Beyond Kingdoms: The Lemniscus Crystals
11 POV Elke - Capítulo 2 "Farewell"
Notas iniciais

◊ 852 estações após a ascensão da Família Torgu, Ciclo de Phanor
Phanor chegou em um piscar de olhos. Elke tinha poucas tarefas para cumprir fora da casa, a neve o impedia de sair com frequência.
Apenas estava feliz por ter grande quantidade de armazenada e conservada com sal. Não precisaria caçar no inverno como tinha feito outras vezes. Estava forjando a lâmina de um machado, encomendado por um dos homens do vilarejo, Heitor, talvez Hector, não importa.
– Papai! Elsa e Ike estão brincando de guerra de neve, eu também quero brincar!
Hope grita, correndo com suas perninhas minúsculas, parando nos três degraus para as forjas.
– Esta muito frio do lado de fora, meu bem. E esta ficando escuro agora. O que você acha de irmos amanhã?
– Mas são quatro da tarde, eu não preciso ir para cama agora, e eles podem não brincar amanhã. Deixa eu ir...
Ela dá pulinhos de frustração. Elke suspira. Deixa a lâmina de lado, e olha para a filha.
– Pegue seu casaco de pele, nós vamos assistir a brincadeira, mas não vamos brincar, esta bem? Vamos pegar seu irmão e sua irmã e voltarmos para casa, combinado?
– Sim.
Hope corre e veste o casaco, segurando a mão do pai quando saia da casa. A rua estava branca, como se colchas brancas tivessem repulsado no chão de pedra e terra, não há vestígio de pessoas nas ruas, os bares estão fechados, todos estão em casa. O inverno fazia isso, as ruas escureciam mais rápido, as tochas eram acessas mais cedo.
O caminho até a praça não era longo, Elke passou por algumas casas, a padaria do vilarejo, por dois dos três bares, havia a escolinha dos pequenos, e a praça ficava na sua frente, cercada por outras casas. A praça era grande, tinha poucos abetos ao seu redor, e uma grande sequoia no sul, perto de um pequeno estábulo. O chão feito de pedras, tochas nas extremidades e no centro...
Havia uma guerra, muralhas de neve protegiam as crianças, aos seus lados pilhas de gravetos e bolas de neve. Ike e Elsa eram aliados dos filhos do padeiro e dos lenhadores, e estavam perdendo, aparentemente. Não tinham mais gravetos, e faziam bolas de neve desesperadamente.
–Corre! Pega ele, pega!
– Atacar!
As crianças riam e corriam pela praça.
– Elisa, Lucy!
– Henri!
As mães gritam. Elke percebe que muitas mães estavam observando de suas casas ou ao redor da praça. Elke sempre sente falta de Porsha nesses momentos.
– Elsa, Ike! – os dois correm para o pai e se penduram em seus braços, se segurando pelo casaco de pele de urso. Elke ficou satisfeito ao ver que seus filhos estavam bem agasalhados, todos usavam os casacos de pele de urso. Eram casacos caros, mas protegiam do frio intenso.
As crianças percorreram o caminho de casa pulando e brincando, correndo para o pai quando ficavam muito distantes e assim, intimidados com o escuro.
Era um dia normal como qualquer outro.
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Argis estava preparando o jantar às cinco, foi para a dispensa e pegou uma carne grossa, provavelmente o musculo da perna de um cervo, o temperou com o que tinha a sua disposição, nabos, ervas e mel. Cerveja preta para acompanhar.
– Argis.
O ferreiro virou-se em um pulo. O homem usava roupas simples, o capuz do casaco escondia os olhos, mas conhecia o maxilar quadrado como ninguém, pois via Elke com grande frequência...
– Meu rei.
O homem tira o capuz. Santa Ava, como o filho se parecia com ele, os dois são homens de olhos inteligentes, donos de corpos grandes e delgados, ombros largos. Mas as mãos são completamente diferentes, mostram vidas diferentes.
As mãos do rei são macias, não delicadas, mas provavelmente o maior trabalho que já fez com elas foi o esforço de assinar e escrever tratados. Elke por outro lado, caça e faz espadas e vários outros instrumentos todos os dias, as machucando, cortando e queimando quando ficava desatento.
– O que o senhor faz aqui?
– Elke – esta única palavra é suficiente para os dois.
