Between You And Me
12 XI parte 2
O resfriado de Mário durou mais dois dias e coincidiu com o retorno de Ivan. Giulio permaneceu ao seu lado o tempo todo, e aquelas quarenta e oito horas foram um misto de momentos agradáveis e muita força de vontade. No dia seguinte o ruivo já se sentia melhor, mas o moreno não pareceu acreditar. O braço direito dos Cavallone tentou investir em um contato mais íntimo em vários momentos, mas tudo o que recebeu foi uma negativa, seguida por um olhar sério. "Eu não o tocarei até ter certeza de que você está bem," era a desculpa que o Vice-Inspetor usava todas as vezes que Mário displicentemente deixava que suas mãos se perdessem pelo cabelo curto e escuro.
"Não me diga que está com medo de pegar o que eu tenho. Se for isso, ficar ao meu lado o dia inteiro não ajuda."
"Você sabe que não é isso, então ajudaria muito se parasse de me provocar e se comportasse melhor. Aqui, beba o chá e vá dormir."
Ao final do segundo dia, o ruivo já havia recuperado sua voz e seu corpo estava novo em folha. O braço direito de Alaudi sorriu satisfeito, e pela primeira vez em dois dias ele permitiu algum tipo de contato. O beijo foi dado na soleira da casa e durou poucos segundos. Giulio afastou-se com um sorriso trêmulo e Mário entendeu no mesmo instante que ele não foi o único a suportar aquela tortura.
"Presumo que você vá estar ocupado com o trabalho até o final de semana." O moreno disse assim que entrou no carro. O barulho do motor era baixo. "Por que não me visita no sábado?"
Então nós finalmente faremos sexo? Foi o que Mário entendeu e o prospecto daquele momento o fez sorrir largamente, aceitando o convite no mesmo instante. O braço direito dos Cavallone ficou em frente à sua casa até o carro de seu amante sumir de vista, e então ele finalmente entrou, mas sentiu que havia algo diferente muito antes da porta de entrada ser fechada. Seus pés percorreram cada canto, visitando todos os cômodos e parando em seu quarto. O cheiro, Mário pensou ao sentar-se em sua cama, tocando a roupa de cama azul clara. O cheiro dele está em toda a casa. Seus lábios se repuxaram em um meio sorriso e o ruivo suspirou ao pensar que o fim de semana parecia longe... muito longe.
Giuseppe voltou de viagem no final da tarde e trouxe consigo os Cavallone. Pai e filho entraram na casa e Mário havia terminado de descer as escadas quando sentiu alguma coisa apertar suas pernas. Quando seus olhos se abaixaram, um par de olhos cor de mel o encarou, seguido por um choro alto e que ecoou por toda a casa. Francesco ajoelhou-se no chão, mas continuou a chorar, sem soltar a perna do ruivo. Ivan olhou para seu amigo e se desculpou silenciosamente, mesmo havendo um brilho preocupado em seus belos olhos. O rapaz de longos cabelos louros estava um pouco atrás e em seu rosto a preocupação era quase palpável. Naqueles poucos dias Giuseppe parecia ter crescido, ou talvez ele houvesse crescido há muito tempo, mas o ruivo não percebera.
O futuro herdeiro da Família recuperou-se depois que Mário garantiu que estava ótimo. O garoto de cabelos castanhos disse que pediu para ser dirigido várias vezes até a mansão, mas Alaudi negou todos os seus pedidos.
"Ele disse que eu poderia ficar doente, mas eu disse que não me importaria! Você sempre cuidou de mim Mário, e eu não pude fazer nada... NADA!"
Você continuaria não fazendo nada, o ruivo riu e bagunçou os cabelos da criança com as duas mãos, deixando-o completamente descabelado. "Obrigado, Francis, mas eu já estou bem. Me sinto como novo!"
"Giuseppe disse que um empregado viria te fazer companhia." Ivan sentou-se na poltrona. Eles haviam seguido para o escritório.
Mário olhou para o irmão e ficou surpreso. Aparentemente Giuseppe não havia mencionado Giulio para seu melhor amigo e por isto ele era muito grato. Ainda não era o momento certo para que o moreno soubesse sobre... o seu moreno.
"Ele fez um ótimo trabalho. Eu me sinto muito bem. Agora me conte como foi a viagem." O braço direito olhou para Francis e depois para o louro. "Por que não ajuda Giuseppe a desfazer as malas, Francis? Ele deve estar cansado da viagem."
O garoto achou a ideia fabulosa, e arrastou seu braço direito para fora do escritório no mesmo instante. Ivan sorriu e perguntou novamente se seu amigo estava realmente bem, recebendo a mesma resposta honesta de antes.
Por cerca de dez minutos Mário ouviu com detalhes sobre a viagem, sentindo-se mais tranquilo ao escutar que tudo havia saído bem e que Giuseppe se portara como um excelente braço direito. O ruivo assegurou a seu Chefe que poderia voltar a trabalhar no dia seguinte, recusando a ideia de algumas férias que o moreno sugeriu. Percebendo que não conseguiria convencer o ruivo, Ivan ficou de pé e disse que o esperava na mansão na manhã seguinte. Francesco ficou um pouco relutante em ir embora, e seu humor só melhorou quando o louro prometeu que o traria em outra oportunidade para brincarem em sua casa. Giuseppe seria responsável por dirigir os Cavallone até a mansão, e Mário utilizou esse tempo para preparar uma chaleira de chá de morangos, o preferido de seu irmão. Ele merece um descanso.
