Beyond the Appearances
21 Um jantar nada agradável
Notas iniciais
POV Daniel
Hoje é o jantar com a mãe da Mabel e eu fico feliz por esse evento não ser totalmente de fachada. O ruim disso é que temos que ir com os armários que o pai da Mabel colocou para segui-la o tempo todo. Segundo ela, o pai dela dobrou a segurança da família inteira e ela vai ter que andar com esses grandões a tiracolo por um tempo.
Nosso jantar será no Eleven Madison Park um dos melhores restaurantes de Nova York. Eu estava quase pronto e ainda faltavam quinze minutos para a hora que combinei com a Mabel. Assim que fiquei pronto fui para o meu SW4 e segui caminho para o apartamento dela. Cheguei com oito minutos de adiantamento, acho que ganhei alguns pontos com isso.
Fui direto para o andar de seu apartamento e depois de dois minutos esperando o Dominic veio abrir a porta.
– Ela está pirando. – ele me avisou.
Entrei com ele e encontrei a Mabel com Jordyn e Will na sala. Mesmo com o blush em suas bochechas, ela estava visivelmente pálida e muito nervosa, mas ela continuava linda.
A parte de cima de seus longos cabelos estava presa em um elegante coque no topo da cabeça e os fios soltos caíam sobre seus ombros em cachos perfeitamente modelados. Ela usava um vestido preto colado na parte superior e rodado na inferior que ficava cerca de um palmo acima do joelho, totalmente sexy, mas nada vulgar. Também usava um salto alto prateado da mesma cor que a bolsa de mão que segurava e sua maquiagem estava bem discreta, exaltando sua beleza natural. Essa mulher é a mais bela que eu já vi em toda a minha vida.
– Você chegou, finalmente! – ela falou meio zangada, mas depois pareceu se arrepender – Desculpa. Você está adiantado no horário, mas eu estou muito nervosa.
Sem me importar com a plateia, eu a puxei em minha direção e a abracei, massageando os seus braços. Pude sentir seu corpo relaxando depois disso.
– Obrigada! – ela falou baixinho, retribuindo o abraço.
– Por nada Biscoitinho. – me afastei dela e a girei – Você está linda, mais que o normal.
– Obrigada! Só espero que seja o suficiente para a minha mãe.
– Se os deuses gregos existirem, nesse momento Afrodite está morrendo de inveja de você. Pode acreditar. – isso pareceu alegrá-la.
– Charles está quase chegando para levar a gente ao restaurante.
– É o Armário número 1 ou 2?
– O dois.
– Bem Bel, como você já está muito bem acompanhada, nós vamos saindo. – Will disse e se levantou com Jordyn e Dominic – Tudo vai dar certo, você vai ver. – os três a abraçaram e saíram.
Assim que ouvi o barulho da porta sendo fechada, sentei no sofá e a puxei para o meu colo – tomando cuidado para não amassar sua roupa – e a abracei, ela retribuiu ao meu abraço no mesmo instante.
– Temos que nos encontrar com ela as 21h00min, mas o caminho é longo e nós temos que chegar antes dela. – o celular dela começou a tocar com o tema do 007 e ela atendeu – Mabel Oliver. Tudo bem, estamos descendo. Vamos!
– Claro. – levantei e fui com ela até a porta – Você é bem criativa com os toques do seu celular – falei sorrindo ao lembrar o nosso quase beijo que foi interrompido pela musiquinha do Toy Story. Acho e a Mabel estava pensando na mesma coisa.
– Gosto de adequar o toque a pessoa.
– Qual o toque para o meu número?
– Por enquanto ainda está Runaway Baby. – fiz um biquinho de protesto, ela se aproximou e mordeu meu lábio – Você sabe que eu não posso dar bandeira de que estamos juntos e você mocinho, ainda está em observação.
– Tá bom, mas você já tem alguma outra em mente?
– Duas, na verdade. Ainda vou escolher.
– Quais? – perguntei curioso.
– Um dia você descobre, mas agora temos que ir. O Charles já está lá embaixo nos esperando.
Nós descemos e eu fiquei muito feliz de encontrar o Armário Número 2 na direção de uma Lamborghini Unveils. O carro é lindo, prateado e lustroso. Acho que vai entrar na minha lista de aquisição, mas por enquanto eu estou muito satisfeito com meu atual carro.
