Between Us
4 Rebeldia
Notas iniciais
—Oh meu Deus! Um castelo de verdade, histórico em New York!-chocada, Astrid praticamente dava pulinhos de alegria enquanto seus olhos vagavam pela estrutura do castelo.
—Eu sabia que gostaria... E está a venda!
—Oh, sério?! Ah, Edward, é maravilhoso! Nem sei como agradecer por ter me trazido aqui!
—Bom, o valor deve ser elevado...
—Eu não ligo! Sou da linhagem de Habsburg-Lothringen! Grana não me falta!-ela gargalhou, comemorando.
—Bom, fico feliz que eu a tenha ajudado.
—E ajudou muitíssimo! Gostaria de lhe oferecer um jantar. A você e sua família, assim que eu fechar a compra!
—Então prepare-se, Renesmee come como um tourinho!-brincou ele, dando a entender que o convite tinha sido aceito.
—Feito! Vou deixar esse cartão com você! Me diga quando está disponível e eu ligarei para lhe dizer quando eu comprar essa beleza!
—É bem corajosa, Astrid. Não moraria num lugar desses nem de graça! É belo, mas assustador.
—É grande e imponente! É perfeito!
—Ah, desculpe a interrupção, mas irá morar sozinha?
—De maneira alguma! Posso ser uma senhora viúva na flor da idade, mas tenho duas netas, alguns sobrinhos,... Elas virão morar comigo logo logo... Quem sabe no jantar eu não as apresente a você e sua família!
—Pode ser uma boa idéia.-Edward comentou.-Então, vamos?
—Ah não, pode ir. Vou ficar analisando essa perfeição humana... E aqui nessa placa da imobiliária tem o número de emergência para contatos do castelo. Ligarei agora mesmo!
—Então eu lhe desejo sorte, Sra Lothringen.-tomando a mão delicada da mulher entre a sua, ele beijou-a delicadamente, como um verdadeiro cavalheiro.
—Eu agradeço por toda a ajuda, Sr. Cullen.
—Talvez tenhamos que mudar os cálculos das duas colunas centrais, mas provavelmente, mesmo que alteremos o estilo, ainda assim teremos de adaptar para a nova altura do teto, então teremos de refazer esses cálculos.-debruçado sobre uma planilha e com o telefone em uma das mãos, Emmett conversava com um de seus ajudantes na construção de um novo shopping na área central da cidade vizinha. Era um investimento e tanto, mas estava dando um enorme trabalho a ele. Pra ser sincero, ele nem se lembrava a última vez que havia conseguido terminar uma refeição sem ter que atender o telefone ou dormido bem com Rose sem que eles brigassem antes. Ela dizia que ele trabalhava demais e mal cuidava das filhas ou dedicava tempo a família. E ele, é claro, achava injusto da parte dela. Era a única fonte de renda da família já que depois do nascimento de Mia, Rose parara de escrever seus livros, dedicando-se integralmente as meninas.
—Sr. McCarty?
—Sim, Janice?
—A Alina do financeiro veio trazer uns relatórios. Devo mandar entrar?-com a voz anasalada, a secretária que Rose contratara para o esposo colocou a cabeça para dentro do escritório de Emmett que segurou-se para não gargalhar do visual da secretária, a começar pelo cabelo extremamente volumoso, em uma vibe anos 80. A mulher também usava uma calça extremamente colada, estampada de onça e uma blusa que parecia ser conjunto com a medonha calça, também justa, porém de mangas cumpridas e decote canoa. Os sapatos, como era de se esperar, também estavam cobertos pela estampa de onça e a mulher, como sempre, carregava um lápis atrás da orelha com brincos enormes de pedras vermelhas, combinando com o batom, claro.
—Pode deixá-la entrar, tigresa.-ele caçoou, fazendo que ela o respondesse apenas com uma careta.-Pode entrar, Alina, ele está esperando.
—Com licença, Sr. McCarty.-a jovem loira adentrou o escritório acompanhada de um jovem bastante esguio e esbelto.-Ah, me desculpe. Esse é Thomas Wintour, nosso novo estagiário. Está passando o dia comigo, mas amanhã irão levá-lo para a parte prática.