O braço direito de Francesco retornou meia hora depois, seguindo direto para a cozinha. O ruivo o abraçou como era de costume quando um deles retornava de viagem, avisando que esperava na segunda-feira um relatório oficial sobre a viagem.
"Eu passarei o final de semana fora de casa, então use esse tempo para descansar e detalhar tudo o que aconteceu."
"Estará na casa de Giulio?" A pergunta fez o ruivo engasgar com o chá e seu rosto tornou-se corado, não somente pela falta de coragem em responder. "Eu sei que você deve estar bravo porque fui procurá-lo, mas eu precisava de alguém de confiança ou não conseguiria viajar sabendo que você estava doente e sozinho."
"M-Mas Giulio... de todas as pessoas... você escolheu justo ele?" O braço direito de Ivan colocou a franja atrás da orelha, demonstrando nervosismo. "E como você sabia onde ele morava?"
"Ele disse quando veio aqui que vocês estavam juntos." O louro corou e escondeu o rosto atrás da xícara. "O endereço foi fácil."
"Juntos?" Mário inclinou-se à frente. A única ocasião em que o moreno estivera em sua casa foi quando os dois conversaram no escritório. "Quando isso aconteceu?"
"Naquele final de manhã. Eu estava pensando o que fazer para o almoço quando ouvi alguém bater na porta. Giulio estava na entrada e quando perguntei quem ele era primeiro disse que era um conhecido seu, mas enquanto conversávamos no escritório ele disse que na verdade vocês eram... a-amantes."
A risada do ruivo ecoou pela cozinha quando a realização do que havia acontecido cruzou sua mente. Ele planejou tudo. Ele me visitou com a certeza de que eu o aceitaria. O braço direito de Ivan deu um último gole no chá, imaginando o que mais não era de seu conhecimento. "Sim, eu estarei na casa de Giulio, então se alguma coisa acontecer você sabe onde me encontrar."
Giuseppe tinha o rosto extremamente vermelho e parecia não ter coragem de terminar seu chá.
"Beba seu chá, tome um longo banho e durma bastante porque você merece. Essas viagens podem não parecer, mas são extremamente cansativas."
O louro meneou a cabeça em positivo, mas antes que seu irmão mais velho deixasse a cozinha, o braço direito de Francesco se virou, segurando-o pelo pulso.
"Eu estou feliz por você, Mário." Giuseppe tinha as bochechas coradas, mas seus olhos transmitiam sinceridade. "Aquele homem realmente o ama. Ele disse coisas incríveis sobre você."
Mário sorriu, bagunçando os cabelos de seu irmão e saindo da cozinha. Seus pés o levaram até seu quarto e ele se jogou na cama, afundando o rosto no travesseiro e respirando fundo. Eu realmente sinto falta dele.
X
Giulio morava em uma casa de dois andares em um bairro tranquilo de Roma. A residência ficava a dez minutos da casa de Alaudi, mas o ruivo simplesmente preferiu bloquear aquela informação. Aquele fim de semana seria somente sobre eles, e não havia espaço para o frio e indiferente Guardião da Nuvem.
O carro foi estacionado no mesmo local daquela fatídica noite. O braço direito dos Cavallone desceu e suspirou, tentando não ver aquilo como um sinal. Nós estamos bem, e eu finalmente terei minha noite gloriosa e vigorosa de sexo. Se eu passar mais um dia sem eu provavelmente enlouquecerei. Os passos até a entrada foram curtos e ele precisou subir alguns pequenos degraus. A porta era de madeira escura e havia um discreto batedor. Mário o utilizou, batendo duas vezes e escondendo um pouco mais o rosto dentro do sobretudo negro.
O anfitrião surgiu após alguns segundos, trajando um conjunto de inverno muito mais informal do que as roupas do ruivo. O calor que vinha de dentro era extremamente convidativo, mas o braço direito esperou o convite ser feito antes de entrar. Giulio fechou a porta e pediu que seu amante tirasse o sobretudo, mas Mário receou um pouco antes de entregar a peça de roupa.
"Eu estou morrendo de frio." O ruivo passou as mãos pelos braços, andando pelo corredor.
"Vá para a sala. A lareira está acessa. Eu estou terminando de fazer o chá."
"Chá?" O braço direito de Ivan riu baixo. "Uma taça de vinho me deixaria mais feliz, quente e animado."
"São onze da manhã. Um pouco cedo não acha?" O moreno juntou as sobrancelhas. O senso de responsabilidade do braço direito de Alaudi era o que o tornava tão perigosamente tentador. Era como desejar algo proibido. A sensação de querer sujar algo puro.
"Não existe hora certa para uma boa taça de vinho, meu caro." Mário piscou charmosamente. "Me traga uma garrafa de um bom vinho tinto e eu serei um homem feliz. Porém, agora eu gostaria que você me mostrasse primeiro a casa."