– Papai e suas extravagâncias. – Mabel reclamou ao meu lado.
– Não tem como você reclamar de um carro desses.
– Mas posso reclamar do motivo dele ter o mandado. – ela falou assim que entramos no carro.
– E qual foi o motivo?
– Meus pais vivem competindo para ver quem tem mais dinheiro, ele mandou o carro para provocar a minha mãe.
– Ah. – foi o que consegui dizer.
– Pode dar a partida Charles. – Mabel ordenou e o Armário obedeceu.
Eu tinha conseguido fazer a Mabel relaxar antes de sairmos, mas a cada minuto eu percebia que ela ia ficando mais nervosa e pálida. A puxei para meus braços e ela veio de bom grado, repousando sua cabeça na curva do meu pescoço e fechando os olhos por um momento.
– Com medo do que sua mãe vai falar?
– Estou com medo dela falar.
– Como assim?
– Se ela ficar calada o jantar inteiro, significa que ela aprovou você. Se ela falar alguma coisa ou perguntar alguma coisa... aí sim estamos encrencados.
– Como assim?
– Deixa quieto. — ela fechou os olhos novamente.
– É bem mais fácil para você assim, não é?! – perguntei.
– Assim como?
– Nós dois juntos de verdade.
– Eu não tinha pensado nisso, mas na verdade é sim. Se ainda fosse só fingimento eu estaria pirando sozinha, sem deixar você se aproximar.
– Até imagino. – ficamos um tempo em silêncio.
– Você sabia que a Dianna roubou meu número do seu celular?
– É o que? Ah não! – gemi de frustração – Ela já descobriu meu padrão outra vez?! Eu juro que não fui eu que dei o número para ela. – Mabel soltou uma gargalhada.
– Ela me disse que sempre consegue descobrir a sua senha, mas o que realmente me deixa curiosa é como uma menina de sete anos consegue te passar a perna. – ela falou ainda sorrindo.
– Ei moça, lidar com alguém que tem memória eidética não é nada fácil. Basta ela me ver colocando a senha uma vez que já consegue reproduzir.
– Memória eidética? Por isso ela disse que sabe o conteúdo inteiro.
– Ela tem capacidade para pular umas quatro ou cinco séries, mas ela não quer de jeito nenhum.
– E é compreensível. Imagina como seria a vida de uma garotinha de sete anos estudando com crianças de onze? Ela seria rejeitada.
– Minha mãe é doida para esfregar a inteligência dela na cara da mídia, mas a Dianna não quer de jeito nenhum e cabe a mim e a Ella garantir que isso não aconteça.
– Dianna disse que você teve que ir para lá às pressas. O que aconteceu?
– Minha mãe entrou em contato por chamada de vídeo. Nunca podemos esperar coisa boa quando ela entra em contato assim, então eu fui para lá para apoiar as minhas irmãs.
– Mas o que a sua mãe queria?
– Ela falou que vai ficar mais tempo do que o esperado em Londres e queria obrigar a Dianna a ir para lá também, para jogar a menino no meio dos mais velhos e crescer sozinha. Ella não vai permitir e eu também não. Ameaçamos entrar na justiça pela guarda da Dianna e como a minha mãe não quer um escândalo como esse, resolveu deixar quieto. Mas esse é o tipo de situação que estamos acostumados a lidar, a notícia que ela nos deu foi o que nos chocou.
– Que notícia?
– Minha mãe está grávida de dois meses.
– Isso não é bom?
– Para nós sim, para a criança não. Ele ou ela vai crescer como a Dianna.
– E quem é o pai?
– Um namorado da minha mãe que nós nem sabíamos que existia.
– E eles vão se casar?
– Minha mãe disse que sim, para evitar polêmicas. – Mabel fez uma careta ao ouvir a última parte – Sim, tudo o que ela faz é para a mídia.
– E de repente a minha mãe é um verdadeiro amor de pessoa – Mabel falou e como se em uma deixa, o celular dela começou a tocar e a música tema da Cruella De Vil de 101 Dálmatas se fez ouvir em todo o lugar – e falando no capeta, olha que resolveu dar o ar da sua graça mais cedo hoje? – falou e atendeu a chamada – Mabel Oliver. Sim Carmen. Ok, mãe. Tudo bem. – desligou.
