Beyond The Bounds Of Sky
15 Capítulo 15 - Céus em chamas
Notas iniciais
Eu sei que você está doido para ler o capítulo, e que provavelmente deve estar xingando até minha sétima geração agora por tomar seu tempo,mas apenas queria deixar este pequeno espaço para agradecimentos.
Há 1 ano, a série Beyond the Bounds of Sky (Hoje conhecida carinhosamente como BOS) começou a ser escrita quase que como uma brincadeira, uma forma que eu tinha para homenagear meus amigos de longa data ao qual eu sabia que perderia um pouco de contato no final do ano, afinal estávamos prestes a nos formar. Rio até hoje ao pensar que o primeiro comentário que recebi sobre a série foi uma crítica ferrenha. Mas estamos ai, quinze capítulos produzidos e idéias para que a saga não termine em arco só.
Queria agradecer a todos que me apoiaram, desde o V:1, mesmo as mais radicais (sei que perdi umas notas escrevendo naquele meu caderno surrado na aula, mas sinto que valeu muito a pena). Mas algumas pessoas merecem alguns agradecimentos especiais. Karoline, pelos desenhos fodásticos e por ser a primeira a querer comprar a briga comigo e levar esta série para frente. Jackie Jaqueline, por ter se tornado minha promoter improvisada é ter que agüentar reclamações no meu lugar por edições atrasadas e por correr atrás de votos. Para o Yure, o Ricardo, o Gobel e o Zatch, afinal foram meus primeiros amigos e os que me ajudaram a montar a famiglia que hoje estrela esta fic.
Como todos sabem, cada personagem aqui é uma pessoa que eu conheci, e todas muito legais. Desde conhecidos simpáticos, até grandes amigos. Pessoas reais, ao qual eu retirei a essência para recriá-los nesse mundo imaginário. Agradeço a cada um também, que pode se tornar personagem nessa história.
Não posso prometer uma regularidade quanto ao lançamento de caps, mas peço de coração que continuem sempre me motivando a seguir em frente. Não consigo descrever o quão me deixa contente ver pessoas comentam e opinando na história, até mesmo as cobranças me animam.
BOS só existe para a diversão de VOCÊS. Está história só vive por vocês. Por isso, OBRIGADO
- Igor Boechat Camargo Kiba / 30 de julho de 2010.
(OBS: Abaixo do CAP, resultado do primeiro RANKING dos Guardiões)
“As chamas queimam alto”
O carro vermelho corria pelo asfalto em velocidade um pouco mais elevada que o normal, mesmo com seus ocupantes querendo que ele ganhasse os céus. Atrás, perseguindo de forma sinuosa, três caminhões de traços robustos e intimidadores ganhavam cada vez mais terreno.
Estavam em uma rua entre morros, sem qualquer construção em vista, em uma linha reta até o horizonte, ao qual se encontrava o mar negro da baía. O sol ainda era forte, mas nuvens de tempestade avançavam do sul, trazendo maus presságios.
Os olhos castanhos de Sara encararam mais uma vez o espelho retrovisor, cabelos esvoaçando ao vento e as mãos torcendo o volante.
–Falta pouco... Para entrarmos no território da Torre. –tentou sentenciar a frase em um tom confiante, mas falhou terrivelmente. Dudu se remexeu no banco inquieto, e Ricardo apertou a lateral do carro com força exagerada. Yure ainda mantinha-se inconsciente e gravemente ferido em seu colo, a Chama dourada do Sol servindo apenas para estancar o sangue. –Isso se eles ainda respeitando o tratado do submundo, que tem aqui como um local de cessar-fogo completo...
–Duvido muito. Esses caras parecem estar aqui para levarem tudo até as últimas conseqüências... –a voz fria de Ricardo ecoou, e fez todos se calarem em meio ao ronco do motor do automóvel da Doku Sasori. Mesmo que essa verdade os assustasse, todos já sabiam o que deveria ser feito. -Desculpe não entrar em ação junto de você, estimado Décimo...
