Beyond the Appearances

4 A louca e o arranhão no rosto


Notas iniciais
Oi gente! Mais um capítulo pra vocês. Espero que gostem.

POV Daniel

Acordei e logo senti o ardor no meu rosto. Levantei e fui até o banheiro. Olhei a minha imagem no espelho, puta merda! O arranhão tinha ficado pior do que eu imaginei que ficaria. Eu não posso aparecer em público assim, tenho uma reputação a zelar.

Lembrei que minha prima era caloura em Artes Dramáticas e morava em um apartamento na área feminina, bem próximo a área masculina. Peguei meu celular e liguei para ela. Ela atendeu no terceiro toque.

Alô? – Júlia falou, seca.

– Oi Juh! É o Daniel.

Eu tenho identificador de chamada bocó. – como minha priminha é meiga! – o que você quer?

– Por que você acha que eu quero alguma coisa? – perguntei me fazendo de santo.

– Você só me chama de “Juh” quando quer alguma coisa.

– Você me conhece bem demais. – falei, me entregando.

– Daniel, você poderia dizer logo o que você quer?

– Sabe aquele favor que você está me devendo? Vou cobrar agora.

– ISSO EU JÁ SEI MANÉ, FALA LOGO! – ô menina enfezada.

– Preciso que você disfarce um arranhão no meu rosto.

– Só isso? Moleza! Passa aqui no meu apartamento, as outras meninas vão sair em meia hora. Agora tenho que ir, tchau.

Desligou na minha cara.

Tomei banho e depois comi um pouco de cereal, peguei um casaco com capuz e fui para o apartamento da minha prima depois de me certificar que o capuz cobria direito meu rosto. No caminho me lembrei da noite passada.

FLASH BACK ON

Cheguei ao apartamento da Patrícia na hora marcada – pra minha sorte. Liguei para seu celular e ela me disse para esperar. Uma ironia com ela: eu não podia atrasar nem um segundo, mas ela sempre me fazia esperar uma eternidade antes de entrar na porcaria do carro. Depois de 20 minutos escuto uma batidinha no vidro do lado do passageiro, era ela. Abri a porta e ela entrou no mesmo instante.

Depois de fechar a porta, ela se virou para mim e me beijou, senti sua mão no meu joelho e subir até perto da minha virilha. Mas mesmo com a minha atração por ela diminuindo toda vez que eu precisava olhar na cara dela, aquele ato ainda tinha o efeito que ela desejava, se é que você me entende. Ela deu um sorrisinho malicioso e se afastou.

– Oi meu amor! – ela falou com aquela voz que soava cada vez mais enjoada.

– Oi Paty! – respondi, seco. Ainda não tinha esquecido a história que ela inventou.

– Só isso? É assim que você vai me chamar? – ela fechou a cara.

– Sim. Vamos?

– Estou considerando não sair com você. – ela falou e percebi que o que ela queria era que eu implorasse pela sua companhia. Não vai rolar baby!

– Em qualquer outro dia, eu mesmo abriria a porta para você sair, mas eu preciso ter uma conversa séria com você. Então decida logo.

– Tudo bem meu bebê, sabe que eu estou brincando! – como eu disse, ela só estava fazendo charme.

Deixa eu explicar como é a Patrícia. Ela é alta, mesmo sendo menor que eu uns dez centímetros. É a menina que controla os populares da faculdade, loira de farmácia, mas pinta o cabelo o tempo todo para parecer natural – isso foi meio gay, mas eu só sei porque uma vez ouvi uma conversa dela com as suas clones. Tem olhos castanhos, mas usa lentes verdes. Tem sempre um chiclete na boca e se veste praticamente toda de rosa. Ainda me pergunto que tipo de merda eu tinha na cabeça para chama-la para sair. Ela é aquele tipo de menina tão fútil que quando não está falando dela mesma, está falando de roupas ou falando mal de alguma de outra pessoa, espalhando fofocas que quase sempre são mentira, mas todo mundo acredita.

Dei a partida e fui direto para o parque do campus. Em uma área mais afastada onde tinham alguns bancos de madeira e balanços de casal. Tinham até algumas áreas reservadas, com pequenas cercas que dentro possuíam umas mesas minúsculas com almofadas no chão, deixando claro que você tinha que sentar na almofada. Mas ainda tinham umas áreas mais afastadas, com tendas feitas de madeira ao ar livre, que possuíam caminhos que levavam até elas, eram as áreas de elite. Aquele era o lugar para “encontros românticos” do parque. Como era sábado à noite, o lugar estava lotado. Mas quando você é popular como eu, reservar lugares ali é moleza, mesmo que você queira um lugar na área de elite, afinal de contas, eu sou da elite e a Paty também. A nossa era a barraca mais afastada, onde não daria para ninguém ouvir nossa conversa.

– Você reservou lugares pra gente? Que fofo amor! – outra vez esse papo de amor, coisa enjoada.

– A nossa é aquela, vem. – a puxei pela mão.

