Beyond Kingdoms: The Lemniscus Crystals

10 POV Sean Forest - Capítulo Um: "Old Enemy"


Notas iniciais
Esse capítulo foi escrito por Fah (http://fanfiction.com.br/u/96888/) ~ Fah ~Boa leitura! -------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- Os Ciclos da Lua (meses) são dados na seguinte sequência: - Parval - Ra - Tempar - Mohdir - Dekin - Raiho - Boltar - Myckpar - Sly - Lhone - Terug - Phanor

◊ 852 estações após a ascensão da Família Torgu, ciclo de Phanor

Esta é a terceira noite desde que saí de Malva.

A luz do luar mal passa por entre as árvores. A fogueira pequena também não ajuda muito, pois não podemos arriscar chamar a atenção de qualquer criatura perigosa que esteja vagando pela floresta.

Olho desanimado para meu pedaço de cervo. Pensei que não iria acostumar-me com as refeições escassas, porém mal tenho sentido fome. Istyar está sentado a meu lado, com uma expressão entediada, talvez saudosa. Ele está encarando a carne em suas mãos. Olho-o, intrigado.

— Ei. — chamo-o. — O que te perturba?

Ele se sobressalta e olha para mim, confuso por um momento. Ele respira fundo e sua expressão torna-se melancólica.

— Deixei minha amada em Malva. Eu estava a caminho de pedi-la em casamento quando chamaram-me para ajuda-lo.

Abro a boca, mas não tenho uma resposta suficientemente boa. Sinto mal imediatamente. Se eu soubesse disso antes, faria questão de ter chamado outro soldado. Ele deve estar angustiado, ansioso para fazer o pedido.

— Istyar, se você quiser voltar para Malva, voltar para sua amada… Sinta-se à vontade. Você tem meu suporte e meu desejo de boa sorte.

O soldado me encara, seu rosto mudando de surpreso para admirado e assustado.

— Não… Não, senhor. — ele balança a cabeça levemente. — Não é necessário. Posso voltar quando cumprir com o objetivo.

Há um momento de silêncio entre nós; as únicas coisas que o quebram são o crepitar da fogueira e os barulhos da floresta. Estreito os olhos, pensando em um termo que Istyar utilizou.

— “Senhor”? — questiono. — Você é só dois anos mais velho que eu; pode me chamar de Sean. — olho para os outros elfos ao redor da fogueira. — Isso serve para todos vocês, mesmo que tenham uma diferença maior de idade.

Sorrio para eles, que não têm uma reação específica. Somente Zorek fica indiferente, pois já me chama assim desde que eu era uma criança. Depois de alguns momentos de tensão, voltamos a nos concentrar em nossas comidas, conversando timidamente. Em alguns momentos, tento elevar o ânimo. Fico feliz quando consigo.

Quando terminamos de comer, verificamos os cavalos no lugar seguro onde os deixamos e preparamos nossos locais para dormir em cima de algumas árvores, usando nossas sacolas como travesseiros. Roccondil fica com o primeiro turno. Subo na árvore que escolhi e acomodo-me desconfortavelmente nos galhos.

Adormeço após a fogueira ser apagada, ouvindo o som confortável das aves noturnas de Íria.

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Acordo com Cuohtar cutucando meu ombro com a vareta longa que achamos na primeira noite de viagem.

Esfrego os olhos com as costas das mãos e assobio baixo para ele, sinalizando que ele já pode ir dormir. Ouço-o jogando a vareta no chão e vejo-o subir sua árvore. Desde que partimos de Malva, definimos os turnos noturnos: Roccondil, Cuohtar, eu, Sarn, Istyar e Zorek.

Desço da árvore cuidadosamente, sem muita ideia do que fazer. Solto um suspiro e apoio minhas costas na madeira. O ambiente está escuro, o que dificulta minha visão do local. Espero meus olhos acostumarem-se. Quando o fazem, consigo identificar os resquícios do acampamento recolhido.

