Beyond Kingdoms: The Lemniscus Crystals

5 POV Sean Forest - Prólogo "Roots Of A Warrior"


Notas iniciais
Esse capítulo foi escrito por Fah (http://fanfiction.com.br/u/96888/) ~ Fah ~Boa leitura! --------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- Os Ciclos da Lua (meses) são dados na seguinte sequência: - Parval - Ra - Tempar - Mohdir - Dekin - Raiho - Boltar - Myckpar - Sly - Lhone - Terug - Phanor

◊ 852 estações após a ascensão da família Torgu, ciclo de Phanor

O som das ondas quebrando na praia é reconfortante, a brisa do mar rumo a noroeste balançando as folhas das árvores.

O alvo está distante de mim uns dez metros, pendurado em um galho, movimentando-se com o vento. Levanto o arco e meu queixo. Concentro-me em um ponto da trajetória do alvo. Conto o tempo que ele leva para cumpri-la por completo. Pego uma flecha da aljava em minhas costas e miro, prevendo a resistência do ar e a mudança que este fará no caminho da flecha. Respiro fundo e enrijeço os músculos. Preparo-me para atirar.

— Sean.

O susto me faz atirar por instinto, antes do tempo. Fecho os olhos e solto o ar lentamente, para controlar a frustração.

Viro-me para onde o som veio e vejo Zorek, comandante da Primeira Tropa, encostado em uma coluna na frente da porta que dá acesso ao jardim, onde estou nesse momento. Ouço um barulho de algo quebrando e viro-me novamente para meu alvo, só para ver que metade do vidro, material de que ele é composto, caiu no chão, devido à flecha, que agora encontra-se cravada no tronco da árvore.

Ouço Zorek soltar uma risada rouca atrás de mim, agora mais próximo. Não posso deixar de sentir-me orgulhoso, acertar assim é para poucos, seja isso sorte ou não. Suspiro e viro-me novamente para o comandante.

— Zorek. O que fazes aqui?

— A senhora sua mãe pediu-me para chamá-lo á Sala de Artes. Um profissional irá produzir uma pintura de Vossa Alteza.

Abro a boca, porém a fecho imediatamente. Não traria nenhuma vantagem tentar argumentar sobre o excesso de pinturas de nossa família. Já completei dezenove outonos, época em que minha raça para de sofrer a influência do tempo. Só assinto levemente com a cabeça, deixo o arco e a aljava em uma mesinha e acompanho Zorek pelos corredores do palácio que conheço tão bem quanto a mim mesmo.

O sol quente da tarde de verão ilumina o caminho, deixando o castelo com uma beleza específica dessa época do ano. Olho por algumas janelas em um trecho do caminho e vejo pássaros voando com seus devidos bandos.

Zorek e eu chegamos em frente à Sala das Artes e abrimos as portas imensas, nos deparando imediatamente com o resplendor dourado do salão. A varanda oposta às portas, os vitrais, as janelas de cristais que não abrem e as pinturas causam um efeito estonteante à luz do dia.

Entro lentamente e observo algumas pinturas com minha imagem, pintadas desde que eu era um pequeno elfo. Vejo uma mais recente, pintada há seis meses. Nessa pintura, estou com o mesmo cabelo loiro, liso e comprido, arrumado atrás de minhas orelhas pontiagudas, somente com duas tranças finas — uma de cada lado -, em frente a elas. Meus olhos, estreitos e de íris azuis, com sobrancelhas de grossura mediana, fazendo companhia a um nariz e boca finos.

— Sean...?

Pisco, retomando consciência de onde estou. Olho para minha mãe, de onde surgiu a voz.

— Senhora. — cumprimento-a com uma reverência.

Ela aponta o queixo para um homem postado diante de um quadro em branco, o pintor. Olho-o, sem vontade nenhuma de ir até lá, mas o faço do mesmo jeito, pois tenho menos vontade ainda de discutir com minha mãe, que se encaminha para onde meu pai está, do outro lado do salão.

O pintor faz uma grande reverência e um gesto para eu me posicionar, e assim faço. Enquanto começa a pintura, ele fala algo sobre como minha família governa o reino muito bem, mas não o ouço, estou mais concentrado em manter-me quieto, na mesma pose, algo em que nunca fui muito bom.

Concentro-me em um ponto fixo e começo a pensar no treino que farei amanhã, deixando o pintor falando sozinho. O trecho da floresta onde posicionei os sacos de pano provavelmente estará agradável amanhã, o que, possivelmente, deverá melhorar meu rendimento. Treinarei na floresta, então. Terei que preparar meu cavalo hoje à noite para poder utilizá-lo amanhã no treinamento.

As portas abrindo-se bruscamente retiram-me de meu devaneio. Um grupo de soldados entra no salão, afobados e ofegantes. Olho-os, surpreso. Vejo meus pais caminharem em direção a eles e faço o mesmo, desculpando-me com o pintor por tê-lo interrompido. Sinto-me culpado em ter ficado um pouco feliz por não ter mais que ficar parado em frente ao quadro.

— Rei Kemmotar, Rainha Eirien. — o soldado faz uma reverência, a qual é retribuída. Então, ele me vê. — Príncipe Sean. — cumprimento-o. Ele respira fundo, ainda ofegante. — Houve um ataque a Sern, uma das vilas da fronteira, na semana passada. Conseguimos expulsar os invasores, mas achamos que haverão outros ataques em breve, e em outras cidades.

Meu pai ouve atentamente, enquanto minha mãe assume um semblante preocupado e horrorizado. Estreito os olhos enquanto os soldados contam mais detalhes. A invasão foi bastante violenta, como se houvesse uma tentativa de tomar a vila. Os invasores estavam bem armados e bem treinados. Parece que, se não fosse pela tropa local, eles teriam avançado para outros vilarejos.

