Beyond Two Powers
2 A ameaça de guerra
Notas iniciais
ADELAIDE
O Salão do Palácio estava lotado. Plebeus, nobres e guardas estavam divididos por mínimos detalhes, porém todos estavam presentes. Sempre que um evento de grande importância ocorria no Palácio, a Rainha Melissa, atualmente com vinte e três anos, certificava-se de que todas as classes de pessoas fossem convidadas para presenciá-lo. Ela estava sentada no trono principal, esperando pelo início do grande evento com o queixo erguido. Ao seu lado, havia outro trono. Porém, como a Rainha Melissa não era casada e, portanto, não tinha um Rei, a pessoa a sentar-se ao seu lado era a Princesa do Reino do Ouro.
A Princesa Adelaide.
Desta vez, diferentemente de nove anos atrás, o cabelo preto de Adelaide estava solto. Caía liso por seus ombros, chegando à sua cintura. A tiara no topo de sua cabeça não era uma decoração; era seu símbolo como uma Princesa. Os olhos castanhos encaravam a platéia e ela mantinha o queixo erguido, recusando-se a parecer minimamente frágil.
O grande evento do dia era o fato de que os governantes de um Reino semelhante e aliado estavam prestes a chegar. Maurice Richards Singh, o Rei do Reino da Prata, e seu irmão, o Príncipe Seth Richards Singh, haviam adotado uma forma de governar extremamente parecida com a de Melissa e Adelaide. Entretanto, ambos haviam conseguido noivas em um pequeno período de tempo, e o casamento de Maurice aconteceria em breve, tal como o de Seth. Ambos iriam se casar com a Rainha e a Princesa de um reino que costumava ameaçar o Reino do Ouro.
O Reino do Cristal.
O simples nome fazia com que Adelaide estremecesse, porém ela havia ficado muito boa em disfarçar. Desde que fizera com que um soldado retornasse ao próprio reino ferido, humilhado e aos trapos, considerando que toda sua armadura fora queimada por chamas sem explicação, Adelaide tinha de esconder o fato que descobrira: ela podia usar magia. Haviam, é claro, outras pessoas capazes. Estas, no entanto, eram condenadas por bruxaria e banidas — ou executadas, em casos extremos. Para previnir que tivesse de banir ou executar sua irmã, Melissa fazia tudo que estava a seu alcance para que ninguém jamais descobrisse sobre os poderes da mais nova. Devido àquilo, Adelaide já não visitava a cidade há nove anos. Estava presa no Palácio por quase metade da sua vida.
Balançando a cabeça para afastar aqueles pensamentos, Adelaide prestou atenção no que estava à sua frente: a agitação do povo. Nobres, plebeus e até mesmo alguns guardas e soldados pareceram ansiosos conforme as enormes portas de madeira maciça do Salão começaram a ser abertas.
— Eles chegaram. — anunciou Melissa, baixinho, para Adelaide, e a Princesa assentiu. Seth e Maurice haviam visitado o Palácio apenas duas vezes, e a última fora quando a mais nova tinha treze anos. Portanto, ela mal podia se lembrar deles.
Os hóspedes do Reino da Prata não chegaram de forma simples; eles chegaram montados em cavalos que utilizavam selas decoradas e prateadas. Os primeiros a entrar não foram o Rei e o Príncipe, e sim os Cavaleiros de Honra do Reino. Mais especificamente, três deles. Um deles era o mais velho, o líder da Cavalaria. Trajava uma armadura polida e reluzente, com uma espada presa ao cinto de mesma cor. Não utilizava capacete, e seus cabelos eram castanhos escuros. Os olhos eram completamente negros. Não aparentava ter mais de quarenta anos.
Logo atrás dele, vinham dois jovens soldados, ambos notavelmente dignos de fazer parte dos Cavaleiros de Honra. Aquele que caminhava ao lado esquerdo do líder tinha cabelos pretos e olhos castanhos quase negros. O outro continha olhos castanhos claros e cabelos castanhos desarrumados. Todos eles ostentavam o brasão do Reino da Prata: uma espiral cobrindo uma espada cintilante de prata.
Em seguida, uma trombeta alta ressoou, e os cavalos dos três pararam. Os dois rapazes saltaram das selas, sendo seguidos pelo líder, e todos eles se ajoelharam diante da Rainha e da Princesa do Reino do Ouro.
