‘’Para que lugar você está me levando?’’
‘’Calma, já estamos chegando...’’ – Falo guiando-o pelos corredores. – ‘’Ainda não sei como você não descobriu. Para alguém que viveu a vida inteira aqui você está pouco familiarizado.’’
‘’Isso faz com que eu reforce a minha teoria de que você deve estar me sequestrando. Sei que sou atraente, mas você não precisa chegar a este ponto para ter um tempo comigo.‘’ – Seu falso tom esnobe me faz rir. – ‘’Sério America...’’
‘’Já estamos chegando. Talvez se você andasse mais rápido ao invés de reclamar nós já estaríamos lá.’’ – Ouço-o bufar e aumento o ritmo dos passos quando avisto uma porta. – ‘’Não, sem olhar.’’ – O repreendo. Ele murmura alguma coisa que eu ignoro e destranco a porta o mais rápido possível. – ‘’Cuidado, tem dois degraus aqui.’’
Assim que subimos o ar de Angeles nos cercou, um pouco mais gélido do que antes, mas o aroma das flores ainda estava lá. Maxon soltou um suspiro, parecendo ter tirado um peso de suas costas, seus lábios se curvaram em um lindo sorriso e apesar de estar um pouco frio me sinto aquecida com aquilo. Tiro a venda de seus olhos e eles parecem levar um tempo para se ajustarem a escuridão. Acompanho o seu olhar através do terraço, parando no confortável tapete creme estendido no chão com algumas almofadas, ao redor pequenos recipientes com velas deixavam o ambiente ainda mais romântico. Pude notar um brilho de admiração vindo de Maxon, e não consegui conter o meu sorriso. Puxa, minhas criadas são realmente boas.
‘’E então?’’ – Perguntei tentando não tornar visível o meu nervosismo. – ‘’Gostou?’’
Maxon não disse nada, passou seu braço por minha cintura puxando-me para si. Não ousei respirar, pensando que qualquer movimento simples como tal pudesse quebrar o feitiço que nos envolvia. Delicadamente ele colocou uma de suas mãos sobre o meu rosto, acariciando minha bochecha, seus olhos procurando os meus, tornando dispensável qualquer palavra. Meus olhos encheram-se de lágrimas com o tamanho da intensidade de seu olhar, apesar de que nunca dissera com todas as palavras que me amava, naquele momento não importava, pois eu podia sentir. Sorri, e então ele sorriu, aquele sorriso que era só meu.
‘’Perfeito.’’ – Disse ele. – ‘’Assim como você.’’ – E então sua respiração tocou a minha pele, e os seus lábios os meus, dando-me assim ainda mais certeza de que era ali, em seus braços, sendo sua, que eu pertencia.
Eu poderia passar todos os segundos de minha vida beijando-o, mas assim que nossas bocas se separam em busca de folego e oxigênio para os pulmões, e nossas respirações voltavam ao normal, o guio para o tapete posicionado de modo que se possa ver as luzes da cidade e uma parte da grande floresta que nos cercava. Assim que sentamos, puxo a enorme cesta de piquenique para perto, facilitando um pouco as coisas.
‘’Não temos muito tempo.’’ – Digo enquanto tiro dois pratos e alguns potes da cesta. – ‘’Os guardas estão loucos por estarmos fora uma hora dessas, além do mais todas essas luzes...’’ – Aponto para as velas ao nosso redor.
‘’Você sabe... isso não é um problema, podemos apagá-las.’’ – A malícia em sua voz fez com que minhas bochechas corassem. Não seria uma má ideia...
‘’Huh, melhor não... Quero ver a sua cara enquanto prova isto.’’ – Coloco um pouco do frango ao molho em um prato e o entrego.
‘’O que é isso?’’ – Ele pergunta olhando ao redor. – ‘’Ou melhor, tudo isso?’’
‘’Bom, sei que as outras meninas estão dando duro para te mostrar como são adoráveis e perfeitas rainhas.’’ – Falo um pouco envergonhada, olhando para as minhas unhas bem cortadas. – ‘’Você sabe que não sirvo para nada disso... Mas resolvi tentar te mostrar que poderia ser uma boa esposa. Se gostar poderei cozinhar para você sempre que quiser...’’
Escuto Maxon soltar um suspiro, o que me fez olha-lo. Ele parece estar tocado, talvez um pouco emocionado pela situação, posso perceber que está à procura das palavras certas.
‘’America, minha querida.’’ – Sua voz parecia um sussurro. – ‘’Você que não precisa me provar nada, sabe como me sinto sobre você. As outras, elas...’’ – Ele faz uma pausa, parecendo transtornado. – ‘’Elas não significam nada perto de você. Por mais que eu tente... Nada.’’