–Relaxe Ricardo. Estou até contente... Faz tempo que o Mano não se diverte um pouco, também... –o chefe da família disse calmamente, destravando o cinto de segurança e deixando o pingente a mostra. O metal brilhou e se aqueceu com os raios do dia, enquanto ele abriu a porta do carro. Parecia loucura saltar naquela velocidade, se a arma selada do Céu não tivesse suas características especiais. –Vou acompanhá-los e atacar de longe... Acho que apenas um movimento meu será suficiente.
Sara sorriu de forma lasciva, olhando para Dudu com o canto dos olhos.
–A mais poderosa das Sete... Então finalmente verei o poder do Décimo Vongola...
–Romper o selo. –o Chefe fingiu não ouvir o comentário da mulher, colocando a mão no pingente e se deixando levar para fora do carro pela gravidade.
Um gigantesco clarão de energia envolveu toda a estrada, se expandindo na forma de uma imensa cúpula laranja. O carro vermelho oscilou, quando Sara teve que apertar os olhos e segurar a direção firme para o carro não sair do traçado da pista. As carretas diminuíram a velocidade e entraram em linha, talvez por acreditarem que se tratava de um ataque.
Então, o vulto ainda envolvido pela luz alaranjada ofuscante ficou de pé junto ao porta-malas do conversível vermelho. Ela foi baixando, revelando Dudu e sua arma ativada.
Que tinha um aspecto completamente fora do comum.
As mãos haviam sido envolvidas por um par de luvas de goleiro pretas, com um imenso “X” branco marcado nas costas de cada uma. E nos pés, os tênis haviam sido modificados para um par de chuteiras com cano alto e travas de gramado, tendo nas laterais o mesmo símbolo das luvas e um design diferenciado. No centro da testa, uma Chama do Céu se acendeu e ficou queimando de forma irregular com selvageria, enquanto Dudu encarava os caminhões com os olhos cor de âmbar e extremamente sérios.
Esta era a principal diferença entre o estilo de combate do Chefe para os outros Guardiões. Dudu havia herdado a forma de lutar das outras gerações dos Vongola, chamado de Impulso Sísmico. A Chama do Céu circulava em alta velocidade dentre as veias e receptores nervosos do usuário, fazendo com que seus movimentos, seus ataques e sua mente fossem potencializados ao máximo. Em alguns casos, também acaba por mudar drasticamente a personalidade do indivíduo.
Alguns diziam que era ali que a verdadeira natureza da pessoa vinha à tona.
–Um movimento. É tudo que eu preciso.
Então, de uma das janelas da boleia do caminhão da dianteira, um homem se projetou para fora segurando um imenso aparato cilíndrico com cabo e um gatilho. Havia uma antena que irradiava uma estranha energia verde de sua ponta, o que fez Sara gritar compulsivamente uma série de palavras de baixo calão.
–Existe alguma coisa que eles ainda não inventaram que possam usar Chamas?!
Dudu não respondeu, apenas frisou os olhos. Estava mantendo estância em cima do porta-malas, ainda que a força da gravidade e da aceleração o estivessem forçando para cair para trás. Cerrou ambos os punhos, encarando o caminhão com as íris agora na coloração laranja. Sua voz também se modificara, estando em um tom mais ponderado.
–X-Defense.
O bazuca disparou uma enorme quantidade de Chama do Trovão visando acertar o automóvel vermelho, a rajada rasgando o ar em alta velocidade. O Chefe pulou para frente e ativou sua Chama do Céu como propulsores nas chuteiras, para planar no ar. As mãos foram se estendendo para frente, enquanto ele recebeu o impacto completamente.
Uma intensa luz ocorreu por um momento, fazendo com que os outros ocupantes do veículo não soubessem se o Vongola estava ferido ou não. Porém ela cessou alguns instantes e a Doku Sasori tratou logo de olhar pelo retrovisor para ver o estado do rapaz.
