Between The Time
6 Através dos seus olhos
Notas iniciais
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1965
P.O.V Alexandra
Rafael ficou parado no tempo, enquanto as palavras de Alexandra ainda pairavam sobre ele, “Eu te ignoro, trato você mal para me sentir no controle, por que a verdade é que eu gosto de você”.
— Uau! — Disse Rafael com um sorriso bobo — Uau! Como você conseguiu falar essas coisas? Você é incrível!
— Eu tenho minhas habilidades. — Alexandra deu de ombros e sorriu entrando na brincadeira dele.
— Obrigado. — Disse ele olhando sinceramente para ela. — Você viu? Não foi tão difícil assim.
— Posso te pedir uma coisa?
— O que?
— Um beijo. — Disse ela sorrindo com o canto da boca.
— Você acabou de me roubar um, por que está pedindo agora? — Perguntou ele fingindo confusão.
— Queria sentir o seu beijo, o seu jeito... é diferente.
Ele fitou o céu, como se lá tivesse todas as repostas e Alexandra o fitava, mais aliviada do que antes.
— Não, nada de beijos por hoje mocinha. — Disse ele levantando as sobrancelhas e olhando para ela.
— O que? — Disse ela sentindo o rosto ficar vermelho — Mais por que?
Ele riu sozinho, enquanto observava o quão zangada ela ficou, então a beijou.
— Isso foi bom! — Disse ela quando o rosto dela ainda estava próximo do dele. –— Eu disse que o do seu jeito era melhor.
— Por que você se sente sem controle quando está perto de mim?
— Eu não consigo pensar direito, só ajo por impulso quando você está perto, parece que a minha áurea fica bagunçada.
— Você acredita em áureas? — Ele sorriu para ela.
— Eu acredito em algo maior, além dos nossos olhos humanos, forças...não sei, mas existe algo que não somos capazes de ver ou será que nós estamos apenas numa esfera de grandes acasos? — Ela tinha dito aquelas coisas, mas para si mesma do que para Rafael.
Rafael fitou mais uma vez o céu, como se alguma resposta viria dali para ele, agora e a trouxe para um abraço.
1922
P.O.V Claire
— Quem é ela? A mulher que está por trás de tudo isso. Você confessou toda história, mas esqueceu do início. Quem mandou?
O homem se mexeu na cadeira, como se levasse um choque.
— Como assim? Que mulher? Eu não disse nada sobre nenhuma mulher. — Disse o homem evidentemente nervoso, sua perna já tinha curativos, David tinha atirado numa área que não causaria problemas futuros.
Claire tinha uma pose severa perto da janela do bar, todos foram liberados e o bar foi esvaziado, agora aquele lugar era palco de uma investigação, David encarava em pé o homem sentado, que parecia muito assustado e apreensivo.
David riu um pouco, deixando todos nervosos.
— Em toda a sua confissão em nenhum momento eu percebi sua intenção de realmente fazer mal a garota, aposto que recebeu dinheiro. A única intenção de um crime como esse é envergonhar a vítima.
— Adelane Foster. — Disse o homem nervoso, sem levantar os olhos para David.
A mãe de Claire estremeceu e ela percebeu a reação da mãe e o nervosismo repentino.
— Mãe?
A mãe dela fitava o horizonte.
— Mãe? O que você sabe?
— Adelane Foster, a mulher do seu pai. Eu nunca pensei que ela fosse capaz de fazer algo desse tipo.
Claire levou um choque, seu pai tinha morrido há alguns anos atrás, ela ainda sentia falta dele e tocar no assunto já a deixava triste.
— Como? Mãe, você era a mulher do meu pai.
— Não Claire, nós éramos a segunda família de seu pai. Ela foi na nossa casa alguns dias atrás, ameaçar nossa família.
Claire não sabia o porquê de tanta coisa ruim, sem ordem, sem motivo acontecia em sua vida. Aquela informação caiu como uma bomba na mão dela, ela lembrou dos momentos que passou com seu pai, todas as vezes que ele saia de casa sem explicação, era como se todos os ensinamentos dele fosse uma mentira. Toda honra e educação que ele ensinou para ela agora parecia um embolado de mentiras. Claire agora tinha uma raiva que não era só dela, nada na vida era justo, nada nunca foi justo com ela.
— Por que ela faria isso comigo mãe, qual é a minha culpa em tudo isso?
— Ela me pagou, se vocês querem saber. — Disse o homem que estava sentado, atraindo a atenção de todos.
— Desculpe-me Claire, mas acho que já está na hora desse caso chegar até a delegacia, eu não posso manter esse homem comigo por muito tempo. — Disse David.
— Não David, eu não vou para nenhuma delegacia. — David por alguns segundos teve medo de Claire, sua fúria era incomum, ele nunca tinha visto Claire demonstra esse sentimento, David viu a mesma fúria e dor que já teve no olhar. — A intenção dela era me envergonhar, envergonha a minha família, ferir o quanto ela podia e se isso se tornar público ela vai consegui o que quer.
