Between Us
9 Pequenos Segredos
Notas iniciais
Não foi fácil pegar no sono. Bella estava extremamente abalada e conter as lágrimas eram uma missão impossível para ela. Mas aos poucos, ela conseguiu se acalmar, pensando que não ter que explicar para a filha no dia seguinte o porque dos olhos inchados.
Edward, por sua vez, acabou dormindo sentado, escorado na porta. Como era de se esperar, acordou com um torcicolo daqueles.
—Ai merda!-ele xingou assim que acordou, levando a mão ao pescoço. Olhou rapidamente para o relógio de pulso e constatou que eram 5:46 AM. O dia estava começando a clarear e para sua total auto depreciação, ele constatou também que estava urinado.
—Mas que porra...- foi tudo o que ele conseguiu dizer, fazendo cara de nojo para sí mesmo. Olhou para o lado e viu uma ecobag do mercado e um post it colado sobre a mesma.
“Espero que quando você aparecer em casa, esteja sóbrio, limpo, sem ressaca e com uma ótima explicação para o circo de ontem. E não ouse mencionar o acontecido para ninguém. Muito menos para Renesmee. E não volte hoje tão cedo. Se precisar, tome banho na casa de sua amiguinha.
Isabella”
—Isabella... Ela deve estar extremamente irritada. –comentou sobre a assinatura da esposa. Dentro da bolsa havia uma cueca, meias, uma muda de roupas limpas – uma calça e blusa social, com um blazer um pouco amassado-. Uma escova de dente, toalha e sabonetes. Também havia uma garrafa térmica e pequena de café e alguns remédios para dor de cabeça. Bella pensara em tudo, mesmo borbulhando de ódio. Ele leu novamente o bilhete. “Tome banho na casa de sua amiguinha”.
—Hmmm...- ele ponderou. Talvez fosse melhor pagar por um hotel, mas para ser sincero, conversar com Jenny seria interessante. Ele precisava lembrar do que havia acontecido na noite anterior.
[...]
—Ai meu Deus! – Jennifer gritou quando abriu a porta.
—Você pode pagar meu táxi? O motorista está esperando lá embaixo e eu descobri que perdi a carteira. –coçando a cabeça, Edward deu um sorrido de lado.
—Sua carteira caiu no táxi, seu bêbado louco. O que veio fazer aqui?-ela estava realmente chocada. Tão chocada que não percebeu que estava só de calcinha e moletom da NYU.
—Ah, Jenny... O taxista é indiano e vai pedir pra Ganesha nos amaldiçoar se você não pagá-lo.
—Ah, droga! Claro... Eu vou buscar minha carteira. Entra, o banheiro é a terceira porta a esquerda. Você está fedendo. –ela disse enquanto dava passagem para o chefe entrar. Edward seguiu para o banheiro enquanto a jovem secretária descia para pagar o táxi, que sem dúvidas, agradeceu pela visão que tele logo antes das 6 da manhã.
Após um banho quente, Edward ensacou as roupas sujas e achou melhor jogá-las fora. Quando saiu do banheiro, Jenny estava terminando de colocar a mesa do café da manhã.
—Eu juro que tudo parece bom... Mas eu não posso comer nada.- ele disse enquanto fazia uma careta. Estava extremamente enjoado.
—Cara, você está muito ferrado. Que ressaca maligna. Parece o meu pai, que nunca bebe, e quando faz isso, quase vomita os órgãos.
—Você está intacta. Como pode ser imune ao álcool?-ele estava realmente chocado.
—Eu sou solteira, tenho 24 anos, vivo no Brooklyn e vou a festas no mínimo, quatro vezes por semana. Eu nem tenho mais fígado. –Jenny falou com certo orgulho.
—Vocês, jovens, me fazem parecer um ancião. Na sua idade. Eu já tinha duas filhas. –Edward disse, se esforçando para se servir de uma xícara de café.
—Falando assim, você parece um velho, realmente. 90 anos, no mínimo. –ela gargalhou. –Como descobriu onde eu morava?
— Cadastro de funcionários. –ele resumiu a história.
—E sua mulher?
—Eu dormi na calçada.
