Biblic New Age -- A contradição da virgem.

1 Capítulo 1 - Minha vizinha macumbeira safada


Bem, como eu digo? Era uma vez? Em uma linda manhã? Sinceramente, prefiro o básico, algo como, olá meu nome é Miquelangelo, tenho dezessete anos, e possuo um nome bem esquisito pra se colocar em um filho, mas creio que meus pais tenham seus motivos pra isso, eu realmente espero que tenham. Eu acordo de tarde e a primeira coisa que faço é abrir as cortinas do meu quarto, ele fica no segundo andar, então dá uma vista privilegiada pra lata de lixo do vizinho, uns garotos juram que já acharam corpos humanos lá dentro, mas quando foram ver eram bonecas... Eu realmente não entendo essa vizinhança. O dia tava agradável, pelo menos para alguém como eu que acorda às três da tarde, mas isso é só detalhe. Eu desço as escadas e já sinto o cheirinho de sempre, feijão, arroz, mas de diferente tinha um omelete com pedaços de queijo e presunto, pelo menos algo diferente salvava meu almoço, ótimo! Como comida não se faz sozinha quem tava preparando ela era minha mãe, uma mulher alta, cabelos castanhos claros e olhos da mesma cor, pele bem cuidada e caucasiana, seu nome é Evandra, mas todos a chamavam de “Eva’’. Meu pai não estava em casa no momento, ele ensinava teologia em uma faculdade e só voltava às cinco da tarde, daqui a aproximadamente duas horas. Ele se chama Aidan, sua pele era mais puxada para a cor parda, forte e alto, não parecia ter trinta e oito anos.

Minha família em si é cristã, mas meu pai, ao menos pelo que ambos me dizem, já foi casado com uma bruxa que mora ao lado da minha casa, bruxa pelo que eles dizem, mas não creio muito, prefiro falar macumbeira mesmo. Essa minha exótica vizinha se chama Liliam, é ela que é o alvo de toda vizinhança, para ter uma ideia, ela é uma loira fatal, isso realmente é o que me deixa em dúvida sobre ela estar num segundo casamento, ser macumbeira, ter um filho grandalhão de dezesseis anos e ela mesma estar num corpinho de uns vinte há vinte e três... Meu pai não fala muito sobre ela, mas já deixou escapar algo sobre ser uma verdadeira prostituta, se ela é ou era, ta explicado do porquê ser tão bonita tendo feito o que ao meu ver é várias coisas.

Sobre essa minha vizinha, tenho que dizer que é sobre ela que falavam quando diziam algo sobre corpos humanos na lata de lixo, dizem que ela é uma bruxa tão ‘’das braba’’ que se ela te olhar torto um desastre acontece no dia seguinte, ela pode ser a loira bonita que for, mas acho que se isso é verdade, até eu quero me manter longe da vista dela, pode me ignorar, sério... Eu nem ligo!

Quanto ao marido dela, Samael, ele sempre está com um semblante sério, ele tem um olhar de quem mataria muito mais do que uma mosca. Seu ‘’filhozinho’’ não ficava longe, o garoto tem dezesseis anos com uma altura de um metro e noventa, ele é tipo um gigante chato pra caçamba que me perturbava na escola, e eu apanhava pra um garoto um ano mais novo que eu, grande homem eu sou!

Enquanto saboreava meu arroz e feijão de todo dia, eu penso um pouco sobre como está sendo esse um ano de férias e digo ‘’Mãe, eu tava pensando, eu já passei adiantado na escola, esse ano inteiro eu to livre pra cursos e tudo mais, por que tenho que aprender teologia?’’, minha mãe colocava o omelete no prato e vacilou por uns segundos em me responder, ele pareceu dar um suspiro e disse ‘’Você sabe como ele é, talvez um dia seja importante, você é tão inteligente, tão talentoso ----‘’ Ela ia continuar, mas eu tive que interromper ‘’ Mas ainda não entendo, o que aprender história da bíblia vai me ajudar?’’, ela me olhou por uns instantes, depois de uns anos eu entendia que aquele era o olhar estilo, ‘’esse assunto acabou aqui’’, então eu calava minha boca e a enchia de arroz e feijão.