E ficou boquiaberta com a constatação. Ricardo apenas sorriu, sabendo que a reação de Sara era extremamente natural. Dudu estava simplesmente segurando toda a energia de aparência de descarga elétrica nas mãos, que tremiam violentamente para manter o controle. Quase imperceptível, podia se notar uma fina camada laranja ao redor das luvas de goleiro.
A Sétima, conhecida por Chama do Céu, é a mais rara pois se trata da junção de todas as outras em unissínio e na mesma freqüência.Com isso, possui a característica chamada Harmonia. Ela pode neutralizar qualquer tipo de Chamas, anulando completamente os seus efeitos. Por isso os chefes das famílias sempre eram portadores da Chama do Céu: ela subjugava todas as outras.
Dudu continuava na mesma velocidade do automóvel, graças a propulsão que estava lhe levitando no ar. Segurava com as duas mãos e os dedos abertos aquele emaranhado de raios verde-esmeralda, que se debatiam tentando se libertar da clausura. A esfera sem forma perfeita deveria ser quase o dobro de tamanho de uma bola de futebol.
–Eu ficarei para limpar a retaguarda de vocês. Ricardo, a segurança do Sucessor está em suas mãos, tenha ciência disso. Doku Sasori, agradeço de antemão seus serviços.
Ambos concordaram com a cabeça de forma respeitosa. O tom de voz de Dudu era de um líder, fazendo até que a loira sentisse a obrigação de seguir as ordens dele. O rapaz então diminui a propulsão de velocidade, deixando o carro se distanciar aos poucos, e ficou observando sem qualquer traço de emoção os atacantes seguirem em sua direção. A arma pelo jeito estava recarregada, mesmo com o atirador estando surpreso por sua primeira investida não ter obtido êxito.
–X-Charge.
Então, a chuteira direita ficou completamente envolta por aquela energia laranja ofuscante. O rapaz planou um pouco mais para cima até ganhar uma altura que achava satisfatória. Então, segundos antes do inimigo disparar novamente a bazuca, o chefe atacou.
Ele desativou as chamas que os sustentavam no ar. Antes que a falta delas o puxassem para baixo devido à gravidade, o rapaz soltou o emaranhado de Chamas do Trovão das mãos e lhe aplicou um chute com a planta do pé utilizando sua maestria e força que apenas um verdadeiro jogador de futebol conseguiria realizar. Em paralelo, outra esfera de energia esmeralda voou na direção do Vongola, igualmente em alta velocidade.
Dudu rapidamente reativou os propulsores, enquanto já estava perdendo altitude rapidamente, e conseguiu sem problema nenhum se estabilizar no ar mais uma vez. Claro, com isso o projétil inimigo passou longe e atingiu umas das encostas ao lado da estrada causando uma cratera. A esfera que Dudu havia rebatido também atravessou o ar zunindo e atingiu em cheio o centro da boléia do caminhão.
A velocidade e o impacto somados a solidez característica da Chama do Trovão, foi como uma bala de canhão de incontáveis libras. O caminhão primeiramente ficou completamente amassado, depois foi arremessado para trás com violência. Os outros dois, mesmo mantendo uma distância relativamente segura do primeiro, acabaram sendo atingidos pelo veículo desgovernado. O resultado foi um engavetamento feio, metal retorcido para todos os lados e pessoas correndo em várias direções antes que os tanque de gasolina explodissem.
Dudu observou os estragos que seu golpe causará sem qualquer traço de emoção, ainda planando no ar. Virou-se para a direção que o conversível vermelho havia tomado, pronto para seguir, quando uma chuva de tiros quase o atingiu. Ele conseguiu se agachar a tempo, e seus olhos castanhos viram vários dos ocupantes do comboio empunhando armas comuns. Praguejou, tento que fazer movimentos evasivos para esquivar dos ataques incessantes das metralhadoras.