O Vice-Inspetor pediu apenas alguns segundos de licença, entrando à direita e seguindo pelo corredor que provavelmente levaria à cozinha. O ruivo utilizou aquele curto tempo para olhar ao seu redor, espiando a sala de estar. O local era definitivamente a cara do dono da casa: havia uma quantidade mediana de móveis como sofás, mesas, cadeiras e uma larga peça de madeira clara onde repousavam estátuas de gesso. As paredes eram forradas por quadros de paisagens e imagens cotidianas, e o braço direito dos Cavallone viu seu amante em todos aqueles desenhos. Seus pés caminharam na direção da sala, mas Giulio estava ao seu lado no mesmo instante, então ele deixaria para admirar o trabalho artístico do moreno em outro momento.
O primeiro andar comportava basicamente toda a casa. A sala de jantar ficava ao lado da de estar, separadas por alguns passos e uma estátua. A cozinha era grande, cheia de utensílios e extremamente organizada. Havia uma porta que levava ao sótão embaixo da escadaria e um banheiro de visitas próximo a entrada dos fundos. O braço direito dos Cavallone ergueu os olhos para o segundo andar, tentando imaginar a necessidade daquela parte da casa, já que basicamente tudo havia sido mostrado. Ao subir o último degrau, Mário sorriu largamente, entendendo porque aquele cômodo havia sido o último a ser introduzido.
O segundo andar era dedicado em absoluto para o quarto de Giulio. Não havia divisórias, paredes ou portas. A cama com altas colunas ficava do lado esquerdo da escadaria, em frente a uma larga janela que tinha praticamente uma vista panorâmica. A janela cortava de uma ponta a outra da parede, e algumas partes estavam escondidas pela grossa cortina escura. Ao lado direito da cama havia uma lareira e bem ao fundo do quarto o banheiro do dono da casa. O ruivo entrou devagar no quarto, sorrindo de orelha a orelha. Ele não se importava muito com decorações. Aquela era a área de Giuseppe, mas seria impossível não estar naquele ambiente sem reparar no cuidado com que o lugar havia sido arrumado. O braço direito de Ivan fez menção de pisar sobre o tapete vinho que forrava a área da cama, mas recuou. Seus olhos encararam a colcha branca e os vários travesseiros e ele engoliu seco. Foi aqui...
"Não foi aqui." A voz do moreno veio de algum lugar atrás. O Vice-Inspetor estava parado próximo a lareira, arrumando os pedaços de madeira para acendê-la. Como ele chegou ali Mário não sabia. "A casa era diferente na época. O quarto ficava no primeiro andar. Quando ela foi embora eu remodelei tudo, inclusive o quarto. Os móveis e objetos foram comprados depois. Eu nunca trouxe ninguém aqui antes. Você é o primeiro."
"Oh..." O ruivo finalmente deu o primeiro passo, sorrindo satisfeito para si mesmo. "Vamos torcer para que eu seja o último."
O braço direito de Ivan sentou-se na cama e tocou a delicada roupa de cama. Durante aqueles anos de vida fácil e sexo ainda mais fácil, Mário não reparava em detalhes como tecidos ou bordados. Quando ele entrava em um hotel noturno, tudo o que esperava era no mínimo uma cama larga, um colchão não muito barulhento, e um amante transbordando desejo para aquecer sua noite. Ele nunca parou para oferecer uma segunda olhada a certos detalhes.
"Isso vai depender de você." Giulio sentou-se ao lado de seu amante e novamente Mário não percebeu sua presença.
"Eu?" O ruivo sorriu, passando a mão sobre a cama. "Neste departamento eu posso garantir que você não terá nenhuma reclamação. Eu sei do que estou falando."
"Eu não estou me referindo a isso." O moreno segurou o pulso do homem sentado ao seu lado, mas sem apertá-lo. Os olhos verdes do braço direito de Ivan se ergueram, mas ele nada disse.
"Eu sei do que você está falando." Mário inclinou-se um pouco para o lado, subindo a mão pela perna do Vice-Inspetor. Ele podia sentir os músculos embaixo de seus dedos, mesmo a calça sendo o maior obstáculo. "E eu planejo ir embora," o ruivo ignorou a parte que realmente gostaria de tocar, subindo os dedos pelo peito de seu amante, "apenas se... o que você tiver para me oferecer não for suficiente."
Giulio ergueu uma sobrancelha e riu baixo. O braço direito dos Cavallone adorava aqueles raros momentos.
"Eu posso garantir que você terá o suficiente." O moreno segurou a mão que subia por seu peito, levando-a até seu baixo ventre.
O sorriso que estampou o rosto de Mário foi genuíno. Seus dedos seguraram firmemente a ereção e ele inclinou-se um pouco mais, sabendo que seu tão esperado momento havia chegado. Semanas e semanas da mais pura abstinência seriam recompensadas, e se o Vice-Inspetor era tão bom na cama como se gabava então o ruivo havia recebido mais do que merecia. No começo eu só queria o corpo de Giulio. Depois eu só quis o coração. O que eu farei se tiver os dois?