Imagina um ano inteiro de férias? Ótimo, porque eu to assim mesmo, estamos em abril e meus pais dizem que irão me colocar na faculdade quando eu tiver dezoito certinho, esse ano é bom para fazer cursos e me especializar, mas todos dia tenho aulas que já cansei de ver com meu pai sobre Deus e seus milagres, blá blá blá. Qual a necessidade disso pra quem quer ser detetive? Sim, meu sonho é ser detetive, descobrir as coisas, quando se passa uma vida inteira com pessoa te impondo algo sem você saber o porquê, é o sonho de qualquer um!

Após minha refeição, eu lavava meu prato, minha mãe dizia que não era empregada, fazer o que né... Eu olhei pela janela da vizinha, e Liliam varria o chão de sua calçada olhando fixamente para mim, não sei o que dizer, seu olhar sempre foi diferente, eu desviava meu olhar e tudo mais, para não acontecer aquelas paradas de tragédia, mas é quase impossível, ela te olha como uma pessoa que é capaz de ver até sua alma, eu chegava a ter medo do que ela podia ver olhando nos meus olhos, é como se alguém nem acessasse seu computador e soubesse o que tava no histórico de navegação, é tipo muito bizarro e dá muito medo. Mas ela era linda, tipo muito linda mesmo, pense nas duas cantoras que você mais gosta, junta, multiplica por dez e não chega aos pés de Liliam, algo me dizia que essa mulher seduziria até o capeta.

Eu saia de frente da janela atordoado, colocava outra roupa, um tênis e saia pra uma caminhada, não sei o que ocorreu nessa hora, eu olhei para trás e tive uma estranha sensação, como se fosse a ultima vez que veria as coisas da mesma maneira.

Eu olhava para o meu relógio de pulso e vi à hora certinha, exatamente quatro e meia da tarde. Comecei a correr rumo ao bosque, em uns dez minutos o céu nublava e cada vez menos pessoas ficavam nas ruas, em cidade pequena é assim mesmo, o povo é feito de açúcar, se der sinal de chuva todo mundo some. Geralmente eu corria olhando sempre o que tava a minha frente, mas em um certo momento juro ter ouvido meu nome e olhado para minha direita, de repente dou de cara com alguma espécie de muro, eu caio no chão de forma bruta que chego a ficar zonzo, olho para o que estava a minha frente e vejo duas formas humanóides que vão se juntando até resultar no meu amigável vizinho grandalhão, como aquela praga parou na minha frente tão rápido? Não tive tempo pra pensar ou xingar antes que ele me pegasse pela gola da camisa e dissesse com um bafo do cão ‘’ Eaí menininha, se divertindo correndo lerdamente deste jeito?’’, ‘’Não sei, se seu bafo não tivesse deixando o ar denso, eu correria mais rápido, porém, nesta vida não temos tudo que queremos né?’’ Tudo bem, em outra situação minha cabeça estaria dentro de um vaso sanitário, mas eu ficava feliz, porquê não tinha nenhum vaso por perto. Seus olhos fixaram nos meus, seu rosto vermelho de raiva com minha resposta foi só a ultima coisa que eu vi dele antes do mesmo fazer um impulso com os braços que me empurrava pra longe, novamente de cabeça no chão, acho que nem um remédio de dor de cabeça do tamanho de uma pizza resolveria meu problema, mas uma pizza talvez...

A única coisa que eu vejo no meu estado atual, é um vulto gigantesco vindo à meu encontro, eu certamente estou muito maluco, pois não parecia o mesmo gigante bobo e fedorento, quanto mais essa silhueta se aproximava, mais quente ficava, eu sentia um cheiro suave que ao inspirá-lo mais forte pareceu entrar na minha mente, me lembrou as aulas de química quando vimos os cheiros de compostos e elementos como enxofre, acima de sua cabeça havia duas estacas curvadas para traseira e dando uma volta parando suas pontas nos ombros, diria na verdade que eram chifres... Não só minha visão estava ruim, como meus ouvidos estavam igualmente horríveis, a ponto de ouvir uma voz grossa me xingando de algum nome aí que me esqueci em um segundo, e quando eu achava que tava cada vez se normalizando eu ouço uma voz diferente ‘’Nefi... afas...se se nã... to... Mi...’’ obviamente não entendi nada, estava tão perturbado que as palavras pareciam fazer pausas, então vi a figura a minha frente ser afastada de mim por algo que chegava perto dela, se moldava no ar e a empurrava para longe, fora do meu campo de visão, esta coisa parecia água ou qualquer outra coisa semelhante em movimento, mas pelo empurrão devia ser forte e bem sólido, depois disso a minha visão escurecia, e eu fui apagando até desmaiar.