—Muito prazer, Sr. McCarty! O senhor é praticamente uma lenda viva. Construir um império de arquitetura moderna em tão pouco tempo e prosperar estrondosamente não é fácil. Sem falar que minha mãe tem todos os livros de sua esposa. É uma pena que ela tenha pausado sua carreira.
—É, pena mesmo.-Emmett murmurou, lembrando-se de como ela ficava menos irritada quando escrevia.
—Mas pelo que li, ela o fez para ser mãe em tempo integral, e não há profissão mais bela. Se me permite dizer, aposto que ela o faz divinamente.
—Sim, ela faz bem mesmo.-ele o respondeu, meditando no fato de que Rose tornara-se mãe em tempo integral e esquecera de continuar sendo esposa.-Alina, os relatórios, por favor.
—Sim senhor, aqui estão.-ela entregou as folhas e preparou-se para sair junto de Thomas, mas Emmett os impediu.
—Alina, pode deixar o rapaz aqui. O primeiro dever dele será analisar esses relatórios semanais. Vejamos se ele é tão eficiente quanto é cortês.-simpático, Emmett estendeu a mão direita para o rapaz que lhe parecia ser uma boa pessoa.
—Doeu muito.-Annie afirmou ao segurar as mãos da mãe entre as suas, analisando a linha do corte na palma da mão direita de Bella.
—Mas já passou!-ela tentou acalmar a filha.
—Mamãe é tão lezadinha, vive se machucando.-Nessie inclinou-se sobre o colo da mãe no sofá da sala e jogou-se sobre o mesmo, beijando a mão cortada de Bella. Eram quase 16h. Annie estava assistindo TV na sala, Nessie era paparicada pela mãe e não havia nenhum sinal de Jane pela casa depois do ocorrido.
—É, eu sou bem desligada.-Bella admitiu, envolvendo a filha com mais força e beijando-lhe os cabelos acobreados.
—Meleca!-um estrondo e um rosnado surgiram do hall da bela casa. Edward havia chego e novamente havia tropeçado nos brinquedos do novo animal de estimação da filha: um gato chamado Bigodes.-Já disse para não deixarem brinquedos no hall.
—Boa tarde pra você também.-Bella arqueou as sobrancelhas, segurando-se para não rir do marido que havia levado um belo tombo.
—Papai, papai, papai!-Renesmee desceu do colo da mãe e em segundos, jogou-se no colo de Edward que a recebeu calorosamente.-A mamãe se cortou feio naquele cinzeiro de cristal da vovó Esme, da pra acreditar?!
—Fofoqueira.-Annie brincou, sorrindo um pouco.
—Sim, Annie tem razão, pare de fofocar, Renesmee!
—É, assim vai ficar parecendo sua tia Alice!-bagunçando o cabelo da filha, Edward seguiu para beijar a filha do meio e por último, acertou os lábios da esposa com um terno beijo.-Como isso aconteceu?-ele indagou ao sentar-se perto de Bella que desviou o olhar, deixando a ele claro que algo havia acontecido e não havia sido apenas um dos mil acidentes domésticos de Bella.-Ah, meninas, não está na hora de passearem com os cães e com essa porcaria de gato?
—Porcaria não, pai! E gatos não passeiam, só a Akira e o Bear. Vamos Annie, vamos colocar a coleira neles e darmos a volta no quarteirão.
—Jane?-Annie perguntou inocentemente, fazendo Bella enrubescer ao lembrar-se da situação, entregando a Edward o assunto.
—Jane está estudando, vão só vocês.-Edward respondeu pela esposa e quando as meninas partiram animadas pela porta da frente, ele ficou de pé.-O que houve?
—Nada demais, querido.
—Isabella Marie Swan Cullen, eu sou seu marido e exijo saber o que a minha filha fez a você.
—Nossa filha.
—Nesses momentos, eu a vejo como filha de Heidi.-apresentando os primeiros sinais de estar irado, ele passou as mãos pelos cabelos.
—Shhhh, ela está em casa, fale baixo!
—Então me diga o que houve.
—Tivemos uma discussão, nada anormal.
—Nada anormal? Bella, sua mão está enfaixada e Nesse deixou claro que o corte foi feio.
