Between Two Sides

2 Capítulo 2 - Nem tudo são trevas.


Notas iniciais
Espero que estejam gostando da fic lembrando novamente que peço que comentem deem suas criticas e dicas por favor isso me incentiva demais a continuar a escrever, da trabalho.

Caminhando devagar para não fazer barulho fomos até a direção de onde vinha o som. Uma porta de madeira branca, me posicionei do lado direito com o rifle em mãos e Miguel ficou do lado esquerdo.

– No três eu vou abrir a porta e você entra primeiro, já que ta segurando esse trambolho — disse ele indicando o rifle com a cabeça.

Enquanto ele contava eu imaginava o que se encontrava atrás daquela porta, nesses dias qualquer coisa, tentei me preparar física e mentalmente para uma cena terrível, segurei a arma com firmeza e tomei coragem. O trinco da porta se abriu e entrei com o rifle empunhado, olhei para a direita e nada, esquerda nada, quando vi do que se trava e fiquei chocado, observei melhor o cômodo e entendi o que era, pintura cor de rosa, um beliche , uma televisão e alguns desenhos pendurados, o quarto de uma criança. Varri o cômodo com meus olhos e parecia completamente limpo.

– Pode entrar, não tem nada de perigoso — comuniquei a Miguel.

– Esse é seu quarto? — Ironizou ele indicando as paredes cor-de-rosa.

– Ha,ha — dei uma risada seca — você devia vira comediante de stand-up.

Após esse momento escroto vasculhamos o quarto em busca de qualquer coisa útil, durante a varredura encontrei algumas embalagens de alimentos "isso explica o que houve na cozinha", alguns desenhos infantis, trabalho digno de uma criança de segunda série entediada com um giz de cera na mão " não quero nem pensar em aonde essa garotinha deve estar agora ". Ao verificar as camas notei a decoração das malditas princesas disney que amaldiçoavam meus sábados com filmezinhos de merda que minha irmã me obrigava a assistir, uma coleção de revistas mad " finalmente algo de bom gosto " pensei. Ao olhar a cômoda encontrei um porta retrato, nele a foto de uma garota de aparentemente 13 anos com belos cabelos loiros e olhos castanhos, abraçando a irmã caçula que parecia ter seus 7 anos de idade com cabelos escuros e olhos esverdeados um tanto baixinha e parecia estar com as bochechas rosadas na hora da foto, " Meu Deus oque terá acontecido com essas duas " isso me trazia fortes lembranças que estive tentando afastar recentemente.

– Ei, garoto vem aqui — sussurrou o outro, quando me virei vi que ele encostava o ouvido em uma porta e tentava escutar algo.

– Seu velho tarado, isso ai é só um banheiro, dado as circunstancias acho que você não vai ouvir nada "interessante" sair dai — ele me lançou uma careta de raiva cômica e deixei escapar uma risadinha.

– Vem aqui ouvir e para de falar merda — sussurrou franzindo o cenho.

Ao me aproximar da porta do banheiro aonde agora pude ouvir as batidas e gemidos, silêncio total, o velho tirou o .38 da cintura.

– Vai ser fácil como tirar doce de criança — disse ele, talvez esse velho ditado agora se encontre no sentido literal.

Quando estiquei minha mão até a maçaneta senti algo puxando levemente a ponta do meu casaco. Me virei rapidamente pronto para me defender quando me deparei com algo inesperado, a garotinha de olhos verdes da foto, ou quase, o rosto estava vermelho e escorriam lagrimas, as pequeninas mãos sujas com sangue. Uma criancinha? Eles tiveram a coragem de deixar uma criancinha? Se aquele desgraçado não tivesse se matado eu me encarregaria de cuidar dele.

– P-por favor não, machuca minha irmã moço — gaguejou soluçando com um fio de voz a garotinha com as lagrimas ainda escorrendo pelo rosto.

– Com você se esgueirando desse jeito podíamos ter atirado em você menina — criticou o velho carrancudo — Você foi mordida? — continuou ele ameaçador

– Se acalma ai velho vai toma sua pilula. — repreendi — Oque aconteceu com a sua irmã querida?