Fui abrindo os olhos bem devagar, embora sentisse que sinos grandes e barulhentos de uma igreja batessem na minha cabeça, ‘’berrando e berrando’’ sem parar. Pelo menos minha visão estava boa, eu só tinha dúvidas sobre minha audição, até uma voz doce e familiar me dizer ‘’Relaxe, filho’’ sim, esta era a voz da minha mãe, sem superficialidades, tudo o que ela dizia parecia vir de dentro dela, como se tudo estivesse próximo ao seu coração e ela atingisse o coração de todos com suas palavras.

Atrás dela eu via meu pai, ele estava sem camisa, forte e com pelos no corpo, o digno ‘’machão’’ da antiguidade, ele estava com um semblante preocupado e cansado, como se tivesse sido apanhado por um elefante. Seus olhos mantinham a mesma serenidade, ele me fitava e dizia em forte e grave tom ‘’Está se sentindo melhor? Temos que ir embora filho’’ ‘’Eva, você sabe o que esse sério ataque significou, não sabe? Eles não se importam mais, eles---‘’ interrompido rapidamente antes de terminar a frase, minha mãe o dizia ‘’Amor, vamos terminar essa conversa em outro lugar, Miquelangelo, tente arrumar algumas roupas pra viagem’’, ‘’Mas como? assim do nada?’’ eu não entendo o porquê disso, é a mesma coisa de sempre, o valentão ao lado tirou uma onda com a minha cara. ‘’Sem perguntas meu amor --- Dizia ela colocando uma mecha de cabelo para trás de sua orelha --- apenas faça o que pedi, meu anjo. Adão, vem comigo’’ ela o puxava pelo braço e saiam do meu campo de audição e visão, certamente devem ter ido conversar na sala ou um local afastado para que eu não ouça, difícil entender o porquê, mas eu não ouvir suas conversas parecia ser a preocupação inicial de ambos, eu após pensar isto limpava meus ouvidos, acho que ainda estou atordoado pelo acontecimento, minha mãe chama meu pai por outro nome, mas como o nome é parecido, não dou muita importância, Adão é um nome aceitável, mas estranho se chamam tua mãe de Eva.

Eu fiz o que minha mãe pediu, peguei tudo que achei ter importância para uma viagem de pouco tempo. Quando dei por mim, foi mais rápido do que imaginei, se fosse minha mãe ia levar a casa dentro da mala... Acho que se ela pudesse, ela realmente faria, tirando levar consigo a infiltração no porão, isso ela ta doida pra se livrar, mas não acha pedreiro que trabalhe, então o jeito é ter uma piscina no subterrâneo da casa nos dias de chuva. Bem, eu desço as escadas como se minha vida dependesse disso, quando chego perto deles, percebo que não há mala nenhuma arrumada, eles realmente pretendiam sair de casa às três da manhã com a roupa do corpo, não basta sairmos do nada de madrugada no mesmo dia que levei um surra de um muro ambulante, tínhamos que sair e meus pais ficarem só com a roupa do corpo como se isso fosse normal.

‘’Não arrumaram a mala ainda?...’’ eu realmente estranhava aquela situação, meu pai firmemente como de natureza me falava ‘’Eu e sua mãe não iremos precisar de muita roupa’’.

‘’Não precisar de muita roupa até entendo, mas só a roupa do corpo?’’ eles querendo ou não disfarçar, aquilo não deixava de ser inusitado.

‘’Meu amor’’ – Minha mãe diz suavemente, com aquele olha de que o assunto acabara ali – ‘’precisamos ir rápido’’, ela se virava para meu pai e falava algo em cochicho, mas pude entender a frase ‘’algo maior’’, ele olha para ela com um semblante um tanto apreensivo, embora se mantenha em uma posição de rigidez, parece que o mesmo não sabe o que fazer naquele momento.