Descolo-me da madeira, agoniado. Giro o corpo e consigo identificar uma trilha um pouco atrás da árvore em que estava encostado. Olho para os topos das árvores, onde sei que os outros estão, e concentro-me em ouvir os barulhos ao redor. Satisfeito com a mínima sensação de segurança, caminho para perto da fogueira e pego dois pedaços de madeira. Esfrego-os e consigo acender uma tocha. Verifico a possibilidade de o outro pedaço se acender, jogo-o nos restos da fogueira e entro na trilha.

A floresta é densa, então há alguns obstáculos. Paro para analisar algumas árvores e reconheço muitas espécies dos livros que já li sobre a flora de Íria. Identifico alguns animais pequenos. Em uma árvore Yme, encontro um pequeno pássaro enroscado em umas raízes, parecendo machucado. Pego-o, o mais gentilmente possível, e coloco-o em um galho baixo. A luz da tocha me permite identificar sua coloração: uma mistura de vermelho e branco. É um animal belo.

Sorrio para mim mesmo e viro-me de volta para a trilha. Caminho, prestando atenção no máximo de coisas que consigo; não é sempre que tenho a chance de ver a floresta fora dos livros. Encontro um agrupamento de rochas em pouco tempo e paro para analisa-lo. Há vários tipos de cristais em meio a elas.

Um cristal em particular me intriga. Pego-o, para vê-lo melhor à luz da tocha.Giro-o entre meus dedos, observando-o. Há diferentes tons de verde nele, além de um brilho incomum, que não é proveniente da tocha em minha mão. Parece vir de dentro do próprio cristal. Suspiro e guardo-o no bolso da calça, disposto a analisa-lo melhor pela manhã, enquanto estiver viajando. Pego algumas pedras interessantes e olho para o céu noturno. Já deve ser tempo de voltar para o acampamento.

Começo meu caminho de volta, torcendo para que nada tenha acontecido por lá.

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O ambiente é escuro e úmido.

Cerro os olhos ao ver um ambiente diferente do que estou acostumado. Vejo-me em uma clareira, uma floresta aberta ao meu redor. Parece que choveu há poucos instantes. Não me lembro de ter deitado, mas é assim que estou. Respiro fundo e apoio minhas mãos no chão, para levantar-me. Sinto a lama imediatamente. Praguejo silenciosamente e levanto mesmo assim, ignorando o solo úmido. Olho em volta e não consigo reconhecer o lugar, não se parece com a flora de Íria. Não há barulho algum, mas o odor é forte, de detritos e decomposição.

Thenyë. — ouço uma voz dizer atrás de mim.

Viro-me cuidadosamente e vejo uma mulher. Olho-a, intrigado. A cor de sua pele é um branco anormal e parece ter a textura das melhores sedas élficas. Seus cabelos são negros e escorrem como água até sua cintura. Seus olhos são verdes como as folhas das árvores.

Ela é linda e assustadora.

Caminho para trás enquanto ela se aproxima de mim. Paro quando minhas costas encostam em um tronco. Procuro por um galho em que possa subir, sem movimentos bruscos. Quando não acho, procuro por minha espada ou adaga em meu cinto. Sumiram. Confuso, olho para baixo, só para ter certeza de que meu tato não me engara. Fecho os olhos e respiro fundo.

— Quem é você? E onde aprendeu a falar élfico? — pergunto, sem abrir os olhos.

— Eu sou eu, oras. E aprendi com você, Sean. — Sua voz soa aveludada.

Abro os olhos, atônito, e olho-a. Ela sorri e ergue alguma coisa.

Minha espada, minha Ethand.

Fico pasmo quando a vejo. Como essa mulher a pegou? Ela se aproxima de mim, com a espada em mãos. Viro-me para sair dali, mas algo me puxa para o tronco. Galhos. Eles apertam-me na árvore, fazendo-me ficar sem ar por um instante. A mulher chega perto de mim e toca meu rosto. Sinto-me desconfortável e desvio o olhar.

