Beyond Kingdoms: The Lemniscus Crystals
8 POV Yeri - Capítulo Um "A little touch of heavenly light"
Notas iniciais

◊ 840 estações após a ascensão da Família Torgu, Ciclo de Ra
Ela sentiu o olhar em suas costas assim que emergiu da água. Esfregou seus braços sujos e seus ombros, lavou seu rosto novamente, sentindo uma dor horrível na cabeça e seus braços cicatrizando, numa leve coceira.
– Eu sei que você está aí – Falou tirando a maior parte do líquido vermelho de suas vestes, que flutuavam no rio.
O garoto parou de se esconder, aparecendo em cima de um galho, com um arco e flecha em mãos.
– És uma sereia? – Falou em sua língua rebuscada.
– Sereias vivem em água salgada – Fez sinal de silêncio com as mãos, como quem compartilha um segredo.
O garoto era, claramente, fraco e franzino, tinha uma bugiganga feita de aço ao redor dos olhos, que seguravam dois pedaços de vidro, que deixavam seus olhos grandes e engraçados, as sobrancelhas grossas ficavam atrás do pedaço de metal e eram da mesma cor do cabelo, cor de ferrugem. Pelo menos foi o que ela pensou, já que a quantidade de terra e da própria ferrugem em cima do menino deixava qualquer melhor observação difícil.
– Tu não tens pudor – Constatou – Teu corpo e tuas vestes estão sujos de sangue.
– Sereias vivem em água salgada – Fez silêncio, ouvindo os ventos – Mais ou menos pra lá – Apontou.
– Quem és tu?
– Não tenho um nome, como deseja me chamar?
Ele parou para pensar.
– O que acha de Yeri?
– Muito bem então – Saiu da água e o garoto desviou o olhar – Você abaixou a guarda, poderia muito bem te matar agora – Riu quando ele tentou olhá-lo, sem sucesso – Muito prazer, sou Yeri – Se curvou.
Ele olhou suspeito para seu rosto, desviando novamente quando ela começou a se vestir.
– Auwind, Daniel Auwind.
– Daniel – Saboreou o nome em sua voz – Sereias só vivem em águas salgadas. Se alguma sereia vivesse nesse lago, ela ficaria presa e provavelmente morreria.
– O que mais você sabe? – Perguntou desconfiado.
– Não muito, mas sei que você não sabe usar seu arco – Maneou a cabeça em direção ao objeto esquecido ao lado do corpo do menino.
– Claro que eu sei! – Soltou ar, exaltado.
– Naquela direção – Apontou para uma árvore – Dentro de 30 pés, tem um pássaro. Acerte-o.
O ruivo, revoltado, pegou o objeto de madeira e uma das poucas flechas de sua aljava, mirou para onde ela apontou, com seus braços tremendo.
– Mais pra lá – Ele obedeceu – Acho que sua flecha nem chega lá.
– Claro que chega! – Abaixou o arco, olhando-a indignado.
– Foco – Ele voltou a sua posição rígida, respirando fundo, soltou a corda, não atingindo nem a árvore que ela tinha mencionado – Te falei – Sorriu presunçosa.
– Normalmente eu acerto – Mentiu dando de ombros.
– Você nem tem força pra isso.
– Qual o seu problema garota? – Reclamou.
Yeri pegou impulso e pulou no galho que o garoto estava a principio, se escondendo e pedindo silencio com as mãos.
Elfos loiros de sangue puro passaram ao lado do menino, ignorando-o, imersos numa conversa sobre um bicho, talvez um lobo, que tinha destroçado todo o povo de um vilarejo com os dentes, mas sem comer a carne. Claro que eles estranharam os símbolos de sangue espalhados pela terra, antes fértil, mas, talvez, fosse só coincidência.
– Você fez isso? – Perguntou quando eles se afastaram.
– Eles simplesmente ignoram os bastardos assim?
– Como você fez isso? – Começou a andar em círculos.
– Quantos invernos você tem? – Se pendurou com as mãos no galho e começou a se balançar.
– Você vai me matar? – Arregalou os olhos.
– Em quantos infernos você vive?
– Pelo Kemmotar, responda.
– Sim, com as presas, você ouviu. Não. Sua vez.
– Sim, sim. Bastardo, 13 invernos. Muitos.
– Você é muito inteligente – Desceu – Por que você não pede para pesquisar sereias ao seu precioso rei?
– Porque eu sou um bastardo – Rolou os olhos – Que nem sabe usar arco e flecha – Chutou o objeto que caiu no lago.
– Você não deveria desistir dos seus sonhos – Viu os olhos do garoto brilhar.
– Não irei – Falou firme.
– Eu tenho que ir Sr. Auwind – Fez uma reverência real, zombando – Espero ouvir seu nome algum dia.
– Para onde vai, Yeri?
– Para onde eu vou? – Perguntou para si mesma. Se manteve ereta e começou a girar sobre o próprio eixo, até que parou – Para lá – Sorriu – Para longe.
– Longe?
– Até nunca mais Daniel.
Ele viu a garota sumir em sua frente, e em seu lugar, surgir um animal, grande e amarelo, da cor dos cabelos da menina, com os olhos, também da mesma cor dos dela, amarelo-esverdeado. Sentiu sua curiosidade aflorar enquanto se aproximava, tocando os pelos com calma e admiração.
Notou que eles não queimavam sobre seu toque como os livros diziam, provavelmente seu sangue anão era predominante nesse quesito, permitindo-o sentir a maciez sem machuca-la. Ela o olhou, fria, e saiu correndo numa velocidade incrível, bem na hora que os elfos, quase do dobro de sua altura, passaram novamente, com armas maiores.
Ignoraram-no novamente.
Daniel Auwind nunca mais viu aquela garota.
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