Caminhamos até nossa área, onde nossa comida já estava servida, pois é esqueci de dizer que tem um restaurante ao lado do parque em que você pode pedir comida para seus encontros nas cerquinhas e nas tendas, basta você dizer a hora que vai chegar e já encontra a comida coberta com aquelas coisas redondas de ferro e um garçom vem para anotar o pedido das bebidas e servir você. Demos nossos nomes ao cara que controla as cercas e eu coloquei um dinheiro em sua mão, agradecendo por ele ter reservado aquela área pra mim.

Assim que sentamos nas almofadas o nosso garçom chegou, anotou o pedido e tirou a cobertura dos pratos. Retirou-se para buscar nossas bebidas e me virei para Patrícia.

– Tenho algo sério para falar com você. – comecei.

– Pode dizer amor!

– Primeiro: para de me chamar assim, eu detesto.

– Por quê? Você é meu amor.

– Não Patrícia, eu não sou. Nós só saímos algumas vezes, não tem como você me amar em tão pouco tempo.

– Você não me ama? – ela falou e pude notar seus olhos marejados. Wtf?!

– Não e você também não me ama. Pode me dizer por que você espalhou que estamos namorando?

– Porque nós estamos! Nós saímos todo final de semana.

– Eu não quero compromisso contigo.

O QUE? POR QUÊ? – Ela perguntou gritando.

– Porque não garota, eu te disse isso quando começamos a sair.

– Mas nós transamos! – sério que ela vem com isso? Praticamente todos os garotos populares já transaram com ela.

– Você fala como se eu tivesse roubado sua virgindade.

– Mas nós somos o casal perfeito! – as lágrimas nem chegaram a descer, já imaginava mesmo que fosse fingimento. – Somos lindos, populares, as pessoas fazem de tudo para andar com a gente, todos nos invejam. – isso bem que é verdade, mas as aparências não compensam o fato de ter que atura-la.

– Não me importo com isso. E eu não quero mais nada com você, essa fofoca que você espalhou, foi a gota d’água.

– Como assim? – ela agora estava vermelha de raiva.

Antes que eu pudesse responder, ela ficou em pé. Levantei-me para poder falar com ela de igual para igual.

– Sem querer ofender, mas não é fácil aguentar alguém tão fútil como você.

– Fútil? Agora eu que não quero mais nada com você. Como ousa me insultar dessa maneira? – sabe um tomate? Ela estava mais vermelha que um.

– Eu apenas disse a verdade.

Quando eu percebi o que a louca ia fazer já era tarde demais, ela bateu no meu rosto e suas unhas arranharam minha pele.

– Seu idiota! Nunca mais fale comigo. – ela saiu como um furacão. Duvido que tenha ficado triste com o término. Ela me usava apenas como um catalisador da sua popularidade.

Sentei-me novamente e fui comer minha refeição. Aliviado por ter me livrado daquela louca, mesmo que tenha me custado um arranhão. Foi melhor assim para nós dois. Ainda mais com as atitudes ridículas que ela vinha tendo ultimamente com os calouros, fazendo trotes abusivos. Distanciei-me logo, para não ser penalizado depois.

FLASH BACK OFF

Cheguei ao prédio de Júlia e ela autorizou que eu subisse. Quando entrei no seu apartamento ela mandou eu me sentar e passou uma pomada para que o machucado sarasse logo e passou uma maquiagem por cima. Quando ela terminou me estendeu um espelho e eu vi que ela tinha disfarçado totalmente o machucado.

– Só está inchado, na verdade nem feriu muito. Em poucos dias vai estar sarado. Venha aqui amanhã que eu cubro outra vez. A maquiagem vai durar o dia inteiro. – ela falou.

– Valeu Juh! – levantei e dei um beijo em sua bochecha.

– Por nada, contanto que você continue me livrando dos trotes, pode contar comigo.

– Pode deixar, é realmente melhor você ficar fora disso, alguns estão fugindo do controle. Não preciso ser vidente para saber que vai dar merda.

Ela me acompanhou até a porta e quando eu ia saindo do apartamento, vi quatro garotas saindo do apartamento da frente.

– Sabe quem é aquela de cabelo castanho longo? A com o moletom do Mickey. – ela perguntou apontando uma das garotas.

– Não faço ideia. Já a vi várias vezes em algumas das minhas aulas, mas não sei quem ela é. – respondi.

– É a filha do Henry Oliver.

– O produtor? – meu queixo foi ao chão.

– Ele mesmo. Produtor musical, rico e famoso. E um dos maiores contribuidores da FAMNY. – ela disse – e sabe quem é a mãe?

– Não.

– Carmen Mouro. A maior doadora da faculdade depois do Henry. Coordena uma das maiores e mais famosas orquestras do país.

Observei a menina saindo com as amigas. Ela era bonita, muito bonita na verdade, apesar de ser desarrumada. Enquanto ela saía, lembrei-me da conversa com minha mãe e uma ideia brotou na minha cabeça. Eu só precisava achar uma maneira de coloca-la em prática.

Dei tchau para Júlia e voltei ao meu apartamento para contar aos meninos o que eu havia planejado.

Notas finais
Entãão, conseguem imaginar qual foi a ideia do Dani? O próximo capítulo está pronto e talvez sábado eu poste. Eu adoro o próximo capítulo então estou louca para postar. Mais uma vez, deixem de ser leitores fantasmas e comentem!! xoxo