Teria que finalizar com aquilo. Não conseguiria sair dali até que todos os quinze atiradores fossem neutralizados. Respirando fundo, após dar uma guinada para a esquerda, o chefe dos Vongola fechou os punhos e encarou seriamente seus alvos. A propulsão nas botas cresceu, aumentando a velocidade de forma quase absurda, enquanto Dudu deu um rasante em direção aos inimigos.
Derrubou dois logo de cara, abrindo os braços e atingindo em cheio o abdômen de ambos com tanta violência que eles foram arremessados para longe. Novamente uma chuva de projéteis rasgou o ar vindo de diversas metralhadoras, obrigando Dudu a mudar a trajetória bruscamente colocando as pernas para frente e rodopiando no ar. Os ouvidos podiam ouvir os zunidos das balas próximas de si, mesmo que seus olhos alaranjados não conseguissem ver mais que borrões. Tomando a impulsão de costas, novamente ele desativou a propulsão das chuteiras enquanto era arremessado contra mais um inimigo, lhe metendo uma bicuda na cabeça do oponente que esmigalhou alguns de seus dentes.
Mal o Chefe teve tempo de aterrissar no solo e já teve que se virar para executar um movimento defensivo. No exato momento em que os tiros iriam alvejá-lo, o rapaz concentrou a Chama do Céu em ambas as luvas e as bateu violentamente uma contra a outra.
–Clarion of Mercy!!!
O impacto causou uma mini-explosão, fazendo a energia alaranjada se alastrar em volta de Dudu na forma de uma circunferência irregular, como uma cúpula que durou apenas alguns segundos. Tal movimento foi suficiente para ricochetear os projéteis, fazendo-os voar para todos os lados e até mesmo pegar os próprios comandados da Gallardo em algumas partes do corpo. Vários deles caíram ganindo de dor, e o sangue se espalhou pelo asfalto em meio ao metal dos destroços. Parte de um dos caminhões explodiu, a gasolina entrando em combustão, mas Dudu nem chegou a se abalar.
Ele cerrou o punho esquerdo, levantando-o e exibindo o “X” marcado na luva de goleiro. A superfície reluzia a luz do fogo que se alastrava pelo local. Os que ainda podiam segurar armas observavam estarrecidos, enquanto a Chama do Céu que se ostentava na testa de Dudu aumentou de intensidade e começou a tremeluzir de forma selvagem.
–Basta. Eu não quero aumentar o número de vítimas nessa guerra que seus superiores começaram. Larguem suas armas e eu os deixarei ir. Observem os corpos desfalecidos de seus companheiros. Vocês não podem vencer um portador de Chamas com simples armas de fogo.
As palavras foram ponderadas, com uma calma inabalável, enquanto Dudu exibia uma expressão serena. Mesmo assim, era impossível não ser intimidado por aqueles olhos convictos. Muitos largaram suas armas de imediato, enquanto uns ainda relutavam em segurá-las com as mãos tremendo. Era de se imaginar que, pelo simples fato de tamanha hesitação, os desertores iriam sofrer algo pior que a própria morte.
O Chefe então pressentiu algo errado com sua intuição, virando-se enquanto retorcia o tronco para o lado. Por pouco havia escapado de levar um tiro quase à queima roupa no meio das costas, o estampido surdo ecoando próximo de seu rosto, enquanto rapidamente sua mão esquerda segurou o cano da arma. O atirador engoliu em seco, ao ver que sua última tentativa desesperada havia falhado.
–Eu disse... Basta.
A luva começou a irradiar uma grande quantidade Chama do Céu, chegando a facilmente entortar o metal pela intensidade da energia. Os olhos de Dudu brilhavam de forma serena e impiedosa, enquanto a outra mão era apontada para o peito do inimigo.