Os plebeus prenderam a respiração. Os nobres ergueram os queixos e empinaram os narizes. Os guardas ajoelharam-se, mantendo as cabeças baixas. E os governantes do Reino da Prata adentraram. Eles não estavam em cavalos. Nem mesmo cercados por guardas. Entraram lado a lado, com sorrisos nos rostos, cumprimentando a multidão que se encolhia no Salão e caminhando calmamente até Melissa e Adelaide. O Rei Maurice, um homem de vinte e quatro anos, olhos verdes e cabelos castanhos claros, chamava mais atenção por seus trajes. Trajava roupas reais brancas, com detalhes prateados e o brasão retratado em seu peito. O cabelo estava arrumado para trás.
Enquanto isso, seu irmão, o Príncipe Seth, que trajava roupas exatamente iguais, chamava atenção por sua beleza.
Tinha os mesmos olhos verdes do Rei, porém seu cabelo era loiro e os traços do rosto eram extremamente atraentes. Adelaide não o via há muito tempo, e detestava ter de admitir que o Príncipe tinha a perfeita aparência de um governante confiante, poderoso e bonito. Por um momento, perguntou a si mesma o que aconteceria caso seu Reino fosse um rival do Reino da Prata.
O primeiro a chegar até a Rainha e a Princesa foi Maurice. Ele curvou-se ligeiramente, beijando os nós dos dedos de Melissa, que sorriu para ele.
— Olá, Maurice.
— É um prazer revê-la, Melissa.
Ao lado deles, Seth abaixou-se para beijar a mão de Adelaide e, ao ajeitar sua postura, olhando para a Princesa, ambos tiveram de segurar a risada. Havia uma única coisa da qual Adelaide se recordava em relação a Seth: assim como ela, ele detestava formalidades e se divertia com o relacionamento de Maurice e Melissa.
— Olá, Adelaide. — disse Seth, esbajando irônia.
— Olá, Seth.
A mesura não era necessária entre eles. Diferentemente da maioria dos príncipes de sua idade, Seth não era condescendente, e incentivava todos aqueles em torno de si a não serem, tal como ele. O mínimo pensamento de que aquele rapaz poderia um dia vir a reinar suas terras eram abominado por grande parte de seus súditos. A última coisa da qual precisavam era um príncipe rebelde.
A sensação fugaz de paz e diversão esvaiou-se de Adelaide conforme o rei se moveu para cumprimentá-la, trocando de posição com seu irmão, e ela teve de dobrar ligeiramente os joelhos, mostrando-lhe o devido respeito, ainda que suas posições já não fossem tão distantes uma da outra.
— Adelaide — chamou-lhe Melissa, assim que a princesa começou a se retirar, juntamente de Seth. A sombra de um sorriso em seus lábios fez com que a mais nova franzisse o cenho. — Por favor, não se retire do Salão ainda. Espere com o resto dos nobres. Maurice solicitou uma audiência para resolução de um problema de seu Reino e esta será realizada aqui.
Adelaide assentiu respeitosamente, disfarçando o leve incômodo que transpareceu em seu rosto. Melissa disse a Maurice e Seth que se sentissem à vontade para utilizar os tronos, e os mesmos o fizeram.
Assim que a rainha aproximou-se dos nobres, todos eles fizeram uma mesura, causando uma expressão satisfeita na mesma. Adelaide começou a abrir a boca para perguntar algo, porém o som de uma trombeta a fez parar.
Todos os presentes moveram-se, desconfortáveis, sem compreender a estréia repentina de um novo evento. Então, da abertura das portas do Palácio, dois guardas do Reino da Prata adentraram, trazendo consigo uma prisioneira. Os plebeus e os nobres deixaram uma exclamação de surpresa escapar, afobados. Um julgamento aberto ao público jamais havia ocorrido no Reino do Ouro; não no reinado de Melissa, ao menos.
— O que está havendo? — sibilou Adelaide, estreitando um olhar para sua irmã. Melissa nem mesmo se deu ao trabalho de observá-la.
— Esta prisioneira foi pega nas estradas do Reino da Prata e não havia tempo para julgá-la antes de virem para cá — explicou, calmamente.
— E qual foi o crime cometido por ela?
