Beyond Kingdoms: The Lemniscus Crystals
6 POV Elke - Capítulo Um "Lavender’s Blue"
Notas iniciais

◊ 852 estações após a ascensão da Família Torgu, ciclo lunar Sly.
O martelo batia no ferro, repulsando na bigorna.
A espada ainda estava torta, sua ponta estava vermelha e mal formada por causa do fogo da caldeira. Seu local de trabalho era grande, Argis não podia reclamar. Era um celeiro há muito tempo atrás, um celeiro pequeno, mas era maior do que o pequeno que seu pai tinha quando Argis ainda era uma criança.
Havia espadas, pontas de lanças e flechas em várias mesas, espalhadas também por todas as paredes à sua direita, à esquerda ficavam os instrumentos para moldar o ferro, bigornas no chão, martelos e foles de variados tamanhos. Havia troncos de arvores no chão, recolhidas por Elke aquela semana, para manter o fogo acesso na casa e nas forjas. Argis não fazia objetos decorativos, luminárias. Argis se especializou, como muitos não faziam, em armas. Fazia objetos metálicos quando sobrava metal, e sempre para o seu uso e de sua nova família.
A casa, como a de comerciantes, ficava em cima de seu local de trabalho. Havia apenas dois quartos, um pequeno e outro bem grande. Elke quando menor, dormia no quarto menos, com apenas uma cama e um baú, mas quando este, completou catorze invernos de vida, ficou com o maior, pois o rapaz havia engravidado uma mulher do vilarejo e trazido a criança para casa.
Argis se lembrava muito bem daquele dia...
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O rapaz olhava para Argis com olhos desesperados, o pequeno bebê em seus braços.
– Argis, eu ia contar sobre Porsha...
– E também sobre o fato de tê-la engravidado e escondido isso de mim por nove ciclos lunares.
Elke olhou para o chão envergonhado; mas isso não o impedia de segurar a miniatura de ser em seus braços com mais firmeza, mostrando a determinação em cuidar da criança.
– O nome dela é Elsa. – Elke diz as cinco palavras com grande seriedade e calma – Ela vai morar conosco.
– Acha que Porsha irá aceitar ficar sem...
– Eu não vou ser um pai ausente, Porsha pode visitar a filha quando bem entender.
– Não vai se casar com ela?
– Não, seu pai nunca permitiria, mas esta feliz em saber que sua filha mais nova não é estéril como a mais velha. Porsha tem dezesseis anos, ainda tem um futuro grande com outro homem, e ter vários filhos. Ela não ficou muito feliz com isso.
O menino partiu para seu quarto assim que terminou de falar, aparentemente terminando a conversa.
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Foi assim com os outros dois bebês que vieram em seguida, Porsha ia para a casa do ferreiro visitar Elke e Elsa, e ficavam horas no andar de cima, então Ike e Hope nasceram, todas as crianças tinham apenas um ano de diferença.
Porsha morreu no parto do bebê mais novo. Isso destruiu Elke, que quase aceitou morrer pelas mãos do pai da menina, que havia ficado louco com a notícia do falecimento de sua adorada filha. Jurando perante Ava que mataria o rapaz, o culpando pela morte da filha.
Argis acalmou o homem, e lembrou a Elke que ainda tinha três crianças para cuidar e criar; tinha que caçar e forjar espadas, martelos, tinha que construir um berço de madeira para seu novo bebê. Foi por isso que a mais nova se chamou Hope, a esperança de que a tristeza e melancolia saísse de Elke com o passar dos anos.
O menino havia se tornado um bom ferreiro, fazia machados, lanças, estava feliz após três invernos da morte de sua mulher, e por mais que Argis visse um olhar triste em seus olhos uma vez ou outra, sabia que o rapaz ficaria bem.
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O cervo estava com a cabeça baixa, comendo a grama da clareira, sem perceber o que estava logo atrás dela. Elke quebra um galho de propósito, para que o cervo levante a cabeça e olhe para os lados, lhe dando uma melhor chance de acerta-lo na cabeça.
A flecha atravessa o crânio do animal com um som oco, o cervo cai na relva, sendo molhado pelo orvalho da manhã.
Elke treme, Sly era um ciclo lunar que carregava um certo frio com ele.
– Papai! – Elke se vira e vê seu filho e suas filhas correndo em sua direção.
– O que estão fazendo aqui? É muito cedo, esta frio e deveriam estar na cama. – diz o pai, mas não estava realmente chateado, pois todos estavam agasalhados com um casaco de pele, provavelmente ficaria mais chateado se não gostasse da companhia com filhos, mas os adorava de todo o coração.