—Oh meu Deus, você realmente está ferrado! –ela tentou não sorrir, mas não conseguiu. Estava achando graça mesmo. Ergueu sua xícara de café, propondo um brinde e ele sorriu um pouco sofrido, mas aceitou o brinde enquanto respondia.
—Eu estou.
[...]
—Mamãe?
—Querida...- a voz de Renesmee despertou Bella num salto.
—Calma, eu só acordei. — a menina comentou de forma doce, achando engraçada a reação da mãe. –Cadê o papai?
Como reflexo, ela olhou para seu lado na cama e percebeu a mesma vazia. Num estalo, as lembranças da noite passada fizeram a cabeça de Bella doer.
—Ele teve que sair cedo pra resolver um problemão no escritório. –foi à primeira coisa que lhe veio a mente.
—Então posso deitar com você? Hoje é sábado, não tenho aula. Podemos dormir mais um pouco.- a garota propôs, extremamente animada enquanto subia na cama e se enfiava embaixo das cobertas. Bella logo se aproximou da filha e aconchegou em seus braços, afagando seus cabelos.
—Pode, mas tem que ser bem agarradinha comigo, se não, não rola.-a mãe exclamou de forma manhosa e não demorou muito para que as duas pegassem no sono.
Longe dalí, Jasper acordou cedo, deixando Alice dormindo tranquila. Trocou de roupa e saiu para correr pelo quarteirão, mas quando retornou, a esposa não estava mais em casa.
—Maria...- ele chamou, descendo as escadas após tomar um banho.
—Sí, señor.
—Você viu minha esposa saindo?
—Sí, a senhora Alice saiu já fazem uns 15 minutos.-a mulher, que estava preparando o café das crianças, virou-se para responder.
—Sabe onde ela foi?- Jasper questinou, aproximando-se da empregada.
—No, pero que a senhora Alice pediu para que eu preparasse o almoço das crianças. Ela disse que demoraria um pouco.- Maria explicou, deixando um pouco de lado a tarefa de espremer as laranjas para o suco dos meninos.
—Por que não faz isso no espremedor?- Jasper questionou, percebendo que a mulher estava se esforçando naquela atividade.
—Ah, ele não quer ligar. Não sei fazer essas tecnologias funcionarem. -ela disse lavando as mãos e pegando o espremedor de frutas e ligando na parede. Girou o botão e nada. –Vê? Não liga.
—Maria, essas coisas tem que estar bem encaixadas... O copo não está encaixado na base, está vendo?- ele tentou explicar, enquanto tirava o copo do aparelho e tornava a encaixá-lo.
—Pai... – a voz de Melissa chamou na escada.
—Na cozinha, princesa.-ele respondeu.
—Cadê a mamãe?- de cabelos molhados, a menina chegou na cozinha.
—Boa pergunta. A Maria disse que ela saiu e não disse pra onde.
—E você ligou pra ela?- Melissa questionou, mas o pai parecia estar ocupado.
—Ah... Vou ligar jajá. Só estou ensinando para a Maria como usar esse treco.-ele comentou um pouco lento, já que tentou ligar o aparelho e mesmo assim, não havia funcionado.
—Ok. Eu ligo pra ela então...- Melissa disse, saindo da cozinha. –Ah, os meninos acordaram e estão fazendo guerra de travesseiros.
—Jesus!- Maria exclamou. –É melhor eu ir ver isso antes que os travesseiros estourem novamente. –e dizendo isso, a empregada subiu as escadas, deixando Jasper realmente intrigado com o problema no eletrodoméstico. Melissa foi até o escritório da mãe e ligo para a mesma. Depois de três tentativas, Alice atendeu.
—Eai, Medusa.
—Eai, coroa. Cadê você?- a menina respondeu, brincando.
—Ah... Reunião de negócios. Por que?
—Eu acho que você está mentindo. –Melissa logo falou.
—E eu acho que você é muito precoce. –Alice brincou. –Eu posso te ligar em 15 minutos? Estão precisando de mim pra resolver umas coisas.
—Claro, é só não esquecer.
—Te amo, feiosa.-e dito isso, Alice desligou.