—Foram apenas 4 pontos na palma da mão.-ela tentou se justificar. Quando Maria fora a acudir, Bella já havia conseguido tirar boa parte dos fragmentos minúsculos do cristal no corte, mas só conseguira se livrar totalmente deles no hospital, onde Alice e Maria insistiram para que ela fosse.
—Pontos, Bella? Eu exijo saber o que houve.
—Eu tentei conversar com ela e ela não reagiu bem. Depois sujou o chão de propósito, pedi que ela limpasse e a chamei de filha. Ela gritou como louca, deixando claro que eu não era a mãe dela e me empurrou. Foi ai que tentei me segurar na mesinha pro impacto não ser tão grande, mas acabei indo com a mão no cinzeiro e somado a força dela... Eu sinto muito, meu amor.-observando a expressão do marido, ela sentiu-se culpada por fazê-lo ter de lidar com aquela situação. Se julgava extremamente imbecil por não poder lidar com aquilo sozinha.-Edward, fale comigo, por favor.- a única resposta que ela obteve dele foi um movimento brusco. Disparado, Edward correu escada acima, seguido de Bella em passos inseguros e cheios de tropeços e escorregões. Irado, Edward podia estar indo do vermelho ao roxo e as veias da testa lhe saltavam.
—Abra essa porta agora!-socando a porta com toda força, ele gritou ao chegar no quarto de Jane.
—Edward, meu amor, se acalme!
—Eu já mandei abrir a porta!
—Vai embora!-a voz irritadiça da menina só o deixou mais raivoso. Bufando, ele deu um passo para trás, debruçando-se sobre o corrimão da escada.
—Vem, amor, está tudo bem.-tocando-o levemente, Bella fez com que ele caminhasse lentamente até as escadas, mas em um movimento praticamente inumano de tão veloz, ele virou-se e voltou a frente da porta, chutando a mesma e a arrombando imediatamente.
—O que é isso?-Jane levantou-se da cama com um pulo, extremamente assustada.
—O que é isso? O que é isso? Eu é que pergunto "o que é isso?"! Quem pensa que é para agredir sua mãe? Hein?-segurando-a pelo braço sem medir a força, ele começou a sacudi-la violentamente.
—Edward, pare!-as lágrimas já lavavam o rosto de Bella.
—Me solta, ta me machucando!-Jane gritava.
—É pra machucar mesmo! Viu o que fez a sua mãe?
—Ela não é minha mãe!
—Isso é um fato. Alguém como ela jamais colocaria no mundo um monstro como você!-arrependendo-se no segundo seguinte após proferir tais palavras, ele largou-a, lançando o corpo magricelo da menina contra a cama e passando os dedos de forma desesperada pelos cabelos.
—Já chega, Edward.-Bella deu um passo na direção do esposo, com cautela.
—Eu odeio vocês!-levantando-se da cama, a menina cuspiu as palavras e como resposta, recebeu um bofete no rosto.
—Edward!-Bella gritou, assustada, puxando Jane para si que abraçou-a, como se buscasse proteção.
—Você passou de todos os limites possíveis, Jane! Olhe o que me fez fazer! Olhe o que fez com sua mãe! Há mais ou menos dois anos você tem tornado nosso convívio insuportável! Eu já tentei de tudo, merda! Psicólogos, conversas, terapias, tudo! Mas você parece não querer esta em paz conosco!-com um ar desesperado, Edward gritava.-Mas isso vai mudar. Vai mudar agora...- como se estivesse fora de si, Edward passou os braços por cima das estantes de Jane, jogando no chão tudo que estava em cima: CD's, DVD's, perfumes, câmeras, fones de ouvido, Ipods.
—Edward, pare com isso!-entre um tom assustado e um autoritário, sem soltar Jane que agarrava-se a ela, aos prantos.-Você está fora do controle!
—Não, eu estou extremamente controlado! Eu estou fazendo o que eu já deveria ter feito há séculos! Não vai precisar desse som, não é? Já que não tem mais seus CD's, não precisa de som...
—Não, pai, para!
—Não precisa mais disso...-puxando o fio da tomada com apenas um movimento, Edward correu para fora do quarto e jogou o aparelho de som escadas abaixo.
—Você está ficando louco, pare com isso, Edward!