O braço direito do Guardião da Nuvem não repudiou a investida ou afastou o homem que se deitava sobre ele na cama. Mário fisgou os lábios de seu amante em um profundo beijo, gemendo baixo quando seus corpos se encostaram. Aqueles dias solitários começavam a subir-lhe a cabeça, e suas mãos procuravam retirar as roupas com certa pressa. Giulio parecia compartilhar desse sentimento, pois a camisa branca que o ruivo vestia foi praticamente arrancada por seus ombros, e a gravata deixou marcas em seu pescoço antes de ser jogada em algum lugar.
Se o braço direito de Ivan pudesse nomear o que mais gostava naquele início de intimidade, seria a maneira como o Vice-Inspetor o tratava. Os toques não eram delicados, as carícias não eram contidas e em nenhum momento Giulio demonstrou medo ou receio em abraçá-lo ou beijá-lo. Quando os medos de Mário evaporaram naquela tarde em que os dois se tocaram pela segunda vez, o ruivo notou que seu amante não media atitudes em sua presença. Uma das coisas que ele mais detestava era quando os homens o tratavam como uma mulher. O braço direito de Ivan odiava quando permitia que uma pessoa do sexo masculino o possuísse, mas ao invés de se sentir realmente como um homem, ele precisava suportar atitudes que seriam bem mais aplicáveis às mulheres. Eu que gosto de ter outro homem dentro de mim. Isso não me torna menos homem, era o que o ruivo sempre pensava quando as estocadas eram contidas e ele praticamente precisava fazer o serviço inteiro.
Com o moreno, entretanto, a história era outra...
A calça de Giulio foi retirada com um forte puxão. Sua roupa de baixo foi fazer companhia para a primeira peça, ambas no tapete vinho que forrava a cama. Mário fez o mesmo com a própria calça, sentindo uma indescritível sensação de liberdade. Porém, antes que a peça de roupa fosse para o outro lado da cama, o ruivo retirou dois pequenos objetos de um dos bolsos, deixando-os sobre a cama.
"O que eu preciso fazer?" A voz do Vice-Inspetor saiu rouca e seu rosto estava vermelho. Quando o braço direito de Alaudi começava a se deixar levar pelo momento, aquela seriedade se dissipava. Ali, embaixo do corpo e dos olhos de Mário, ele não passava de um amante que implorava com os olhos que as coisas fossem um pouco mais rápidas.
"Você continua deitado". O ruivo sorriu, passando a língua entre os lábios e sorrindo. "Eu cuido do restante."
Giulio tentou argumentar, mas Mário apoiou uma de suas mãos sobre o peito de seu amante, avisando que não repetiria suas palavras. Seus lábios se abaixaram levemente, beijando os lábios do moreno, enquanto uma de suas mãos subiu e desceu pela ereção do homem que estava por baixo. O beijo foi rápido, pois o ruivo não tinha intenções de perder aquela oportunidade. Seu corpo arrastou-se um pouco para baixo, e então seus lábios se concentraram em outra parte do corpo do braço direito do Guardião da Nuvem. O homem tremeu ao toque, omitindo um rouco gemido quando Mário desceu a língua por toda a extensão do membro. O ruivo utilizou uma das mãos como apoio, enquanto a outra abria um dos frascos que ele havia trazido. O braço direito dos Cavallone estava acostumado a se preparar, mesmo que aquele método demorasse um pouco mais. Seus lábios gemeram quando um de seus dedos encontrou sua entrada e isso fez o moreno erguer a cabeça.
A expressão no rosto de Giulio era um misto de curiosidade e desejo. Seus olhos verdes passavam de seu baixo ventre para o que seu amante fazia, e era difícil escolher para onde ele deveria olhar. Mário sorria intimamente, principalmente porque todo aquele show pessoal havia causado uma reação instantânea em seu amante. A ereção em seus lábios havia se tornado maior, e quando sua boca a recebeu por inteiro, os gemidos de Giulio o excitaram ainda mais e ele adicionou um segundo dedo à sua entrada. Os movimentos eram vagarosos e seus dedos não alcançavam certas profundidades. Em determinado momento o ruivo se perguntou se aquilo seria suficiente. O Vice-Inspetor era um pouco maior do que os outros homens com que ele havia estado, e por mais que o braço direito de Ivan estivesse transbordando desejo, ele sabia melhor do que ninguém que a experiência poderia ser catastrófica.
"M-Mário..." O chamado veio de cima, ele sabia. Os olhos verdes se ergueram, mas ele não parou o que fazia. O ruivo adorava aquele tipo de carícia, e sentir Giulio em seus lábios era quase tão satisfatório quanto imaginar aquele homem dentro dele. "P-Pare..."
A expressão no rosto do ruivo mudou automaticamente e por um breve momento ele sentiu medo. Medo de uma noite que ele tentava esquecer — que fora sugestionado a esquecer — mas que poderia acontecer novamente, em qualquer momento e em qualquer lugar. O braço direito dos Cavallone ergueu o rosto, sentindo o coração bater mais rápido. A ansiedade se misturou ao temor e ele inclinou-se um pouco, imaginando quanto tempo levaria para pegar suas roupas e ir embora. Os olhos de Giulio se abriram, mas não havia sinal de rejeição. As grandes mãos do moreno puxaram seu amante um pouco para frente e sem nenhum tipo de aviso um de seus dedos encontrou a entrada de Mário. O gemido que escapou pelos lábios do braço direito dos Cavallone foi agudo e transbordou prazer, e suas mãos apertaram o ombro do homem que estava por baixo
"Mova seu quadril para frente... não, mais para frente... mais." A voz de Giulio saiu séria, mas rouca e baixa. O ruivo não conseguiu parar seu corpo. Seus joelhos arrastaram-se para cima e ele parou somente quando estava na altura do peito de seu amante.