—Sra. Withlock, a senhora está pronta?
—É, eu acho que sim. –Alice respondeu um pouco sem jeito.
—É um procedimento simples. A ida ao centro cirúrgico é meramente por cautela. – a médica explicou enquanto levava Alice até a sala do preparo.
—Esse cateter... Ele pode ser escondido? –enquanto tirava os brincos e jóias, Alice procurou se informar mais sobre o funcionamento do procedimento.
—Claro, é só usar blusas mais fechadas. Dependendo do modelo, o cateter será imperceptível e ninguém saberá de seu tratamento.
—Ótimo. –Alice exclamou. – É melhor assim.
[...]
Mais um sábado e Emmett estava trabalhando. E a despensa vazia.
—1, 2, 3... Pra van, agora!- Rosalie ordenou enquanto bocejava. Logo as meninas entraram e sentaram-se em suas devidas cadeirinhas na espaçosa Spin de Rose. Por fim, a mãe checou todos os cintos e prendeu Mia em sua cadeirinha.
—My Gym!- Lily começou a comemorar. Sabia que todos os sábados de manhã, a mãe as levava até a My Gym, um espaço de “ginástica” para bebês e finalmente, ia em paz para o supermercado fazer compras para abastecer a despensa.
—Comportem-se, princesas.-Rosalie despediu-se das meninas que mal olharam para trás na hora de entrar na My Gym. Despediu-se das professoras, avisando que logo estaria de volta e voltou para o carro.
Ao entrar no mesmo, Rosalie bocejou longamente e chegou a deitar o rosto no volante.
—Chega a ser tentador. -enquanto virava a chave, ela espantou a idéia de cochilar no carro e saiu da vaga, rumo ao Food Bazaar. Quando chegou no mercado, estacionou e sacou a lista de compras de dentro da bolsa. Ovos, bacon, waffles, carne de porco, leite, suco, ervilha enlatada, queijo, frutas, mel, achocolatado em pó, papinha industrializada... Rose comprou o que costumava comprar sempre para a alimentação da família, mas decidiu acrescentar dois potes de sorvete ao carrinho.
—Porque eu mereço alguns minutos de felicidade.- comentou enquanto acrescentava um pote individual de Ben & Jerry’s de cookies e raspas de cholocate. Saiu do mercado com folha de tempo: eram apenas 10h e a aula das meninas terminava ás 11:30h. Aquilo definitivamente era um milagre. Dirigiu sem pressa até o Queensbridge Park, sentou-se em um dos bancos de frente para a ponte, sacou seu livro da Nora Roberts de dentro da bolsa e atacou o Ben & Jerry’s. Nada a tiraria daquele momento de paz, a não ser seu celular, que despertaria as 11:25 AM.
—Rosalie?
Ela já estava perdida em seu pequeno momento de paz há alguns minutos quando uma voz masculina a chamou.
—Thomas? -Rosalie demorou um pouco, mas acabou reconhecendo o funcionário do esposo.
—Que agradável surpresa encontrar a senhora por aqui.- o rapaz – que estava correndo- tirou os fones de ouvido e estendeu a mão para cumprimenta-la.
—Ah, por favor. Se me chamar de senhora, eu te arremesso daqui até a ponte. –ela brincou enquanto apertava a mão do rapaz e logo em seguida, tampou o pequeno pode de sorvete. –O que faz por aqui?
—Eu sempre corro por aqui. É uma bela vista, não acha?- ele apontou para a ponte e Rose concordou. –E a se... você? O que faz por aqui?
—Eu vim em busca de paz.-Rosalie respondeu sincera, sentando-se novamente no banco e sinalizando para o rapaz fazer o mesmo. –Eu tenho quatro filhas, três cães e um marido, Thomas. As vezes, tudo o que eu preciso é de silêncio, Nora Roberts e Ben & Jerry’s. – ela deu de ombros, respondendo de forma descontraída.
—Eu imagino que não seja uma rotina muito fácil.- ele comentou enquanto se sentava.
—Não, não é. E as vezes eu quero sumir... Mas de vez em quando, eu consigo meia hora de descanso e acabo conseguindo um gás para as outras 23 horas do dia.
