.
— Clarissa! — Heitor solta Leila em um momento de pensamento rápido e vai em direção a ela. Agarra a menina em seu colo e leva-a para dentro da casa— Eu disse para não sair do sofá! Você pode se machucar! — Ele pousa-a deitando seu corpo no assento o que tem uma leve cor avermelhada de vergonha.
— Desculpa. Estava curiosa para saber o porque do grito. — Clarissa diz de um jeito ingênuo e molha seus lábios. Olha para os olhos azuis de Heitor e com carinho trocam olhares flamejantes. Em um momento de confusão os lábios do casal grudam-se. Movimentos lentos enquanto as mãos longas de Heitor acariciavam sua nuca.
Leila viu tudo e sentiu-se rejeitada. E os traços de bipolaridade tornavam-se cada vez mais aparente na menina-mulher-lobo.
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