O Vice-Inspetor capturou a ereção de Mário com seus lábios, com a mesma destreza com que adicionou um segundo dedo à entrada de seu amante. O corpo do braço direito dos Cavallone tremeu e ele encostou as mãos na parede, como se isso pudesse diminuir um pouco da incrível sensação que corria por seu corpo. As fantasias do ruivo pareceram completamente inferiores àquele momento. Ele nunca pensou que o braço direito do Guardião da Nuvem fosse colocá-lo naquela posição. Para alguém que nunca teve nenhum contato com homens, permitir aquele nível de intimidade e liberdade era algo que jamais passou pela cabeça de Mário.
Os gemidos que ecoaram pelo quarto não demonstravam a real satisfação que o ruivo sentia com aquele duplo estímulo. Seu quadril movia-se devagar, e ele não saberia dizer o que lhe dava mais prazer: a temperatura dos lábios de Giulio, sugando e lambendo seu membro, ou os dedos que entravam e saiam com extrema facilidade por sua entrada. Um terceiro dedo havia sido adicionado há alguns minutos, e o que já parecia bom tornou-se infinitamente melhor. O moreno o penetrava com força, tocando seu ponto especial a cada movimento. O clímax se aproximava, e assim que sentiu que já não suportaria mais, Mário fez menção de afastar o corpo um pouco para trás, mas essa atitude só acabou piorando a sua situação. Os dedos do Vice-Inspetor o penetraram ainda mais fundo e o braço direito dos Cavallone apenas gemeu mais alto.
A mente do ruivo tornou-se branca por um breve momento. Seu corpo tremeu e seus lábios gemeram por mais alguns segundos, sentindo os espasmos de prazer. Uma tosse baixa o fez abrir os olhos, percebendo a situação em que ele se encontrava. Seu rosto tornou-se tão vermelho quanto seus cabelos e Mário abriu os olhos a tempo de ver Giulio passando a ponta da língua pelos lábios e engolindo o que havia acabado de receber. O braço direito de Ivan não conseguiu esconder a surpresa, mas havia algo muito mais interessante para ocupar seu tempo.
"E você disse que nunca esteve com um homem." O ruivo arrastou-se um pouco para baixo, posicionando o corpo sobre a vigorosa ereção de seu amante. A ideia de ter aquele homem dentro dele levou uma onda de arrepios pelo suado corpo de Mário, mas ele sabia que teria de ir com calma.
"Eu nunca estive." Giulio segurou a cintura de seu amante. "Mas eu estou há semanas desejando você."
"Oh! É mesmo?" O braço direito dos Cavallone parou na metade do caminho, usando o abdômen do homem que estava por baixo como apoio. Seus olhos se fecharam momentaneamente e ele respirou fundo antes de permitir que a ereção do moreno o penetrasse por inteiro. A dor foi maior do que o prazer e ele deixou escapar um palavrão. A risada do Vice-Inspetor acabou fazendo-o rir também, mas Mário ainda não ousava se mover. "Desculpe, mas eu continuo ganhando," o ruivo permaneceu imóvel, esperando que seu corpo se acostumasse àquela invasão, "porque você não faz ideia de quantas vezes eu me toquei pensando em você."
A cabeça do braço direito de Alaudi estava levemente alta por causa do travesseiro em sua nuca, então foi fácil para o ruivo ver a expressão pasma em seu rosto. As bochechas tornaram-se coradas, e Giulio levou um dos braços até o rosto, escondendo sua timidez enquanto deixava que uma alta e gostosa gargalhada ecoasse pelo quarto. O ruivo riu também, mas seus lábios acabaram gemendo. O corpo do moreno vibrou por causa da risada e aquele movimento fez com que o membro do Vice-Inspetor esbarrasse em seu ponto especial.
"Você é incrível, sabia?" Giulio voltou a segurar a cintura de seu amante, ajudando-o a se erguer levemente sobre seu baixo ventre. "Você é realmente be... lo."
"Você escolheu uma hora um pouco conturbada para elogiar meus dotes físicos." Mário tinha a respiração descompassada. Ele havia se sentado novamente sobre o braço direito do Guardião da Nuvem e seu corpo começava a pegar o ritmo.
"Mas você é belo." O moreno sorriu, não somente pela conversa trivial que estavam tendo, mas ao ver seu membro penetrar pela terceira vez seu amante. "... e realmente, muito ruivo."
A risada do braço direito de Ivan foi longa. Aquele comentário não era novidade para ele. Raramente seus amantes deixavam de felicitá-lo pela cor de seus cabelos, ainda mais quando ele estava nu. Mário não tinha problemas com isso. Ele adorava o vermelho que pintava certas partes de seu corpo. O que o ruivo não gostava era das sardas. Elas estavam em pequenas quantidades sobre seu nariz e bochechas, mas seus ombros e peitoral eram pintados por aquelas marcas inconvenientes.