A rainha não respondeu. Simplesmente manteve seu olhar firme nos guardas, aprovando cada passo dos mesmos. A prisioneira não passava de uma adolescente, o que fez com que muitos plebeus desviassem o olhar. Seu cabelo ruivo caía, cobrindo seu rosto, e os olhos mal eram visíveis. Em suas mãos, algemas que cobriam todos os dedos e eram feitas de aço chamavam a atenção de Adelaide.
— Não — disse a princesa, balançando a cabeça. — Não, Melissa, você não permitiria...
— Cale-se, Adelaide — exigiu Melissa, levantando uma sobrancelha e repreendendo a irmã com o olhar. — Um julgamento exige silêncio.
Assim que os guardas estavam próximos o bastante de Maurice e Seth, eles pressionaram os ombros da prisioneira para baixo, fazendo-a se ajoelhar de forma abrupta. Os jovens cavaleiros da Cavalaria de Honra desapareceram por entre os outros guardas.
— Sharon Eleanor Miller — chamou Maurice, entoando o nome da prisioneira com toda a elegância possível. A prisioneira ergueu um olhar petulante para ele. — Você é acusada de roubo, tentativa de fuga e bruxaria. O que tens a dizer em sua defesa?
Adelaide deu um passo para trás, como se alguém a tivesse empurrado de forma rude e brusca. Aquele não era um julgamento comum; era o julgamento de um caso de bruxaria. Logo ali, à sua frente.
— Vocês roubaram minha família de mim e eu roubei algumas jóias de vocês — zombou Sharon, com um tom repleto de cinismo. — Estamos quites.
Os murmúrios percorreram todos os nobres e plebeus. Os guardas entreolharam-se, contendo a si mesmos para não dizer nada.
— Silêncio, por favor. — disse Maurice, em um tom claro e firme, apesar de extremamente educado. O Salão mergulhou em silêncio. Então o rei voltou-se para a prisioneira. — Além da acusação de roubo, você é culpada e assume praticar bruxaria?
Sharon soltou uma risada abafada que ecoou de forma sinistra pelo Salão. Então seus olhos voltaram-se para Maurice, e aqueles que estavam por perto finalmente puderam ver a cor de suas íris. Eram de um castanho claro assustador.
— Eu não sou uma bruxa — afirmou. — Porém não nego poder usar magia.
Por um momento, tudo parou. Maurice tomou fôlego, ciente de que não havia qualquer forma de fazer com que Sharon negasse aquilo após tamanha firmeza em sua afirmação.
— Muito bem — declarou Maurice, erguendo seu queixo. — Sharon Eleanor Miller, eu a condeno ao banimento pelos crimes de roubo, tentativa de fuga e bruxaria.
Adelaide sentiu o próprio estômago revirar. Tudo em torno de si saiu de foco e, por um momento, não era Sharon quem estava sendo julgada. Era ela, com as roupas em trapos e faíscas de magia saindo de suas mãos. Mais especificamente, faíscas de fogo. Sem ter tempo para pensar duas vezes e sob os protestos de sua irmã, a princesa girou em seus calcanhares e correu para fora do Salão.
MAXINE
A Floresta Negra estava em silêncio. Os animais observavam a mulher passar. Sua quietude absoluta era um pouco assustadora. Os olhos azuis brilhavam com a fraca luz que escapava das copas das árvores, iluminando precariamente o chão da floresta. A cada passo, arbustos se afastavam. Raízes expostas voltavam a terra. As folhas caídas pareciam criar vida e retornar a suas árvores. Pequeninas faíscas de energia escapavam dos dedos ágeis da mulher. A feiticeira observou seu reino, vendo seus companheiros baixarem a cabeça em sinal de respeito.
Maxine, agora com seus vinte anos de idade, ergueu a palma de sua mão e deixou que as faíscas azuis iluminassem a mata. As flores se abriram, a grama ficou mais verde. Finas gotas de chuva caíam do céu, e brisas tranquilas sacudiam as folhas de um lado para o outro. A Dama da Floresta sorriu, vendo sua casa viva. Um rouco ronronar fez-se presente ao seu lado, e ela pôde sentir as lufaradas grossas de uma respiração quente com leveza sua pele. Ali estava Lance, o Guardião. Um dragão de escamas negras e íris douradas como o Sol. Ele soltou uma baforada amigável no ombro da moça, rondando sua ama antes de sentar-se a sua frente, o peitoral escamoso de frente aos olhos da moça. A feiticeira ergueu sua palma contra o lagarto.