– Ela saiu, disse que ia busca ajuda, e quando volto o braço tava machucado — ao falar mais lágrimas foram brotando — eu chamei ela mais ela não quer sai só fica batendo na porta.

Me aproximei dela e tentei acalma-la dizendo que ia ficar tudo bem, quando ela se recuperou perguntei.

– Você, sabe oque houve com ela?. — perguntei calmo.

– Parecia algo como...como uma mordida eu acho, tinha marcas de dentes e sangrava muito, tentei ajuda-la e acabei me sujando

Sempre gostei de crianças, são puras e sem malicia ao contrario do resto do mundo, principalmente o mundo atual e ao ver aquela garotinha pude perceber que estava assustada alias não é pra menos, como os pais puderam se suicidar com uma filhinha pequena para tomar conta e abandona-la assim? O que um ser humano não faz quando está com medo...mas aquela garotinha me fez sentir que ainda havia alguma coisa pelo que lutar, algo puro e não corrompido pela agressividade desse mundo o que a tornava um elo, uma ligação com os tempos de paz e me trazia um certo conforto, agora me dedicarei a preserva-la desse modo. Ve-la triste daquele jeito foi de partir o coração.

– Ela vai voltar certo? Vocês podem ver oque aconteceu com ela?– choramingou ela esperançosa.

– Qual seu nome? — tentei mudar de assunto

– Beatriz — respondeu ela ainda soluçando.

– A quanto tempo vocês estavam aqui?

–Duas semanas — disse ela tentando se acalmar.

– Você quer vir com a gente? — perguntei nervoso.

– Mas e minha irmã? Ela vai cuidar de mim, ela sempre cuido desde pequena quando eu tinha medo de escuro ela sempre me protegeu. — respondeu ela baixinho.

Não havia forma fácil de explicar aquilo a ela.

– Sua irmã ficou...doente — tentei explica-la, porém não conseguia soar firme naquela situação — ela não vai poder sair dali.

– Vocês não podem ajuda ela? Da um remédio ou alguma coisa assim — perguntou ela negando a inevitável verdade.

– Sinto muito não podemos — ao dizer isso a garota tornou a chorar e fiz uma ultima tentativa de acalma-la

– Olha pra mim por favor — disse ajoelhado em sua frente e levantando seu queixo com delicadeza e enxugando as lágrimas, não aguentava mais ve-la daquele jeito — Eu prometo que não vou deixar nada de ruim acontecer a você tudo bem? Esses monstros não vão te pegar confie em mim.

– Promete? — perguntou ela triste e ao mesmo tempo esperançosa.

– Eu prometo — respondi comovido. — mais no momento não podemos ficar aqui não é seguro.

– T-tudo bem — disse ela receosa — eu vou...

– Junte suas coisas rápido, vamos indo daqui dez minutos — alertou Miguel.

Beatriz uma garotinha de sete anos, cabelos escuros olhos verdes pele branca, me lembrava alguém que perdi a muito tempo, e sentia que era minha responsabilidade mante-la a salvo, depois de tudo pelo que ela passou ela não precisa de mais sofrimento.

– Escuta aqui moleque — disse o velho se aproximando quando a menina saiu — essa garotinha pode vir com a gente, mais ela é sua responsabilidade e se ela nos atrasar eu não vou ficar esperando por vocês.

Não me indignei a responder o comentário. Esperamos uns dez minutos até Beatriz voltar com tudo que conseguiu juntar em uma mochila cor de rosa que carregava, em sua mão colocara um relógio de pulso, vestira um boné, limpou o rosto e trocou de roupas colocando um casaco de frio.

– Pronta? — Perguntei gentilmente.

– Sim — disse ela agora um pouco mais animada e segurou minha mão.

– Então vamos já perdemos tempo demais por aqui — resmungou Miguel

E partimos para levar a garota ao acampamento aonde haviamos nos estabelecido com nosso grupo.



Notas finais
Espero postar o próximo cap amanha, fiz muitas alterações no cap, fiquei até as cinco da manhã mexendo nele espero que tenham gostado e por favor comentem para eu saber se estão gostando por favor!!