A quarta estocada colocou fim a conversa. Metade do corpo de Mário inclinou-se para frente, utilizando o corpo de seu amante como apoio. Os movimentos se tornaram ritmados em alguns segundos, e a dor que o braço direito dos Cavallone sentiu era irrelevante se comparada à sensação de se sentir penetrado completamente por Giulio. O moreno segurava em seu quadril, forçando-o para baixo e retirando gemidos tão roucos dos lábios de Mário que em certos momentos ele precisou se segurar no apoio da cama, tamanha a intensidade das estocadas. Sua ereção havia retornado e seu pré-orgasmo pintava o peito do Vice-Inspetor, preparando-o para o que inevitavelmente aconteceria em alguns minutos. O ruivo não conseguia mais controlar seu corpo, e cada vez que seu quadril se erguia, ele colocava um pouco mais de força, esperando receber seu amante por completo.
Os gemidos do braço direito do Guardião da Nuvem começaram contidos, mas em determinado momento até mesmo a compostura parecia deixar o corpo de Giulio. Sua voz era um pouco mais baixa do que a de seu amante, mas quando seu clímax chegou, foi difícil manter-se quieto. Suas mãos forçaram o corpo do ruivo para baixo com força e seu orgasmo o preencheu. Mário inclinou a cabeça para trás, masturbando-se com pressa e colorindo o peito e pescoço do Vice-Inspetor. O corpo do ruivo sentou-se imóvel sobre Giulio e seus olhos permaneceram fechados. Era difícil respirar, ou pensar ou fazer qualquer coisa que não fosse ficar ali... anestesiado após ter experimentado algo tão incrível.
Nenhum dos dois amantes se moveu por um longo tempo, mas o moreno foi o primeiro. Suas mãos subiram pelas pernas do ruivo, e assim que se sentiu gentilmente tocado, o braço direito de Ivan abriu os olhos e sorriu. Uma de suas mãos jogou a franja para trás e ele sentiu seus cabelos úmidos de suor.
"Confortável?" O moreno tinha um meio sorriso nos lábios.
"Muito." O ruivo sentiu a garganta arranhar ao falar. Sua voz estava rouca.
O Vice-Inspetor fez menção de se mover, mas seu amante fez negativo com a cabeça. O braço direito de Alaudi juntou as sobrancelhas, mas no segundo seguinte ele tinha uma expressão de pura surpresa.
"O que você está fazendo?" Giulio riu baixo, mas seus olhos estavam fixos no homem sentado sobre seu colo.
"Você sabe o que eu estou fazendo." A mão de Mário subia e descia por seu próprio membro em movimentos lentos. "O que eu venho fazendo há meses. Eu disse não? Eu penso em você todas as vezes que faço isso."
O moreno riu e seu rosto tornou-se adoravelmente corado. O braço direito de Ivan fechou os olhos e continuou o que fazia, sabendo que seu amante assistia a cada movimento. Por alguns minutos o ruivo não fez nada além de se masturbar e gemer, como se estivesse em seu quarto, desejando seu amante. Com o tempo suas mãos moveram-se com um pouco mais de velocidade, e quando sentiu a ereção de Giulio firme dentro de sua entrada, o ruivo parou o que fazia e abriu os olhos. O Vice-Inspetor respirava com dificuldade e não existia mais sinal de riso em sua expressão. Não havia nada além de luxúria e desejo. Mário ergueu-se levemente do colo de seu amante, gemendo baixo ao sentir a ereção deslizando por sua entrada. Seu corpo sentiu-se solitário, mas ele sabia que não sentiria saudades. Seu corpo inclinou-se um pouco e ele encostou os lábios em um dos ouvidos de Giulio. "Rápido e forte. Fammi gemere, amore mio." ¹
A reação que o ruivo queria aconteceu sem que ele precisasse mover um único dedo. Seu corpo foi virado sem nenhuma gentileza e seu rosto sentiu a maciez do travesseiro do mesmo instante em que o Vice-Inspetor o penetrou. A força que o moreno usou era exatamente o que o braço direito dos Cavallone estava esperando, mas mesmo assim seu corpo tremeu. Sua cintura foi puxada para cima e ele usou os joelhos para se apoiar na cama, enquanto suas mãos utilizavam uma das partes de madeira da cama como apoio. Giulio o penetrou novamente com a mesma força e pressão, e Mário perdeu o restante de pudor que ainda possuía. O tapete vinho não era capaz de abafar os barulhos da cama e em determinado momento os gemidos se misturaram aos sons que a madeira fazia. Os lábios do ruivo proferiam pedidos sórdidos e que pareciam excitar seu amante cada vez mais. O Vice-Inspetor se retirou após alguns minutos de dentro do homem que estava por baixo, virando-o na cama e voltando a penetrá-lo. A cabeça de Mário inclinou-se para trás e ele sentiu as lágrimas escorrerem pelo canto de seus olhos, tamanha a intensidade do estímulo que ele sentia. Nunca nenhum homem o envolveu daquela maneira. Ele sempre fora o responsável por arrancar aquele tipo de reação de seus amantes, então, estar ali, deitado naquela cama e tendo alguém literalmente devorando-o era uma sensação indescritível.