Saímos de casa de madrugada como se fosse a coisa mais normal, a cidade não parecia a mesma, cães de rua dominavam todos os cantos, o frio e escuridão predominavam, os postes pareciam ofuscar com sua luz, ao menos os poucos que estavam acesos, os outros estavam desligados ou simplesmente quebrados. Parecia uma cidade fantasma, repleta de cachorro e só para montar um cenário perfeito, era noite de lua cheia.

Nós andamos no meio da estrada, afinal, não há carros para termos alguma preocupação. Mas a cada passo eu sinto calafrios nas mãos, o frio parecia aumentar a cada segundo, a escuridão da noite parece se fazer cada vez mais intensa ao olhar o horizonte para onde estamos indo em direção.

O horizonte escuro aos poucos parece mais próximo de nós, olho para minha mãe e indago ‘’É mesmo essa direção correta?’’.

‘’Se vamos avançar, temos que encarar a escuridão...’’. Seus olhos estavam fixados em linha reta enquanto me respondia. O vento gélido mexia em sua mechas de cabelo, quando olhei para a direção que ela tanto se fixava, reparei que o ‘’horizonte’’, parecia ser no fim daquela mesma rua.

‘’Será que um dia me explicam que coisas estranhas são essas?’’ eu me canso de bancar o filhinho bobo pra sempre, durante todo o dia eu fiz perguntas e tive pensamentos idiotas, mas como não pensar idiotice quando sua mente lhe prega peças o dia todo? Agora minhas sensações me confirmavam de que aquela não é a vida que eu via, meus pais não eram quem sempre me pareciam, mas o pior, é que eu não sabia quem eles eram... Quem eles eram de verdade, eu ainda não sei.

Antes que pudessem me responder, outra coisa estranha nesse lindo dia me chama a atenção, creio que posso começar a me acostumar com isso. A escuridão parecia ganhar a forma de um imenso véu que envolvia toda a minha rua flexivelmente, a nossa frente uma figura fica mais clara, uma loira com pele branca, olhos azuis piscina chamativos e características familiares, porém, mais nova do que eu já tivesse visto algum dia da minha vida.

Liliam flutuava nos céus com um longo vestido negro com véus, que dançavam com o vento e envolviam tudo de forma que chegava a me ser hipnótica de tão extraordinária, seus pés lisos e frágeis eram visíveis, ela usava uma sapatilha azul bebê. Tudo isto era uma cena que não me era simplesmente estranha, depois de um tempinho discernindo as situações deste dia, as coisas não tem sido tão estranhas, essa cena a minha frente conseguia ser divina e obscura. Liliam parecia muito mais jovem, parecia ter rejuvenescido pouco anos, a ponto de parecer ter aproximadamente dezessete.

Sua beleza chegava a ser demoníaca, ela despertava desejos obscenos a qualquer pessoa normal, nunca vi alguém tão bonita em toda a minha vida. Aquela mulher podia estar flutuando com um vestido do tamanho da minha rua, mas essa cena era compensada por uma beleza que reis dariam sua própria vida para ter ao seu lado, poderiam pagar com o preço de seu próprio reino até para ter uma mulher como aquela. Por outro lado, meus pais não estavam com cara de contentes, muito pelo contrário, como sempre eles pareciam saber mais do que eu, eles pareciam saber o que fazer, mas sabendo ou não, permaneciam com uma raiva inocultável no olhar.

‘’Adão, acabe com isso rápido, antes que chegue reforços pra essa prostituta do capeta’’ Eu nunca ouvi ela falar assim, mas naquela situação não parecia ser algo simplesmente engraçado, ela falava em tom sério, como se o que devia ser ironia, fosse verdade. ‘’Liliam, por que diabos você está agindo agora? O que de grande tem por trás disso?’’.

‘’Eva, pare de ceninha na frente da criança, meu nome é Lilith, você entendeu Miquelangelo? Seu pai te ensinou sobre a bíblia, não ensinou? Meu nome é Lilith, a primeira mulher de Adão, aquela que não se deixou dominar por alguém que estava ao mesmo nível.’’ Meu pai não parecia o mesmo depois daquelas palavras, sua pele foi ficando em tom amarronzado, ele começou a se assemelhar a terra e seu corpo começou a se esticar a partir dos pés em direção a Lilith, sua mão direita crescia umas dez vezes seu tamanho original, deixando claro que seria um baita soco, sua forma parecia terra, mas não era uma terra comum.