Foi quando um alto ruído passou sobre a cabeça de todos.
O conversível continuava avançando na mesma velocidade, a uma distância bastante razoável do local do embate do Décimo Vongola. Sara estava se permitindo ficar um pouco menos tensa, segurando o volante com os braços relaxados, enquanto Ricardo mantinha ainda a postura reta. A respiração do Sucessor do Sol havia melhorado consideravelmente, embora continuasse pálido e não havia melhoras no ferimento além do sangramento ter sido estancado. Já podiam ver a grande torre de aspecto antigo adiante: um farol pintado em cinza na encosta da baía, desativado a incontáveis anos.
A Torre do Vigia.
–Mais um pouco e estaremos chegando, Sol!
–Eu sei que estamos quebrando o pacto, mas...
Então, um ruído crescente calou ambos, vindo atrás deles na estrada. O pugilista virou a cabeça para trás, enquanto a loira se limitou a novamente olhar pelo reflexo do espelho retrovisor.
Ambos perderam a voz com a visão do novo perseguidor.
A lataria negra reluzia a luz do entardecer, assim como a bateria de mísseis que ele carregava ao lado das asas curtas, onde a esquerda ainda sustentava um grande cilindro que era a metralhadora. As hélices giravam em alta velocidade, tornando-se quase invisíveis, enquanto aquele espectro de ferro e morte se aproximava em uma velocidade muito superior.
–Caminhões, homens armados E AGORA UM HELICÓPTERO DE COMBATE?! MAS O QUE RAIOS ESTÁ ACONTECENDO AQUI?! – a voz de Sara saiu esganiçada, sendo essa a única frase plausível e com coesão. Depois disso, apenas rolaram palavrões e mais palavrões enquanto a Doku Sasori esmurrava o volante com violência.
Ricardo sentiu um calafrio percorrer a espinha, enquanto o algoz se movia em pleno céu. Ele estava com um homem ferido a seus cuidados e, mesmo que de alguma forma Yure estivesse fora de perigo, ele era um combatente de curta distância: não era do tipo que poderia abater uma coisa daquelas.
-Sara... Sara.... –Ricardo disse com a voz tensa, esperando que a loira arranjasse algum plano para tirá-los daquela situação. O helicóptero ainda não havia atacado, como se esperasse ordens de superiores. –Precisamos agir rápido, faça alguma coisa!!!
–Ah, claro. Não, espera, já sei! Vou apertar um botão aqui no volante e vai surgir um lança-granadas do porta-luvas... – ela disse em um tom levemente animado, depois virou bruscamente parte do tronco para trás e tirou uma das mãos do volante, apontando o dedo na cara do rapaz de óculos. – TÁ DE ONDA COM A MINHA CARA, CIVIL?! TU ACHA QUE ISSO DAQUI É UM GUNDAM?! COMO EU VOU FAZER ALGUMA COISA DIRIGINDO, EIN, EIN?! A CULPA NÃO É A MINHA SE VOCÊ É UM COMPL... –a metralhadora giratória foi acoplada mais a frente, sinal de que o piloto provavelmente iria disparar. Nesse meio tempo Sara já estava retomando a posição normal na direção, quando ela encontrou que havia algo no meio da estrada. Arregalou os olhos, buzinando feito uma louca. –MAS QUE MERDA É AQUELA ALI NA FRENTE?!
Alguns minutos antes...
Aquele era o trecho final, sendo que logo após estaria os portões para a propriedade do antigo farol. Ali, no meio da estrada já desgastada pelo tempo, estava uma Kombi branca atravessada no meio da pista. A porta do motorista se mantinha aberta, com uma pessoa sentada no banco com as pernas para fora. Havia outra silhueta encostada na lateral do veículo, com os braços cruzados e uma das pernas levemente dobradas.