Respiro fundo e faço força para acreditar naquelas palavras. Por mais que o olhar dele transmitisse isso e elas parecessem certas e sinceras, eu não podia. Não com Kriss ao redor, com todo o seu carisma, compaixão e seu jeito adorável que por muitas vezes me dava raiva por ser tão perfeita para Maxon. Ela seria uma rainha excepcional, aquela que eu nunca poderia ser. Tento dar um sorriso convincente, mas sei que falho, porque Maxon me olha de uma maneira indecifrável, parecendo um pouco frustrado. Antes que ele possa começar a falar algo, entrego-o o prato novamente, com a desculpa de que temos pouco tempo e a comida esfriará. Sinto uma batalha interna se formar em sua cabeça, mas o delicioso cheiro vence, e vejo Maxon dando a primeira garfada. Gelo a procura de sua reação, mas ao invés disso veio outra e outra, até que ele decide largar o garfo e me olhar, procuro alguma pista em seu rosto, mas tenho que admitir que o Rei fizera um bom trabalho em treinar seu filho a esconder seus sentimento.
‘’E então? O que achou?’’ – Até eu mesma podia sentir a urgência e o medo em minha voz.
‘’Eu acho...’’ – Ele diz sério. – ‘’Que devemos mudar imediatamente as cozinheiras do palácio. Está fantástico, America. Mais do que isso... Maravilhoso.’’
Meu suspiro de alívio saíra muito mais alto do que queria, e com isso Maxon gargalhou. Tentei me segurar, mas logo estava rindo também, e ficamos assim por um tempo rindo um da cara do outro, com tudo parecendo tão... certo.
‘’Amanhã mesmo anunciarei o fim da seleção. Pronto, você venceu, pode ficar comigo e com a cozinha.’’ – Disse Maxon de um modo brincalhão, entre uma garfada e outra. Apesar da brincadeira meu coração deu pulos dentro do peito.
‘’Não brinque assim comigo.’’ – Tentei soar divertida, mas a mágoa era visível em minha voz.
‘’America.’’ – O vejo colocar seu prato de lado e aproximar-se de mim, colocando uma mão por trás de meus cabelos e olhando profundamente em meus olhos, como se tentasse desvendar algum mistério. – ‘’Eu falo sério. Por mim eu terminava tudo isso hoje mesmo, mas...’’
Mas... Não tenho certeza se amo você? Você não seria uma boa rainha? Eu amo Kriss? Os contatos de Elise são mais importantes? Meu desejo por Celeste é maior? Você não é o suficiente para mim? Maxon percebeu as milhares de perguntas e desfechos para a sua frase que eu criava e apenas sacudiu sua cabeça de uma forma negativa.
‘’Eu tenho certeza sobre os meus sentimentos por você, America. Sempre tive, mas você...’’ – Ele fez uma pausa, ainda a procura de alguma resposta em meus olhos. – ‘’Às vezes eu tenho certeza dos seus por mim, de que sente os mesmos, mas tem vezes... Tem vezes que sinto que me esconde algo, que não está totalmente certa ao meu respeito. Como se tivesse algo pendente. E eu... Eu não sei.’’ – Podia escutar a súplica em suas palavras sussurradas.
‘’Maxon, eu te...’’ – Não pude terminar a frase pois um dos seus dedos caiu sobre os meu lábios.
‘’Não quero escutar isso, não enquanto você não estiver cem por cento certa disso.’’
‘’Eu estou certa, nunca estive tão certa de algo em toda a minha vida.’’ – Falo de uma maneira urgente, colocando minhas mãos sobre o seu rosto perfeito, que parece ter sido desenhado por deuses. Ele pondera as minhas palavras, soltando um suspiro e desviando o seu olhar.
‘’Devemos comer a sobremesa. Está ficando tarde.’’ – Ele fala, mas eu não me movo. Continuo o encarando, lutando contra as lágrimas que teimavam em querer sair. Por fim, me movo e começo a servir a torta de chocolate, uma das preferidas de May, na esperança de que pudesse quebrar um pouco da tensão que se formara.
‘’Está tudo além do maravilhoso, muito obrigado America.’’ – Agradeceu Maxon enquanto terminada o seu ultimo pedaço de torta. Ele parecia um menininho se deliciando com algum doce. Sorri com a sua cara de prazer, meu coração se aqueceu com o pensamento de que eu o tornara assim.
‘’Fico feliz.’’ – Digo sincera, sorrindo para ele.
Maxon se aproximou novamente e de um jeito inesperado me abraçou, passada a surpresa consegui relaxar e aproveitar enquanto estava deitada em seu peito e suas mãos acariciavam o meu cabelo e costas. Suspirei. Um suspiro de felicidade, e me aconcheguei ainda mais em seus braços. Parecia ser tão certo estar ali, como se eu fosse feita para ele. Nem com Aspen eu me sentira assim. Aspen. Estremeci de leve pensando em sua reação quando descobrisse dos meus sentimentos por Maxon. Esperava ainda ser sua amiga, pois ele sempre teria um papel especial em minha vida.
‘’Nós vamos dar um jeito nisso. Vamos encontrar uma saída, não se preocupe.’’ – Ele falou com seus lindos olhos castanhos em mim, transmitindo sua segurança e todo carinho que sentia. Eu apenas assenti, e o puxei para mais perto. – ‘’Eu prometo, America.’’
E nada mais precisava ser dito. Eu acreditava nele, sabia que iriamos enfrentar nossos medos e ficarmos juntos, podia sentir isso em cada uma das rápidas batidas de seu coração. E então, ali abraçados, de baixo da lua cheia que preenchia o céu, daquele frio dia de Angeles, tudo parecia certo.
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