Notas iniciais
Mais um capítulo! Espero que gostem. Novamente quem betou ele para mim foi a Carol Campos! Obrigado! :)
Recomendo nesse capítulo ouvir "Graveyard" da ótima Feist. Espero que gostem e Boa leitura =)
http://www.kboing.com.br/radio-show/playlists/1847828/760373/

Bifurcados — O Apocalipse Zumbi

Capítulo Dezesseis– "Hodiernos"

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Clarissa e Heitor estavam assustados. O homem jovem novamente repetiu, gritando em meio ao absurdo silêncio que o depósito proporcionava.

— Quem diabos são vocês, porra?!

Em um momento fugaz Heitor agarra Clarissa pelo braço e tenta correr do homem e sua arma. Nos primeiros passos da fuga mal sucedida são recebidos por tiros no ar. O alto barulho fez seus ouvidos fraquejarem e seus olhos terem apenas a visão de um grande e branco veludo. Estavam confusos.

— André?! — uma voz feminina aproxima-se da silhueta do atirador — Quem você matou André? — sua voz transforma-se em desespero — Apenas zumbis, não? André! Me responda! — a menina solta alguns gemidos de pena para as possíveis vítimas.

— Porra, Ana! Porra! Mandei ficar lá dentro cuidando do Paulo!

O homem olha furiosamente para a menina enquanto continua a observar o casal a correr pelo segundo andar do galpão.

— Parem de correr ou eu atiro! — os dois entreolham-se amedrontados. Seus corpos se estabilizam em um curto período de tempo. — É muito difícil responder quem são vocês?

O jovem cospe cada palavra e coloca os dedos no gatilho.

— Calma! — Heitor grita em bom tom enquanto Clarissa esconde-se atrás do forte tronco do vizinho. — O que você quer saber? Nossos nomes?

Ele assenta com a cabeça.

— Heitor — ele coloca a mão no peito apontando para si mesmo — e Clarissa.

— Por que estão aqui?

— Nós estávamos com fome... Paramos e enchemos nossas mochilas. — Heitor tira mala de seus ombros e joga-a no chão, chutando-a em direção a André. — Desculpe-nos! Não sabíamos que o mercado já estava ocupado... Podem ficar com tudo. Clarissa — ele chama-a — de sua mochila.

— Esse não é o problema. — André chuta a mochila de volta a sua origem — O problema é porque vocês estão no depósito? Como entraram aqui? E por que? Por que não roubaram o suficiente e foram embora?!

— Nosso plano era esse, Cara! — Heitor se explica — Íamos pegar o que precisávamos e íamos embora... Mas quando passamos pela porta o alarme de roubo começou a tocar! Corremos para o carro, mas... Antes de chegarmos às ruas foram tomadas... Tinham vári...

— Deles?! Deles quem? Zumbis? Como assim, quantos deles? — André desespera-se em um momento prófugo.

— Muitos.

— Puta que o pariu! — ele dá uma volta em si mesmo com o nervosismo a flor da pele — Fecharam a porta pelo menos?!

— Fechamos... — Clarissa responde fitando o chão timidamente.

André adentra ao escritório e fecha a porta quase quebrando as trancas por causa da forte batida. Um murmurinho alto entre ele, a garota e provavelmente mais um menino causavam arrepios nos ouvidos dos intrusos. As silhuetas das sombras eram transparecidas pelas persianas da janela da sala.

Heitor envolvia Clarissa em seus braços. A segurança era proporcionada pelo seu elo enquanto os barulhos de grunhidos de fora do mercado eram escutados facilmente no depósito.

A porta abre-se em um impulso raivoso. André ainda segura o rifle na mão e a menina acompanha-o. Ela veste shorts jeans curtíssimos, regata preta com alguns rasgos (propositais) e seus cabelos são castanhos. Contrastam inevitavelmente com toda a cor loira das pontas dos fios.

Passam reto pelo casal. Vão até um canto do segundo andar do galpão, mexem em algumas caixas de luz e após alguns segundos toda a pouca iluminação que possuíam desaparece. Tudo está uma penumbra.