A mulher de pé tinha os cabelos marrons, levemente encaracolados junto de uma estatura mediana. Não tinha um físico de lutadora, e sim de uma dançarina, usando uma calça folgada de um azul discreto e uma blusa branca comum. O que chamava a atenção era a longa capa que ela usava, abotoada duas vezes no meio do peito, de tecido escuro com bordas e estranhos desenhos na cor índigo. O capuz também era bastante grande, fazendo parte da capa, lhe encobrindo grande parte do rosto e deixando os olhos ocultos. A expressão era de puro desinteresse.
O homem estava sentado com uma lata de energético nas mãos, enquanto o outro braço apoiava a cabeça. Usava uma calça camuflada em cinza, junto a um par de botas negras. Tinha um cinto com diversos compartimentos e uma fivela prateada, junto a uma camiseta preta simples e um agasalho de exército com zíper, a gola indo até a altura do queixo. O casaco estava aberto e tinha diversas condecorações e marcas na lapela. Usava uma faixa negra na testa também, deixando os cabelos loiros-queimado caírem sobre o tecido. Sua expressão era de pura impaciência.
–Refresque minha memória: o que eu estou fazendo aqui, Guilherme?
-Você ficou de “mimimimi” no meu ouvido que estava querendo fazer alguma coisa de interessante a semanas, Mariana. A culpa não é minha se você tem perdido seus negócios lucrativos.
Eles se entreolharam, e suspiraram ao mesmo tempo.
–Você tem certeza que checou o perímetro direito? Eles realmente cruzaram a linha do tratado?
–Eu tenho certeza absoluta. Você sabe que não tenho dificuldade nenhuma em conseguir essas informações, Sucessor da Chuva. –Ela ergueu levemente o braço esquerdo, cheio de braceletes de prata, um deles com um pequeno chocalho unido a uma corrente. Com um sutil movimento da mão, ela criou um leve lampejo de Chamas da Névoa, que se dispersaram pelo ar. O outro fez uma expressão de indiferença.
–Você está seguindo os passos deste conflito eminente há muito tempo... –ele a repreendeu. –Me questiono por quê.
Um sorriso lascivo surgiu nos lábios dela.
–Eu não sou tola como o Yure. Apenas estou curiosa... Afinal, você sabe o que está dentro daquela urna, Guilherme. Não lhe deixa, no mínimo, um pouquinho animado pensar que aquilo está prestes a despertar?
O silêncio pairou por alguns momentos, até ser quebrado por um ruído que estava se aproximando. O Sucessor da Chuva entornou o resto do conteúdo da lata garganta abaixo e amassou a latinha cerrando o punho, sem dó ou piedade. Estava na hora de cumprir seu papel.
–Estão se aproximando. Chegou a hora. –a voz dela sibilou, com o mesmo sorriso nos lábios.
O rapaz saiu do veículo e foi até a porta de trás, que era de correr, abrindo-a em um puxão. Arqueou um pouco as costas para pegar aquele objeto um tanto quanto o pesado, enquanto já era possível observar um conversível vermelho e o helicóptero negro saindo da linha do horizonte, ambos vindo em alta velocidade. Quem estava dirigindo o carro já havia visto a barricada no meio da pista, e começou a buzinar de forma desvairada.
Guilherme se virou, posicionando o lança-mísseis no ombro e travando a mira na aeronave.
–Você fez a sua parte?
–Óbvio, Guilherme. O piloto está completamente desnorteado. Ele não consegue enxergar nada além de borrões e está ouvindo uma estática ferrenha da comunicação. Manipulação feita com sucesso... Mas seja rápido: a vida útil de minha técnica só dura alguns relevantes segundos, ainda mais que ela está tão longe de mim.
–Não se preocupe. O resto minha belezinha resolve.
Ele apertou o gatilho.
–MAS QUE MERDA É AQUELA ALI NA FRENTE?! –vociferou Sara, ao encarar o estranho com aquela arma brutal no próprio ombro.
