Between truth and lies
2 Esqueça Potter
Notas iniciais
Capítulo 2
Até que reparei na aglomerado de pessoas no corredor e me lembrei que não tinha colocado meu uniforme, fechei da cabine e me troquei. Quando sai do trem estava tudo vazio e só restava uma carruagem. Me sentei nela e fiquei esperando para partir. Se ela ainda estava alí é porque alguém tinha ficado para trás, só que eu não esperava que aquele alguém fosse Lily.
Quando ela foi subindo desci, peguei seu malão e o coloquei na carruagem, logo lhe ofereci a mão como apoio. Ela aceitou e agradeceu. Fiquei sentado de frente para ela, mas não consegui olha-la. Meus pensamentos foram para aquela cabine. Eu quase a beijei, e ela ia deixar, significa que ela também queria. Ela queria. Mas por que disse que não podia? Eu precisava saber.
–Lily..
–Não.
–Mas você nem sabe o que eu ia falar. –protestei
–Sei sim.
–Então me responda.
–Não.
–Mas Lily...
–Já disse que não.
–Por favor. –Implorei –Sabe como é dificil saber que a garota que eu gosto também gosta de mim mas se recusa a me beijar?
–Ei, eu nunca disse que gosto de você.
Ta, eu murchei, tenho que admitir. Ficou tenso.
–Quem disse que estou falando de você?
–Ah não?
–Tá, é de você.
Ela suspirou.
–Esquece o que aconteceu, ok? Eu já esqueci.
Isso foi ainda pior do que o que ela disse antes. Aquele foi praticamente o melhor momento da minha vida. Eu nunca tinha chegado tão perto de beija-la, e ela me pede pra esquecer? Pior, ELA já esqueceu. Senti uma dor aguda no peito. Felizmente a carruagem parou. Ela desceu rápido e se dirigiu para a entrada. Na porta, antes de entrar pro grande salão segurei seu pulso direito de forma que não a machucasse.
–Me solte.
–Não.
–James.. –fechei os olhos e respirei fundo, adorava ouvi-la falar meu nome.
–Me responde só uma coisa, por favor. –supliquei olhando para seus grandes e belos olhos verdes.
–Certo – ela aceitou, hesitante
–Por que você me odeia tanto?
–Oh James! Eu não te odeio.
–Então por que faz isso comigo?
–É que você realmente me irrita as vezes. –não pude evitar soltar um risinho
–Não Lily, você sabe do que estou falando.
–É. Eu sei, mas não posso te responder. Talvez um dia.
E ela se foi. Pro salão claro. Ela não morreu. Credo. Entrei um pouco depois dela e me sentei na mesa da Grifinória, ao lado de Sirius e Remo, e ainda tive o privilégio de ficar de frente para ela.
–O que? –perguntei para Sirius que ficou me olhando esquisito
–Nada
–É que ele está pensando no mesmo que todo mundo aqui. –disse Marlene
– E o que vocês estão pensando? – todos tinham um sorriso malicioso no rosto, menos Lily que parecia tão perdida quanto eu.
–Se não querem contar tudo bem, mas pelo menos escondam direito.
–Do que vocês estão falando. –Lily perguntou
–Vocês foram os últimos a chegarem, e ainda chegaram juntos.
–O que vocês está querendo insinuar Marlene?
–Oh pontas, larga de ser lerdo. Vocês certamente estavam se pegando. –Sirius, claro.
–Ah. Bom, não posso revelar detalhes. –todos começaram a rir, menos Lily.
–Como é? Detalhes de que Potter, se não aconteceu nada? –cheguei para frente e sussurrei.
–Tudo bem, não vou contar- todos começaram a rir. Ela bufou e se virou para Dumbledore que acabara de começar seu discurso.
Não prestei atenção, é sempre a mesma coisa, floresta proibida, masmorras, outras coisas mais... Até que algo chamou minha atenção.
–E por fim, Senhorita Evans e Senhor Potter compareçam à sala da Professora McGonagall após o banquete.
Franzi a testa, o que que eu fiz agora? Pelo que eu saiba tentar beijar alguém não é proibido. Olhei para Lily e ela tinha uma expressão cansada o que sempre acontecia quando eu a metia em confusão. Marlene não perdendo a chance foi logo falando:
–Vocês podem esconder da gente, mas da Tia Minnie não –deu uma risadinha maliciosa, seguida por todos.
