Between truth and lies
9 Não minta pra mim
Notas iniciais
Havia chegado o dia. Era seu aniversário. Lilian acordou mais cedo do que o normal para um sábado. Todas as suas colegas ainda estavam dormindo então ela aproveitou para tomar um banho. Deixou a banheira enchendo enquanto tirava a roupa. Ela se olhou no espelho. Era a última vez que veria aquela Lilian. Lilian Evans, filha do Sr. e Sra, Evans, irmã de Petúnia Evans, aluna exemplar, filha exemplar, amiga exemplar. Aquela Lilian não existiria mais depois daquela noite.
Entrou na banheira e relaxou. Pelo menos ali ela conseguia ficar com a mente limpa. Não percebeu quanto tempo havia se passado até que ouviu batidas na porta.
–Lily? É você que está ai? -Marlene sussurrou
–Sou eu, Lene.
–Posso entrar?
–Pode.
Marlene entrou no banheiro de fininho, como se não quisesse fazer barulho, e fechou a porta do mesmo jeito.
–Não quero acordar as meninas. — ela explicou- Preciso falar com você.
–Tudo bem. Senta aqui. -deu umas batidinhas no chão ao lado da banheira — Você quer desabafar? — ela parecia nervosa
–É. É sobre... sobre.. o Sirius. — ela estava mesmo nervosa e parecia a ponto de desmoronar- Eu não sei o que fazer Lily. As vezes ele age como um babaca, outras vezes ele é carinhoso, sabe, do geito dele. Quando ele foi dizer que sentia algo por mim ele me levou na sala precisa. Foi lá que a gente começou essa.. "coisa", sabe? — assenti- Eu não tinha voltado lá. Era uma lembrança muito.. forte. Quando chegamos tinha uma TV enorme, e tinha a nova temporada daquela séria trouxa que eu gosto, e doces, pipoca, até coca-cola. Não sei como, mas ele arranjou uma coca-cola. — ela suspirou, seus olhos estavam marejados. A única vez que Lily viu sua amiga chorar foi quando seu cachorro morreu- E a gente ficou lá, assistindo e conversando. Então ele disse. Disse que tinha demorado pra perceber porque nunca tinha sentido isso antes, e não sabia o que era. Disse que estava assustado e que não sabia se daria certo, mas queria arriscar, porque valia a pena.Ele disse que está apaixonado por mim.
–E o que você fez?-Lily perguntou calmamente, depois de um tempo
–Eu fui embora.
–Como?
–Eu fui embora Lily. Eu fuigi. Eu fui covarde. -nesse momento ela não conseguia mais segurar as lágrimas- Eu tenho medo. Isso não vai dar certo, eu sei. Ele é Sirius Black e eu sou Marlene Mckinnon, não fomos feitos para ficar juntos. Era pra ser só algo casual, era divertido.
–Você não percebe o absurdo que esta falando? Idaí que vocês gostam de ficar com várias pessoas, e que acham que não se prendem. Você acabaram de se prender. Um ao outro, Lene. E vai ser divertido, exatamente porque vocês são Marlene e Sirius. Acha que o destino ia fazer você se apaixonar justamente pelo cara que é tão parecido, mas também tão diferente de você? Quantos caras você já teve algo casual? — ela foi dizer, mas Lily a interrompeu- Foi uma pergunta retórica. -Marlene riu- O que eu quero dizer é que, com tantos caras nesse mundo, porque o destino faria você ter um sexo casual com Sirius Black se não fosse pra vocês ficarem juntos?
–Pra começar, Lily. Você não acredita em destino.
–Mas você acredita. — disse a fazendo sorrir
–É, ta. E segundo, isso que você disse não tem muita lógica, mas acho que entendi. Só que como você disse, somos totalmente opostos, o que faz com que sejamos atraídos, mas também somos totalmente iguais, o que nos repele. Entende? Não fomos feitos pra namorar, casar e ter dois lindos filhos. Que seriam lindos mesmo -Lily riu- É só uma brincadeira idiota do destino pra nos machucar.