O projétil disparou e rasgou o ar, saindo da arma.
O helicóptero explodiu, pedaços voaram para todos os lados.
–O que faremos?
Já estava escurecendo quando Kamila fez essa pergunta, se aproximando da caminhonete, estacionada na lateral do posto de gasolina. Kiba estava sentado na beirada da caçamba, enquanto Karoline estava no banco do carona. A ruiva estava com um celular na mão, e a morena via pela sua expressão que não estava com boas notícias.
–Tem batedores rondando essa região inteira. Não podemos correr o risco de tentarmos ir para a Torre do Vigia... Vamos chamar muita atenção... Não temos condições de luta, ainda mais com o Kiba ferido desse jeito.
–Eu ainda posso segurar uma espada. E só uns dois pontos abriram. Eu vou sobreviver. — o espadachim bufou, irritado.
–Não estou preocupada se você vai sobreviver, e sim no tamanho da próxima encrenca que você vai nos colocar. –Karoline foi categórica ao dar um corte no irmão, embora quem a conhecesse sabia que essas palavras escondiam uma preocupação tremenda com o Guardião da Tempestade. –Temos que achar um local para passar a noite. Se eles acreditarem que nos afastamos daqui, aumentaram a grade de busca e deixaram nosso caminho mais fácil...
–Estamos perto da Zona Sul,Karol. Eu não conheço ninguém por essas bandas. Ninguém confiável a esse ponto.
Elas ficaram em silêncio pensativas. Kiba respirou fundo, enquanto voltou a se sentar dentro do compartimento de carga.
–Eu sei para onde devemos ir.
Kamila desviou seus olhos castanhos para ele, com um certo espanto no olhar. A Guardiã da Nuvem manteve-se parada, pois já tinha idéia do que seria.
–Para onde, Kiba? Quem você acha que pode nós ajudar nessas condições?
–Meu antigo mestre. Ele saberá o que fazer.
Notas finais
Forma de julgamento:
Cada leitor, até a presente data de Junho de 2010, enviou uma ordem com seus três guardiões preferidos, por ordem decrescente. Conforme enviado, cada colocação havia uma pontuação:
Primeiro da ordem: 3 pontos
Segundo da ordem: 2 pontos
Terceiro da ordem: 1 ponto
Após somadas a pontuação obtida por todos os personagens, os mais pontuados obtiveram as devidas posições no RANKING.
COLOCAÇÃO:
1° LUGAR: Karoline / kiba
2° LUGAR: Zatch
3° LUGAR: Jô
Nuvem - Karoline
Nome: Karoline Camargo
Idade: 19 anos
Arma: Espectro Celeste (Andorinha)
Música-tema: Blue Orchid / The White Stripes
Gosta de:
-Desenhar
-Armas de corte
-Bater nos outros
Odeia:
-Arruaça
-Irresponsabilidade
-Resolver problemas dos outros
Tempestade kiba
Nome: Igor Camargo
Idade: 20 anos
Arma: Lâmina da Tormenta (Lobo)
Música-tema: Metal contra as nuvens / Legião Urbana
Gosta de:
-Mordomia
-Confusão
-Viajar
Odeia:
-Trabalho
-Questões complexas
-Matemática
Chuva Zatch
Nome: Eduardo Kress
Idade: 20 anos
Arma: Mergulho Súbito (Falcão)
Música-tema: The trooper / Iron Maiden
Gosta de:
-Tocar bateria
-Problemas matemáticos
-Montar estratégias
Odeia:
-Impulsividade
-Improviso
-Sofrer chacota
Névoa Jô
Nome: Jônata Rafael Volpi
Idade: 20 anos
Arma: Vertigem Híbrida (Raposa)
Música-tema: When Im gone / Three Doors Down
Gosta de:
-Trotes
-Sinuca
-Garotas-problema
Odeia:
-Piadinhas sobre glúten
-Ovos
-Seriedade
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