P.V.O Lily
Graças ao James fui chamada na sala da Tia Minnie, e Marlene não perdeu a oportunidade de me zoar. Não era a primeira vez que James me metia em confusão, já estava acostumada, mas uma hora cansa. Olhei para e ele me olhava, fiz uma reprovadora e ele me respondeu com um sorrisinho de canto, meio tímido, como se pedisse desculpas. Revirei os olhos e não olhei para ele o resto do jantar.
Assim que acabou, fui andando para a sala da Tia Minnie. Reparei que o Potter me seguia e já ia brigar com ele quando me lembrei de que ele também ia para lá. Chegamos e eu bati na porta. Assim que ouvimos um “Podem entrar” nós entramos e sentamos nas cadeiras na frente da mesa dela. Eu na esquerda e ele na direita.
–Bom, devem estar curiosos pelo motivo do qual os chamei aqui. –confirmamos com a cabeça –Eu queria informa-lhes de que serão os novos monitores da grifinória.
–O que? –perguntamos os dois, incrédulos. –Eu, eu até entendo professora, mas ele?
–É tia Minnie, eu? –ela o recriminou com o olhar – Desculpe.
–A antiga monitora não faz mais parte de nosso colégio. Por isso precisamos de você Sra. Evans. – ela disse ignorando totalmente nossas perguntas.
–Mas e o Remo, professora? Ele é um bom monitor, não? –perguntei
–Sim, claro. O Sr. Lupin é um excelente monitor, entretanto seu problema de saúde se agravou e temo que não será possível que ele cumpra certas obrigações esse ano. Então eu e o Professor Dumbledore discutimos e achamos que será bom para o Sr. Potter ter algumas responsabilidades agora. Seus dias serão na segunda e quarta-feira, começando amanhã. Podem ir.
–OK. –respondi e sai.
Enquanto andava percebi que o Potter estava do meu lado, caminhando tranquilamente como se nada tivesse acontecido. Ele estava assoviando e parecia feliz. Não resisti e tive que perguntar:
–Porque está tão feliz?
–Você ainda pergunta? Passarei duas noites por semana com você, Lírio. Tenho motivo de sobra pra estar feliz.
–Quantas vezes vou ter que te dizer que é Evans, Potter?
–E quantas vezes eu tenho que te dizer que não precisa mudar seu sobrenome quando nos casarmos? – bufei –se bem que ficaria bem mais bonito, não acha? –fiz cara de tédio, aquele discurso era velho, mas não pude deixar de sentir uma pontinha de alegria –Lily Potter. Lilian Potter. Lindo, não?
Ri pelo nariz, e balancei a cabeça. Acabei deixando um sorriso escapar, foi quase invisível, mas não o suficiente.
–Eu vi isso ai.
–Viu o que Potter? –logo minha cara se fechou de novo
–Esse sorriso, não adianta negar, ou fingir que não sabe do que estou falando. Eu sei o que vi. –e ele sorriu, todo convencido.
–Acho melhor alguém furar seu balão.
–O que? Como assim?
–Seu ego esta inflando. – ri pelo nariz, e aquele sorrisinho apareceu de novo.
–Viu, você fez de novo.
Graças a Merlin chegamos ao salão comunal e entrei rápido, sem respondê-lo. Cumprimentei Sirius, Remo e Pedro que estavam no sofá e subi para meu dormitório. Assim que entrei fui bombardeada de perguntas do tipo:
“Você tá encrencada?”
“O que você fez?”
“Porque o James também foi chamado?”
“Vocês estavam mesmo juntos?”
“Pegou detenção?”
“Eu disse que não podiam esconder da tia Minnie que estavam se pegando na cabine”
Essa última não foi uma pergunta, e claro que veio da Lene.
–Um, eu não estou encrencada. Dois, não fiz nada. Três, ela também chamou o James porque ele também vai ser monitor. Quatro, estávamos juntos sim, –elas prenderam a respiração –mas não do jeito que estão pensando –e soltaram –cinco, não peguei detenção.
–Então ela não descobriu o que houve na cabine? –Marlene perguntou
–Não, ela não descobriu. –Dorcas me olhou surpresa e Lene me mandou um sorrisinho malicioso. Quando percebi o que fiz já era tarde.
–Há. Eu sabia. Conta, conta, contaaaaaaaa.... – suspirei derrotada.
–Não aconteceu nada gente. Ele só ficou me mandando aquelas cantadas idiotas, disse de novo que gostava de mim de verdade e euquasebeijeiele. – falei rápido demais e elas não entenderam.