— Claire...Eu posso perder meu emprego. — Disse ele apreensivo.
— Sinto muito David. — Disse ela, enquanto ele a olhava pelos olhos, ela tinha o mesmo tom doce ao falar seu nome como todas as outras vezes, mesmo com toda a raiva.
Ela se virou e perguntou:
— Mãe? Onde eu encontro essa mulher?
— Claire...
— Onde ela mora?
— Rua 13, em frente à Catedral.
Claire foi em direção à porta, mas David se colocou na frente.
— Claire?
— Sim David?
Ele sorriu.
— Sabe o que mais me intriga? — Ela fitava David com seus olhos curiosos — O como você é tão parecida comigo e por você ser tão parecida comigo, sei que essa raiva vai passar e que você realmente não quer fazer nada disso que está pensando em sua cabeça nesse exato momento.
— Eu preciso fazer algo, David. Eu não vou ficar esperando alguém fazer algo por mim, alguma justiça divina ou humana. Eu estou cansada de ver minha vida cai aos pedaços na minha frente.
David suspirou, ele estava vendo a si mesmo através de Claire.
— É muito difícil para mim, dizer isso, mas você não deve fazer justiça com as próprias mãos.
Claire sorriu.
— Eu aposto que você está morrendo de vontade de vir comigo.
— Estou, mas eu tenho que ser a pessoa sensata nesse momento.
— Não seja. — Ela sorriu para ele, logo depois seu sorriso se desfez e ela abaixou a cabeça, se retraindo ao perceber o quanto era bom e fácil sorrir para ele.
Ele segurou o queixo dela e levantou de leve a sua cabeça, para fitar seus olhos.
— Claire... – Sorriu ele – Você só me traz problemas. Eu gosto disso e eu vou com você.
2117
P.O.V Leeiv
Ao sair do palco, Leeiv e Caden sentaram em uma mesa separada dos seus Rhieni, eles não se olhavam, Caden tenha um ponto fixo no horizonte esquecendo totalmente a cerimonia que ocorria ali, já Leeiv observava a pulseira no braço, a silhueta de um leão e um urso, dois animais que não combinam, pensava ela, não faziam sentido juntos daquela maneira, assim como ela e Caden.
Ao final da cerimonia o cientista levantou uma taça azul para brindar com todos e todas as pessoas fizeram o mesmo.
— Evolução! — Todos disseram ao mesmo tempo. — Fraternidade e Ciência!
Todos beberam as suas bebidas, inclusive Caden e Leeiv, era necessário para que houvesse a confirmação, assim todos estavam de acordo com a cerimonia.
Leeiv ainda não conseguia raciocinar sobre o que havia acontecido, ela culpava também Caden por não ter dito que era um Invertido, assim ele não iria fazer parte de nada daquilo, pelo menos assim ela seria uma pessoa sem par, teria a oportunidade de encontra outra pessoa sem par e formar um Teulu com ela e até achar uma criança talvez, uma criança perdida, mas agora nem isso ela podia, nem essa escolha ela tinha, estava amarada à Caden, ele era agora seu Teulu e era o dever deles procriar, só de pensar sobre isso já deixava Leeiv nervosa.
— Eu te odeio — Leeiv direcionou seus olhos cheios de raiva para Caden, que não virou de volta, apenas a observou pelo canto dos olhos — Você já sabia, não sabia?
Caden balançou a cabeça em concordância. Os pais deles eram analistas no E.F.A.S., era impossível ele não saber.
— Poderia eu fazer alguma coisa, Leeiv? — Os olhos de Caden estavam marejados.
— Isso tudo é culpa sua. Você tem seus medos, inseguranças, tudo culpa da sua estupida vida.
Caden virou seus olhos para ela, sua tristeza tinha rapidamente se transformado em raiva e ele deixou isso evidente, os dois estavam a ponto de estourar, os sentimentos dos dois estavam incontroláveis.
— Temo em ti dizer, o mundo não gira ao seu redor princesa Leeiv...
Até que uma música lenta começou a tocar, Leeiv procurou de onde vinha aquele som até que seus olhos encontram o de Sam, que estava cantando no palco, tocando um piano, enquanto uma banda espera ele terminar.
♫►https://www.youtube.com/watch?v=WbdVEwbUL40 ♫
Os olhos de Sam estavam tristes, ele tinha assistido a toda cerimonia e por mais que não fosse parte daquela sociedade, ele entendeu tudo e sabia o porquê de Leeiv estar com Caden.
Ela olhou para ele tentando entender o que se passava, quem era ele e o que ele fazia ali, enquanto admirava sua voz e a atmosfera que ele trazia ao cantar.
— Não há nada nesse mundo ou em outro que comande nossas vidas. Eu não acredito nisso... — ela sussurrou e ninguém além dela ouviu.
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