— Deixe-me entrar, Sean. Por que resistes? — ela vira meu rosto para que eu possa vê-la.

— Quem é você?

Assim que falo, ela engasga. O odor do ambiente piora. A expressão dela é tão triste que me sinto culpado. Sinto-me como se a tivesse ofendido. Relaxo o corpo e abro a boca para tentar amenizar a situação, mas não tenho a chance. Ela parece notar minha tentativa e sorri para mim.

Ela começa a brilhar e o ar fica rarefeito, como se ela o estivesse puxando para si.

Uma má impressão cresce desesperadamente em mim. Tento soltar-me dos galhos, mas eles não cedem. Em questão de segundos, o brilho se intensifica e abrange todo o ambiente. Fecho os olhos e viro o rosto, na tentativa de proteger meus olhos. O ar me falta e, quando volta, os galhos me soltam e caio de joelhos no chão. Ouço um riso, que me faz abrir os olhos, receosamente.

O que vejo não faz sentido algum.

O lugar mudou completamente. Agora se parece com Íria: uma floresta diversificada, densa e tropical. O aspecto morto foi substituído por uma flora saudável. O mais esquisito, entretanto, é a mulher: suas feições continuaram as mesmas, mas sua pele adquiriu um tom esverdeado e seu cabelo tornou-se ruivo. Ela sorri para mim.

— Obrigada, Thenyë. Eu sou…

— Sean!

Acordo sobressaltado e bato a cabeça no galho acima de mim ao erguer meu tronco rapidamente. A intensidade da luz faz-me piscar.

— Sean, desça logo daí!

Tonto, olho para baixo, de onde veio a voz. Quando vejo os soldados, lembro-me de onde estou. Apoio as costas no tronco atrás de mim e passo as mãos por meu cabelo, desapontado comigo mesmo. Claro que a mulher na floresta era só um sonho. A situação estava esquisita demais para não o ser.

Alongo os braços, sonolento. Pego minha sacola e desço da árvore. Sarn me informa que não faz muito tempo que amanheceu e sinto-me aliviado imediatamente; não atrasei a viagem. Enquanto como, ajudo-os a colocar nossos itens nos cavalos e a desamarra-los. Verificamos tudo duas vezes e checamos a bússola, para retomarmos o caminho correto.

Estamos indo para sudoeste, com rumo para Endra, o reino governado pelas Fadas, portanto, um reino amigo de Íria. Teremos que passar por Barka, o território comandado pelos Orcs, uma espécie que não nos aprecia.

— Vamos. — digo, subindo em meu cavalo. — Temos que aproveitar a luz do dia.

— Pensei que Zorek era o comandante, Sean. — Diz Cuohtar, com um sorriso, também subindo em seu cavalo.

— Sim, mas eu sou o… — Começo, mas sou interrompido por um galho partindo-se em algum lugar próximo.

Eu e meu grupo trocamos olhares. Pego meu arco e minha aljava, que deixei amarrados na minha sacola. Preparo uma flecha, mas deixo o arco abaixado. Eles também pegam suas armas. O silêncio é suficiente para ouvirmos os passos próximos. Pela quantidade deles, são originados de um grupo.

— Quem estiver aí, mostre seu rosto.

Os passos se aproximam e um grupo aparece.

Levanto o arco imediatamente, tenso. O ódio queima por minhas veias. A expressão nos rostos do outro grupo demonstra que o sentimento é recíproco. Estes covardes devem ter vindo pela invasão, não há outra maneira de terem chegado até aqui. Segundo os livros de História, boa parte dessa espécie retirou-se de Íria assim que a dinastia dos elfos começou. Eles têm trabalhado nas minas de Agália desde então.

Eles são os anões.

Notas finais
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