–Então vai atrás e mostra a esse destino idiota que você também dita as regras. O Sirius sabe que pode dar errado,sabe que pode se machucar, mas ele sabe que vale a pena tentar. Que isso que vocês tem vale a pena.
–Eu vi ele flertando com uma garota ontem. Ele é um babaca. A gente não se fala desde o dia da sala precisa, então ontem eu vejo ele flertando com uma vadia.
–Não precisa ficar tão ciumenta assim Lene. -Lily disse rindo- Aposto que ele viu você lá e fez de propósito, e aposto também que ele só fez isso porque está magoado por você sair da sala precisa quando ele se declarou.Marlene. Vai colocar uma coleira no seu cachorro. -a garota riu alto
–Pode deixar. Obrigada Lily. Eu não sei o que eu faria sem você. -disse falando Lilian chorar — Oh, não chore. -ela a abraçou- Mas, e você e o James?
–Não tem volta amiga.
–Lily, ele esta devastado, eu até sinto pena dele.
–Eu o amo, Lene. E me mata vê-lo assim. Mas não posso voltar atrás. Você vai entender um dia. Agora me deixa trocar de roupa, vai.
–Tudo bem. -ela ia saindo quando se virou novamente, correndo para abraçar sua amiga -Ei, feliz aniversário! Eu amo você amiga. -sorriu
–Eu também amo você, Lene.
Assim que Marlene saiu Lilian desabou a chorar. Ela faria mal a sua melhor amiga e ao cara que ama. Não era culpa deles ela ter nascido da pessoa errada. Não era culpa deles. Mas uma coisa que ela havia dito a Marlene continuava martelando em sua mente.
"O Sirius sabe que pode dar errado,sabe que pode se machucar, mas ele sabe que vale a pena tentar. Que isso que vocês tem vale a pena."
Será que ela havia sito injusta com James? Ele queria ajudá-la, sabia no que estava se metendo e mesmo assim queria ficar ao lado dela. Ela lhe devia desculpas.
Lily faltou o café da manhã e o almoço. Passou todo tempo na biblioteca e quando sentiu fome foi a cozinha para logo voltar a biblioteca. Dorcas e Remo haviam passado por lá e lhe desejado feliz aniversário, o que deixou-a de certa forma ainda mais arrasada. Por incrível que pareça ela não estava com medo. Mas havia algo, um espaço vazio dentro dela. Lily não veria mais sua "família", não veria mais suas amigas, e ainda tinha medo de que James fosse estúpido o suficiente para ir atrás dela.
Ela nunca havia pensado que sua vida seria tão cheia de surpresas. Que amaria alguém de verdade e que teria de deixá-lo. Que sofreria tanto. Que teria o mesmo sangue que a pessoa mais repugnante que já havia nascido.
Em uma estante atrás de Lilian, James a observava. Era o máximo que ele conseguia chegar sem que fosse visto. Era torturante vê-la ali, tão bela e inocente, mas tão solitária. Ele queria poder lhe dizer que tudo ficaria bem, queria poder abraça-la, confortá-la. No entanto, a própria garota deixou bem claro que não queria que ele o fizesse. Tentou ajudá-la de todas as formas, até procurou o professor Dumbledore, mas esse lhe disse que não poderia ajudar. Ele nem sequer deixou que terminasse de falar. Ele já sabia, ele com certeza já sabia. Parecia que tudo estava jogando contra ele.Ele se sentia impotente, incapaz, mas não podia deixá-la ir. Já era bem tarde quando James a seguiu até o salão comunal, tomando cuidado para não ser visto. Lily subiu as escadas para o seu dormitório, mas ele permaneceu ali, sentado na poltrona em frente a lareira. Ele não sabe quanto tempo ficou ali, apenas que não havia ninguém além dele lá quando ouviu Lily descer as escadas.