–Como? –perguntaram juntas.
–Eu.Quase.Beijei.Ele. –falei pausadamente.
–Até que enfim. Já era pra ter pelo menos “quase”, não é mesmo? –Marlene perguntou
–Mas, porque não beijou Lily? Ele é doidinho por você, aproveita. –Dorcas disse.
–É, porque não o beijou?
–Porque o trem parou bem na hora –Marlene murmurou algum palavrão –e porque também eu não quero.
–Lily, deixa disso. Já te dissemos que fingir odiá-lo não vai afastá-lo de você. Sabemos que você não gosta de arriscar, mas é nosso último ano em Hogwarts, você nem deve vê-lo mais no ano que vêm.
–Por isso mesmo. –não gosto de mentir para elas, mas nesse caso era necessário –e se eu começar a gostar dele? Ele só me quer por um dia meninas, me largaria no dia seguinte, ou no máximo na semana seguinte. –comecei a tremer um pouco e escondi as mãos no travesseiro. –É tudo culpa suas. Se vocês tivessem aparecido eu não teria ficado lá sozinha. Onde vocês estavam? Nem se preocuparam se eu tinha conseguido pegar o trem, não é? Muito obrigada.
–Ah Lily, desculpa- disse Dorcas- é que você é sempre tão organizada que não pensamos nessa possibilidade.
–Sentimos muito Lils, mas se não fosse a gente você não teria seu primeiro quase beijo com o James. –revirei os olhos
–Lene, minha queria rosa preta murcha –ela fez careta –vá se ferrar.
–Úi. Ela ficou irritadinha. Ai, para de me bater Dorcas.
–Lily, você ficou a viajem inteira na mesma cabine que ele? –Dorcas perguntou
–Sim.
–Por quê?
–Como assim por quê? Ora, porque vocês me deixaram sozinha.
–Mas, Lily, você poderia ter saído. Podia tê-lo deixado sozinho. –bufei, como sou estúpida.
–Isso não importa mais, não é. Passou. Esqueçam. Vou tomar banho –dito isso levantei e entrei no banheiro. Tranquei a porta e coloquei a banheira para encher.
Enquanto tirava minha roupa comecei a reparar em mim. Era a mesma coisa quase sempre que eu ia tomar banho. Eu me via ali, naquele imenso espelho. Os cabelo laranjas, que batem no ombro e nunca deixaram de ser inchados, as olheiras que não me deixam de jeito nenhum, os lábios carnudos demais... São tantos os meus defeitos que demoraria se eu citasse todos aqui. Vi que a banheira estava cheia e entrei, logo desligando a torneira. Comecei a pensar em tudo que aconteceu hoje. Meu coração se acelerou novamente só de lembrar o quanto eu e o James estávamos perto. Eu não menti quanto ele me perguntou se eu o odiava, eu realmente não o odeio, mas é muito difícil estar do lado dele sem poder tocá-lo, por isso tento me afastar o máximo possível. Quando estou sozinha com ele me sinto melhor, a tristeza vai embora, mesmo eu o repreendendo. Às vezes, raras vezes, acontece de eu acabar não conseguindo segurar um sorriso, graças a Merlin essa foi a primeira vez que aconteceu. Sorri me lembrando de nossa conversa no corredor, e logo meus olhos se encheram de lágrimas que eu não pude segurar. Isso é o que dói mais, ter que ficar longe dele, e ele deixa tudo mais difícil, fica atrás de mim o tempo todo. Eu acredito quando ele diz que gosta de mim, posso ver em seus olhos a tristeza quando eu o rejeito, mas tenho certeza que se ele descobrir como eu sou de verdade me deixaria na hora. Por isso não posso deixar que ele ache que sinto algo por ele. Tenho certeza que depois de algumas semana ou dias até, ele iria perceber que o tempo que ficou atrás de mim não valeu a pena. Ele vai terminaria comigo logo, isso se começarmos a namorar. Tenho certeza que após isso todos descobririam quem eu sou de verdade. Não aguentaria receber todos os olhares de pena ou ver minhas amigas me deixando, por isso não contei a ninguém. Se acontecesse todo o trabalho que tive para normalizar meu psicológico seria em vão, meu emocional despencaria para o pior, e eu não sei se aguento.
Bom, acho melhor contar a vocês o que eu tenho de uma vez, não é? Então tá...
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