– O que ela queria?
– Garantir que vamos chegar antes dela.
– Ela tem mania de pontualidade exagerada?
– É, acho que sim. Mas às vezes acho que ela só quer me perturbar. – eu não fui contra, minha mãe faz a mesma coisa sempre que pode – Sabe, você foi a primeira pessoa que não disse que estou louca e que ela me ama.
– Você quer que eu diga isso?
– Nem pensar. – permanecemos o resto do caminho em silêncio, mas ainda abraçados. Depois de vinte minutos chegamos ao restaurante.
O Armário número 2 – vulgo: Charles – veio abrir a porta do carro para a Mabel. Ela saiu primeiro e eu fui logo em seguida.
– É, isso não vai ser nada agradável.
– O seu pensamento positivo é tão lindo. – depois desses comentários felizes, entramos no lugar.
O restaurante é muito bonito, com janelas que praticamente iam do chão ao teto e paredes pintadas em diversos tons de bege. Tinham lanternas e lustres espalhados por todo o local. No meio do lugar tinham pequenas árvores levemente iluminadas e as cadeiras pretas contrastavam perfeitamente com o branco das toalhas que cobriam as mesas.
– Eu adoro esse restaurante. – falei a ela.
– Eu não. Você sabe que eu gosto de estar no controle e isso de escolher apenas o ingrediente principal e deixar o chefe escolher o que comer me deixa louca, sempre fico apreensiva com o que pode vir para eu comer. Minha mãe escolhe sempre esse lugar para me perturbar, pelo menor o chef Humm nunca me deu motivos para reclamar de sua comida. – ela falou baixinho.
– Ele faz uma comida deliciosa.
– Com isso tenho que concordar.
Fomos direcionados a nossa mesa e não pude deixar de notar que era a melhor no local. Chegamos vinte minutos antes do marcado e Mabel ficou uma fera ao descobrir que sua mãe já havia feito às escolhas dos nossos ingredientes. Isso também não me agradou. A mulher não me conhece para saber o que eu gosto de comer.
– A única escolha de cardápio que eu ainda tinha e ela a tira de mim. – Mabel resmungou.
– Pelos menos ela conhece você, eu não sei o que esperar da minha comida.
– Se eu conheço a minha mãe, ela deve ter mandado alguém investigar absolutamente tudo sobre você no momento em que soube qual era o seu nome. É bem capaz dela ter até mesmo uma cópia das suas hemácias nesse momento.
– Credo. Já posso até imaginar como vai ser esse jantar.
– Nada agradável isso eu posso te garantir.
Continuamos conversando e quinze minutos depois eu vi todo o corpo da Mabel ficar tenso e ela empalidecer. Olho para trás e vejo uma mulher na entrada do restaurante, ela era completamente diferente da Mabel, com exceção dos olhos. A mulher na entrava era ruiva, alta e excessivamente magra como essas modelos esqueléticas, ela estava usando um vestido verde longo muito bonito. Carmen Mouro é uma mulher muito bonita, mas não tanto quanto a Mabel.
– Eu não sou nada parecida com ela, não é?! – Mabel perguntou enquanto se levantava.
– Olá Carmen! – ela a cumprimentou e recebeu um olhar de repreensão da ruiva – Quer dizer, mãe! Esse é o meu namorado, o Daniel. Dani...el essa é a minha mãe, Carmen Mouro. – ela nos apresentou – Victor não pode vir? – Não faço ideia de quem é Victor.
– Não, ele teve uma reunião importante de última hora. Camilla ficou com uma babá essa noite, você sabe que ela não tem idade o suficiente para frequentar esse tipo de lugar. – mais gente que não conheço, percebo que a Mabel não me contou muita coisa sobre sua família. Na verdade ela não me contou muita coisa sobre a sua mãe, especificamente.
– A senhora vai continuar em Nova York por muito tempo?
– Oh querida! Eu vou ficar aqui permanentemente. A orquestra vai se instalar em um teatro novo aqui. É um grande passo para nós. – Mabel não pareceu ficar muito contente em saber que a mãe estaria tão perto.
– Por que a senhora não me falou isso?
– Você ainda não faz parte da orquestra Mabel, não tenho que te contar nada sobre ela.
