Beyond Kingdoms: The Lemniscus Crystals

8 POV Yeri - Capítulo Um "A little touch of heavenly light"


Notas iniciais
[editado] Capítulo feito pela Nagisa (u/138657) Deve ter alguns erros porque eu não sei mexer nesse site e normalmente a Gabi ou a Fah cuidam dessas coisas... Então deve ter alguns bugs xD -------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- Os Ciclos da Lua (meses) são dados na seguinte sequência: - Parval - Ra - Tempar - Mohdir - Dekin - Raiho - Boltar - Myckpar - Sly - Lhone - Terug - Phanor

◊ 840 estações após a ascensão da Família Torgu, Ciclo de Ra

Ela sentiu o olhar em suas costas assim que emergiu da água. Esfregou seus braços sujos e seus ombros, lavou seu rosto novamente, sentindo uma dor horrível na cabeça e seus braços cicatrizando, numa leve coceira.

– Eu sei que você está aí – Falou tirando a maior parte do líquido vermelho de suas vestes, que flutuavam no rio.

O garoto parou de se esconder, aparecendo em cima de um galho, com um arco e flecha em mãos.

– És uma sereia? – Falou em sua língua rebuscada.

– Sereias vivem em água salgada – Fez sinal de silêncio com as mãos, como quem compartilha um segredo.

O garoto era, claramente, fraco e franzino, tinha uma bugiganga feita de aço ao redor dos olhos, que seguravam dois pedaços de vidro, que deixavam seus olhos grandes e engraçados, as sobrancelhas grossas ficavam atrás do pedaço de metal e eram da mesma cor do cabelo, cor de ferrugem. Pelo menos foi o que ela pensou, já que a quantidade de terra e da própria ferrugem em cima do menino deixava qualquer melhor observação difícil.

– Tu não tens pudor – Constatou – Teu corpo e tuas vestes estão sujos de sangue.

– Sereias vivem em água salgada – Fez silêncio, ouvindo os ventos – Mais ou menos pra lá – Apontou.

– Quem és tu?

– Não tenho um nome, como deseja me chamar?

Ele parou para pensar.

– O que acha de Yeri?

– Muito bem então – Saiu da água e o garoto desviou o olhar – Você abaixou a guarda, poderia muito bem te matar agora – Riu quando ele tentou olhá-lo, sem sucesso – Muito prazer, sou Yeri – Se curvou.

Ele olhou suspeito para seu rosto, desviando novamente quando ela começou a se vestir.

Auwind, Daniel Auwind.

– Daniel – Saboreou o nome em sua voz – Sereias só vivem em águas salgadas. Se alguma sereia vivesse nesse lago, ela ficaria presa e provavelmente morreria.

– O que mais você sabe? – Perguntou desconfiado.

– Não muito, mas sei que você não sabe usar seu arco – Maneou a cabeça em direção ao objeto esquecido ao lado do corpo do menino.

– Claro que eu sei! – Soltou ar, exaltado.

– Naquela direção – Apontou para uma árvore – Dentro de 30 pés, tem um pássaro. Acerte-o.

O ruivo, revoltado, pegou o objeto de madeira e uma das poucas flechas de sua aljava, mirou para onde ela apontou, com seus braços tremendo.

– Mais pra lá – Ele obedeceu – Acho que sua flecha nem chega lá.

– Claro que chega! – Abaixou o arco, olhando-a indignado.

– Foco – Ele voltou a sua posição rígida, respirando fundo, soltou a corda, não atingindo nem a árvore que ela tinha mencionado – Te falei – Sorriu presunçosa.

– Normalmente eu acerto – Mentiu dando de ombros.

– Você nem tem força pra isso.

– Qual o seu problema garota? – Reclamou.

Yeri pegou impulso e pulou no galho que o garoto estava a principio, se escondendo e pedindo silencio com as mãos.

Elfos loiros de sangue puro passaram ao lado do menino, ignorando-o, imersos numa conversa sobre um bicho, talvez um lobo, que tinha destroçado todo o povo de um vilarejo com os dentes, mas sem comer a carne. Claro que eles estranharam os símbolos de sangue espalhados pela terra, antes fértil, mas, talvez, fosse só coincidência.

– Você fez isso? – Perguntou quando eles se afastaram.

– Eles simplesmente ignoram os bastardos assim?

– Como você fez isso? – Começou a andar em círculos.

– Quantos invernos você tem? – Se pendurou com as mãos no galho e começou a se balançar.

– Você vai me matar? – Arregalou os olhos.

– Em quantos infernos você vive?

– Pelo Kemmotar, responda.

– Sim, com as presas, você ouviu. Não. Sua vez.

– Sim, sim. Bastardo, 13 invernos. Muitos.

– Você é muito inteligente – Desceu – Por que você não pede para pesquisar sereias ao seu precioso rei?

– Porque eu sou um bastardo – Rolou os olhos – Que nem sabe usar arco e flecha – Chutou o objeto que caiu no lago.

– Você não deveria desistir dos seus sonhos – Viu os olhos do garoto brilhar.

– Não irei – Falou firme.

– Eu tenho que ir Sr. Auwind – Fez uma reverência real, zombando – Espero ouvir seu nome algum dia.

– Para onde vai, Yeri?

– Para onde eu vou? – Perguntou para si mesma. Se manteve ereta e começou a girar sobre o próprio eixo, até que parou – Para lá – Sorriu – Para longe.

– Longe?

– Até nunca mais Daniel.

Ele viu a garota sumir em sua frente, e em seu lugar, surgir um animal, grande e amarelo, da cor dos cabelos da menina, com os olhos, também da mesma cor dos dela, amarelo-esverdeado. Sentiu sua curiosidade aflorar enquanto se aproximava, tocando os pelos com calma e admiração.

Notou que eles não queimavam sobre seu toque como os livros diziam, provavelmente seu sangue anão era predominante nesse quesito, permitindo-o sentir a maciez sem machuca-la. Ela o olhou, fria, e saiu correndo numa velocidade incrível, bem na hora que os elfos, quase do dobro de sua altura, passaram novamente, com armas maiores.

Ignoraram-no novamente.

Daniel Auwind nunca mais viu aquela garota.

Notas finais
Curiosidade: Não foi de propósito que eu escolhi Yeri, é o nome de uma integrante de um grupo que eu curto, eu escolhi porque parecia rústico o suficiente para a personagem. Mas nas minhas pesquisas recentes, Yeri é de origem russa e significa "o apontado por Deus", que até que tem a ver com a história da própria personagem :) Espero que tenham gostado :) Deixem um comentário o/