O terceiro orgasmo do ruivo veio sem nenhum outro estímulo. O moreno sabia exatamente onde acertar e seria impossível para o corpo do braço direito de Ivan suportar aquele delicioso tormento dedicado a um único lugar. O clímax veio mais forte e dessa vez Mário perdeu a consciência. Ele não sentiu as últimas estocadas de Giulio, nem o segundo orgasmo que preencheu novamente sua entrada. Seus olhos se abriram após algum tempo, mas a primeira coisa que ele viu foram dois grandes olhos verdes e aquilo foi o suficiente para deixá-lo feliz. Seus lábios se repuxaram em um meio sorriso e suas mãos seguraram o rosto do moreno antes de beijar aqueles lábios tão tentadores. O beijo foi acompanhado de uma risada baixa por parte do homem que estava por cima, mas nada ria tão alto quanto o coração do ruivo.
X
Os meses de abstinência de Mário foram devidamente superados naquele sábado. O quarto foi um dos lugares que ele visitou naquele dia e a cama serviu apenas como mero objeto. Se o braço direito dos Cavallone gostava de sexo, o mesmo poderia ser dito sobre Giulio. Havia uma insaciedade em cada estocada, e eles experimentaram tanto a cama, quanto o tapete, o topo da escada e a sala de estar. Os dois só pararam no começo da madrugada de domingo, quando o ruivo acordou novamente na cama depois de perder a consciência pela terceira vez. A roupa de cama havia sido trocada, e novamente o Vice-Inspetor estava ao seu lado para beijá-lo ternamente.
O jantar aconteceu quando o relógio marcava pouco mais de duas da manhã, depois de Mário ter se arrastado até o banheiro do quarto do moreno. Seu banho foi rápido, pois seu estômago implorava qualquer coisa que o mantivesse ocupado. Giulio o esperava na sala de jantar e os dois dividiram uma refeição, sentados lado a lado. As pernas do ruivo se encostavam as de seu amante, e o braço direito dos Cavallone jamais acreditou que um dia viveria aquele tipo de momento. Ele mesmo não conseguia entender porque seu rosto estava corado quando ambos estavam apenas comendo. Ou porque ele tinha uma necessidade perturbadora de sorrir toda vez que seu amante fazia o mesmo. E seus olhos... ah, seus olhos brilhavam, admirando o homem ao seu lado espetar o raviolli e o levar aos lábios. Ele nunca havia vivido aquele tipo de situação, aquele nível de intimidade e principalmente a cumplicidade entre eles. Os pratos tornaram-se limpos e Mário sentiu-se finalmente cansado. O braço direito de Alaudi perguntou duas vezes se ele não precisaria de ajuda para subir, mas o ruivo disse que conseguiria chegar à cama sem problemas. Entretanto, assim que chegou ao final da escadaria, seu coração bateu mais rápido ao perceber que o moreno havia ficado ao pé da escada, observando-o subir.
A larga cama parecia extremamente convidativa e Mário deitou-se sobre ela, mas não dormiu. Os efeitos de todas àquelas horas de exercício começavam a aparecer, mas o ruivo se manteve acordado até Giulio entrar no quarto. O Vice-Inspetor arrastou-se até a cama, e seus olhos fizeram a muda pergunta que o ruivo respondeu com um sorriso. Ele estava bem. Ele estava mais do que bem. O cansaço e o sono, porém, envolveram o braço direito dos Cavallone junto com Giulio. Seus olhos se fecharam e a última coisa que ele sentiu naquela noite foi o calor dos braços do homem que o abraçava e o cheiro daquela pele. Quando seu mundo tornou-se escuro, o ruivo soube que a partir daquela noite tudo seria diferente.
Mário não estava errado, mas sua manhã de domingo foi uma segunda versão de seu sábado. A primeira coisa que os dois amantes fizeram ao acordarem foi se perderem novamente em toques, carícias, gemidos e suor. O ruivo sentiu-se novamente com seus dezesseis anos, quando nada parecia ser capaz de satisfazê-lo, até que o orgasmo chegava e provava que havia sim algo que poderia levá-lo a loucura, e que ele continuaria a querer provar aquela sensação de novo, e de novo e de novo...
O último clímax da manhã aconteceu no largo banheiro da casa de Giulio. O moreno ainda tentou persuadir o ruivo a continuarem mais uma vez, mas o braço direito de Ivan alegou que precisava de um reforçado café da manhã se seu amante quisesse continuar aquelas atividades no período da tarde. Ao ouvir aquela parte, o Vice-Inspetor não se importou de adiar por algumas horas seus desejos. Mário foi o primeiro a deixar o banheiro, enxugando-se enquanto caminhava pelo quarto. As roupas haviam se misturado e ele não sabia mais o que lhe pertencia e o que era de Giulio. Sua roupa de baixo estava perto da janela, mas ele acabou pegando a primeira camisa que encontrou. Ela era um pouco maior e tinha o cheiro da colônia que o braço direito do Guardião da Nuvem usava e isso o fez sorrir.