—Esse computador é mais caro do que sua faculdade, não vou quebrar. Esse vai pro meu quarto!-ele sorriu irônico.-Agora me dê seu celular.
—O que?
—Seu celular, me dê logo!-Jane não estava acreditando naquilo tudo. O pai sempre fora extremamente tolerante, e do nada, havia mudado. Tudo por um empurrão imbecil contra Bella.
—Jane, ou me dá seu celular ou eu mesmo pego.-urgente, ele a encarava.-Ok, não vai me dar? Eu mesmo pego.-ele colocou-se a vasculhar o quarto, chegando até a bolsa da menina.
—Não!-ela gritou, denunciando a localização do aparelho.
—Parece que me deu o endereço correto!
—Não abra minha bolsa!
—Por que não? Tem algo que eu não possa ver?!-ele indagou-a com um ar irônico, mas ao ler a expressão da menina, chocou-se ao perceber que de fato, havia algo ali que ele não deveria saber.-Está me escondendo algo!-afirmou Edward.
—Jane, o que é? Sabe que pode dizer qualquer coisa para nós.-Bella disse de forma serena, porém Edward colocou-se a vasculhar a bolsa, achando algumas pedras de crack.
—Está usando drogas, Jane?
—É de uma amiga, pai.-a menina tentou, mas não convenceu.
—A partir de hoje, você está de castigo. Vamos trancar sua matrícula na faculdade, você só vai sair acompanhada de nós e iremos ao médico ver se precisa passar por uma desintoxicação, reabilitação ou coisa do tipo. E arranque esses piercings e corte esse cabelo medonho.-disparando as palavras com uma expressão de decepção, ele caminhou até a porta, virando-se para ela mais uma vez.-Eu estou extremamente decepcionado com você.
E então saiu, deixando Jane e Bella, ainda unidas, chocadas com o que havia acontecido. Foi ai que a voz de Jane quebrou um momento. Afiadas como uma navalha, as palavras foram jogadas em cima de Bella que via a menina se afastando de seus braços.
—A culpa é toda sua!
—Jane, eu,... eu sinto muito!
—Saia daqui agora!
—Mas Jane...-de pé, Bella começou a caminhar de costas para a porta.
—Saia daqui!-Jane gritou e então bateu a porta, trancando-se no quarto.
Deixando Bella do lado de fora.
Chorando.
Ela estava arrasada. Não imaginaria, nem em um milhão de anos, algo assim acontecendo em sua vida. Desceu e sentou-se nos degraus da escada, apoiando os pés no chão de madeira do primeiro andar, agradecida que Annie e Nessie haviam saído. Enquanto pensava e revisava aquela cena assustadora em sua cabeça, Edward surgiu em sua frente, já sem o paletó, com os primeiros botões da camisa desabotoados e os cabelos bagunçados.
—Não acredito que fez isso.
—Bella, amor...Eu perdi o controle!
—Eu sei, eu percebi.
—Você viu como ela está, e o que está fazendo!
—Não estou dizendo que deveríamos deixá-la sem fazer nada, mas ela precisa de apoio. Ela está doente, Edward!-aumentando o tom, Bella ficou de pé.-Você exagerou hoje e não pense que eu vou deixar isso passar. Você estava assustador lá em cima, esbofeteou minha filha!
—Ela não é sua filha, nem mesmo é minha!
—Olhe para sí mesmo, olhe o que está dizendo!-arqueado as sobrancelhas, Bella disse incrédula.-Fomos nós que a levamos no primeiro recital de bale, que a ensinamos a guardar os dentes debaixo do travesseiro para a fada dos dentes, que lemos histórias pra ela dormir. Nós a vimos ganhar seus troféus de ginástica olímpica, natação, concursos de soletrar... Eu que a ensinei tudo sobre primeira menstruação, garotos... Ela é sim minha filha e você, definitivamente, não é o homem com quem eu me casei! Não hoje.- dando as costas para o esposo, ela subiu as escadas em direção a seu quarto, mas parou no topo da escada.-Quando Renesmee chegar, diga que ela vai dormir comigo hoje. Você dorme no quarto dela.
Logo, Edward ouviu a porta de seu quarto bater, mas o que lhe incomodava mais, naquele momento, era saber que teria de falar com Felix.
Parecia que a hora da verdade havia chego.
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