O gigantesco corpo do animal alado diminuiu e esticou-se até tomar a forma de um garanhão. As escamas agora eram pelos sedosos e macios, brancos como a neve. Seu focinho era negro, assim como os olhos, canalizadores. O cavalo abaixou a cabeça em reverência, enquanto observava sua dona transformar suas simples roupas.
Os cabelos loiros de Maxine ganharam pequenas tranças espalhadas pela cabeça, presa com joias de ouro. Um colar de rubis equilibrava-se em seu pescoço, assim como a coroa de esmeraldas em sua cabeça. Não precisara mudar sua aparência totalmente, Danielle, a Rainha das Ilhas de Esmeralda, estava desaparecida haviam longos anos, e quase ninguém sabia disso, ou se importava. A feiticeira sabia que todos os reinos tinham uma preocupação em comum: encontrar seu casal favorito, torná-los reis e rainhas e cuidar das riquezas que lhes eram proporcionadas. Ela montou em seu cavalo, lhe fazendo um rápido carinho no pescoço, antes de agitar seu dedo indicador e fazer o caminho floresta a frente se abrir, dando-lhe passagem. Lance correu a toda, acostumando-se a ser um equino. "Já havia lhe dito", ele resmungou mentalmente para que sua dona lhe escutasse, "que odeio ser um pangaré pulguento."
— Não estrague meu disfarce. — ela respondeu em voz alta — Melissa deve ouvir meu aviso.
Sabia que a rainha das Ilhas de Ouro estava privando sua irmã mais nova, Adelaide, de usar sua magia. Sabia também que a mesma estava mantendo sob sua custódia uma jovem feiticeira, que estava longe de concordar com seus termos reais. Não podia deixar aquilo tudo impune. Tinha de, ao menos, dar-lhes um aviso que deixasse bem claro o que ela queria passar.
As pessoas do Reino do Ouro, assim como todos os outros reinos, sabiam da história de Maxine. A grande feiticeira que recusou a ajuda do rei — seu próprio pai — e fora morar na Terra Proibida. Todos diziam que ela era ingrata. Os sucessores do trono tinham medo de que ela voltasse a suas terras natais e espalhasse sobre magia entre seu povo. Enquanto cavalgava em direção ao Reino do Ouro, Max abriu um sorriso. Era justamente isso que estava fazendo. Espalhando a verdade pelos povos para que eles soubessem a quantidade de coisas que seus governantes lhes escondiam. E aquilo lhe dava uma sensação de liberdade, de que estava fazendo sua parte.
Maxine Chase era uma lenda por todos os reinos do continente. A primeira a ter coragem de expor seus poderes ao mundo, e provar que era real. Todos os feiticeiros envolvidos verdadeiramente com a magia sabiam de sua existência e sua bravura. Ela era a Dama de Badlands, um lugar onde nem mesmo o mais corajoso dos cavaleiros teria coragem de atravessar. Lance bufou em protesto ao ver os portões dourados do reino surgirem em sua frente. O animal não estava confortável, mas mantinha sua posição. O dragão era fielmente leal a sua dona, apesar de seus sentimentos e pensamentos serem confusos e desordenados em relação à ela. Todos os animais eram devotos a Dama.
Os guardas presentes nos portões ergueram suas lanças contra o cavalo. Lance relinchou, erguendo-se nas patas traseiras. "Se eu tivesse minhas garras…". Maxine deu um puxão em sua crina, repreendendo-o.
— Alto lá! Quem vens aí?!
— Sou eu, senhores. Rainha Danielle, das Ilhas de Esmeralda. — usou o tom mais cordial que pôde encontrar, tendo de ser muito paciente para não queimar aqueles estúpidos em chamas azuis — Gostaria muito de poder falar com a Rainha Melissa. É de extrema urgência!