Com pensamentos perturbados Heitor pensa que vão aniquilá-los. Mas não.

Sente passando novamente em seu lado, mas agora os chamam para entrar no escritório. Sem pensar duas vezes, seguem o casal. Todo o cômodo é iluminado por velas com intensidade baixa. O escritório parecia um refúgio de qualquer medroso do apocalipse. Revólveres, carabinas, pistolas, rifles, flechas. Cimitarras, montantes e katanas. Tudo as suas disposições.

Heitor assusta-se de primeiro momento olhando para todas as munições, mas a atenção é retirada por gemidos de dor. André tranca a porta.

— O que aconteceu? — Clarissa pergunta aproximando-se do jovem garoto que respira fortemente deitado em cima da mesa. Seus cabelos castanhos estão desgrenhados, seu rosto está doentio e suas mãos contraídas tentando evitar a dor.

— Ele foi mordido... — A garota que antes acompanhava André levanta o shorts jeans do menino mostrando uma enorme e repugnante mordida em sua coxa direita. Toda a coloração do menino tinha um tom azulado. Seu corpo necrosava lentamente de acordo com a velocidade do vírus. — Qual é o seu nome?

— Clarissa. — ela encosta a mão na coxa do garoto — Heitor, me dá minha mochila.

Ela tira um frasco de álcool de um dos bolsos frontais e deixa a tampa levemente entreaberta. As gotas queimam a ferida fazendo o menino gritar de dor.

— Clarissa! Para! — Ana gritou enquanto olhava o sofrimento do namorado, Paulo.

— Também fui mordida. Não por um deles, mas por um lobo... Jogaram álcool em minha perna. — Ela apontou para o ferimento praticamente cicatrizado — Melhorou.

— E se amputássemos a perna? — Heitor diz com esperança.

— Ele não ia aguentar. Temos que esperar. Ele vai melhorar — André cospe lambendo seus lábios carnudos.

Uma voz masculina roca sai de trás de uma das prateleiras recheados com munições. Um menino jovem com olhos azuis hipnotizantes e cabelos castanhos da mesma tonalidade do jovem na mesa move-se lentamente fitando todos no cômodo.

— Você e André parecem que não entendem, não? — diz direcionando a palavra para Ana — Eu disse que ele vai se transformar. Quando eu disse que vi todos eles com mordidas vocês não acreditaram. Paulo vai se transformar! Meu irmão vai! Como não se tocam disso?! — Tenta engolir seu pranto.

Ana carinhosamente vai sem sua direção abraçando o cunhado densamente. Ela envolve-se em lágrimas também.

— Eu também vi que todos possuem mordidas. E os que não, sempre tem algum arranhão ou algo assim. — Heitor reprova a afirmação de Clarissa com o olhar. — Desculpa... — a menina sussurra baixo para o vizinho.

O garoto em cima da mesa contorce-se a cada minuto que passa. Após mais alguns, ele começa a delirar. Em outro minuto gema avisando que perdeu a visão. Desmaia.

Um cheiro fétido de carne podre começa a envolver a sala. Seu irmão desespera-se e as lágrimas encharcam seu rosto. Clarissa torce as sobrancelhas com uma preocupação clara em sua face a cada segundo que passa.

O silêncio agoniza. Após trinta e quatro minutos de choro e melancolia o garoto acorda. Seus olhos eram completamente brancos e o tom azulado permanecia em seu rosto. Antes de levantar-se embebeda sua boca no mais vermelho dos sangues saído da profundidade de seu estômago já podre. Solta um grunhindo estável quando se levanta.

Henrique arranca uma faca graúda da parede e decapita seu pescoço enquanto todos se entreolham apavorados. O surto arranjou novas e terríveis proporções.


Notas finais
E ai, gostaram? Por favor comentem! Me ajuda um monte.
Ah, e outra coisa... Querem ganhar a cabeça do Paulo? Hahaha. Isso mesmo, sortearei um paper toy. Posto as regras ainda hoje. Até o próximo!