Todos os três dividiam a grande cama que um dia pertenceu a Argis, mas logo eles iriam crescer, Elke e Ike dormiriam no quarto de Argis e as meninas teriam privacidade no grande quarto que ficaria só para elas.
Elke pegou o cervo nos braços e começou a levar as crianças para casa. Elas saltitavam pelo caminho de terra escura. Ike lembrava o pai quando pequeno, olhos cinzas cabelo escuro como carvão... As meninas também tinham olhos cinzas como os do pai, mas os cabelos cacheados da mãe, cor de mel, belos e sedosos.
O rapaz ainda se lembrava de quando Porsha queria chamar Elsa de Ava, nome da deusa de sua religião, lembra que riu, e que sua amante fingiu estar ofendida, dando-lhe um tapa no rosto, mas logo em seguida, riu e beijou o rapaz. Elke se perguntou o por quê de não fugir com ela para longe, para casar e viver um uma bela clareira cheia de flores, como a própria Porsha havia sonhado um dia; talvez apenas não parecesse certo naquela época.
Elke sente uma pequena mãozinha em sua perna. Hope. A menina tinha apenas três invernos de vida, não corria muito e se cansava com facilidade, sempre indo para o lado do pai. O rapaz coloca o cervo em um dos seus ombros, liberando uma das mãos e dando para sua filha. Sempre teve medo de carregar as crianças, ou de segurar suas mãos, pois fazia tempos que suas mãos tinham cicatrizes e calos por causa do trabalho nas forjas, na caça e cortando lenha para aquecer a casa.
Hope canta uma bela canção de ninar, cantada por Porsha para Elsa e Ike, e cantada por Elke para Hope, já que não queria que sua filha fosse privada da canção que seus irmãos tanto gostavam.
“Lavender’s blue
Dilly, dilly, dilly
Lavender’s green
When I am King
Dilly, dilly
You shall be Queen
Who told you so
Dilly, dilly
Who told you so?”…
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– Quanto custa as sete espadas?
– Cinco moedas de prata, cada. – diz Argis, os anões fazem cara feia.
Elke entra pela grande porta perto na forja. As crianças riam e brincavam ao seu redor, cantando e dançando. Dilly, dilly...
O rapaz tinha um cervo em um dos ombros, e seu patrão ficou feliz, não teriam que gastar muito dinheiro com carnes para a neve que vinha no começo de Lhone e em Terug e Phanor.
O anão grunhe, chamando a atenção de Argis.
– São cinco moedas de prata? Cada?
– Sim. Acredite, tem boa qualidade.
Uma moeda de prata Afriir (moeda dos humanos) valia uma de ouro e de prata Com-var (moeda dos anões), o homenzinho sabia que as espadas iriam custar caro.
Após negociações, o anão e seus companheiros saíram com cinco espadas pela metade do preço.
– Que vergonha. – diz Elke, dando um susto no velho ferreiro, que não viu o menino se aproximar – As espadas não tinham uma qualidade tão boa Argis, e cobrar cinco moedas de prata, sabe que valem apenas cinco do cobre, não?
– Sim, eu sei, mas não cobraria isso, eles iriam querer as espadas de maior qualidade, que vão gosto de vender para não-humanos... Bem, e eu lucrei bastante com esta pequena mentira.
Elke ri.
– Você é um grande patriota. – diz sarcástico, e leva as crianças para a cozinha.
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A rainha estava irritada, andava de um lado para outro em seus aposentos. Tudo era irritando, o ar frio da manhã, os pássaros despertando, Sly era um ciclo lunar detestável, simplesmente detestável.
– Minha senhora.
A mulher se vira, o mercenário anda em sua direção, e lhe beija avidamente.
– Alguma notícia? – ela pergunta, Talvas era um homem fiel, bruto e grande assassino; mas tolo, para dizer o mínimo, era mais jovem que a rainha, e ganancioso, quando Cressida Sval lhe contou o que planejava, o homem seguiu suas ordens e lhe deu aliados, pensando que a rainha lhe daria tudo o que lhe prometera.
– Não conseguimos localizar nenhum cristal, mas as tropas, os outros mercenários e os não-humanos estão a postos, irão atacar os reinos, ninguém saberá como reagir.
– Ouvi dizer que falharam ao tentar entrar em Íria, como me explica isso?
– Era apenas um treinamento, queríamos reconhecer a área, venceremos quando chegar a hora. Podemos vencer sem os cristais agora, nos os encontraremos depois.
– Ótimo, pois quando vencermos, e eu matar meu marido, eu farei de você meu rei.
– E iremos governar Agália juntos.
O homem beija a rainha, louco pela oportunidade de se tornar o monarca de todo o continente. A dinastia Sval seria a mais poderosa e memorável que existiu em todo aquele reino, e nada os impediria de conquistar seus objetivos.
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