Os guardas imediatamente lhe pediram perdão e lhe deram passagem. Era óbvio que ninguém perceberia a diferença entre Danielle e Max, visto que as duas eram extremamente parecidas. Com alguns poucos ajustes em sua aparência, facilmente a feiticeira poderia se passar por rainha. Com seu cavalo, ela desfilou pelo jardim, sentindo o quão bravamente aquelas plantas lutavam para resistir e continuar vivendo. Sentindo-se enojada por estar ali, continuou reto, vendo as portas de carvalho do castelo se abrirem para ela.
O salão principal — a sala dos tronos — estaria vazia se não por duas pessoas: Melissa e o Rei do Reino da Prata, Maurice. Ambos conversavam animadamente, cada um em seu assento, virados um para o outro. A Rainha, com seus longos cabelos escuros presos num coque exageradamente arrumado, tinha um grandioso sorriso no rosto, e ao ouvir o pigarrear de Maxine, enrubesceu-se, enquanto o outro governante rapidamente zunia para dentro do castelo. A feiticeira riu, passando a ponta de seu dedo pela mesa de acácia, próxima à saída. O nervosismo da mulher era divertido. Era assim que Maxine os tratava. Agora, a realeza era apenas um brinquedo velho e quebrado em suas mãos. Usá-los, manipulá-los estava no topo da sua lista de ações. Bastava apenas citar o nome de suas terras e os governantes caíam aos seus pés e lhe imploravam para não causar-lhes nenhum mal. A feiticeira adorava isso. Vê-los implorando e rogando por piedade era gratificante. O sentimento de justiça parecia se alastrar em seu peito.
Foram diversos os julgamentos que Lance tivera de assistir para poder repassar a sua Ama. As sentenças eram cruéis e desumanas, desde o exílio de suas terras natais, até torturas, humilhações ou a morte na fogueira. Maxine sentia-se culpada em fazer seu melhor amigo assistir a todas aquelas calamidades, mas precisava saber o que estava acontecendo com seu povo, para poder punir aqueles que precisavam. E Melissa, definitivamente, merecia receber uma punição.
— Rainha Danielle, não é? — ela sorriu, levantando-se para abraçar a loira, que desviou — Como tens passado, minha cara?
— Muito bem, obrigada. — a Dama desmentiu, sorrindo com falsidade — Soube que prendeu uma feiticeira estes dias, Melissa.
— O que? Como sabes disto, Danielle?
— As notícias correm, Cecília. — Maxine ergueu os olhos até a outra. Brilhavam numa luz azul poderosa — Tenho apenas um aviso a lhe fazer.
— V-você não é Danielle. — Melissa encolheu-se em seu trono.
— Privar sua irmã de praticar magia é um erro grave contra sua própria natureza. E prender alguém por ser diferente? — trovões e relâmpagos retumbavam do lado de fora, as saídas sendo trancadas — Se continuares a fazer isto, Melissa, as Terras de Badlands declarão guerra contra o Reino do Ouro e todos os seus aliados. E já tenho dito.
A mulher ficou em choque, sentada em seu trono. Maxine saiu do castelo, caminhando veloz até Lance. O cavalo relinchou, contente. Ela estava prestes a montar em seu alazão quando uma mão quente e macia envolveu seu pulso, puxando-a para baixo. Ali estava o Príncipe Seth, com seus cabelos loiros e os olhos verdes eletrizantes. Ele sorriu, depositando um doce beijo nas costas da mão de Maxine. Seth era um rapaz bonito, e sua aura rebelde fazia Maxine sorrir. O Príncipe do Reino da Prata era um dos poucos nobres cujo qual a feiticeira teria algum respeito e o riscaria de sua lista negra.
— Rainha Danielle, é um prazer enorme revê-la.
— Digo-lhe o mesmo, Príncipe Seth. — replicou, tentando engolir a ansiedade que sentia para fugir dali o mais rápido possível.
— Continuas bela como sempre.
— Obrigada pelas palavras, Alteza, mas tenho de voltar ao meu reino.
E então subiu em seu cavalo e zuniu pelo portão, virando na floresta e desaparecendo na mesma. Sabia que logo seria perseguida pelos guardas de todos os reinos. Entrou na Floresta Negra e desmontou do alazão, girando as mãos faiscantes na direção do mesmo. Logo ele era um grande dragão negro novamente. "Conseguiu o que queria, ama?"
— Meu aviso está dado. Que Melissa seja inteligente o suficiente para escutá-lo.
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