Não foi difícil de concluir que meu pai virou um barro humano, depois de tanto se chamarem por Adão, Eva, Lilith e o escambau, por mais inacreditável, o que me restava era saber que eles eram o que diziam ser, agora o porquê de existirem, ou porquê disto tudo estar acontecendo, eu não sei explicar, nem minhas respostas mais básicas eu tenho, não tenho base de onde possa tirar minhas próprias conclusões, resumindo, se isto não é um sonho, eu parei num universo paralelo, onde os personagens mais doidos da bíblia estão vivos na minha frente, e pelo andar da carruagem, eu ainda veria muita coisa.

E agora ele levantava o punho pra nossa vizinha macumbeira que na verdade era um dos vários demônios que ele fez questão de me ensinar.

Já tinha estudado sobre ela, em certa versão foi a primeira mulher de Adão, mas por também ter vindo do barro, não aturava se sujeitar a ele, até que foi seduzida por Samael, um anjo da morte do senhor, que a ensinou magia negra e o nome secreto de Deus, o qual usou para fugir do Éden. Aproveitando de sua liberdade ela se prostituiu com vários demônios, o que era uma abominação para Deus e permitiu a ela viver fora do Éden, em sua tão querida liberdade. Samael foi castrado, mas Lilith não parou com ele, ela é uma das mulheres preferidas de Lúcifer, ela é extremamente inteligente, astuta e obscena.

Meu pai de barro, por mais que fosse inexplicável esta situação, avançava contra ela, e então Lilith com um pequeno movimento de mãos surgiu uma aura negra girando em torno dele e parecia paralisá-lo com grande sucesso, sua risada travessa e maliciosa ecoa até na minha mente logo em seguida, e ela se dirige a ele falando ‘’Adão, a milênios eu fui igual a você, mas você está se esquecendo que diferente de você que se estagnou a viver uma vida normal, eu ganhei mais poder com anjos e demônios, eu evoluí cada vez mais, não me deixei ser ordenada e desenvolvi todo meu potencial, hoje não somos iguais, eu sou muito superior a você’’ em um estalar de dedos ele é jogado para o fim de rua, raios vermelhos circulavam por seu corpo, como se já não bastasse ser humilhado daquela forma.

Lilith me observava com olhos sedentos de sangue, mas quando vinha em minha direção flutuando no ar lentamente, minha mãe toma a dianteira e plantas surgem do chão, crescendo rapidamente e segurando a ‘’demônia’’ no ar. Achei que teria sido resolvido agora, mas as plantas queimam sozinhas e Lilith fala com uma voz cada vez mais despreocupada ‘’Se Adão era igual a mim e eu o superei, o que faria você que foi criada inferior a ele superar alguém como eu?’’, figuras demoníacas em forma de plasma negra saiam debaixo de seu vestido e giravam em torno de minha mãe, que parecia cada vez mais fraca até desmaiar no meio da rua, respectivamente perdendo a tonalidade da pele ficando mais pálida, se ajoelhando no chão e caindo toda mole, o único indício de que estava viva era o movimento que seu corpo fazia enquanto respirava.

Eu ouvia algo vindo por trás, e vejo um amontoado de terra se movendo sozinha, logo passa direto por mim indo de encontro a Lilith, a linda e perigosa mulher por sua vez é coberta por seu vestido e some no ar, reaparecendo dez metros na diagonal da minha direita, outras formas demoníacas como aquelas que pegaram minha mãe atingem a terra, mas a mesma se transforma em um furacão de barro e não parece enfraquecer com o poder da mesma.

‘’Meu poder é grandioso como a lua Adão, sou a patrona das bruxas, de um jeito ou outro você ficará de joelhos diante de mim’’. Mais demônios surgiam e circundavam o furacão de barro, Adão por sua vez girava em sentido contrário e afastava todos os demônios a sua volta, e os mesmos se desfaziam no ar.

Tudo parecia estar indo bem, mas um trovão atingia o olho do furacão e atingia exatamente o ponto de força, que dava continuidade ao furacão. Então um grande homem de asas feitas de energia vermelha surgia dois metros ao lado esquerdo de Lilith, ela o olha com um sorriso alegre e dialoga sarcasticamente. ‘’Samael, você demorou meu amor, meu querido anjo da morte, faça seu trabalho rapidamente como sempre.’’.

