Between a Destiny.
7 Simplesmente.
Notas iniciais
- Dean, Anna? Sam acabou de chegar e pediu pra chamar vocês dois pra jantarem. — Meredith abriu a porta.
- Obrigada, Meere. Já vamos. — Respondi e ela saiu.
De repente, senti aquilo tão família. Ainda não me acostumava. Era agradável e estranho.
Enfim descemos e nos sentamos.
- Então, perdi muita coisa? — Disse Sam cansado mas de ótimo humor.
- Ah, não. Nada de mais aconteceu. — Reparei pela visão periférica que Dean tinha me olhado na hora.
Fingi que não percebi.
- O que houve, Dean? — O bom humor de Sam se passou.
- Não foi nada, Sam. Por que essa... — Ele tentou disfarçar superficialmente.
Todos na mesa comiam e olhavam curiosos.
Não ia adiantar. Estava muito na cara.
- Tudo bem, tudo bem! Rick Miller saiu daqui alguns minutos atrás. — E me virei para Dean. — Né tio que adora entregar os outros?!
- Rick quem?!
- Você mesmo que se entregou. Ah e já que é assim, adivinha o que sua filhinha estava prestes a fazer com ele no quarto?
- Eu ia matar aquela coisa! — Gritei tentando fazer ele entender pela milésima vez.
- Aquela coisa que é a metade do que você é!
- Ah agora tá defendendo ele? Não parecia que estava quando interrompeu o momento em que eu ia pegar aquela adaga e...
- Perai! Tava tendo maior guerra mundial lá no quarto e eu perdi? Não ouvi nada? — Emily interrompeu indignada.
- Deve ter sido por causa do barulho do jogo. — Disse Ben.
- Emily, você enlouqueceu? — Mark também se meteu.
- Claro que não! E não espere que eu esqueça, ouviu, Dean?
- Chega vocês todos! — Meu pai explodiu.
É, realmente todos estavam falando juntos, ao mesmo tempo e alto.
Todos paramos. Pelo que já conheço dele, ele nunca gritava.
- Me explique Dean, quem é esse Rick.
- Se eu fosse você perguntava pra quem esteve lá o tempo todo. — Falei baixo.
- Um de cada vez. — Ele disse somente.
Tudo bem então.
- Rick é o demônio que chegamos a perseguir por um tempo, lembra? Aquele que vimos uma vez faz um bom tempo e depois não tivemos mais nenhuma pista? Pois Anna estava com ele por baixo de seu nariz esse tempo todo. Ou melhor, por cima né? — Ele riu.
Ben olhou minha expressão.
- Xii... Agora você declarou guerra. — Ele também riu.
- Isso não é engraçado. — Falei.
- Oh sim, claro que é.
- Ah, não vão começar de novo né?! Então, o que ele era da Anna, Dean?
- Se eu disse que estava... Ok ok, você não entendeu. Ele é o namoradinho da Anna.
- Não é mais! Conta direito né!
- Vai me dizer que não, Anny? — Ele riu de novo.
- Anny não. — Falei involuntariamente com voz de criança.
- Tá, fala Anna.
- Não é muita coisa. É que um dia antes, eu tava olhando suas coisas, procurando algo que pudesse matar o Rick, que é um demônio, como vocês já sabem. Então, eu achei a adaga da minha mãe, guardei em baixo do colchão, porque eu sabia que mais cedo ou mais tarde ele viria. E ontem ele veio, queria conversar e na hora que eu ia pegar a adaga, esse meu querido tio aparece e estraga tudo.
- De nada, nem precisa agradecer. — Dean sorriu.
- Ha-ha.
- Ainda bem. Obrigado, Dean.
- Hã? Mas o que, por que, paî?
- Ele devia ter percebido o que você faria, ele podia ter usado contra você sabia? E além do que você já devia saber, eu queria pessoalmente matar esse demônio.
- O que ele fez? — Perguntei.
- Foi ele quem matou Ruby. — Disse Emily.
- Como você...
- Os anjos falaram muito sobre isso na época. Não é comum demônios matarem a própria espécie. Eu sabia que no fundo, Ruby não merecia. Eu sempre discordei deles.
- Eu soube disso também. — Meredith disse.
Uma tristeza forte me atingiu. Não era só uma simples tristeza, era um vazio. Um vazio causado pela razão da minha existência, que já não existia mais.
***
Eram dez horas de uma manhã sem sol, sem nuvem, sem nada. Só um leve vento um pouco empoeirado.
Eu estava sentada no degrau na frente da casa. Ouvi alguém se aproximar.
- Anna.
Virei. Era Dean.
- Olha, me desculpe pelo jantar ontem. Eu sei que acabei te magoando. Posso imaginar o que você deve estar sentindo agora. Senti o mesmo quando minha mãe morreu, mas acho que no seu caso é um pouco pior não é?
- Não se desculpe. Você só tava brincando. É que... Sei lá, é esse vazio. Parece um buraco negro que
- Que suga tudo e parece só aumentar não é?
- Exatamente... E pior que eu não posso nem perguntar como ela era. Eu tenho medo do que pode ser a resposta. E eu meio que já sei qual vai ser a resposta, pela carta que ela deixou.
- Ela te deixou uma carta?
- Sim, aquela na casa do Bobby. Ela terminava dizendo pra mim ser alguém melhor do que ela foi. É só que... É tanta coisa... — Comecei a chorar.
Ele as enxugou carinhosamente. Achei que ele nunca faria isso.
- Eu nunca chorava nem mesmo assistindo filme. E agora olhe pra mim, pareço uma manteiga derretida. — Tentei rir. Mas não dava pra esconder uma lágrima. Tentei e cairam mais duas.
- Calma Anna. Eu sei que está sendo muito difícil tudo isso, você está até aguentando mais do que deveria conseguir aguentar. Você está sendo muito forte com tudo. — Ele me abraçou.
- Obrigada, tio. Mesmo.
- Quando precisar falar, ou mesmo só chorar um pouco e colocar tudo pra fora, me procure tá bem?
Consegui sorrir.
- Anna, eu e Meere estávamos indo sair um pouco. Por que você não aproveita e vem também?
- Ah, não eu...
- Ela vai sim. — Meu tio disse me puxando. — Vai fazer bem.
***
- Procurem um lugar pra sentar, eu vou buscar os Frozen Yogurts ok? — Meredith disse.
Era tradição toda vez que saíamos desde os treze anos.
(N/A: E sobre essa tradição é fato real :P)
- Que milagre, Meere. — Emily disse. — Mas capricha bem!
Ela riu.
- Pode deixar!
[...]
Conversamos, rimos, e mais ainda, esperamos.
- Anna, que horas são?
- 16h57. Já se passaram mais de uma hora.
- E ela não atende o celular... Anna, ligue pro Ben.
Notas finais
Costumo atualizar a cada dois dias, mas mais comentários = Posts mais rápidos.
Obrigada por ler mais um capítulo, e espero que tenha gostado ;**
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