—Eu a admiro, Sra. McCarty. Quero dizer, Rosalie.-ele se corrigiu ao ver a careta dela.
—Rose.
—Rose.-ele reafirmou.- Meu pai foi um homem respeitável e ele sempre me ensinou que por trás de um grande homem, existe sempre o apoio de uma grande mulher. Tenho certeza que meu chefe só está onde está por sua causa. – Thomas disse sincero. Não era um rapaz bajulador. Na verdade, era extremamente gentil e educado.
—Thomas... Você é tão gentil. Obrigada por acreditar que eu sou o segredo do sucesso de Emmett, mas atualmente, acho que nossa relação está mais para ele sendo o Super Homem e eu a criptonita. –a frase mal saiu de sua boca e Rose já estava arrependida. Estava falando demais.
—Ah Rose, eu duvido. O Sr. McCarty é um homem muito atarefado, mas tenho certeza que a valoriza. – o jovem tentou consolar a mulher que achou melhor concordar, para não abrir demais um assunto que pertencia apenas a ela e ao esposo.
—É claro! Você tem razão. Acho que estou um pouco sensível.
—Nora Robert causa isso nas pessoas. Minha mãe sempre dizia isso.
—E por falar em Nora Robert e sua mãe, você disse aquele dia lá em casa que ela era fã de meus livros. Isso é incrível. Eu preciso mandar uma cópia autografada para ela. Assim, irei me sentir importante.- Rosalie animou-se. Ver que alguém reconhecia seu trabalho era maravilhoso.
—Puxa, ela vai morrer do coração. Ela tem todos os seus livros... Menos o último... “Fortaleza feminina”. Ela não conseguiu comprar, quando foi tentar, já estava esgotado.
—Mas que coincidência! Eu tenho um exemplar dele no meu porta-luvas. Eu sempre releio minhas obras. Acho que será esse mesmo que enviarei para a sua mãe.- ela disse, ficando de pé.
—Vai dar seu livro pessoal a minha mãe? Aquela senhora vai morrer do coração mesmo!- gargalhando, Thomas seguiu Rosalie animado e entrou com ela no carro.
—Só não repare a quantidade de brinquedos espalhados no chão... e nos bancos.- Rose emendou quando o rapaz sentou-se e o som do apito de um brinquedo de borracha soou do traseiro dele. –São quatro filhas. Eu tenho mais brinquedos do que tudo nesse carro.
—Tudo bem, se o porquinho me desculpar. – Thom sorriu enquanto tirava o bichinho debaixo de sí e jogava no banco traseiro. Rosalie abriu o porta luvas e sacou uma caneta do mesmo, junto do livro.
—Qual o nome dela?
—Marylin.
—“Para minha querida Marylin, a fã com o filho mais gentil do mundo. Obrigada pelo carinho com minhas obras. Se eu escrever novamente, enviarei pessoalmente meus livros a você. Com carinho, Rosalie Hale.” – ela finalizou o autógrafo e entregou o livro na mão de Thomas.- Aqui está.
—Uau! Muito obrigada, Rose.
—Eu que te agradeço. Você meu momento de paz se tornar mais divertido do que eu imaginava. – ela sorriu. Os dois desceram do carro e Thomas contornou o veículo para se despedir dela.
—Me passa o seu número? Eu vou enviar um vídeo da reação dela quando receber o livro. –ele pediu um tanto inseguro se ela encararia aquilo de uma forma tranquila ou não.
—Claro! Deixa eu anotar. –ela disse, pegando o celular que ele havia estendido para ela. Digitou seu próprio número e salvou o contato. –Prontinho. Eu espero que sua mãe goste do livro.
—Ela vai amar. Muito obrigada por ser tão gentil, Rose. – ele disse estendendo a mão pra apertar a de Rose, mas a mesma ignorou as formalidades e deu um abraço no rapaz.
—Imagina. Eu agradeço pela companhia novamente. – e assim, ele partiu. Rose sentou-se novamente no interior do veículo e constatou que o sorvete havia derretido, mas não ficou decepcionada. O Ben & Jerry’s derretido havia valido a pena por aquele momento agradável.
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