‘’Eu não posso matar nenhum desses dois, se a mulher não morrer. Eva tem o dom de proteger a energia vital de todos que ela ama, se ela estiver viva, eles ficarão, mesmo que sejam cortados em pedaço, irão se regenerar até o ultimo suspiro de sua vida.’’ Ele não tinha senso de humor, não parecia querer brincar. Ele falava sério quanto a não poder matar nós dois, mas era preocupante, porquê Adão estava fraco, eu não tinha o que fazer e minha mãe estava lá, a mercê de qualquer anjo caído ou demonia sacana matar ela a seu bel prazer.

‘’ZIIIIIIIIP’’ Só ouvi este som, até uma flecha surgir do nada e atingir o anjo pela dianteira, agora ele tem uma flecha fantasma surgida do nada, encravada em seu corpo, isto pareceu afetá-lo bastante, se levar em conta que ele deu um grito tão grande que pareceu um rugido. Eu olhei para trás e vi dois homens, um usava uma coroa de ouro e vestes dignas de um rei, outro se assemelhava mais há um príncipe e carregava um arco na mão, ao olhar direito para aquele que se assemelha a um rei, reparei que ele tinha uma pequena pedra em mãos.

Samael tinha suas asas desfeitas e caia no chão gemendo de dor, Lilith furiosa rapidamente chamava ‘’Filho! Filho venha agora! Mate Jonatâs, mate Davi, mate todos.’’, se a mãe era uma ex-humana que agora era um demônio bruxa, e o pai um anjo, o que resultaria um filho? Minhas aulas de teologia me diziam a resposta, e eu já não pensava mais no que era ou não era difícil de acreditar. Passos eram ouvidos, como o de um gigante ‘’Nefilim, agora eles irão encarar um Nefilim, a junção de um humano com um anjo...’’ eu não tava falando sozinho exatamente, mas as palavras não cabiam mais na minha mente. Quanto mais passos eu ouvia, eu começava a sentir uma pontada na minha cabeça, aumentando aos poucos ela se transformava em uma enorme dor de cabeça e eu me via me ajoelhando no chão, será que um Nefilim ocasiona isto? Ou é a Lilith que estava o fazendo?

Eu via imagens misturadas uma na outra, então eu via rosas vermelhas, cheiro de enxofre e um altar que eu não conseguia ver exatamente os objetos que estavam em cima, eu vi três silhuetas, uma deitada e duas em pé, mas eu não tenha certeza. As imagens apagaram e minha dor passou, me via de volta no cenário, eu me levantava e ficava surpreso com o que vira.

Eu dava de cara com o que via hoje mais cedo, de forma mais clara. Chifres curvados ao ombro, gigantesco e cheirando a enxofre puro, o filho grandão de Lilith está dando uma visitinha na luta, perto de mim agora estavam os dois nobres. O com arco se preparava e aquele com uma pedra na mão olhava para mim com um calmo sorriso.

‘’Você não está preocupado? Pretende destruir um Nefilim com uma pedra?’’ Eu indagava isto a ele, e ele calmamente me respondia. ‘’Filho, eu sou Davi, por maior que seja meu inimigo, derrubá-lo irei em nome de meu senhor, para tudo necessito de uma pedra, pois a benção dos céus já possuo.’’

‘’Então, vocês estão oficialmente dentro desta luta?’’ eu falava em tom mais esperançoso. ‘’Meu jovem, sua mãe ta desmaiada e seu pai levou um raio que seria mortal em sua forma humana, não deixaremos que nenhum abençoado morra nesta luta.’’ Antes que eu pudesse perguntá-lo sobre a palavra ‘’abençoado’’, Samael retirava a flecha de seu corpo que se regenerava depois de uns segundos, ele recriava asas vermelhas de energia, agora ele, Lilith e seu filho nefilim estavam prontos, mas para minha sorte, tinha a meu lado o rei Davi e Jonatâs que se mostrava um excelente arqueiro, eu me lembrava do que lia na bíblia, ambos se tornaram grandiosos amigos, fizeram uma aliança de ajuda mútua, e agora estariam lutando lado a lado. O ruim é que sou totalmente inútil, e meus pais não poderão dar-nos uma ajudinha em seus estados atuais... De todo modo, o palco tava armado, e eu não subestimava meu aliados, mas muito menos, o poder que já vi de meus inimigos.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.