O momento feliz de Mário, porém, durou pouco. Seus ouvidos captaram barulhos vindos do andar abaixo, e ele caminhou até a escada, apenas para constatar que não havia ouvido demais. A ideia de procurar uma calça passou por sua mente, mas o ruivo deu de ombros e desceu a escadaria apenas com a roupa debaixo e a camisa aberta de seu amante. As batidas na porta se tornaram mais altas e incansáveis, e o braço direito de Ivan revirou os olhos, indo abrir a porta com certa raiva. Ele havia acabado de passar uma manhã incrivelmente satisfatória com Giulio e a última coisa que ele queria era lidar com alguém mal-educado. A porta foi aberta de uma vez e Mário sorriu.
O ruivo nunca esqueceria o que sentiu naquele dia. Havia uma infinidade de sensações que ele colocaria à frente, claro. Como os beijos de seu amante, a sensação quando o Vice-Inspetor movia-se lentamente dentro dele, preenchendo-o por inteiro, entre outras. Entretanto, a expressão no rosto do homem parado do outro lado da porta seria uma das mais doces lembranças que o braço direito de Ivan teria em sua vida. Os olhos azuis — estes sempre baixos e sérios — arregalaram-se. Os lábios se entreabriram e o rosto de Alaudi demonstrava um assombro tão profundo que Mário não pôde evitar sorrir. Ele sabia muito bem como estava vestido. Ele sabia que possuía marcas enormes em seu pescoço, peitoral, abdômen ou qualquer outro local que seu amante achou propício devorá-lo; e o Guardião da Nuvem não era ingênuo para não perceber a situação. O ruivo deu um passo à frente, mas manteve-se dentro da casa. Ali era seguro e familiar e íntimo. Ali era onde ele pertencia a partir daquele dia.
"Giulio está no banho." As palavras deixaram os lábios do braço direito de Ivan como música. Sua garganta ainda estava rouca, mas nada disso importava.
O Inspetor de Polícia não se moveu. O homem parecia ter se transformado em pedra. Havia um envelope pardo em uma de suas mãos e Mário esticou sua própria mão, segurando-o.
"É para ele? Não se preocupe, eu darei a ele mais tarde..." O ruivo sorriu ainda mais ao ver a indignação no rosto de Alaudi. "O envelope também."
O braço direito dos Cavallone sorriu e pediu licença, fechando a porta e sentindo o doce gosto da vingança. Seu corpo encostou-se à porta e ele permaneceu ali o tempo suficiente para ouvir o barulho do carro do Guardião da Nuvem se afastar em uma velocidade absurda. O envelope ficou sobre a mesa de jantar e Mário refez o caminho até o segundo andar, sorrindo radiante ao ver seu amante sair do banheiro. O moreno tinha apenas uma toalha branca ao redor da cintura e seu peito estava pintado com gotinhas de água.
"Alguém estava à porta?" O Vice-Inspetor passou as mãos nos cabelos negros.
"Trabalho. Eu o deixei na sala de jantar." O ruivo retirou com extrema facilidade a camisa que vestia e jogou sua roupa debaixo para trás, não se importando onde ela cairia.
"E o café da manhã?" O braço direito do Guardião da Nuvem riu ao ver sua toalha ser retirada de sua cintura. "Você disse que estava morrendo de fome."
"E estou." Mário o empurrou na direção da cama, passando os joelhos ao redor do corpo de seu amante e sentando-se sobre seu colo. "E não acho que haverá um dia em que eu esteja ao seu lado sem sentir esse tipo de fome."
Giulio corou, abraçando o corpo do ruivo. Suas mãos subiam e desciam pela cintura pálida e seus lábios se repuxaram em um genuíno sorriso de felicidade. Os dois amantes permaneceram imóveis por um longo tempo, perdidos um nos olhos do outro. Ambos eram verdes. Ambos haviam vivido separados por anos até finalmente estarem encarando aquele reflexo. E ambos tinham certeza de que a espera havia valido a pena. O ruivo segurou o rosto do moreno, e seus lábios moveram-se devagar. Seu corpo tremeu quando o beijo começou, enquanto seu coração batia tão rápido que parecia dançar ao som de uma música que somente eles ouviam.
Mário estava apaixonado.
Continua...
¹ “Me faça gritar/gemer, meu amor.” <- Obrigada novamente yuuki por me ajudar nas putarias em francês e italiano! Este capt foi especial para você ♥ aceite como metade do seu presente de aniversário hehehe
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p.s: O último capt da fanfic será postado no dia 12/2. No próximo fim de semana, mais especificamente no sábado, postarei o especial de aniversário do Dino.
p.p.s: Infelizmente este ano eu não postarei especiais de Valentine’s Day/White Day. Eu viajarei nessa época, e aproveitarei esse tempo para começar a longfic paralela D18/8059, então é bem provável que após o final de Between you and me eu tire um mini-hiatus, nada longo, apenas para adiantar a longfic e não correr o risco de ter de parar na metade por falta de tempo e/ou criatividade. Espero que entendam e panz!
little p.s: Eu responderei aos reviews até amanhã sem falta. Revisar essa fanfic foi um trabalho mega cansativo, e provavelmente deve ter uma ou outra coisa fora de contexto, mas fiz o que pude :)
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