Ela o viu, mas tentou continuar seguindo, sem que ele percebesse. No entanto assim que deu alguns passos da escada ele se levantou e a interceptou. Ela estava com uma roupa normal, no entanto, leva no pescoço o cachecol do garoto, que tinha um J estampado.
–Me deixe passar, Potter. -ela tentou com todas as forçar soar indiferente.
–Ande você vai a essa hora, Lilian?
–Não é da sua conta.
–Claro -ele riu com escarnio- Claro que não. Mas você acha que não sei que dia é hoje?
–Sábado? -ele tentou dar de desentendida
–Não vou te deixar sair daqui, Lilian.
–E o que você vai fazer? Me trancar em algum lugar?
–Se for necessário. Não vou deixar que vá com ele. Não pode fazer isso.
–Você diz como se eu estivesse indo por livre e espontânea vontade. Eu não tenho escolha.-ela diz, já lutando contra as lágrimas — Ele virá de qualquer jeito, e vai ser ainda pior. Me deixe ir, por favor.
–Não posso,Lily, não posso. -ele colocou uma mão em cada lado do rosto da garota- Por favor, fique. Fique comigo.
–Não. — James deixou que seus braços caíssem ao lado de seu corpo — Me deixe ir. Eu não quero se machuque. É melhor você ir para o seu dormitório.
–Como? -ele perguntou confuso
–Por favor, é mais fácil assim.
–Eu.. eu.. mas..
Lily respirou fundo e fechou os olhos antes de dizer sua última e pior opção:
–Eu não amo você, james. Nunca amei. Foi tudo uma mentira. -ela abriu os olhos para vê-lo, seu rosto se contorcia em uma careta de dor e confusão. — Foi tudo um plano, pra te levar até ele, mas.. eu não consegui fazer isso com você. Eu.. sinto muito.
–Você não ta falando.. sério. -ele disse com dificuldade — Não minta pra mim sobre isso. Esta mentindo, não é? Não é Lily?
Lily balançou a cabeça negativamente, murmurando um desculpe e correndo para fora do salão comunal, antes que ele a visse chorando. "Ele TINHA que ser tão teimoso. Ele tinha que me forçar a fazer isso." dizia a si mesma enquanto corria para fora do castelo. "Ele tinha que deixar tudo pior." Ela não queria fazer aquilo, não queria ter de mentir sobre uma das únicas coisas verdadeiras em sua vida. Mas se não o fizesse, ele viria atrás dela. E não suportaria vê-lo morto.
Ela corria desesperadamente. Estava chovendo bastante e ela não conseguia enxergar nada, até que pisou em uma possa de lama e escorregou. Fechou os olhos e esperou pela queda, que não veio. Sentiu braços fortes rodearem sua cintura e lhe puxarem para si. Quando viu aqueles olhos que se escondiam atrás de armações redondas, chorou mais ainda.
–Saia daqui James! -ela gritava- Você tem ir. Por favor, vá.
–Eu vou. Mas só se você disser, aqui e agora, que realmente não sente nada por mim. Que não sente nada quando passo meus braços pela sua cintura. Quando eu te puxo para tão perto assim. Quando toco em sua bochecha. Quando olha nos meus olhos. Me diz que seu coração não bate mais rápido, que sua pele não se arrepia onde toco. Me diz que você não sente absolutamente nada, e eu te deixo ir.
–Entenda, por favor. Se você for atrás de mim, você vai morrer. Eu estou tentando te proteger, volte para o castelo e fique lá.
–Me diga. Eu preciso saber. -ele suplicou
–Eu amo você. -ela gritou- Ok? Eu amo você desesperadamente. Por isso que você tem que ir. Ele já vai chegar e se estiver aqui..
Então ele a beijou. Um beijo cheio de desespero, paixão e saudade, que deixou Lily com as pernas bambas e a fez esquecer o motivo de estarem ali. Mas, infelizmente, foram interrompidos por uma voz extremamente desagradável e irritante de Bellatrix Lestrange
–Sera que os pombinhos já acabaram? O Lorde das Trevas nos espera.
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