— A vila quase fora destruída. Eles chegaram ao anoitecer. A cidade faz fronteira com Andor, mas não sabemos se a invasão foi oficial ou se era só um grupo de doidos querendo invadir, roubar a aproveitarem-se das mulheres e crianças. Eu estava lá e ajudei a retirar os malditos invasores. — diz um dos soldados.

Conheço a vila Sern, já estive lá algumas vezes. Para se fazer o percurso de lá até Malva, a capital e onde encontra-se o Palácio Real, em uma semana, é necessário ter cavalos potentes, então creio os estábulos da cidade não foram afetados, ou então o foram levemente. Sern faz fronteira com Andor, território comandado pelos humanos. Infelizmente, os soldados não sabem se a invasão tem ligação com o governo de lá.

— Qual a estratégia deveremos tomar? — diz outro militar.

Faz-se silêncio por um momento. Eu e minha família trocamos olhares. Percebo a coisa mais óbvia que temos que fazer.

— Como há possibilidade de outras invasões, coloquem tropas nas florestas próximas das fronteiras. De todas as fronteiras, já que pode não haver ligação nenhuma com o governo de Andor. Mandem as subdivisões das Tropas Reais para as cidades de fronteira e avisem as tropas locais.

— Chequem se há algum sobrevivente invasor no interior. Interroguem e, depois, independentemente se ajudarem ou não, matem. Levem curandeiros para os feridos de Sern. Zorek, você e mais quatro guardas irão tirar Sean daqui. — fala o rei.

— Espera, o quê? Pai, não! Eu vou continuar em Malva. Se os invasores quiserem chegar aqui, então aqui eu tenho que estar. Eu tenho que proteger Malva.

— Você tem que estar vivo para proteger o reino, garoto. — meu pai fala.

— Sean, se os invasores quiserem chegar em Malva, e nós não sabemos se é isso o que querem, eles tentarão atacar o castelo. Então é melhor que nem toda a família real esteja aqui. — minha mãe argumenta.

— Eu não quero fugir.

— Sean, não podemos arriscar. Se quem invadiu Sern estava com boas armas e bem treinado, eles podem estar quase ao nível de nossos soldados. Nós podemos nos sair melhor e eles podem nem tentar chegar ao meio do reino, mas é melhor prevenir do que remediar. Você vai voltar em alguns dias, Sean.

Bufo. Outra ideia aparece em minha mente.

— Se eles tentarem chegar aqui, pode ser que usem o mar. Os invasores podem ter amigos no litoral de Andor ou de outro território. Acho muito difícil que venham do litoral de Andor, mas, ainda assim, como minha mãe disse "melhor prevenir do que remediar". Preparam a Marinha.

Os soldados concordam e retiram-se da sala. O pintor está boquiaberto e atônito com a situação.

— Sean, arrume suas coisas, saímos hoje à noite. Os invasores já podem ter tentado outros ataques enquanto estes guardas vinham nos avisar. — Zorek fala.

Olho pela a varanda do salão e respiro fundo.

Então, retiro-me do local, deixando o pintor sem terminar seu trabalho.

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Pego minha adaga e minha espada, enfiando-as no cinto.

Coloco os saquinhos com recursos medicinais na sacola, no meio das roupas e objetos de higiene. Olho para meu quarto, para a mistura de branco, dourado e verde, para o pôr-do-sol iluminando levemente as paredes e o chão. Dói-me ter que sair de Malva, a linda e bem-cuidada capital de meu reino, Íria.

Apesar de eu não estar satisfeito, admito relutantemente que, se os invasores forem ambiciosos e levemente suicidas, é melhor para o povo desse reino que aqueles desgraçados não tenham a chance de matar toda a minha família. Entretanto, eu tenho o dever de voltar e de lutar, caso os invasores ainda se atrevam a estar aqui. Se eu tiver que morrer, morrerei. Vou fazer tudo o que estiver a meu alcance.

Verifico a sacola e observo que preciso de meu arco e minhas flechas, que deixei no jardim, onde eu estava treinando antes de minha mãe pedir para o Comandante Zorek me chamar. Amarro a sacola em torno da cintura e saio do quarto, caminhando em direção ao jardim. Em certo ponto, um grupo de cinco soldados, comandados por Zorek, me aborda.

— Príncipe Sean, onde está indo? — Roccondill pergunta.

— Para o jardim.

— O que fazer?

— Pegar meu arco, minha aljava e mais quantas flechas eu conseguir.

Chego a meu destino, com o grupo em meu encalço. Vejo o que estou procurando exatamente onde os deixei e pego-os, colocando a aljava em minhas costas e, dentro dela, as flechas que pego do chão e dos alvos. Quando termino, Zorek me informa que meus pais esperam por mim na entrada do palácio. Caminho com os guardas até o local informado e, então, eles e minha família fazem algumas verificações necessárias antes que eu possa sair daqui.

— Eu vou voltar. — digo.

— Continue íntegro, não se deixe abalar. — meu pai diz.

— Use sua inteligência. — minha mãe fala.

— Zorek não é necessário na fronteira? — pergunto. — Ele é comandante.

— Zorek é um dos comandantes, Sean. Já arranjamos um substituto ao nível. — minha mãe responde. — Arrume um jeito de se comunicar conosco, filho. Manteremos o reino de Íria informado.

Faço um movimento de concordância com a cabeça e viro-me para os guardas, os cinco que foram designados para acompanharem-me para algum lugar seguro. Faço um sinal com a mão para eles, informando-lhes que estou pronto para ir embora. Zorek dá a ordem em voz alta.

Então, seguimos rumo à floresta.

Notas finais
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