– Não estou falando da orquestra. Eu quero saber o porquê de a minha mãe estar se mudando para a mesma cidade que eu e eu não estar sabendo disso.
– Está sabendo agora. – Mabel ficou vermelha de raiva, mas deixou quieto.
Uma garçonete loira com traços japoneses chegou com a nossa comida e fiquei aliviado ao ver que meu ingrediente principal era carne vermelha. O da Mabel era frango e de Carmen lagosta. O resto da refeição foi silenciosa e bem desconfortável, acho que nós três não víamos a hora de ir embora dali.
Quando finalmente terminamos e estávamos livres para ir embora, notei que a Mabel estava mais aliviada e nós três fomos esperar nossos carros em frente ao restaurante. Vi a mesma garçonete japa me observando, mas quando eu pisquei ela não estava mais no local, acho que eu estava imaginando coisas.
Quando o funcionário chegou com nossos carros e a ruiva viu com qual estávamos, ela ficou mais vermelha que o próprio cabelo de tanta raiva, mas não falou nada. Quando o carro dela chegou, entrou e foi embora sem nem ao menos se despedir. Parece que ela tem um temperamento igual ao da filha. Entramos no nosso carro e antes de sairmos, eu vi outra vez a loira nos observando. Tá, eu estou ficando paranoico, virei para o outro lado e seguimos caminho de volta para a FAMNY.
Assim que perdemos o restaurante de vista, a Mabel se permitiu relaxar e apoiou a cabeça no meu ombro.
– Não foi tão ruim quanto eu imaginei que seria.
– Você pensou que seria pior?
– Muito pior.
– Quem é Victor? E Camilla?
– Victor é o novo marido da minha mãe e Camilla a filha deles.
– E como é a sua relação com eles?
– Melhor do que com a minha mãe, eu garanto. Camilla é um amor, tem apenas seis anos, mas é muito esperta. Não parece que vai seguir o caminho musical, mas já toca piano muito bem.
– Por que você não me falou deles antes?
– Não gosto muito de falar da nova família perfeita da minha mãe.
– Sinto muito.
– Não precisa, já me conformei com o fato de que minha mãe sempre vai tratar a minha irmã melhor do que me trata. Camilla não tem culpa disso.
POV Tony
Eu estava deitado na minha enorme cama de casal, segurando um copo de uísque. Tinha uma bela mulher nua ao meu lado, dormindo. Não lembro o nome dela. Laila, Leila ou Leilane. Talvez nenhum desses e sim um completamente diferente. Eu não me importo, ela já havia me dado o que eu queria dela: seu corpo. E eu estava perfeitamente saciado, por enquanto.
Ouvi uma batida na porta e imediatamente soube que era algo importante. Nenhum dos meus me incomoda a essa hora por algo que eu não pudesse saber ou resolver depois.
– Quem quer que seja, é bom que tenha um ótimo motivo.
– Pode acreditar que eu tenho. – Walt falou entrando no quarto – Acabei de receber novas notícias da sua favorita através da Uchiha.
Malu Uchiha é uma das minhas mais talentosas subalternas e está encarregada de observar a minha Abelhinha. A mulher que eu mais queria que estivesse nua aqui ao meu lado nesse momento, mas eu sei que ela logo logo estará.
– Quais as notícias? – eu ordenei que me fosse entregue imediatamente toda e qualquer notícia sobre ela.
– Ela foi jantar com a mãe hoje a noite. E com Daniel Stuart.
– O que você acabou de dizer?
– E o apresentou como seu namorado.
– Ela apresentou aquele playboy como namorado para a mãe dela? Ela nunca ME apresentou para a mãe dela. Uchiha tem certeza disso?
– Absoluta. Até me enviou a gravação.
– Walt, quantos dias de gravação eu ainda tenho?
– Uma semana.
– Ótimo. Apronte tudo. Eu vou voltar para Nova York na próxima semana. Adiante a reunião com o pessoal de lá para o próximo sábado. Quero estar lá até no máximo sexta e quero todos eles como novos membros da gangue.
– Pode deixar. – falou e saiu do quarto.
Assim que ele saiu, eu me virei para a morena deitava na cama e a acordei, eu precisava me acalmar e o sexo sempre foi um ótimo calmante.
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