Para a infelicidade de Elke, seu pai o visita uma vez a cada três ciclos lunares, trazendo e construindo momentos constrangedores para os dois.
A grande porta do celeiro se abre, rangendo ao longe, e foi possível ouvir passos apresados para a cozinha.
– Crianças, não é para correr. – Elke aparece na cozinha segurando Ike pelos cotovelos, e paralisa ao ver o pai.
– Elsa, leve os seus irmãos para se trocar e depois ajudem o vovô com o jantar.
O avô a quem se referia era Argis, para seus filhos, o rei é um estranho que visita o pai de tempos em tempos.
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Chegando nas forjas, começaram a conversar.
– Seu irmão e irmãs estão bem diferentes desde que os viu pela última vez...
É claro, eu tinha sete anos... Por quê ele sempre comenta sobre os seus irmãos? Eu não estou interessado, pensa Elke, mas não diz nada.
– Agatha foi prometida a um lorde. Bocco é chefe do exército, e Teona, bem, vai ser minha sucessora ao trono...
– O que você quer pai? Apenas diga.
– Quero que você volte para a vida no castelo, você vai se tornar o ferreiro real, e ganhará mais do que ganha aqui.
Direto ao ponto.
– Não, Markateron é onde eu moro agora, e é um ótimo lugar para se criar os filhos, é calmo e seguro.
O rei suspira, menos paciente.
– O castelo também é seguro, e confortável.
– Pai, eu não...
Então a sensação estranha preenche o corpo de Elke, a sensação que vinha de tempos em tempos, que começou a ocorrer depois que encontrou a pedra no rio, e ela desapareceu. Elke abaixa a cabeça para que seu pai não veja seu rosto.
Ficou cego para o presente, e viu algo que ainda esta para acontecer.
Seu pai, Cressida, o quarto, a faca.
– Elke...
Sua visão voltou ao normal, mas então percebeu algo horrível. As roupas que o rei usava, eram as mesmas da visão. Ele iria ser assassinado hoje.
– Pai, por que não passa a noite aqui? Esta frio, e...
– Não, não, eu tenho que ir. Tenho reuniões e um jantar importante.
O rei anda até a porta do celeiro.
– Pai, eu te amo.
Arturo para por um instante. Elke não ia impedi-lo de ir embora, o mínimo que podia fazer era dizer adeus. Sabia que o futuro do monarca estava selado.
Um sorriso terno surge no rosto do pai, Elke anda em sua direção e o abraça, forte e demoradamente.
– Eu também de amo meu filho.
E esta foi a última vez que viu o pai.
+++
A rainha estava ansiosa. Mal se concentrou no grande jantar, não comeu mais que um mísero pedaço de pão, e um pouco do vinho que lhe foi servido. Não ouvia o que a condessa lhe falava, pedindo para a mulherzinha repetir o que estava falando, sem se importar com o importante assunto da costura e livros de poemas. Nunca se acostumou com o sistema patriarcal em que vivia. A única melhor que nascia verdadeiramente autônoma, era a que, por sorte, se tornaria monarca um dia, como sua filha. Teona.
No quarto, levantou e andou repetidas vezes, esperando por Arturo, que por algum motivo estava demorando.
– Cressida.
Seu marido diz seu nome. Ela se vira com um doce sorriso no rosto, e entrega ao seu homem uma taça de rum forte. Ele o toma com avidez, e a beija no pescoço.
Ela o direciona para a cama, ficando na posição de cima. Perfeito.
O rei ri e beija a e no pescoço, ela o empurra para baixo, ele ri mais uma vez, e a segura nos quadris. Ingênuo. Será tão fácil...
Tudo ocorreu tão rápido, que o rei não pode reagir. A rainha tirou a faca afiada que escondeu embaixo de um dos travesseiros, e apunhalou o marido no peito.
O homem a olhou com surpresa, medo e dor. A única expressão que não esperava era entendimento e confirmação, como se suspeitasse da esposa.
O vermelho quente mancha a camisa do rei e se espalha pela cama lentamente, sujando a camisola da rainha. A cama se tornou um mar de vermelho, e o rei se tornou pálido e inexpressivo, quando a vida deixou seu corpo.
A rainha desliza da cama e vai para a pequena porta secreta do seu aposento. Talvas estava lá, e quando viu a rainha, o sangue, não disse nada, correu pela escada em caracol.
Cressida ouviu de longe o sino, o alarme.
A revolução começou.
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