Between The Woods
6 Capítulo 6
— Dez? Você tirou dez? — Sophie estava gritando, indignada. — E em história? Nem eu tirei dez!
— Uhum. — Sorri, mostrando minha prova à ela.
— Por que está tão indignada? Nossa princesa é inteligente. — Mitty me abraçou. — Parabéns.
— Obrigada. — Respondi.
— Ela vem ficando cada vez mais interessada na aula de história, né?
— Verdade. — Respondeu Sophie, pensativa. — Espera aí, essa não é... — Ela pegou a prova da minha mão. — A prova sobre a cultura élfica antes, durante e depois da guerra?
—... É. — Respondi, baixo.
— Então é por isso!
— Isso o que? — Mitty interrompeu.
— Poderia falar com você, sua alteza real? — O segundo professor de história, um cara novo e simpático, chegou atrás de mim.
— C..Claro... — Respondi. O segui até a sala vazia. Ele fechou e trancou a porta assim que entramos.
— Vejo que você anda empenhada nas aulas. — Falou, andando para a sua mesa.
— Sim... — Fui seguindo.
— E tirou total na prova mais difícil do ano. Wow!
— É...
— Me conta... Você realmente gosta de elfos, não?
— Eh?! — Olhei para ele, assustada. Ter interesse em elfos num nível não acadêmico era considerado proibido, ninguém podia saber mais do que o ensinado da escola, assim como falar demasiado sobre eles ou portar seus objetos.
— Tudo bem, não vou contar para ninguém. Acha que eu ousaria dedurar a princesa? — Ele riu.
— S.. Sim... Tenho interesse.
Ele abriu a gaveta, pronunciando alguma magia, e pegou um livro, muito bonito por sinal, bem diferente dos livros escuros com detalhes em ferro nossos, ele era mais claro, mais leva, por assim dizer, parecia ter uns galhos torcidos em sua volta e uma pequena esmeralda no meio.
— Aqui. — Ele o estendeu para mim. Fiquei parada, sem saber o que fazer. — Pode pegar e olhar.
— Ah, sim. — Peguei e comecei a folhear lentamente. — Wow. — Era um antigo livro elfo, falava tudo sobre eles. — C.. Como você..!
— Um amigo meu. — Ele me interrompeu, sorrindo como sempre.
— Wow... Só... Wow!
— É seu.
— Quê?
— O livro, pode ficar, você merece. Não é sempre que encontro alguém tão interessado neles quanto eu.
— Mas..!
— Tudo bem. Você quer, não quer?
— Bom, quero...
— Afinal. — Ele mexeu mais na gaveta, tirando algo. — Eu tenho meu objeto precioso já.
— Uma... Uma ocarina de verdade! — Quase gritei.
— Sim, linda, não?
— Muito. — Fiquei um tempo calada e quando fui abria a boca para falar, fui interrompida.
— Presente, desse amigo... — Ele sorriu novamente, olhando para ela, dessa vez um pouco melancólico. — Quer ouvir?
— Mas alguém..!
Ele começou a tocar, sem medo, tudo estava fechado mesmo. A música era muito bonita,e calma, era como se ela passasse a impressão de que tudo estava bem, como se nos fizesse esquecer os problemas enquanto a ouvimos.
— Gostou? — Ele me perguntou.
— Claro! Era... linda... Seu amigo que te ensinou?
— Sim... — Ele sorriu tristemente mais uma vez.
O sinal bateu, me assustando, era a hora do almoço.
— Acho melhor você ir rápido e esconder bem esse livro, aliás. — Ele se aproximou e sussurrou o feitiço da gaveta no meu ouvido. — Cuide bem dele, viu? — Ele piscou para mim.
— Pode deixar! — Sorri, coloquei o livro de baixo da blusa e saí correndo.
Coloquei-o dentro da gaveta no segundo em que entrei no quarto e tranquei a gaveta com a magia. Depois, saí correndo para o salão onde almoçávamos.
— Você tá feliz, hein. — Riu Sophie, quando me sentei, na sua frente, Mitty estava ao seu lado.
— É, acho que sim. — Respondi, sorrindo.
— O que aconteceu, algum garoto se declarou?
— Eh?! — Mitty cuspiu o suco dela, molhando o garoto que estava na sua frente, mas continuou, ignorando-o. — Mireillè gosta de alguém? Você não pode! É uma princesa. Deve se casar com um..!
— Eu não gosto de ninguém! — Interrompi, meio que gritando, um pouco vermelha. — E ninguém se declarou pra mim, ok.
— Ah, ufa...
— Não precisava disso tudo. — Eu ri.
— Eu sei...
— Então, o que foi? — Perguntou Sophie.
— Ah, err... Nada... Eu só... Ouvi uma música bonita. Só isso.
— E isso te deixou feliz assim?
— Exato.
— Ok...
Mitty e Sophie se entreolharam, claramente achando aquilo estranho. Mas o que eu podia fazer? Não era bem uma mentira de toda forma...
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